Orgulho E Sedução.
32 Capítulo 32
Notas iniciais
Cap. 32
Narrador.
Algum tempo depois na recepção do Hospital foram informados de que não havia ainda nenhuma notícia sobre o estado de saúde de Emmett. Uma das recepcionistas de plantão mostrou-lhes o caminho para a sala de espera próxima ao centro cirúrgico e eles caminharam juntos para lá, encontrando Rósalie, Esme, Charlie e alguns dos funcionários da fazenda. Todos estavam visivelmente preocupados. A ansiedade estampava-se nas feições de cada um deles. Com os olhos rasos d’água, Edward correu para abraçar sua mãe que se encontrava tensa, calada e muito pálida sentada numa das poltronas de courino azul, enquanto Bella fazia o mesmo com sua prima. Rose chorava silenciosamente.
-Oh, Bella... Havia tanto sangue...
-Calma Rose. O Emmett é forte, dizia Bella tentando confortá-la. Charlie juntou-se a elas abraçando-as.
-Eu, eu... Deus! Nunca pensei que passaria por algo desse tipo, lamentou sem importar-se com as lágrimas que corriam livremente por suas faces.
-Tenha fé, querida. Tudo vai ficar bem, acalentou seu tio.
-Quem atirou no puma?
Edward questionou em seguida Fitando o trio Swan.
-Fui eu, senhor, disse James aproximando-se, deixando Bella embaraçada com a aquela velha e desconfortável sensação estranha, percorrendo-a de cima a baixo.
-Obrigado, James.
O rapaz deu um breve sorriso e assentiu dando de ombros.
-Só fiz o que era necessário.
-Nós devemos muito a você, Jam ES. Obrigado, Edward falou estendendo a mão para o peão que aceitou o cumprimento de imediato enquanto um meio sorriso brotava em seu rosto. Segundos depois se afastou do patrão que permanecia sentado ao lado da mãe.
-Vocês estavam armados?
-Sim, respondeu Erick York.
-Droga! Mas então como isso foi acontecer?! Deviam ter atirado naquele maldito de uma vez!
Bradou irritado levantando-se e começando a andar de um lado para o outro praguejando baixinho.
-Ele tentou me salvar, Edward, disse Rose num fio de voz, enxugando as lágrimas com as costas das mãos.
Edward engoliu em seco ficando em choque com a revelação da cunhada que começou a descrever os detalhes do susto que havia passado. Seu irmão realmente tentara salvar a esposa, mas fora completamente imprudente.
-Ele se posicionou na frente do bicho, atraindo a atenção do animal para ele, emendou Mike Newton.
-Se o animal o perseguisse, deixaria Rósalie livre. O vidro do carro dela não iria agüentar por muito mais tempo, explicou Charlie sentindo a sobrinha se encolher toda.
-Calma Rose, pedia Bella amparando-a.
-Ele achou que daria tempo de correr e se jogar no lago, Edward, replicou York.
-Mas que imbecil!
-Edward, contenha-se!
Repreendeu sua mãe falando pela primeira vez desde que haviam chegado ao Hospital Geral de Billings. Ela inalou o ar inóspito com o cheiro forte e característico dos centros de saúde e soltou um longo suspiro.
-Desculpe mãe.
-Estamos todos nervosos, completou Charlie envolvendo a filha e a sobrinha com ambos os braços.
-Emmett sempre foi um exímio corredor. Na época do colégio ele sempre fez parte da equipe de corrida.
-É por minha causa que ele está ferido, disse Rose profundamente abalada.
-Não, Rose. Não se culpe. Ele fez o que qualquer um faria no lugar dele. Tentar salvar a esposa. O Carlisle e o Edward fariam exatamente a mesma coisa se fosse comigo ou com a Bella, reafirmou Esme com convicção. Nesse instante Carlisle adentrou no ambiente andando a passos largos, as feições contraídas e tensas. Nesse momento ele pareceu mais velho do que era, as rugas ao redor dos olhos de boca intensificando-se devido ao sofrimento. Assim que Esme o viu levantou-se num salto e correu para os braços do marido. Todos olharam a cena, emocionados, mas ninguém disse uma só palavra, mergulhados no mais absoluto silêncio.
Com a chegada de Carlisle, Edward dispensou os peões pedindo que todos retornassem a Breaking Dawn. Charlie decidiu seguir viagem com eles, deixando apenas a família unida ali. Assim que soubessem de algo, eles o avisariam. Edward agradeceu a cada um dos funcionários que partiram em seguida.
O cheiro e os sons do hospital eram um tormento para todos.
-Não agüento mais, disse Rose tremendo e desabando sobre uma cadeira. Seus sogros aproximaram-se solidários.
-Aconteça o que acontecer Rósalie, nós lidaremos com isso juntos, disse Carlisle com firmeza.
-Todos juntos, completou Edward entregando um copo de café fumegante a Bella, que o fitou carinhosa
-Você também é nossa filha. E a Bella também, emendou Esme limpando as lágrimas de seu próprio rosto.
Os laços afetivos que os uniam sempre foram muito fortes. Esme e Carlisle haviam visto as duas meninas crescerem na fazenda, assim como seus dois filhos.
-Eu sei e amo vocês como se fossem meus pais, mas não consigo imaginar a minha vida sem ele...
-Isso não vai acontecer!
Bradou Bella. De repente um vaso com flores foi lançado contra a parede imaculadamente branca da sala de espera por um membro de outra família que também aguardava notícias e acabava de saber que o seu ente querido havia falecido. Choros convulsivos e incontroláveis explodiram ao lado deles deixando os membros da família Cullen ainda mais tensos e ansiosos. A equipe da assistência social do hospital chegou e gentilmente removeu a família que estava inconsolável para outra ala, deixando-os ali a sós.
-Emmett estava consciente quando o trouxeram para cá, Esme?
Carlisle procurou saber. Suas sobrancelhas estavam unidas, um vinco profundo havia sido formado em sua fronte.
-Sim, ele até fez algumas brincadeiras... Contou uma piada. Oh Meu Deus... Proteja o meu filho, é tudo o que LHE peço!
-Ei, ei! Não hora para pensar em coisas ruins. Emmett é forte como um touro, nosso filho vai resistir sim.
Edward olhou para o pai notando que ele não tinha toda aquela certeza, mas que por hora precisava ser forte pelo bem da esposa e dos outros. E nesse instante admirou-o mais do que já o admirava. Carlisle Cullen era um exemplo a ser seguido e Edward tinha muito orgulho de ser filho dele. Sabia que o irmão corria sério risco de vida, pois os ferimentos haviam sido bastante graves. Emmett tinha perdido muito sangue. Talvez sobrevivesse, talvez não. Talvez ficasse aleijado da perna ou qualquer outra coisa horrível. Pensamentos sombrios tomaram conta de sua mente e ele sacudiu a cabeça para espantar os pensamentos mórbidos e sentiu as mãos de Bella sobre seus ombros, o que imediatamente lhe deu conforto e esperança. Ela inclinou-se em sua direção e sussurrou:
-Já temos problemas suficientes, cowboy. Não fique imaginando coisas ok?
Aceitando a sugestão da namorada, Edward fechou os olhos e deixou a mente vagar recordando dos muitos momentos felizes que haviam passado juntos. As farras, as primeiras namoradas, as brigas, as aventuras e loucuras que tinham sempre aprontado na fazenda, as suspensões no colégio, a formatura... Mais três horas se passaram até que finalmente um médico ainda vestido com as roupas que usara no bloco cirúrgico apareceu trazendo notícias.
-Vocês são da família de Emmett Cullen?
-Sim, eu sou a mãe dele.
-E eu a esposa.
Os olhos do médico passaram por todos os presentes, detendo-se em Carlisle.
-Senador Cullen, cumprimentou.
-Como está o meu filho doutor?
-Seu filho sofreu ferimentos graves, teve a panturrilha esquerda dilacerada e recebeu transfusão de onze bolsas de sangue. Também precisamos fazer a reconstrução dos músculos, tendões e um enxerto de pele na região destruída.
Esme e Rósalie empalideciam mais a cada palavra que o médico proferia.
-Meu Deus!
-Mais ele vai ficar bem?
Todos os rostos voltaram-se para a figura do cirurgião.
-Sim, acredito que ele vai se recuperar.
-Ouviu isso Rose?! O Emmett vai ficar bem!
-Graças a Deus!
Exclamou Rose chorando aliviada.
-Obrigado doutor, agradeceu Esme chorando e rindo ao mesmo tempo.
-O senhor disse que precisou fazer um enxerto no meu irmão?
-Isso mesmo.
-Mas que tipo de pele foi utilizada?
-A dele mesmo. Retiramos da região glútea e enxertamos na perna. É mais fácil para o organismo aceitar. Talvez uma pele sintética ou de outra pessoa causasse um processo de rejeição.
-Ótima idéia.
-O senhor fez muito bem. Muito obrigado mesmo doutor...
-Alistear.
-Posso vê-lo? Nem que seja só por um instante?
Pediu Rose olhando fixamente para o médico que ponderou alguns segundos antes de responder.
-Ele está na UTI recuperando-se da longa cirurgia. Á melhor deixarmos as visitas para amanhã, falou com sabedoria.
-Mas...
-Rose, se o médico acha melhor deixarmos para amanhã, devemos fazer o que ele manda, disse Edward aproximando-se. A loira virou para o cunhado com os olhos semi cerrados e os lábios crispados. Edward recuou dois passos reconhecendo a determinação dela.
-Não vou sair daqui até que possa ver o meu marido! Nem que eu tenha de ficar plantada do lado de fora da UTI ou roubar um dos uniformes das enfermeiras!
Esbravejou irritada. Carlisle sorriu conciliador.
-Dr. Alistear, ela não vai sossegar enquanto não vir o marido com os próprios olhos, interveio o homem mais velho.
O médico assentiu e por fim deu um sorriso breve.
-Vou ver o que posso fazer, mas já vou avisando serão apenas dois ou três minutos, disse o médico cedendo. Duas horas mais tarde Rose recebeu autorização para entrar na Unidade de Terapia Intensiva onde Emmett completamente inconsciente encontrava ligado a tubos, monitores e a um respirador artificial. Seus braços estavam conectados a uma bolsa de sangue e ao soro, a perna enfaixada com curativos especiais. Suas feições abatidas e ao mesmo tempo serenas. Sentiu um aperto profundo em seu peito ao vê-lo tão vulnerável e frágil.
Trecho da Música: Un-Break My Heart (Tony Braxton)
Don't leave me in all this pain
Don't leave me out in the rain
Come back and bring back my smile
Come and take these tears away
I need your arms to hold me now
The nights are so unkind
Bring back those nights when I held you beside me
(Chorus)
Unbreak my heart
Say you'll love me again
Un-do this hurt you caused
When you walked out the door
And walked outta my life
Uncry these tears
I cried so many nights
Unbreak my heart, my heart…
Tradução: Conserte Meu Coração
Não me deixe com toda essa dor
Não me deixe aqui fora na chuva
Volte e traga de volta o meu sorriso
Venha e jogue essas lágrimas bem longe
Eu preciso dos seus braços para me abraçar agora
As noites são tão cruéis
Traga de volta noites quando eu tinha você aqui ao meu lado
(Refrão)
Conserte meu coração
Diga que me amará novamente
Desfaça essa dor que você provocou
Quando você saiu por aquela porta
E saiu de minha vida
Enxugue as lágrimas
Que chorei tantas noites
Refaça meu coração, o meu coração...
Trêmula ela aproximou-se um pouco mais do leito onde ele estava sentindo as lágrimas brotando e os joelhos fraquejantes. Os aparelhos do hospital impedindo-a de chegar tão perto como desejava, engoliu o choro e forçou-se a ser otimista. Emmett precisava dela mais que nunca.
-Oi amor. Você foi o meu herói hoje, sabia? Teve muita coragem, Emmett e eu te amo ainda mais por isso. Não esqueça de que precisa se recuperar o mais rápido possível e voltar para mim... Volte pra mim, querido. A nossa cama vai ficar fria sem você. Eu preciso de você ao meu lado. Nunca se esqueça disso.
Convencida de que o esposo escutava cada palavra que ela dizia, continuou sussurrando baixinho e rezando interiormente para que ele conseguisse se recuperar depressa. Sentindo uma mão em seu ombro, virou a cabeça vendo que uma das enfermeiras pedia que saísse. Seu breve tempo com ele havia terminado. Despediu-se dizendo o quanto o amava e saiu, seguindo a moça até a porta dupla com janela de vidro. Do lado de fora o restante da família a esperava em silêncio.
-E aí?
Ela engoliu em seco antes de responder e por fim falou:
-Sinto em meu coração que ele vai se recuperar.
-Graças a Deus.
-Amanhã podemos voltar para visitá-lo e...
Rósalie não disse mais nada. As paredes a sua volta começaram a girar, suas pernas balançaram e seus olhos fecharam subitamente. Ela não enxergava nem ouvia mais nada. Quando acordou estava numa das macas da ala de urgência no ambulatório do Hospital.
-Oh...
-Rose?
-Eu... Onde estou? Ai, minha cabeça...
-Você nos deu um susto e tanto, disse Esme com um sorriso aliviado.
-Como se sente?
-Estou bem prima, obrigada.
-Fico feliz em saber disso.
-Eu desmaiei?
-Sim, mas está tudo bem agora. Foi um somatório de acontecimentos estressantes Rose. O susto com o puma, o Emmett... Você provavelmente também não deve ter se alimentado direito hoje, emendou Carlisle fitando-a com ternura.
-Tem razão.
-Ela acordou?
Perguntou Edward entrando na sala.
-Sim. Vou procurar o médico de plantão e saber se já podemos ir para o hotel.
-Vamos ficar aqui?
Os olhos azuis esperançosos fixaram-se em Esme.
-Sim, querida. Vamos ficar num hotel bem próximo ao Hospital. Eu não vou deixar meu filho aqui sozinho de jeito nenhum. E sei que você também não o deixaria.
-Que bom. Fico mais tranqüila em ouvir isso, disse Rose mais relaxada.
-Não seria nada prático ter que voltar para a fazenda e retornar a Billings todos os dias. Melhor esperarmos aqui mesmo.
-Não posso ficar aqui no Hospital?
-Não, Rose. O Emmett está na UTI. Visitas apenas uma vez ao dia e nos horários determinados. Você ouviu o médico.
-Que tal irmos para o hotel agora e descansar um pouco?
Sugeriu Carlisle fitando a nora. Rose concordou relutante e ele abriu um largo sorriso.
-Ótimo, assentiu tirando uma caneta do bolso de sua calça social e assinando toda a papelada exigida pelo hospital para cuidados, a cirurgia e o tratamento de Emmett. Em seguida ele pediu ao médico de plantão que receitasse alguma medicação ansiolítica para que sua esposa e Rose tomassem naquela noite, pois sabia que nenhuma delas conseguiria dormir. O médico fez o que ele havia pedido e todos saíram tomando a direção do hotel. Estariam de volta na recepção da UTI na manhã seguinte, logo cedo.
No Hotel...
Edward.
-"Obrigado", eu sussurrei, sorrindo quando ela pegou minha mão e descansou a face na minha palma, na cama da suíte em que ficaríamos por alguns dias.
-Não precisa me agradecer. Nós estamos juntos.
-Sim estamos, falei com uma ponta de amargura na voz lembrando que as próximas horas seriam cruciais para a recuperação do meu irmão.
-E eu não vou a lugar nenhum.
-Suspirei afastando os temores e sorrindo de volta, puxando-a para baixo a mim, meus lábios mal tocando os dela. — "Eu amo você", murmurei contra sua boca.
-Eu sei. Também te amo, Edward.
O alarme do meu celular tocou na penumbra do quarto escuro. Empurrando-me para trás, corri o meu polegar em seu olho de novo, escovando pra longe os últimos acontecimentos do dia.
-É tarde, disse, observando a forma como o corpo dela se inclinou em minha volta e pensando em tudo o que havia acontecido nas últimas vinte e quatro horas. Nossa bolha de romantismo com os dias de paixão e exílio havia sido rompida bruscamente.
-Estou cansada, murmurou num bocejo.
-Venha, eu falei começando a tirar sua roupa em silêncio. Ela também tirou as minhas.
Beijei o queixo dela, sua orelha, seu umbigo. Ela sussurrou mais um “eu te amo” com os lábios doces batendo no meu ombro, beijando minha pele com suavidade. Não houve agitação, nem pressa. Não houve sexo, desejo ou luxúria. Apenas a necessidade de estar perto, de ficar junto. Nós nos abraçamos. O meu próprio esgotamento de repente me esmagando quando nos cobri com o grosso edredom. Seu corpo se moldou ao meu, nossas pernas se entrelaçaram quando eu passei meus braços em torno dela. A última coisa que ouvi antes de cair no sono foi o suspiro contente de Bella, tendo a certeza de que ela era o meu mundo, a minha fortaleza, o meu esteio, a razão da minha vida.
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