Orgulho E Sedução.
69 Cap. 69
Notas iniciais
Narrador.
A temperatura caíra muito. Uma nevasca surpreendera a todos durante a madrugada. Bella estremeceu e Edward, ainda sonolento, esticou uma das mãos puxando o grosso cobertor de lã para cima deles dois. Bella resmungou alguma coisa e em seguida pronunciou o seu nome. Ele sorriu meio bobo fitando-a com amor, acompanhando o ritmo de sua respiração. Haviam casado há quatro dias. Os quatro melhores dias do restante de suas vidas. Entorpecido pelo sono e com uma enorme preguiça devido ao frio da neve, acomodou-se melhor na cama para continuar a dormir. Devia ser bem cedo, mas com a mudança no clima ainda estava escuro lá fora. Ajeitou o travesseiro sob sua cabeça e deitou, mas antes mesmo que tivesse tempo de fechar seus olhos, o telefone celular começou a tocar com insistência. Suspirando inclinou-se na direção do criado mudo pegando instintivamente o aparelho.
–Edward.
Respondeu com a voz rouca pelo sono e pela preocupação. Bella despertou com o barulho e estendeu a mão alcançando o interruptor, inundando o quarto de luz.
–Emmett, disse Edward encontrando o olhar ansioso de Bella. –Fique calmo. Tente ficar calmo. Respire mano. Estaremos aí dentro de alguns minutos e faremos o que for preciso, eu prometo. Enquanto isso ligue para emergência. Agora, Emmett! Os olhos de Bella quase saltaram das órbitas quando ouviu o final da frase. Levantou-se depressa com os olhos queimando, a garganta seca e vestiu-se às pressas tendo o cuidado de agasalhar-se bem. Seus olhos buscaram o relógio despertador no criado mudo: Quatro horas da manhã. Céus!
–Rose? Perguntou num fio de voz. Edward confirmou com um gesto de cabeça enquanto vestia o jeans, a camisa de flanela e uma grossa jaqueta. Bella sentiu o medo tomar conta de seu corpo alastrando-se por suas entranhas.
–Ela está sentindo dores... Fortes, pelo que ele disse... E o Emmett entrou em pânico.
–No lugar dele eu também estaria. As meninas estão adiantadas. Edward deu um suspiro longo e cerrou os lábios em seguida.
–Que Deus nos ajude.
Desceram apressados e ao abrir a porta uma lufada de ar gelado ricocheteou sobre eles. Caminharam na direção da caminhonete. Com uma pá, Edward afastou a neve que se acumulara em volta dos pneus e saíram o mais rapidamente possível na direção da casa sede, os faróis do veículo cortando a escuridão daquela manhã. Minutos antes de estacionarem o carro na entrada da garagem avistaram as luzes do carro da Polícia Local piscando, fazendo uma curva distante e encaminhando-se para a estrada principal. Com certeza a ambulância demoraria mais tempo devido à neve que se acumulara na estrada.
Edward correu para casa gritando o nome do seu irmão. Bella o seguiu. Emmett apareceu no corredor que dava acesso aos quartos carregando a esposa no colo. Rósalie estava enrolada em uma manta, o rosto pálido como o de um cadáver. A manta estava ensopada pelo sangue. Bella estacou diante da visão horrenda, sentindo seu estômago revirar. As borboletas se agitando. Odiava o cheiro de sangue. Cheirava a uma mistura de ferrugem e sal. Sem condições de se aproximar mais da prima, ela baixou sua cabeça e orou silenciosamente pedindo a Deus. Peço-lhe apenas... Por favor... Por favor... Que nada de ruim aconteça a ela ou as meninas... Por favor...
–O Xerife chegou.
–Droga! Esbravejou Emmett. Edward segurou em seu braço com firmeza.
–Calma Emmett. Vai dar tudo certo. Eles estão aqui e nos vamos com vocês. Emmett encarou o irmão e cerrou os lábios assentindo. Rose estava com os olhos cerrados, a cabeça encostada ao ombro do marido. Bella olhou para o cunhado e viu o terror estampado nos olhos dele. Nunca vira tanto medo, tanta angústia, tanta impotência, juntas numa só pessoa. Emmett Cullen estava aterrorizado, mas nada nesse mundo o derrubaria enquanto sua esposa e suas filhas estivessem naquela situação precisando dele.
–O que está acontecendo aqui?!
Bradou Charlie Swan entrando afobado. Quando viu sua sobrinha quase desfalecida, o homem mais velho arregalou os olhos e saiu correndo lá para fora, limpando a neve do caminho, tornando o caminho até o carro do Xerife o mais acessível possível. Nos minutos que se seguiram tudo aconteceu muito rápido. Rose foi colocada no banco de trás do carro onde a esposa do Xerife, Claire, que era enfermeira já estava. Emmett entrou acomodando a cabeça da esposa em seu colo. Claire lhe aferiu os sinais vitais murmurando-lhe palavras de conforto.
Edward parado próximo à viatura, ao lado de sua mulher era o reflexo vivo da dor do irmão. Ela sabia como havia sido difícil sua cunhada engravidar e todos os problemas que aquele casamento havia enfrentado. Bella tinha plena consciência de que ele estava muito preocupado, mas assim como Emmett não parecia disposto a se dobrar. Mil coisas deviam estar passando pela mente dele, até porque ela também estava esperando um filho. Em Montana todos sabiam que os irmãos Cullen eram durões, mas Bella se questionava intimamente se alguém realmente sabia “o quanto”. Com Rósalie acomodada o Xerife saiu em alta velocidade enquanto Edward e Bella corriam em direção à picape para segui-los. Edward dirigia com uma expressão impenetrável e Bella temia que ele estivesse revivendo a perda dos avós, aos quais fora tão ligado na infância, naquele momento. Algo se revolveu dentro de Bella. As borboletas saltaram agitadas em seu estômago, mas era uma sensação diferente. Ela inspirou profundamente e rezou tentando afastar os pensamentos preocupante, recusando-se a desanimar. Coragem geralmente não era uma coisa que se possuía, mas uma decisão. Uma escolha. Edward deu a Bella o seu celular. Ela pegou o aparelho e o fitou.
–Meus pais precisam saber o que está acontecendo. Trêmula, Bella assentiu, desbloqueou o aparelhou e discou. Carlisle atendeu no segundo toque. Um telefonema aquela hora da noite não significava coisa boa.
–Edward? O que houve filho? Vocês estão bem?!
Perguntou. A preocupação transparecia em sua voz ainda rouca pelo sono. Bella engoliu em seco tomando coragem para falar o que se passava. Não queria ser a portadora de más notícias, mas não havia escolha.
–Sou eu, Carlisle. Bella.
–Onde está o Edward, Bella? Aconteceu alguma coisa a ele?!
–Não. Ele está bem. Está dirigindo. Estamos indo ao Hospital.
–Hospital?! Conte-me tudo!
Não era um pedido era uma exigência e ela sabia. Respirou profundamente, conseguiu encontrar sua voz e explicou o pouco que sabia sobre a situação da prima.
–Estaremos aí o mais breve possível, Bella. Não sei se vamos poder voar agora. Muitos voos foram cancelados devido a forte nevasca, mas vamos dar um jeito — Retrucou o Senador Cullen apreensivo. Em seguida Bella o ouviu dizer:
–Esme, querida, acorde. É a Rose. Tem algo errado com as gêmeas. Esme deve ter dado um pulo da cama e arrancado o celular das mãos do marido, porque a voz que Bella ouviu do outro lado da linha foi a dela, carregada de tensão.
–Para que Hospital a levaram?!
–Para o Hospital Geral, Esme. Edward interviu.
–Diga a mamãe que entraremos em contato assim que chegarmos lá, Bella. Fez uma pausa. O seu perfil de anjo iluminado pelos faróis de um carro que passava pela estrada naquele momento, enquanto seguiam a viatura do Xerife. – Diga-lhes que tenham cuidado na volta. Não queremos mais nenhuma surpresa desagradável acontecendo na família. Ninguém iria suportar. Bella repetiu as palavras para sua sogra e finalizou a ligação.
O trajeto para o Hospital não era longo, mas estava difícil devido a neve que se acumulara no caminho. O hospital era pequeno, mas muito moderno e bem aparelhado. Servia a três ou quatro cidades ali da região. Trinta minutos depois eles chegaram e Bella desceu do carro um tanto aliviada, pois Rose seria imediatamente socorrida. Rose foi colocada numa maca e em seguida desapareceu das vistas deles cercada por médicos e enfermeiros. E o Emmett foi com eles é claro. Edward saltou do veículo depressa, trancou o carro e deu a mão à esposa. Caminharam juntos até a entrada da emergência. Charlie voltara para a fazenda, mas pediu a Bella que o mantivesse informado. Sem Edward, Emmett e o próprio Carlisle e com a nevasca, o trabalho em Breaking Dawn triplicaria.
De certa forma fora mais fácil quando estavam a caminho do hospital. Agora, enquanto apenas caminhavam de um lado para o outro sem cessar, a sobrecarga de adrenalina não tinha como ser eliminada, exceto pelos funcionários da recepção que não davam nenhuma informação e pediam que eles tivessem paciência. Edward estava quase esmurrando alguém. Bella o conhecia bem e sabia que não faltava muito para que seu marido perdesse a cabeça. Ele se dirigia a recepção em intervalos regulares e de poucos minutos, mas os funcionários sempre alegavam não saber nada sobre o estado de Rósalie. Ele então voltava a caminhar de um lado para o outro e acabava retornando à recepção para ouvir a mesma coisa. E as horas foram passando. O coração de Bella sangrava, mas ela sabia que não havia como acalmá-lo. Ele recusou o copo de café que ela foi buscar na máquina, mas sentou-se prontamente ao seu lado para massagear-lhe os pés quando ela disse que estavam doendo. O que mais ela poderia fazer?! Dizer que tudo acabaria bem? E se não acabasse?! Jesus... Não queria nem pensar naquilo. Se as coisas não acabassem bem, talvez eles nunca mais ficassem bem.
“ Pare com isso, Isabella!” recriminou-se mentalmente. A falta de notícias pode ser uma coisa boa, pensou subitamente. Tenha fé! Confie!
Alguns minutos depois angustiada de ver o marido voltar a andar de um lado para o outro, levantou e foi até ele, abraçando-o. Edward enrijeceu no primeiro instante, mas em seguida, abraçou-a de volta, relaxando contra ela, descansando o queixo no topo da cabeça dela. O que quer que acontecesse àquela noite eles iriam enfrentar juntos.
–Estou aqui meu amor. Estou aqui... Eu e o nosso filho estamos aqui... Era tudo o que ela podia oferecer no momento. E talvez aquilo fosse o suficiente. Aos poucos ela o sentiu mais relaxado. As batidas do coração menos aceleradas, a respiração mais suave e compassada. Segundos depois ele deixou escapar do fundo de sua garganta um suspiro profundo e trêmulo.
Bella não lembrava de ter visto Edward chorando, a não ser quando ainda eram crianças e ele havia levado um tombo feio da casa da árvore. Na privacidade de seu coração ela chorava o suficiente pelos dois. Eram quase oito da manhã quando Emmett surgiu na recepção da emergência pálido como um fantasma. Olheiras profundas vincavam seu rosto que também trazia um largo e cansado sorriso. Ele caminhou diretamente para o irmão e Edward levantou de imediato. Ficaram frente a frente. O sorriso de Emmett ampliou.
–Chegamos bem a tempo. Rose ficará bem e as meninas também, falou aliviado. Edward o abraçou forte.
–Graças a Deus!
–As meninas estão na UTI Neo Natal porque ainda precisam ganhar peso. Elas nasceram com menos de 1,5 Kg cada. Estão tomando corticoides para amadurecer os pulmões, mas os médicos me garantiram que vai ficar tudo bem. Vão passar pelo menos uma semana aqui. Mais duas Cullen berradoras na família, emendou.
A transformação no rosto de Edward foi uma coisa da qual Bella jamais esqueceria. Seu semblante mudou drasticamente. Um sorriso lindo iluminou seu rosto.
–Como se chamam as minhas sobrinhas?
–Também quero saber, Emm, ela falou agradecendo a DEUS por aquele milagre.
–Alice e Helena. Os olhos de Bella encheram de lágrimas. Helena era o nome da mãe de Rose, sua falecida tia.
–Linda escolha, Emmett.
–Obrigado, Bella.
–Os nomes são perfeitos, mano.
–Valeu, Ed. Obrigado. E muito obrigado por estarem aqui.
–E Rose? Emmett então soltou o irmão e caminhou até a cunhada, envolvendo-a pelos ombros.
–Está dormindo. Mais tarde vocês poderão vê-la.
–Ótima notícia, vibrou um aliviado Edward.
–Vou ligar para o papai. Ele deve estar muito ansioso.
–Ligue, Bella e diga a ele para vir aqui mais tarde. Vai poder ver as meninas de longe, através do vidro, mas vai dar conforto a ele.
–Ok, apressou-se em responder tirando o celular do bolso e discando para Charlie.
–E você está bem? Inquiriu Edward observando atentamente o irmão.
–Estou exausto pra caralho, mano, mas valeu a pena. Elas são lindas. Muito pequenas, mas lindas. Eu não poderia estar mais feliz.
–Já ligou para mamãe?
–Não. Vou fazer isso agora. Eles estão voltando?
–Sim, mas devido ao mau tempo não sei quando vão chegar aqui.
–Tudo bem, eu vou avisá-los de que está tudo bem. E vocês porque não voltam para casa e tentam dormir um pouco? Bella precisa descansar. Tem que gerar um garoto forte e saudável para defender as primas. Os três começaram a rir. Emmett não tomava jeito mesmo.
–Dormir não está nos meus planos. Pelo menos não agora. Estou muito agitado. Vou ter que pegar no batente para descarregar todo estresse.
–E não existe lugar melhor para isso do que na fazenda.
–Eu sei. E Emm... Edward chamou.
–O que?
–Não se preocupe com nada. Fique aqui o tempo que for necessário. Vamos dar um jeito em tudo lá na fazenda. Eu, Charlie e os rapazes.
–Venho ver a Rose amanhã Emmett. Vou trazer roupas, produtos de higiene pessoal e o que mais ela precisar.
–Obrigado, Bella. Você realmente é a irmã que ela nunca teve.
O abraço que se seguiu foi genuíno. Eles se despediram e voltaram para casa. O pior, graças a DEUS, havia passado.
Dez dias depois Emmett trouxe para casa uma esposa deslumbrada, uma avó mais deslumbrada ainda e uma das gêmeas. A outra permaneceria no hospital por mais alguns dias e Rose teria que ir lá com frequência, para amamentar e interagir com a pequena. Ela estava reagindo bem ao tratamento, mas não ganhara peso suficiente para receber alta, o que é normal quando se trata de prematuros.
Quando chegaram havia uma calorosa recepção co um bolo, uma pilha de balões nas cores lilás e rosa, muitos presentes, Os avôs Carlisle e Charlie, os tios Edward e Bella e Uma emocionada Emily. Rose fervilhava de alegria fitando Helena, exibindo um enorme e luminoso sorriso, enquanto o restante da família admirava o mais novo membro do clã Cullen. Emmett ao lado das duas parecia mais um soldado, guarda costas ou sentinela. Não se afastava nem por um segundo que fosse. Quase uma hora depois todos entenderam quando ele levou mãe e filha para o quarto, para que ambas descansassem um pouco.
–Ela é tão pequena... Disse Edward mais para si mesmo que para os outros.
–Mas é saudável, retrucou seu pai.
–E é uma Cullen, filho. Não esqueça isso. É uma lutadora, assim como você e o Emmett e assim como a irmãzinha que ainda está lá no Hospital.
–E assim como o meu filho, mãe, emendou acariciando o ventre da esposa que sorriu.
–E finalmente já sabem o que houve com a Rose? Questionou Charlie.
–Sim. Os médicos explicaram que devido ao tratamento de fertilidade que ela havia feito anteriormente houve uma sobrecarga de medicamentos no organismo o que acabou provocando um descolamento da placenta da parede uterina.
–Não sei muito bem o que significa, mas acho que ela agora está bem, retrucou o capataz olhando para a filha em seguida. – E você mocinha, está proibida de nos dar um susto como este, está ouvindo?! Bella sorriu complacente.
–Vou fazer o possível, pai, mas saiba que não depende só de mim, depende do Anthony também.
–Anthony?!
–É esse o nome do meu neto?! Perguntou Carlisle com lágrimas nos olhos.
–Sim, pai.
–Uma linda homenagem ao seu avô, Edward. Obrigado.
–Não me agradeça. Foi escolha da Bella, ele respondeu beijando o topo da cabeça da esposa sentindo o inconfundível cheiro de morangos.
–Muito obrigada Bella.
–Não precisa agradecer Carlisle. É um nome lindo, forte e que eu achei perfeito.
–Significa muito para nós, Bella.
–Eu sei que sim.
–Mais uma vez obrigado.
–Ok. A conversa aqui está ótima, mas nós temos muito trabalho a fazer, não é Edward? Questionou Charlie pondo-se de pé e fitando o genro diretamente.
–Sim. Vamos que já mais do que na hora. Em seguida virou-se para a esposa, baixando-se para beijar-lhe de leve os lábios.
–Você vai ficar bem?
–Sim.
–Pode ir sossegado, filho. Vou ficar com ela até você retornar.
–Obrigada mãe.
–Tenho que cuidar muito bem da minha família, afinal de contas é o que eu sei fazer de melhor.
Bella sorriu e observou o carinho que havia naquela família que agora também era sua. Achava lindo ver os membros de uma família em ação, dando o suporte aos entes queridos que necessitassem deles. Estarem ali disposto a fazer o que fosse necessário, dia e noite, colocando as diferenças pessoais de lado temporariamente... Por isso que os Cullen haviam prosperado tanto na vida. Nos maus e bons momentos eles sempre estavam unidos; e Bella agradeceu a DEUS silenciosamente porque ela, o seu bebê, o seu pai e a prima também estavam cercados por aquele todo aquele carinho e amor familiar.
CONTINUA.....
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