Origens

1 Kyeran Nyah'n


Notas iniciais
Personagem criada para RPG Tormenta.

- Para onde você está indo? — Perguntou Ferro-Forte, ainda sentado em sua mesa.

Parei minha caminhada até a porta dupla da taverna e girei meu corpo, voltando a olhar nos olhos escuros daquele "Anchor Howl".

- Não sei. — Sorri. — Não importa, desde que eu chegue em algum lugar Nyah.

- Você não está à procura de alguma aventura então? – Ele virou o copo.

- Muito pelo contrário Nyah. — Retirei o capuz, libertando minhas orelhas. — Procuro o mesmo que você. Aventuras, riquezas, prestigio e tudo mais. E eu sei que conseguirei atingir estes objetivos, é só caminhar bastante! – Sorri.

Os olhos curiosos de diversos aventureiros estavam voltados para mim. Olhos sedentos por sangue, sedentos por dinheiro. Olhos de inveja, olhos de cobiça, olhos que podiam destruir aquele lugar em poucos segundos.

- As aventuras se apresentam para nós de forma aleatória. — Continuei. — Cabe a nós fazer parte das variáveis. Não persegui-las Nyah.

- E o que seu clã pensa disso? — Questionou uma pequena criatura coberto de bandagens.

- Acredito que seja de conhecimento público a origem dos Monreau. — Arrumei a posição do cinto, que pendia de lado devido ao peso de duas kunais, o que despertou a atenção daqueles mais paranoicos. — Pertencemos ao Arquipélago de Moreania que, para quem não sabe, fica ao sul. Lá eu era membro de uma pequena família, composta de minha mãe e meus irmãos, sendo estes uma menina e um menino. Nós éramos uma família classe média e que, devido a morte de nosso pai, obrigara meus irmãos mais velhos a amadurecer antes do habitual. Entretanto, é obvio que isso não aconteceu comigo. — Ferro-Forte sorriu. — Desde pequeno eu era considerado um desbravador, acostumado a subir nas árvores mais altas do arquipélago, nadar nas partes mais fundas, e visitar as ilhas mais distantes, mas sempre voltando para casa em tempo para a típica Festa do Chá, momento em que toda família se reunia. Mas a paz não deve ser duradoura, então as variáveis mudaram. — Um baque ecoou na taverna, seguido de típico som de vidro se quebrando. — Pessoas da Terra, como chamamos os habitantes da Terra Desconhecida, chegaram em Moreania e iniciaram uma jornada diplomática. Naquela época os anões, elfos e demais humanoides eram novidade para nós mas, como de costume, os acolhemos da melhor forma possível. Eles eram boas pessoas. Eu tinha nove anos. — Sorri. — A diplomacia ocorreu normalmente, pode-se dizer. Nós não buscamos por guerras ou assuntos de grandes reinos, mas os sábios acreditavam que manter relações estáveis com eles seria uma boa ideia. Contudo, nunca chegamos ao final de um acordo. — Os olhos continuavam parados sobre mim, presos, hipnotizados. — Após alguns dias de estada das Pessoas da Terra, vários membros do nosso povo começaram a falecer. Homens, mulheres, crianças. Não havia um Modus Operandi, parecia acontecer de forma aleatória. E é claro, nós não gostamos disso. No início achávamos que era a lei natural da vida, até que a lei começou a fazer mais vítimas que o habitual. Para nós, não havia outra explicação. Post hoc ergo propter hoc. A culpa era deles, das Pessoas da Terra. Nós os convidamos a se retirar de nossas ilhas, não de forma rude ou agressiva, mas por precauções. Contudo eles teriam de arrumar suas coisas até, finalmente, partir. E durante este curto período, meu pai falecera. Foi uma noite agradável, início do outono. Ele se deitou para dormir e nunca mais acordou. — Ninguém se mexia. — O único motivo aparente era o sangue que escorria de sua boca. Neste mesmo dia os diplomatas foram embora e como mágica as mortes estranhas cessaram, mas não sem antes destruir as bases de minha família. Eu me tornei esguio, escondendo-me da melhor forma que conseguia para poder chorar. Meu irmão, o mais velho de nós, amadureceu antes do esperando, protegendo os pilares restantes da família, mantendo o movimento da família. E minha irmã, a filha do meio, tornou-se uma com a mata, adquirindo a responsabilidade de nos alimentar. No fundo eu fui o mais imprestável, aquele que mais sofreu com a morte de nosso pai. E é claro, os anciões notaram isso. — Alguém adentrou na taverna, parou ao meu lado, coçou a cabeça e saiu pela mesma porta. — Eles enviaram três amigos até nossa casa, convidando-nos a melhorar nossas técnicas. Kaninchen, uma descendente do Coelho, uma mulher especializada em caça, uma grande Ranger do arquipélago. Ela convocou Kaat'arin minha irmã, levando-a para treinar nas ilhas mais distantes; Sarvi, um descendente do Búfalo, um homem forte e inteligente, um dos Guerreiros responsáveis pela proteção de Moreania. Ele convocou Purrlon, meu irmão, treinando-o junto da guarda; E é claro Lalay, um descendente do Morcego, meiga e mortal, uma das poucas ninjas do arquipélago. Ela foi até minha casa com o intuito de me convocar, mas levou um dia inteiro para me encontrar, dentro de um velho sino tombado ao lado de nosso antigo "alarme". Fui parabenizado na época. — Lembrei. — Eu treinei com ela durante alguns anos e após me aventurar em todas as ilhas e terrenos estranhos do arquipélago eu estava livre para fazer o que bem entendesse. Aprendi que o mundo era um enorme ponto de interrogação, onde coisas aleatórias aconteciam a todo momento. E isto me chamava atenção, as variáveis, os "se". O que poderia ter acontecido naquela época e que meu pai faleceu, companheiro? — Perguntei a um humano que estava sentado ao meu lado, mas ele não respondeu. — Até agora eu já pensei em trinta novos rumos que minha vida poderia ter tomado. E é por isto que estou na Terra Desconhecida, é por isso que deixei minha família para trás, para buscar novos rumos e mudanças para minha simples existência. Respondendo sua pergunta. — apontei para a pequena criatura coberta de bandagens. — o Clã Nyah’n, meu Clã, me dá o apoio que uma família dá aos seus membros Nyah.

Eles permaneceram com os olhos vidrados em mim, esperando que eu continuasse uma história que já havia acabado. Ferro-Forte se destacava em meio a taverna devido a sua pesada e polida armadura. Olhei em seus olhos e sorri, colocando meu capuz de volta, arrumando de leve a túnica sobre meu corpo e dando as costas àquela taverna. Deixando para trás meio copo de chá verde e uma enorme quantidade de variáveis.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.