Orgulho E Sedução.
41 Capítulo 41
Notas iniciais
Cap. 41
Pdv Edward.
-O James?!
-Tem certeza?
-Sim, ele me enganou dizendo que um dos homens tinha sofrido um acidente e eu… Apertei as mãos com força até que os nós dos dedos ficassem brancos — Eu deixei a Bella vir para cá sozinha, falei estremecendo interiormente.
-Não posso acreditar nisso, Edward... Balbuciou o Charlie arrasado. Aquela frase fez com que eu me sentisse ainda pior. Nós nos separamos e andamos por toda a casa a procura de Bella, mas meu instinto dizia que ela não estava.
-Limpo.
-Limpo, responderam os policiais na sua linguagem habitual descendo as escadas.
Eu e Charlie ficamos no andar térreo vasculhando todos os cômodos e quando cheguei à área de serviço meu coração deu um baque quase parando de bater. Senti um arrepio intenso, gelado e mórbido percorrendo minha espinha de cima abaixo. O anel da minha avó cintilava estrategicamente colocado no centro de um pedaço de papel branco dobrado ao meio no chão de porcelanato. O molho de chaves também estava no chão. Senti meus olhos arderem úmidos. Minhas mãos tremeram ligeiramente, minha garganta apertada. Eu havia falhado. Eu tinha prometido a Bella que não deixaria que nada de ruim acontecesse a ela e tinha falhado. Por minha culpa o maníaco do James agora a tinha nas mãos.
Música do momento: Human (The Human League)
http://www.vagalume.com.br/human-league/human-traducao.html
Come on, baby, dry your eyes
Wipe your tears
Never like to see you cry
Won't you please forgive me?
I wouldn't ever try to hurt you
I just needed someone to hold me
To fill the void while you were gone
To fill this space of emptiness
I'm only human
Of flesh and blood I'm made
Human
Born to make mistakes
So many nights I longed to hold you
So many times I looked and saw your face
Nothing could change the way I feel
No-one else could ever take your place
I'm only human
Of flesh and blood I'm made
Human
Born to make mistakes
I am just a man
Please forgive me
The tears I cry aren't tears of pain
They're only to hide my guilt and shame
I forgive you now I ask the same of you
While we were apart I was human too
I'm only human
Of flesh and blood I'm made
I am just a man Human
Human born to make mistakes
Tradução: Humano
Vamos, garota, seque seus olhos
Enxugue suas lágrimas
Nunca gostei de te ver chorar
Por favor, você não vai me perdoar?
Eu nunca se quer tentaria te machucar
Eu apenas precisava de alguém para me abraçar
Para preencher o vácuo enquanto você ia embora
Para preencher esse espaço do vazio
Eu sou apenas um humano
De carne e sangue sou feito
Humano
Nascido para cometer erros
Tantas noites eu tive saudades de te abraçar
Tantas vezes eu olhei e vi seu rosto
Nada podia mudar o jeito como me senti
Ninguém mais podia se quer tomar seu lugar
Eu sou apenas um humano
De carne e sangue sou feito
Humano
Nascido para cometer erros
Eu sou apenas um homem
Por favor me perdoe
As lágrimas que choro não são lágrimas de dor
Elas são só para esconder
Minha culpa e vergonha
Eu te perdôo e agora peço o mesmo de você
Enquanto estávamos separados
Eu também era humana
Eu sou apenas um humano
De carne e sangue sou feito
Sou apenas um homem
Humano
Nascido para cometer erros
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O homem que a perseguia desde Washington, o homem que tentara estuprá-la, o seu pior pesadelo... Ela agora estava com ele, sabe-se lá onde. Fechei os olhos por um instante clamando a DEUS que não permitisse que nada de ruim acontecesse a ela. Bella era a minha vida e eu não sei o que faria se a perdesse. Suspirei frustrado. Charlie vinha logo atrás de mim e senti quando ele estacou subitamente.
-Ele a pegou, constatou num lamento sombrio, seus olhos fixos no papel em minhas mãos. Os dois policiais caminharam até mim e pediram para ver o papel. Não deixei. Eu ia ler primeiro. Peguei o anel do chão e o pequeno objeto queimou entre os meus dedos. Guardei-o no bolso da calça e lentamente abri o bilhete.
“ Estrada sul da fazenda próxima a fronteira com o Canadá. Venha sozinho ou ela voltará para casa em pedaços.”
Minhas mãos tremiam e eu senti um ódio latente e poderoso começar a me consumir. Como ele ousava?! Como ele se atreveu?! Mas eu iria colocar minhas mãos naquele imundo e me certificar de que nunca mais ele tivesse uma ereção na vida. Nunca mais seu pau subiria novamente!
-Maldito!
-Muito Esperto. Escolheu a fronteira próxima ao Canadá porque de lá é bem mais fácil fugir, disse Quil inconformado.
-É a fronteira mais movimentada do país. Milhares de turistas todos os dias.
-Ele não vai fugir, eu disse.
-Não vai mesmo, emendou Charlie. –Vamos matar esse canalha!
Nós nos entreolhamos.
-Senhor Cullen, é melhor pedirmos reforços, falou Embry.
-Não, falei taxativo. –Ele é um só e nós somos quatro. Não vou preocupar os meus pais, o Emmett, a Rosália, nem tirar os peões da fazenda com a empilhadeira quebrada. Os outros não precisam saber de nada. Vamos ser nós quatro e ninguém mais. Os policiais se entreolharam cautelosos.
-O Senador não vai gostar nada disso, emendou Embry desconfortável.
-Nem o capitão, disse Quil já antecipando a bronca que levariam do seu oficial superior.
-Resolvo isso depois. Agora precisamos das nossas armas e de um bom plano.
O silêncio pesou opressivo.
-Ele é sádico. Quer que você esteja lá quando tudo acontecer.
-Não vai acontecer nada!
Gritamos Charlie e eu ao mesmo tempo.
-Desculpem-nos, é apenas o nosso serviço tentar ler a mente desses doentes e a forma como eles agem.
-Tudo bem, mas agora vejam o que pensei. Escutem: E se nós...
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PDV Bella.
Fui dominada por uma névoa de intensa e pesada letargia, meus olhos fechando-se sem a minha permissão. O soco que levei no plexo solar me deixou inconsciente. Não sei quanto tempo havia passado desde então. Fiquei à deriva. Minha cabeça e o meu rosto latejavam de dor. Senti que estava com um dos braços amarrado e preso a alguma coisa. Uma cama talvez. Minhas costas reclamaram por estar no chão duro e frio enquanto eu tentava abrir os olhos. O ambiente estava na penumbra. O cheiro de mofo e madeira molhada misturavam-se. Forcei as pálpebras para cima correndo meu olhar. Vi que estava numa espécie de cabana e que era muito antiga. E silenciosa. Meus pensamentos estavam confusos, misturados, nebulosos. Sonhos e pesadelos confundiam-se. Precisei de um tempo para entender realmente onde eu estava agora e o que tinha me acontecido.
James. No fundo eu sempre soubera. Suspirei resignada apurando meus ouvidos. Nada. Ele não se encontrava ali. Eu estava sozinha e constatar aquilo me deu certo alívio. Ao menos por enquanto. Ergui meu olhar para o ambiente a minha volta novamente. As paredes de tábuas largas de madeira que faziam as paredes estavam sujas e empoeiradas, o chão da mesma forma. Havia poucos móveis. Uma cama a qual meu braço estava preso pelo pulso, um pequeno fogão de acampamento sobre uma bancada lateral estreita, uma mesa redonda e dois bancos. Nada mais. Notei que tinha também uma sacola de viagem encostada à parede do lado oposto ao que eu me encontrava. Fechei os olhos novamente respirando e tentando sentir algum cheiro característico, mas tudo o que senti foi o cheiro da floresta, do mofo, da mata e das plantas. Ele havia me trazido para algum lugar no meio da floresta. Engoli em seco, resignada e triste. Minha mente andava em círculos tentando tirar algum sentido aquele pesadelo. Puxei minhas pernas encolhendo-me como uma bola, abraçando meus joelhos com a mão livre. Não havia alternativa nem escapatória. Eu podia ver nitidamente o final sombrio se assomando em meu futuro. Eu não veria mais Edward, não casaria com ele nem nos mudaríamos para a casa nova. Todos aqueles planos haviam ficado no passado. Fechei os olhos mim pedindo uma lágrima da cair. Eu não iria chorar. Não daria aquele infeliz este gosto. O meu único consolo era que eu iria morrer e não as pessoas que eu amava. E isso me parecia uma boa forma para se morrer. Mas a preocupação agora era: quantas pessoas seriam feridas até que o meu fim chegasse. E aquilo me atormentava como um espinho perfurando a minha carne.
Subitamente a porta foi aberta e James entrou. O pânico me dominou instantaneamente. Tentei sentar e gritei, mas a posição em que ele tinha me amarrado impedia-me de fazer qualquer movimento mais brusco.
-Vejo que já acordou, disse aproximando-se e tocando o meu rosto. Seu semblante era tranqüilo, sereno. Tive vontade de vomitar. Virei à cabeça, mas ele segurou com força, examinando o estrago que havia feito com o soco.
-Acho que o Edward vai gostar quando te vir assim, respondeu sorrindo de forma macabra. –Ele com certeza vai querer revidar e isso torna tudo mais interessante.
-Deixe o Edward fora disto!
Cuspi. Ele sorriu amplamente.
-Ora, ora... Perece que consegui te deixar nervosa, Bella.
-O Edward não tem nada a ver com isso, James. Esbravejei sentindo minha ira borbulhar como uma panela de pressão.
-Será mesmo? E que graça teria deixá-lo de fora depois de todo o trabalho que você me deu, Isabella?! Seria divertido?! É claro que não! Ele vai ter que vir até aqui e assistir a tudo como um bom e fiel noivo, falou calmamente como se estivesse planejando dar um almoço, jantar ou algo parecido.
O meu coração disparou no peito, minhas mãos gelaram. Eu não podia permitir que ele atraísse o Edward até ali, mas o que eu poderia fazer?! O desespero me dominou. Não havia como barganhar ou oferecer algo que mudasse a minha deplorável situação. Minha mente trabalhava rapidamente enquanto ele continuava falando. De repente tive uma idéia. Planejar. Eu iria respirara fundo e começar a planejar, torcendo para que desse tudo certo. Empurrei meu terror para o mais fundo que pude, limpei a garganta criando coragem e disse:
-Você já tem a mim, não precisa do Edward. Você venceu. Enganou-o. A vitória é sua, James, falei tentando satisfazer seu narcisismo e egocentrismo. Só esperava que ele se satisfizesse com a vitória, que ela fosse suficiente e que esquecesse o Edward. Esperava ansiosamente que a sua mente doente começasse a jogar junto comigo. Que derrotar o Edward fosse o bastante para ele. Lêdo engano.
-Tsc, Tsc... Isso é muito nobre de sua parte, mas eu quero que ele venha, Bella. Faz parte do plano.
Busquei todo ar que podia enchendo meus pulmões antes de argumentar.
-Por quê? Por que você precisa dele?! Fui eu que escapei de você de Washington! Ele não tem nada a ver com essa história!
-Ah, que romântico... A mocinha em perigo querendo dar a vida pela do seu amado... Muito bonito nos contos de fadas, mas na vida real é meio piegas não acha?
-Não.
Rebati encarando-o. Ele sorriu mais uma vez.
-Vai dizer que não está com medo de mim? Com o medo do que eu vou fazer com você? Tenho muitos planos, afinal foram meses de espera. Nenhuma mulher nunca me fez esperar tanto sabia?
-Não, falei fitando-o diretamente.
-Curioso e interessante. Então... Então está disposta a aceitar o seu destino sem lutar?
-Você não vai me dar à chance de lutar, retruquei tentando parecer tranquila.
-Quem sabe? Você lutou uma vez e escapou.
-James...
-Diga novamente. Meu nome soa doce quando sai dos seus lábios, pediu aproximando-se perigosamente. Ignorei o asco e olhei-o fixamente.
-Faço o que você quiser se deixar o Edward fora disso.
-Não.
-Então também não, falei erguendo meu queixo.
-Geniosa. Gosto disso.
-Vá para o inferno!
-Tsc, tsc... Não me provoque, Isabella. Eu posso ser impaciente às vezes.
Virei meu rosto para o lado.
-E que tal um beijo agora?
Falou num sussurro me deixando arrepiada de medo. Mas antes que eu conseguisse me mexer ele me agarrou com força e colou a boca na minha forçando a passagem. Cerrei os lábios com força e ele mordeu fazendo-me gritar. Senti o gosto do sangue brotando no meu lábio inferior enquanto ele afastava-se rindo.
-Viu? É disso que estou falando. Força, brutalidade. Sem isso não tem graça, Bella.
Doente de uma figa!
-Está perdendo o seu tempo se pensa que o Edward irá nos encontrar aqui. Você foi muito esperto distraindo-o com aquela estória da queda de um dos peões. Ela jamais vai nos achar, enfatizei enquanto ele levava seu lábio inferior ente os dentes e se aproximava de mim outra vez abrindo a minha blusa, expondo meu sutiã rendado aos seus olhos famintos. Senti que paralisava, congelava no lugar, tomada pelo pânico e pelo medo horrendo.
-Muito bom. Vejo o medo crescendo em seus olhos doçura e gosto disso. Gosto muito. Adoraria tirar esse sutiã do seu lindo corpo agora mesmo e ouvir seus gritos de medo e agonia implorando para que eu pare. O que acha?
Perguntou levando seus dedos imundos a borda do sutiã. Não consegui dizer nada. O medo me paralisou totalmente.
-Não vai dizer nada? Nem um comentário, piadinha, ironia ou simplesmente a sua rendição? Estou decepcionado, Isabella... Para alguém que me deu tanto trabalho para ser pega, juro que pensei que com você seria tudo mais difícil... Que levaríamos o meu joguinho ao limite de suas forças.
Obriguei-me a ficar calada desta vez.
-Ah, e não se preocupe com o Edward. Ele vai nos encontrar sim. Eu deixei instruções precisas, falou fechando minha blusa parcialmente.
Desviei meu olhar engolindo em seco e pedindo silenciosamente a Deus que Edward não encontrasse as tais instruções. Desejei ardentemente que o James começasse e acabasse logo com aquilo. A tortura psicológica só piorava a minha ansiedade e o meu estresse.
-Deixe-me lhe contar uma história enquanto aguardamos a chegada do seu namoradinho cowboy, falou e pela primeira vez eu notei a arma que ele portava na cintura da calça. Eu não entendia muito de armas, mas me parecia ser uma automática. Uma pistola e tinha... Um silenciador na ponta. Isso. Eu já havia visto outros daquele nos filmes da TV. Estremeci. Não precisava ver para saber que ele também tinha uma faca e que sempre levava consigo. O Edward comentara sobre isso algumas vezes. Meu tempo estava passando muito rápido e eu precisava fazer alguma coisa. QUALQUER COISA!
-Vai me contar uma história? Que história?
Qualquer coisa que me fizesse ganhar tempo valeria a pena.
-Sobre quando eu estava em Washington... Antes de nos conhecermos.
Sua voz era gelada e desprovida de qualquer emoção. Deu-me arrepios novamente.
-Eu estava sentado num café no centro quando vi uma linda mulher entrar. Ela despertou a minha atenção na mesma hora. Continuei olhando enquanto ela sentava e pedia algo para beber. Logo em seguida recebeu vários telefonemas. Vi que era alguém importante, independente. Além de ser linda mignon e ter cabelos pretos, curtos desfiados.
Meus olhos se arregalaram em choque.
-Alice!
Sussurrei baixinho. Novamente um sorriso diabólico surgiu em seu rosto desprovido de qualquer emoção.
-Exato. Mary Alice Brandon, diretora da revista de moda mais popular do momento. Ah, eu adoro mulheres de cabelos escuros. Gostaria de ressaltar isso só um pouquinho.
-Meu Deus!
Exclamei com o coração disparado e a garganta subitamente seca.
-É. A resposta estava lá o tempo todo, mas você não viu.
-Alice!
Falei novamente. Ele prosseguiu:
-Segui-a por duas semanas inteiras vigiando cada passo, cronometrando seus horários, os lugares que frequentava, observando seus hábitos, os momentos em que ficava sozinha, quando saía com o namorado loiro, o empresário... E aí surgiu a oportunidade perfeita. Aquela festa. Aquela maldita festa!
Engoli em seco sentindo minha garganta apertada.
-Eu estava na loja quando ela comprou o vestido vermelho que usaria à noite. Um vestido tomara que caia. Tracei cada passo. Mentalizei detalhadamente como seria. Eu tinha tudo planejado. Estava tudo certo. Até você aparecer e atrapalhar os meus planos.
Deus! Era Alice que ele queria. Era Alice quem seria estuprada naquela noite. Mas ela havia bebido demais e eu a coloquei num táxi... Eu a mandei para casa...
-A única presa que escapou de mim até hoje. Ela tinha um perfume delicioso e uma pele então... Ainda melhor que a sua, mas não se ofenda. Você também é bonita.
-Meu Deus...
Subitamente ele saiu da posição em que estava e aproximou-se de mim até ficarmos a centímetros de distância, pegando uma mecha dos meus cabelos entre os dedos e cheirando deixando-me enjoada e com nojo.
-O seu cheiro também é muito bom. Morangos selvagens com algumas notas cítricas. Mas voltando para a história... Fiquei frustrado por não poder desfrutar da sua amiguinha como gostaria. E como você era a culpada do plano ter falhado, iria servir para substituir o que eu tinha perdido. E eu a faria pagar naquela noite mesmo. A decisão estava tomada, mas você deu muita sorte minha belezinha e aquele troglodita jogador acabou aparecendo e ferrando com tudo. Vi nos jornais que vocês ficaram noivos... Acho que você tem uma certa tendência para noivar...
-Pense o que quiser.
-Depois que quase fui pego, graças a você, devo acrescentar, vi que não poderia ficar na capital. Eu tinha que sumir por um tempo e decidi sair da cidade e vir para o campo. Cobrei alguns favores que estavam me devendo, juntei um dinheiro e saí de Washington. Aqui nas montanhas as coisas são bem mais tranquilas, embora não se encontre tão boas mulheres como na cidade.
-Estuprou mais alguém depois... De mim?!
-Curiosa?
Dei de ombros.
-Acha mesmo que eu conseguiria esperar meses seguidos sem sexo até pegar você?!
Deu uma gargalhada sinistra.
-Podemos dizer que eu peguei três montanhistas, esclareceu vangloriando-se.
-E onde elas estão agora? Também fizeram como eu e deram queixa à polícia?
Seu sorriso então tornou-se feroz e medonho.
-Não. Eu só falhei uma vez. Com a Alice. Depois dela não há nenhuma viva para contar a estória. Estão enterradas na floresta, onde ninguém nunca as encontrará, concluiu sombrio. Engoli em seco sentindo o pavor brotar nas minhas entranhas. Ele agora não só estuprava como também matava cada uma de suas vítimas. Pobres mulheres.
-Você é doente, consegui balbuciar.
-Sim, eu sei, mas sou feliz assim. Não há nada que descreva a sensação maravilhosa de entrar num corpo macio à força, de ouvir os gritos, as súplicas... É tão estimulante, tão único. Para mim funciona como um poderoso e potente afrodisíaco. Mas eu não preciso te dizer isso. Você descobrirá como é muito em breve.
-Foi muito esperto em se disfarçar como peão na fazenda, falei tentando mudar de assunto. Quem sabe se eu inflamasse o seu ego se ele não cometeria um deslize, por menor que fosse...
-Eu precisava de um emprego normal e sempre gostei de lidar com animais. Conseguir documentos falsos foi moleza. Mas o melhor de tudo foi descobrir que você era filha do velho Charlie. Não imagina como me senti quando te vi na fazenda...
-Seus olhos são azuis ou castanhos?
-Azuis. Uso lentes de contato na cor castanho.
-Você pensou em tudo.
-Sim. E quando vi você novamente soube que era um presente do céu. Tinha de ser. A mulher que tinha ferrado com tudo, que quase acaba com a minha vida estava ao meu alcance novamente. Foi aí que percebi que teria de ser você no lugar da Alice. Então comecei a me dedicar mais ao trabalho. Ganhei a confiança dos Cullen, salvei o Emmett do puma...
-E como os pumas entraram na fazenda? Também foi você? Perguntei.
-Sim. Eles estavam rodando ali por perto. Há muitos animais selvagens nesta floresta. Só precisei abrir um buraco na cerca e atraí-los com carne fresca. O resto a natureza se encarregou de fazer, concluiu levantando abrindo uma caixa de isopor e tirando um copo de água mineral.
-Não vai dizer o quanto fui brilhante?
-Sim, você foi, respondi pensando numa forma de distraí-lo.
-Eu vocês me subestimaram. Todos vocês, mas vingança é um prato que se come frio, belezinha e hoje eu comerei gelado. Tome. Beba. Deve estar com sede. Não preciso de você desidratada quando o Edward chegar aqui.
Peguei o copo com a mão livre e bebi tudo enquanto meus pensamentos piscavam em alerta. O destino havia sido como uma faca de dois gumes. Ele tinha me trazido de volta para Montana, para casa, para os braços do Edward e para perto da minha família. Mas também me trouxera para junto do meu algoz. Quando ele estendeu a mão para pegar o invólucro plástico o gato que havia fugido de mim na casa nova saltou sobre a cama atraindo a atenção do James. “É agora ou nuca, pensei”.
Curvei os joelhos com força e estiquei as pernas atingindo-o em cheio.
-Filha da puta!
Gritou caindo quando perdeu o equilíbrio dobrando-se sobre o estômago. Chutei-o mais uma vez atingindo agora a metade da coxa. A arma caiu escorregando. Meus olhos caíram em cima do objeto. Eu precisava alcançar a pistola antes dele!
Contorci-me toda tentando alcançá-la mais ele foi mais rápido desta vez agarrando meus tornozelos, jogando-me contra a parede. Senti uma dor lancinante na cabeça e no cotovelo direito que sofreu o impacto da queda, ficando por um instante numa cega agonia. Meus olhos arderam embaçados pela dor, pisquei várias vezes e vi quando ele rastejou até a arma pegando com uma das mãos. Respirei fundo e ergui o corpo o máximo que pude trincando os dentes pela dor incapacitante, lançando meu corpo para frente, meus pés agora o atingindo na altura dos tornozelos. Ele gritou de dor e arrastou-se para cima de mim tentando me imobilizar. Golpeei sua virilha com o joelho sentindo que minhas forças estavam se esgotando. A dor no braço era insuportável. Devia estar quebrado e antes que eu pudesse tentar qualquer outro golpe ele ergueu sua mão com a arma em punho e desferiu-me uma coronhada certeira. Perdi os sentidos novamente sendo tragada pelo abismo inconsciente da dor, da agonia e do desespero.
Notas finais
beijos
Kiki.
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