Notas iniciais
Oi gente. Desculpem a demora, mas para variar minha vida pessoal está uma loucura. Bom, aí está mais um cap. p vcs. Este é o cap. 70. Gostaria mais uma vez de pedir as leitoras que estão acompanhando a história que por favor recomendem a fic. Gente recomendar não custa nada e é o melhor presente que qualquer autora pode receber de uma leitora. Só p vcs terem idéia, tem mais de 13.000 leitoras lendo a fic gente e eu não tenho nem 10% disso de recomendações, o que me deixa triste, chateada e muitas vezes frustrada mesmo. Se alguém não sabe recomendar ou não gosta de escrever, me manda uma mensagem privada que eu ajudo, dou dicas, etc, mas por favor quem puder recomende ok? Aviso também que a fic está na reta final. não sei mais quantos caps, mas ela está terminando sim. Um bj no coração de cada uma de vcs.

Cap. 70 — Orgulho e Sedução.

Narrador.

Depois do banho que tomaram juntos, Edward preparou um café da manhã exagerado par Bella, mas ela comeu apenas duas fatias de queijo branco, um copo de suco de laranja e um potinho de iogurte de mirtilo. Em seguida levantou da mesa sob os veementes protestos do marido, escovou os dentes e pegou sua bolsa. Edward estava andando atrás dela o tempo inteiro, pressionando para que se alimentasse direito, que o bebê precisava ganhar peso suficiente para nascer saudável, que ele não queria que acontecesse o mesmo que havia ocorrido com as gêmeas, etc e tal. Mas antes que ela pudesse responder e confrontá-lo a buzina de um carro soou, anunciando a chegada de Ângela. Contrariado, ele cruzou os braços sob o peito e acompanhou a esposa até o veículo, de onde Ângela acenava feliz.

–Oi Edward, Bom dia!

–Oi, Angie. Faça essa teimosa comer daqui a três hora, por favor. Às vezes eu acho que ela esquece de que está esperando o meu filho, falou resmungando. Bella rolou os olhos e Ângela sorriu divertida.

–Não se preocupe. Ela vai comer sim, pode deixar.

–Ótimo. Estou confiando em você, enfatizou apontando o dedo em riste.

–Querem fazer o favor de falar como se EU não estivesse presente?! Mas que droga!

–Desculpe Bella, respondeu a amiga esforçando-se para não gargalhar.

–Se você me ouvisse, isso não seria necessário, bradou Edward.

–Se eu lhe ouvisse estaria pesando 30 kg a mais no dia do parto do nosso filho colocando a vida dele e a minha em risco. Tenha um bom dia Edward, concluiu jogando-lhe um beijo de longe e entrando no carro. Ele deu meia volta e marchou com passos duros para dentro de casa.

–Fiu! Ele está mesmo pegando no seu PE, amiga. Disse Ângela.

–Eu não lhe disse?! Arg! Tem horas que me dá nos nervos, Angie.

–Se bem que eu até entendo a neura do Edward. Ele ficou muito chocado com o que aconteceu com a Rose.

–Mais isso não é justificativa. Ele sabe que eu estou me cuidado.

–Você tem ido ao médico regularmente?

–Claro! E ele vai comigo. O médico está satisfeito com o meu peso e tudo está dentro da normalidade.

–Então é apenas preocupação excessiva de pai de primeira viagem, concluiu sorrindo.

–Pois é. Agora vamos embora ou ele dará um jeito de me arrastar de volta para aquela mesa e não vai me deixar em paz enquanto eu não comer como o Emmett!

–KKKKKKKKKKKK! Vocês dois não tem jeito. Ok, vamos embora porque o nosso dia está muito cheio hoje.

Logo depois Ângela manobrou o veículo esporte e as duas saíram em direção à estrada principal. Mal Edward retornou à residência e o seu celular começou a tocar. Resmungando baixinho ele alcançou o aparelho e viu o nome do sogro no visor.

–Oi Charlie.

–Oi, Edward. Você está vindo para cá?

–Sim. Algum problema?

–Bezerros desgarrados, o capataz respondeu com um suspiro.

–Droga!

Esbravejou. Com camadas de neve acumulada lá fora Edward sabia muito bem o que aquilo significava... Provavelmente animais mortos; muito trabalho para resgatar os que estivessem vivos e um grande prejuízo, mas tinha de ser feito.

–Estou aí dentro de quinze minutos.

–Certo!

Rapidamente ele pegou seu chapéu, as chaves da caminhonete, uma jaqueta grossa e saiu porta a fora. O dia com certeza seria longo. Imediatamente as imagens do dia anterior povoaram a sua mente. Dois dias antes uma frente fria vinda do Canadá mudou bruscamente a temperatura e começou a nevar. Uma neve fina, porém constante. O frio aumentava com uma velocidade impressionante, acompanhado por um vento gelado. Edward pressentiu uma piora considerável do clima e teve sua previsão confirmada pelo boletim da meteorologia. Reuniram todos os homens e removeram o gado para uma área mais protegida, colocando bastante feno no celeiro, embora duvidassem, ele e Charlie, que aquela quantidade fosse suficiente.

No dia anterior, na volta para o galpão a neve tinha aumentado tanto que a visibilidade caiu para cerca de três metros, não mais. O vento começou a empilhar a neve mascarando o contorno do terreno. Sua própria fazenda tornou-se um lugar desconhecido aos olhos dele, sem um ponto de referência conhecido. Só lhe restava apelar para seu senso de direção e ignorar as rajadas de neve, que sempre desorientam as pessoas. Ele e Charlie precisavam levar os peões de volta se não alguém acabaria tendo uma hipotermia grave. Os cavalos davam passadas lentas, tentando evitar os buracos cobertos de neve e as reentrâncias que poderiam fazê-los escorregarem e caírem. O vapor morno da respiração dos animais começou a se cristalizar nos focinhos. Edward levou a mão protegida pela luva de lã ao rosto e sentiu a própria pele recoberta por uma fina camada de gelo. Maldição! Uma cavalgada, que normalmente levava vinte minutos, já demorava mais de uma hora e interiormente ele começava a se perguntar se não teriam passado pela grande construção de concreto e madeira, àquela altura provavelmente já meio que coberta pela nevasca. Foi então que viu o perfil da porta aberta e uma luz vinda de seu interior. Graças a Deus! A alegria de poder chegar são e salvo com todos os rapazes era maior do que qualquer preocupação. Protegendo o rosto contra o vento cortante, acelerou um pouco mais o animal e aos poucos, todos entraram no galpão. Sorriu ao ver o enorme caldeirão de sopa preparado pela governanta e o aquecedor ligado.

–Nossa, eu achei que nós estávamos perdidos! Exclamou Mike Newton retirando as luvas e aproximando-se do fogo para se esquentar.

–Só uma besta como você poderia pensar algo tão estúpido, Mike, retrucou Erick dando uma leve tapa na cabeça do amigo. Os outros rapazes sorriram e Edward deu um longo e cúmplice olhar para Charlie. Eles mal sabiam o quanto Newton chegara perto da verdade. Charlie virou para os rapazes:

–Vão se aquecer antes que o frio queime a pele de vocês.

–Primeiro os cavalos, disse Jared.

–Deixe que eu cuido dos cavalos, rapaz, retrucou Charlie, empurrando-os na direção do fogo. Na verdade, comparado ao frio que fazia lá fora, o antigo galpão já estava bem quente. O calor dos próprios animais mantinha a temperatura ali mais amena. Edward aproximou-se do aquecedor elétrico deliciando-se com o calor. Experiente, não tentou tirar o gelo da pele friccionando-a, mas deixou-o derreter por si só, desta forma não machucaria a pele. De fato, a camada fina serviu para proteger-lhe o rosto, mas se ficasse lá fora por mais alguns minutos, teria se queimado. Anos atrás sofrera queimaduras por causa do frio e da neve e a todo custo tentava evitá-las.

Quinze minutos depois Edward chegava ao campo.

–O que eu perdi?

–A neve rompeu algumas cercas e vários bezerros escaparam.

–Merda!

–Nem me fale...

–Quantos, York?

–Uns vinte e cinco mais ou menos.

–Mas que droga!

–E os filhos do reprodutor.

Edward respirou fundo diversas vezes enquanto sua mente proferia uma torrente de palavrões. Os dois bezerros filhos de um touro reprodutor conhecido também haviam sumido na nevasca. Inferno! Os dois animais tinham custado uma pequena fortuna, mas tanto ele, como o pai e o irmão sabiam que o custo valeria apena com o passar dos anos.

–E já providenciaram o conserto?

–Sim. Tem dois dos rapazes lá cuidando dos reparos.

–Isso não é bom.

–Eu sei, mas vamos dar um jeito.

–E quanto mais rápido, melhor.

–Estávamos esperando você chegar para irmos atrás deles.

–Muito bem, já estou aqui.

–Certo. Vamos organizar dois grupos de buscas.

Charlie emendou.

–Erick, pegue o caminhão e vá com os demais para o lado oeste.

–Newton, Charlie e eu vamos para o leste, na caminhonete. Levem os rádios. Se avistarem qualquer coisa, nos chamem.

–Ok.

–Vamos embora.

Eles carregaram a caminhonete e o caminhão com bastante feno e saíram em busca dos bezerros. Pálido e irritado, Edward conduziu o veículo para a área mais abrigada ali perto, mais não havia nada além de uma vasta camada de gelo. O brilho forte do sol na neve branca obrigou-o a colocar os óculos escuros. No interior do carro o silêncio era mortificante. Edward vasculhou a área e eles procuraram por toda parte por algum animal sobrevivente. A elevada camada de neve poderia estar ocultando os bezerros ou até mesmo suas carcaças.

–Edward. Charlie.

Erick Chamou pelo rádio.

–Prossiga, Charlie respondeu.

–Encontramos três deles. Nenhum sobreviveu.

Charlie suspirou. As mãos de Edward apertaram o volante com força. Por baixo das luvas os nós de seus dedos estavam brancos. A força era tamanha que os seus dedos doíam, mas ele não disse uma só palavra.

–Ok, Erick. Continuem a busca pelos demais. Qualquer coisa nos avisem. E mais tarde voltem para retirar as carcaças ou teremos ursos, pumas e outros animais rondando a fazenda.

–Certo Charlie. Desligando.

Edward continuou seu caminho e cerca de vinte minutos após ter pego uma estradinha secundária eles ouviram uns mugidos fracos e tristes.

–Por ali, disse Mine Newton abrindo a boca pela primeira vez desde que havia entrado na caminhonete. Edward rapidamente manobrou o veículo e acabaram encontrando algumas cabeças. Seis para ser mais exato. Os animais tinham saído à procura de comida, ou maior proteção, e agora estavam presos entre uma fileira de árvores. O vento havia levado para lá uma avalanche enorme que formara uma espécie de barreira entre os troncos das árvores, como um telhado e um muro lateral e que, de certa forma, protegera os bezerros contra o frio terrível. Talvez fosse essa barreira a responsável pela sobrevivência destes animais.

Edward mantinha uma fisionomia abatida ao saltar do veículo para espalhar uns fardos de feno. Charlie e Newton o acompanharam. Eles estavam com medo. Medo de que apenas aqueles seis tivessem resistido. Charlie cortou o arame que prendia os fardos e, com uma pá, abriu várias valetas na neve. Mike desmontou parte do muro formado pelo gelo abrindo passagem para os animais, que logo se concentraram ao redor do feno. Edward aproveitou para examiná-los. Um macho e cinco fêmeas. Sua fisionomia se contraiu ainda mais. Os bezerros filhos do touro reprodutor não estavam entre eles. Pelo rádio chamaram os outros para que trouxessem o caminhão e levassem as seis cabeças para o celeiro. Quinze minutos depois Erick York estacionava o veículo. Ele e Charlie trocaram algumas palavras e em seguida, Edward e Charlie retornaram à caminhonete para continuar a busca. Newton iria ajudar a levar os animais de volta.

–Três mortos. Seis vivos. Ainda faltam muitos.

–Vamos encontrá-los.

–Eu espero.

–Ok. Vamos embora.

Ao redor de um pequeno lago artificial formado pelo desgelo eles encontraram mais dois animais. Mortos. Agora já eram cinco.

–Maldição!Andaram mais um pouco e Charlie avistou um bezerro à sua direita.

–Ali!

Ele ficara com as patas presas entre a vegetação e o arame da cerca e, deitado na neve, ainda conseguia se mexer debilmente. Edward parou o carro, Charlie desceu apressado, soltou-o e ele logo se pôs de pé, mas já estava quase sem forças para se locomover. Edward lhe deu um fardo de feno e voltou para a caminhonete, prosseguindo com a procura. Eles ainda encontraram dois animais vivos próximos a umas árvores e mais cinco mortos, a alguns metros dali. E assim foi o resto do dia. Edward e seu sogro continuaram depositando feno em pequenas valetas abertas no gelo, abrindo buraco nas superfícies geladas dos lagos e fazendo uma lista da quantidade de animais vivos e dos mortos.

Quase no final da tarde, eles conseguiram encontrar um dos filhos do reprodutor, bem mais distante que os demais bezerros. Como aquele animal havia caminhando até ali e estava vivo era um mistério. Edward tentou atraí-lo com feno, mas o bezerro teimoso recusou-se a se juntar a eles e saiu correndo. Charlie correu pelo outro lado, tentando cercá-lo. Edward olhava incrédulo. Como aquele bicho ainda tinha forças para correr depois de passar a noite e boa parte do dia andando na neve e sem ter o que comer?!

O pequeno touro deteve-se sacudindo a cabeça e bufando, igual a um adolescente teimoso. Então, investiu novamente e, desta vez saiu correndo rumo a um pequeno lago, um dos que Edward havia aberto buracos. O frio não fora suficiente para refazer totalmente a camada de gelo que, ainda fina, não sustentou o peso do animal. O tourinho ficou com as patas traseiras imersas na água gelada e, assustado, arregalou os enormes olhos mugindo desesperado. Xingando demasiadamente o animal por sua teimosia, Edward pegou uma corda e se aproximou da margem do lago. Charlie aproximou-se

–Charlie! Não tente caminhar pela superfície da água!

–Não se preocupe, Edward; Eu não sou tão burro quanto ele! Edward assentiu e jogou a corda feito um laço. A primeira tentativa foi perdida. O animal se mexia desesperadamente o que só servia para aumentar o buraco formado no gelo. No exato momento em que Edward fazia a segunda tentativa, o tourinho acabou afundando de vez nas águas geladas ficando apenas com a cabeça de fora.

–Mas que inferno! Bufou Charlie exasperado. Edward recolheu a corda e lançou-a de novo, conseguindo laçá-lo pela cabeça. Em seguida, prendeu sua extremidade da corda no para-choques do carro e foi fazendo o veículo recuar lentamente, tirando o animal do lago gelado. Assim que o pequeno reprodutor chegou à margem firme, Charlie aproximou-se e, mantendo a corda firme, soltou-a do pescoço do animal. Ao se ver livre e ainda muito assustado, o bezerro deu um pinote desengonçado e avançou sobre Charlie, pegando-o de surpresa, derrubando-o no lago.

Charlie!!!!

Gritou Edward desesperado vendo seu sogro e amiga desaparecer de suas vistas, correu para a beira do lago à espera de que ele emergisse. O capataz voltou logo à tona, mas a uns três metros da margem. O frio congelante começou a paralisá-lo em questão de segundos. Charlie só conseguiu estender os braços para fora do buraco e tentou se manter firme. Edward tremendo conseguiu apanhar a corda e rodopiou-a no ar jogando o laço.

–Veja se consegue segurar a corda! Gritou sabendo que estava lutando contra o tempo desesperadamente. A primeira tentativa deu errado. Então ele ergueu os olhos para o céu e fez uma prece silenciosa, usando toda força e pontaria necessárias, mas Charlie com os movimentos já lentos demais, não conseguiu pegá-la, deixando-a cair na água.Edward sabia que cada segundo era fatal. Dois minutos dentro do lago seriam suficientes para matá-lo.

Decidido, puxou a corda de volta e aproximou-se da beirada do lago. Charlie percebeu suas intenções e tentou impedi-lo.

–Não faça isso! Bella precisa de um de nós vivo, seu idiota... Balbuciou com a voz engrolada. O frio o estava paralisando. Ignorando os protestos de Charlie, Edward deitou-se de bruços no gelo e começou a deslizar em direção ao lugar onde o seu sogro e amigo estava, sempre tentando distribuir o peso por igual, porém, mesmo assim, ouviu o gelo rachar embaixo dele. Três metros não eram muito, mas, na prática, pareciam mais de três quilômetros. A ponta de gelo à qual ele se agarrava acabou quebrando e Charlie voltou a afundar. Procurando ganhar mais velocidade, Edward deixou a segurança de lado e começou a engatinhar sobre a superfície gelada. No exato momento em que o viu emergir novamente, conseguiu agarrá-lo pela gola da jaqueta e puxou-o para cima. O peso dos dois quase fez com que ele também caísse na água, mas Edward, experiente, afastou-se bem em tempo.

–Estou com a corda bem aqui! Gritou tiritando de frio e medo. -Vou enlaçá-lo pela cabeça, por sob os braços e o carro depois o puxará, certo? Charlie não respondeu. Seus lábios já estavam azulados, mas ele conseguiu erguer o braço no instante em que o genro e amigo jogou a corda. Seu corpo estava dormente. Suas ideias perturbadas. Ouvia a voz de Edward ao longe. A imagem de Renée, sua falecida esposa lhe veio à mente. Ela sorria estendendo os braços em sua direção. Ele sorriu debilmente. Os seus pulmões estavam insensíveis. Uma forte letargia começou a se espalhar por todo o seu corpo. A corda molhada começava a enregelar. Na caminhonete Edward lutava para não acelerar demais ou então a corda partiria e ele perderia seu amigo para sempre.

–Por favor, Charlie, aguente firme. Aguente firme! Você tem uma filha e um neto... Tem uma família inteira aqui esperando por você... Amigos....Uma namorada... Por favor, por favor...

Ele se recusava a considerar a hipótese de que talvez não conseguissem voltar. Charlie começou a ser arrastado para fora do lago e caiu quase sem vida no chão. Edward correu em sua direção e abraçou-o, mesmo sabendo que seu sogro estava gelado. Reuniu o restante de suas forças e conseguiu levá-lo até a caminhonete onde chamou aos gritos os outros homens, avisando que viessem o mais rápido possível pois tinham um caso de hipotermia.

–Não durma, Charlie! Você entendeu!? Não durma, porra!Não feche esses malditos olhos, Caralho ou eu vou ter que quebrar a sua cara e arrancar fora esse seu bigode irritante! Não durma! Berrou num tom ríspido, de puro desespero. — Abra os olhos, droga! Vamos, continue lutando. Não desista!

Logo depois de dar a partida, ligou o aquecedor interno do carro, deixando que o ar quente aumentasse a temperatura em seu interior. Porém, concluiu que as roupas molhadas tornavam inútil o trabalho do aquecedor, roubando-lhe parte do calor corporal. Com gestos confusos, começou a livrar-se das roupas de Charlie enquanto aguardavam a chegada dos homens. Charlie aprumara-se no banco do veículo mas já não tinha mais quase nenhuma coordenação motora. Ele virou na direção do genro e esboçou um sorriso fraco e amarelo. Praguejando Edward esticou a mão por baixo do bando, alcançando uma garrafa de uísque, puxando-a para cima. Abriu a garrafa e estendeu para o capataz, obrigando-a a segurar o objeto e levá-lo à boca.

–Beba!

Charlie obedeceu e sentiu o líquido queimar sua garganta e seu organismo, aquecendo-o um pouco. Minutos depois ele começou a tiritar de frio e Edward suspirou aliviado. Aquele era um bom sinal. O susto havia sido grande mas Charlie ficaria bem. Agora só lhes restava aguardar a chegada dos peões, recolher o tourinho infeliz e levar Charlie de volta para casa.