Orgulho E Sedução.
5 Capítulo 5
PDV Edward Cullen.
Durante os dois dias que se seguiram procurei me ocupar ao máximo aumentando minha rotina diária na fazenda, tentando acumular mais atividades do que era realmente necessário. Por que? Simplesmente para não pensar. Os peões olhavam-me curiosos e confusos, mas como o meu humor não estava lá essas coisas, nada comentaram. Apenas Charlie soltava alguma piada, aqui acolá.
Por mais que eu me esforçasse não tirava da cabeça que Bella estava vivendo novamente a poucos metros de mim. Na noite anterior passei com uma das caminhonetes com a logomarca da fazenda em frente a casa de Charlie, na vã esperança de vê-la. Foi em vão. Vendo que estava bancando o tolo, logo me recriminei mentalmente e fui embora depressa. Era absolutamente ridículo ficar atrás de uma mulher que com certeza estava fazendo tudo para me evitar. Ela já tinha ido até a casa sede visitar minha mãe com a prima a tiracolo, no horário em que eu estava na lida e segundo minha mãe conversaram bastante. Mas o meu pai não a tinha encontrado ainda. Nem o meu irmão. Quando o assunto era Isabella Swan, ele desconversava ou imediatamente dava um jeitinho de sair de casa. Comportamento que me levava a crer que Bella era quem dizia a verdade.
Absorto em pensamentos, irritado com a falta de sexo e frustrado ao extremo, senti de repente um peso desconfortável sobre as costas quando me baixei para pegar um fardo de feno. Virei bruscamente. Um dos peões mais novos em Breaking Dawn havia jogado um arreio em mim. Uma brincadeira comum. Ele e os outros se entreolhavam rindo da minha cara. Levantei sentindo a ira ferver em minhas veias e gritei exasperado, extravasando toda minha frustração sobre Laurent. Por muito pouco não parti para cima dele! O clima ficou tenso de repente. Os outros funcionários fitavam-me atônitos tentando entender como uma simples tolice podia ter me deixado tão furioso. Antes que as coisas piorassem Charlie resolveu intervir, acalmando os ânimos, afastando-me de lá. Fomos até o cercado mais adiante onde dois cavalos, um branco e um castanho estavam sendo exercitados por um dos tratadores. Ele me encostou na cerca posicionando-se exatamente à minha frente, com as pernas separadas, os braços cruzados sob o peito e uma cara feia. Fiz um muxoxo com a boca espertando pela bronca que certamente viria.
–Que diabos está acontecendo com você, Edward?!
Esbravejou em meu rosto. Ele me conhecia desde menino e tinha mais que intimidade para me dar um puxão de orelhas como aquele. Desviei o olhar fitando as montanhas rochosas ao longe.
–O pobre rapaz ficou chocado com sua reação! Lembre que todos aqui trabalhamos juntos e formamos uma família, inclusive você!
Grunhi qualquer coisa em resposta esperando sinceramente que ele me deixasse em paz. Eu não podia simplesmente dizer o que estava sentindo. Que sabia perfeitamente qual era o meu problema e que “este” era a filha dele. Eu estava frustrado porque queria vê-la, tocá-la, beijá-la desesperadamente. Queria deitá-la na relva macia, tirar suas roupas delicadas e afundar meu corpo no seu até ficarmos completamente sem forças. Queria que ela me desejasse, que me quisesse, que pensasse em mim da mesma forma que eu pensava nela todos os dias....
–Edward, está me ouvindo?!
–Sim, Charlie.
Ele continuou com o discurso interminável. Ouvi caldo deixando que minha mente voasse para longe... Seria uma sábia decisão me manter afastado de Isabella. Eu bem que poderia ligar para Tânia marcando um encontro. Caralho, eu estava subindo pelas paredes, precisando de uma mulher com urgência, mas o “grande problema” é que eu não queria qualquer mulher... Eu queria Bella. E como nunca fui de dar ouvidos à razão mesmo... Antigamente eu me divertia sendo o rebelde Cullen. Bebia demais, andava em más companhias, entrava em brigas nos bares e nos rodeios e dirigia a toda velocidade. Selvagem era o meu sobrenome. Meus amigos eram aqueles de comportamentos reprováveis, que não andavam com mais ninguém. Os Bad Boys. E embora nenhum de nós tivesse virado um criminoso ou algo do tipo, demos muito trabalho aos nossos pais na fase negra da nossa adolescência. No fim de tudo, os anos passaram, amadurecemos e nos tornamos cidadãos integrantes do sistema que anos antes havíamos desprezado tanto. A voz impaciente de Charlie me trouxe de volta à realidade.
–Edward Thomas Cullen, você está me escutando?!
–Sim.
Ele revirou os olhos fitando-me com irritação.
–Você parece uma bomba relógio, prestes a explodir a qualquer momento!
Suspirei longamente tateando os bolsos à procura de um cigarro. Seu semblante suavizou.
–Não vai encontrar nada aí, falou.
–Droga! Preciso de um cigarro!
Bufei irritado.
–Ninguém aqui vai lhe dar um cigarro. Você pediu a colaboração de todos para parar de fumar, lembra?!
Rebateu com calma.
–Inferno!
Cuspi, nervoso.
–Onde estão aqueles chicletes que você andou mascando nas últimas semanas?
Inquiriu. Dei de ombros.
–Onde está Bella?
A pergunta escapou pelos meus lábios antes que eu pudesse racionar direito. Praguejei internamente, enquanto ele arqueava as sobrancelhas me encarando levemente divertido.
–Está perguntando sobre a minha linda filha?
Raposa velha!
–Isso.
Respondi tentando ser casual. Charlie era vivido e experiente. Não era fácil conseguir enganá-lo.
–Admita que ela é linda, pediu.
Meu coração acelerou.
–Bella é linda.
–Muito bem. Agora admita que ela mexe com você, Cullen.
Um sorriso de satisfação estava estampado no rosto dele.
–Não me faça desrespeitar sua idade e a nossa amizade mandando você à merda, rebati sorrindo sarcasticamente. Ele gargalhou sonoramente.
–Minha pequena feiticeira tira você do sério, Edward.
–Feiticeira?
Meu coração acelerou involuntariamente. Aquela palavrinha de dez letras me deixou intrigado.
–Era como eu chamava a mãe dela, falou olhando agora para a imensidão do céu azul e com poucas nuvens, apertando as mãos unidas.
–E por que?
A curiosidade é uma pulga atrás da orelha.
–Por que ela me deixou completamente enfeitiçado com sua beleza e seus encantos de mulher. Deixei de ser o solteirão galinha de sempre e a pedi em casamento seis meses depois de começarmos a sair. Renée me colocou nos trilhos e mudou a minha vida.
–Você se apaixonou, eu disse.
–Completamente. E nunca me arrependi de ter tomado essa decisão. Cada minuto valeu a pena, concluiu.
Sua voz era saudosa, carregada de boas lembranças. Isso me fez refletir um instante... Bella devia realmente ser uma feiticeira. Aquela era a única explicação para eu estar cada dia mais enredado nas teias dos seus feitiços. Ela não saía do meu pensamento e as minhas idas noturnas ao banheiro haviam aumentado consideravelmente. Desde o seu retorno eu não dormia com uma mulher.
–A Bella está em casa hoje, ele falou arrancando-me dos meus pensamentos, dando-me um sorriso malicioso.
–Acho que vou dar uma passada por lá mais tarde... Falei torcendo para que minha voz soasse natural.
–Você é sempre bem vindo, Edward, desde que não vá perturbá-la com tolices. Ela já teve decepções demais nesta vida...
O aviso estava implícito nas entrelinhas. Fiquei imediatamente em alerta.
–Além da morte da mãe e da tia?
Eu sabia o quanto aquela perda havia sido devastadora para todos eles.
–O ex-noivo, concluiu baixando-se e tirando com a mão um pouco da poeira das botas.
–O que aconteceu?!
Ele fitou-me indeciso, sem saber se deveria abrir o jogo ou não.
–Pode confiar em mim, Charlie. Não comentarei nada sobre a vida pessoal da Bella com ninguém.
Ele ponderou durante uns dois minutos enquanto eu aguardava ansioso.
–Ele a traiu.
Fazia sentido. O macaco musculoso tinha cara de idiota mesmo. Permaneci em silêncio querendo saber mais.
–Ela não me falou nada. Disse apenas que havia rompido o compromisso e que estava triste. Foi quando a convidei para voltar.
–Ela contou a Rosálie, conclui.
Ele assentiu.
–Não só contou como mostrou fotos à prima.
–Fotos? Que fotos?
O homem mais velho suspirou.
–Pelo que Rose me disse, Bella estava chegando de uma viagem de trabalho quando resolveu fazer uma surpresa a ele, indo para casa de ambos sem avisar.
–E?
História interessante...
–Ele e todo o time de futebol estavam lá, dormindo com um bando de prostitutas. As mulheres nuas, a casa um caos. Ela pegou as malas e saiu decidida a não voltar mais.
–Filho da puta!
Esbravejei. Eu podia imaginar o que Bella havia sentido. Quando Emmett contou que tinha ficado com ela dentro do avião, meu primeiro impulso foi de sair batendo nos dois. Como Bella não estava em Breaking Dawn, eu quis esmurrar a cara dele.
–Se ele gostar mesmo dela, acho que ainda vai parecer por aqui...
Charlie falou pensativo.
–Que venha. Teremos o prazer de botar o macaquinho para correr dessas terras, afirmei sorrindo. Ele retribuiu o sorriso e saiu deixando-me sozinho outra vez. Olhei no relógio rapidamente e vi que passava pouco das oito. Acordávamos cedo. A lida com os animais começava sempre às cinco e meia da manhã. Marchei para o carro decidido a tirar o resto do dia de folga, passar em casa, tomar uma boa ducha e ir ao encontro de Bella.
PDV Narrador.
Satisfeita com o dia ensolarado, Bella resolveu aproveitar bem a parte da manhã e tomar um pouco de sol enquanto trabalhava. Vestiu uma bermuda de brim velha desbotada e um top vermelho curto tomara que caia, que deixava boa parte de sua barriga de fora revelando os contornos suaves do corpo feminino. Pegou um texto em português que já havia começado a traduzir na noite anterior. Depois da tradução o enviaria por e-mail a um dos seus clientes: um universitário de Yalle, recém-chegado da região Nordeste do Brasil. Olhou no espelho e sorriu satisfeita com a sua imagem. Papel, lápis grafite e os óculos de grau em punho, saiu para o quintal, andando pelo deque de madeira, aproximando-se da beirada do lago, tirando as sandálias dos pés. Sentou na velha plataforma e mergulhou os pés na água fria e refrescante. O lago era pequeno e privativo daquela casa, ou seja, ninguém a incomodaria.
Suspirou, observando a tranquilidade do ambiente ao seu redor. Fazia muito tempo que não se sentia tão em paz consigo mesma. Seus pensamentos voaram para a cidade grande, precisamente para Jacob e naquele momento tomou a decisão de mandar um e-mail para ele ainda hoje explicando que não sentia raiva, apenas mágoa, desejando que ele encontrasse alguém e que fosse feliz, e reafirmaria que eles não poderiam mais continuar juntos. “Especialmente depois do que senti nos braços de nos braços de Edward”, pensou com seus botões.
O sentimento genuíno do alívio a dominou e finalmente ela compreendeu que Alice sempre tivera razão ao duvidar de seus sentimentos pelo ex-namorado. Jacob podia ser inteligente, bonito, divertido e atlético, mas jamais chegara a tocar o seu coração. Suspirou enquanto seus olhos desceram para acompanhar o movimento calmo das águas sob seus pés, colocando os papéis de lado, estendendo as pernas num gesto lânguido. Em seguida baixou o top que dispensava o uso do sutiã, libertando os seios arredondados para serem banhados pelos raios de sol, uma coisa que ela adorava fazer, mas que na cidade não tinha oportunidade.
Mas ela não estava sozinha como pensava. Sem que Bella percebesse, Edward havia chegado silenciosamente, sorrateiro como um felino. Ele estacionara seu carro numa curva mais adiante, desligando o motor potente, saltando apressado em direção a casa do pai dela, ansioso por vê-la hoje de qualquer jeito. Um movimento furtivo e suave vindo do deque no quintal da casa chamou-lhe a atenção. Antes que subisse os degraus que davam para a varanda foi atraído para lá de forma inconsciente, parando subitamente ao avistar a linda mulher que virara seu objeto de desejo e vinha povoando seus sonhos e suas sessões de masturbação noturna. Seu olhar sobre ela é de pura cobiça. Ela senta, mergulha os pés na água, coloca as coisas que traz em suas mãos de lado e inesperadamente liberta os seios fartos e empinados. Ele fica hipnotizado pela visão. E tenta, mas não resiste ao impulso de aproximar-se.
PDV Isabella Swan.
De repente vi uma sombra bloqueando a minha visão do sol. Levei a mão até o rosto, abrindo os olhos e desejando desaparecer da face da Terra... Edward estava lá me fitando, ou melhor, comendo, devorando meus seios com os olhos verdes enigmáticos e subitamente escuros.
–Gahh!
Sentei num sobressalto, morta de vergonha, puxando o top para cima. Mas ele foi mais rápido e me impediu.
–Não se cubra.
O que?!
–Pensei, pensei que estava sozinha...
Falei aos arquejos, sentindo o olhar dele queimando minha pele, os mamilos reagindo no mesmo instante. Ele exercia um grande poder sexual sobre mim. Química pura.
–Edward, por favor, me solte. Isso é constrangedor...
Supliquei, mas ele continuou segurando minhas mãos, impedindo-me de colocar a roupa em seu devido lugar.
–Só solto se você prometer que não vai se cobrir, falou sério, mas de forma suave.
Meus olhos quase saltaram das órbitas.
–Vou ficar aqui com você, seminua?!
Perguntei estarrecida.
–Sim. Você é linda Bella. Tem um corpo perfeito. Deveria servir de modelo para algum pintor famoso retratar sua beleza num quadro, eternizando-a.
–Ninguém compraria, falei.
–Eu compraria.
–Isso não vai dar certo, gemi entre dentes. A proximidade dele era mais que perturbadora.
–Deite-se. Vou fazer o mesmo, disse soltando-me e deitando ao meu lado.
–O que veio fazer aqui?
Questionei morrendo de vergonha com o olhar dele passeando pelo meu corpo.
–Vim ver você, respondeu dando de ombros. Fitei-o desconfiada.
–Como assim?
–Só quero conversar um pouco com você, como velhos amigos.
–Velhos amigos?! Estamos mais para gato e rato do que para velhos amigos, emendei dando uma risadinha.
–Podemos falar sobre o tempo, então. Ou sobre qualquer outra coisa.
Que conversa mais estranha... Ele devia estava doente ou algo do tipo.
–Você não é uma pessoa muito gentil, Edward, então porque não me conta de uma vez o que está acontecendo?!
–Por que minha presença incomoda você?
Perguntou se supetão. Engoli em seco. Se eu mesma não compreendia aquilo como poderia explicar a ele?! Nossos olhares se cruzaram. O clima mudou.
http://www.youtube.com/watch?v=87-ggCL6glQ
Música do momento: Hunting High And Low (A-HA)
Here I am
And within the reach of my hands
She sounds asleep and she's sweeter now
Than the wildest dream could have seen her
And I watch her slipping away
But I know
I'll be hunting high and low
High
There's no end to the lengths
I'll go to hunting high and low
High
There's no end to lengths I'll go
To find her again
Upon this my dreams are depending
Through the dark
I sense the pounding of her heart next to mine
She's the sweetest love I could find
So I guess
I'll be hunting high and low
High
There's no end to the lengths
I'll go to high and Low
High
Do you know what it means to love you?
I'm hunting high and low
And now she's telling me she's got to go away
I'll always be hunting high and low
Hungry for you
Watch me tearing myself to pieces
Hunting high and low
High
There's no end to the lengths I'll go to
Oh, for you I'll be hunting high and low
Tradução: Procurando Por Toda Parte
Aqui estou
E ao alcance de minhas mãos
Ela parece dormir e está mais doce agora
Do que quando o mais selvagem sonho que poderia ter visto
E eu a deixo escapar
Mas eu sei
Eu procurarei por toda parte
De alto
Não há fim nas distâncias em que
Irei procurar de alto a baixo
De alto
Não há fim nas distâncias em que irei
Para encontrá-la de novo
Disso meus sonhos dependem
Através da escuridão
Sinto as batidas do seu coração próximo ao meu
Ela é o mais puro amor que eu poderia encontrar
Então eu acho
Eu procurarei por toda parte
De alto
Não há fim nas distâncias em que
Irei procurar de alto a baixo
De alto
Você sabe o que significa te amar ?
Estou procurando por toda parte
E agora ela está me dizendo que tem que partir
Eu sempre estarei procurando por toda parte
Faminto por você
Veja como me deixou em pedaços
Procurando de alto a baixo
De alto
Não há fim nas distâncias em que irei percorrer
Oh, por você irei procurar por toda parte...
** Amo as músicas do A HA. Fato. Tiih.
–Você disse que eu não sou gentil, mas fui gentil com você uma vez, Bella...
Sua voz era sexy, rouca, envolvente, sedutora. Minha pulsação disparou. Comecei a respirar mais rápido, meus seios subiram e desceram no ritmo da respiração, atraindo a atenção dele novamente.
–Nervosa?
Perguntou dando o sorriso torto que deixava completamente desconcertada. Golpe baixo.
–Não quero falar sobre aquele dia, retruquei virando o rosto na direção oposta.
–Fale-me sobre o seu noivado.
Meus olhos se abriram como pratos, surpresos com a pergunta. Qual seria o interesse dele na minha relação com o Jacob?!
–Começou rápido demais. Meses depois, acabou. Não há o que contar, falei sendo evasiva.
–Ele perguntou em algum momento porque você não era virgem?
Fechei os olhos contando mentalmente até vinte, segurando o impulso de agredi-lo. Por que ele tinha que tocar naquele assunto?! Respirei fundo, limitando-me a responder com frieza:
–Ele nunca perguntou.
Seu olhar era felino, selvagem.
–Se fosse eu teria perguntado.
–Jacob jamais faria isso. É um cavalheiro.
–Está dizendo que eu não sou?
–Não Edward. Como eu disse antes, você não costumava ser gentil.
–Eu mudei Bella. O rebelde Cullen amadureceu. E por mais que você não queira aceitar, nós fizemos amor Bella. E foi muito bom. Mas uma semana depois você fugiu, disse. Seu hálito morno bafejou em minha orelha. Dizer que fiquei arrepiada seria pouco.
–Não quero falar sobre isso!
–Você não é mais uma criança, Bella. É uma mulher. Uma linda mulher. Não podemos mudar o passado. Vamos ter de lidar com isso em algum momento.
Eu sabia daquilo melhor que ele, mas não era nada fácil. A presença de Edward me perturbava, mexia com meus sentimentos, com as minhas emoções, instigava minha libido. Ele já era homem feito quando me tornara mulher aos dezessete anos e a lembrança mágica daquela tarde a beira do lago, ao norte da fazenda sempre me atormentara. Mesmo durante o noivado. Mas eu certamente preferia morrer a dizer a ele o quanto havia me afetado. Com certeza, para um homem com a experiência de vida de Edward, tudo não passara de um fato corriqueiro e sem importância. A filha do capataz seria mais uma garota na sua lista de conquistas.
–Só para esclarecer... Eu não fugi Edward, eu fui para a Universidade. Por que eu fugiria?!
–Não minta, Bella.
–Não estou mentindo! E quer saber, vou sair daqui!
Esbravejei levantando, puxando o top para cima com as mãos, finalmente me cobrindo. Ele ergueu-se em seguida, segurando-me com firmeza pela cintura.
–Você não estava preparada para o que aconteceu. Eu vi o medo e a surpresa estampados nos seus olhos. Você me queria, mas estava com medo.
–Eu nunca quis você!
Ele sorriu novamente, levando a mão aos meus cabelos, afastando uma mecha para trás de minha orelha, enviando milhares de choques e arrepios de eletricidade por minha pele.
–Queria, sim. Lutou contra isso, mas me desejava tanto quanto eu a queria. Não tentou livrar-se de mim. Tentou me bater, me agredir, mas em algum momento a raiva transformou-se numa poderosa corrente de desejo. Um desejo tão puro e intenso que você colou seu corpo ao meu como se sua vida dependesse disso. Esqueceu?
–Vá para o inferno, Edward! E trate de me soltar!
–Tenho idéias mais interessantes para nós dois, Bella...
Falou inclinando-se em minha direção, os lábios firmes entre abertos. Recuei meu corpo para trás, tentando me esquivar sem sucesso daquela boca máscula. O roçar de nossas línguas fez com que eu soltasse um gemido abafado e cedesse totalmente. Eu o desejava com a mesma força de antes. Nada havia mudado. Edward era o homem com quem eu sonhara durante a minha adolescência. Comecei a notá-lo quando eu tinha catorze anos e ele vinte. Desde então ele fazia parte dos meus sonhos e fantasias mais secretas...
O beijo se intensificou. Senti uma mão sobre o top, em busca do meu seio e gemi por entre o beijo. Segundos depois o top era arrancado para fora do meu corpo, suas mãos hábeis brincando nos meus mamilos, deixando-me zonza, com as pernas moles. Meu sexo latejou e eu me grudei mais a ele. Suavemente ele me deitou sobre o deque, baixando a cabeça, sugando meus mamilos ritmadamente. Levei minhas mãos aos seus cabelos, massageando-os, trazendo-o mais para perto.
–Estamos juntos, Bella. Só eu e você, falou deslizando a ponta da língua sobre a linha do meu queixo, me excitando cada vez mais.
–Eu sei...
Respondi num sussurro rouco.
–Vai pedir que eu pare?
Não respondi.
–Você quer que eu pare, Bella?
Insistiu friccionando as mãos em meus seios outra vez, espalhando fogo líquido em meu corpo, acelerando ainda mais meu coração.
–Meu Deus... O que está acontecendo conosco, Edward?
Consegui murmurar baixinho. Em resposta ele deslizou a boca ao longo do meu pescoço, descendo para os seios e chegando ao ventre procurando com impaciência o zíper da minha bermuda. Eu gemi, mas logo em seguida fiquei paralisada. Senti uma ciosa estranha e incômoda. Um pressentimento ruim. Intuição ou si lá o que, mas era desconfortável e inexplicável, associado a um arrepio gelado que descia por minha espinha agora mesmo. A mesma sensação que senti quando estava com Alice na noite do ataque. Eu sentia que era observada. Levantei meus olhos para o alto das colinas que rodeavam a casa e por entre a vegetação densa consegui vislumbrar ligeiramente uma imagem que me deixou aterrorizada: Um par de olhos azuis intensos, gélidos e extremamente frios. Por um instante eu não estava mais na fazenda e sim em Washington...O ar me faltou. Eu fiquei paralisada, congelada no lugar, sob o corpo de Edward, o medo subindo rapidamente por minhas entranhas, me deixando em pânico novamente. Edward sentiu que algo estava errado e parou de me tocar, fitando-me confuso.
–Bella?
Não respondi. Meu olhar estava fixo em algum lugar nas colinas, perdido por entre as árvores, mas o intruso sumira do meu campo de visão, desaparecera por completo. Vesti o top apressadamente. Minhas mãos tremiam.
–Bella, o que houve? Bella fale comigo! Você está tão pálida, tão tensa... parece que ficou cara a cara com a morte...
Se ele soubesse... Engoli em seco começando a tremer incontrolavelmente. Ele me abraçou forte, ajeitando minhas roupas, ansioso por descobrir o que acontecera. Minhas lágrimas escorreram silenciosas. Surpreso, ele perguntou se eu estava bem.
–Vai me contar o que aconteceu?
–Sim, mas prefiro entrar em casa. É mais seguro, falei com a voz trêmula, sentindo a tensão acumular em cada célula do meu corpo. Ele me fitou com um olhar esquisito, como se eu estivesse maluca.
–Estamos em Breaking Dawn Bella, tudo por aqui é seguro, falou franzindo a testa, preocupado.
Era o que eu pensava, refleti andando na frente dele segurando a porta de tela que dava para a cozinha, esperando que ele passasse depois de mim.
PDV Edward Cullen.
Tinha algo muito, muito errado acontecendo ali. Isabella estava tremendo. Literalmente. Ela juntou suas coisas do chão rapidamente e passou por mim como um furacão, embrenhando-se para dentro de casa. Segui imediatamente atrás disposto a entender o motivo de atitudes tão contraditórias. Ela estava sentada no sofá, as penas dobradas, envolvendo os joelhos com seus braços, como se quisesse juntar seus pedaços, balançando o corpo para frente e para trás. Uma atitude tipicamente defensiva. Os gatos então surgiram do nada, passaram correndo e desapareceram na direção do quintal. Gatos loucos! Quase matavam as pessoas de susto.
–Bella...
Chamei baixinho, preocupado, aproximando-me devagar enquanto ela sussurrava alguma coisa.
–Ele está aqui... Ele me encontrou... Ele está aqui...
Fiquei tenso. Que porra estava acontecendo?! E quem era “ele”?!
–Não pode ser... Mas é... Eu o vi... Eu o vi... Meu Deus...
Falava sem parar e parecia estar presa a uma espécie de transe.
–Ei, ei! Bella, olhe para mim, pedi segurando em seus braços. Seu olhar era vago. Sacudi-a de leve preocupado sem saber se deveria ligar para o Charlie, para Rose ou até mesmo chamar o médico da família, o Dr. Jared.
–Edward...
Falou novamente com os olhos rasos d’água, mordendo o lábio inferior entre os dentes.
–Pare com isso, pedi baixinho.
–Parar com o que?
Pare de me fazer desejá-la tanto, para de ser tão sexy de forma inconsciente, pare de despertar em mim vontade de abraçá-la, beijá-la, acariciar seus cabelos, despi-la... Pensei comigo mesmo.
–De mastigar os lábios. Você sempre faz isso quando está tensa, emendei em voz alta. Ela não suportou mais o que quer que fosse que a estava incomodando e explodiu num choro convulsivo. Aquilo me assustou, pois eu nunca havia visto Bella chorar daquela maneira, convulsivamente. Ela era determinada e geralmente nunca fugia de uma boa briga. Puxei-a para mim num abraço confortador e protetor, deixando que colocasse tudo para fora. Eu precisava ser rápido e descobrir o que estava acontecendo com ela.
Notas finais
Beijos
Kiki Cullen
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