Orgulho E Sedução.
42 Capítulo 42
Notas iniciais
Cap. 42
“Morrer no lugar de alguém que eu amo me parecia uma boa forma para se morrer”
Isabella Swan.
Narrador.
Edward avistou a cabana estrategicamente escondida no meio da densa vegetação. Era uma construção velha pequena, singularmente erguida num ponto alto de uma colina cercada por altos pinheiros. Olhos de leigos passariam por ali e dificilmente vertiam a construção. James escolhera muito bem o local.
Se ele estivesse vendo Edward agora veria que o filho caçula do Senador Cullen estava aparentemente sozinho caminhando em direção à parede lateral da velha cabana. Pelo menos seria o que James pensaria. Sua mente doentia queria que Edward estivesse sozinho e eles estavam dando-lhe aquela ilusão.
Charlie, Quil e Embry estavam próximos, mas no momento fora da linha de visão de quem quer que esteja dentro ou nas proximidades da construção. No entanto Charlie e Embry vinham pelo leste, ou seja, estavam na parte de trás da pequena cabana, enquanto Quil vinha pelas árvores. Uma técnica muito usada no exercito para abordagem do território inimigo. James não teria a menor chance.
Sentindo o suor brotando em pequenas gotas em sua testa e a adrenalina correndo disparada em suas veias, Edward deu mais alguns passos em direção ao pequeno casebre agachando-se para examinar atentamente a área a sua volta. Pegou o rádio preso em sua cintura e ouviu a voz de Quil muito baixa, num simples sussurro:
-Limpo.
Assentiu com a cabeça quase imperceptivelmente movendo-se com agilidade, atingindo a única janela da casa. Ficando de pé oculto pelas sombras das árvores densas estreitou os olhos furtivamente tentando enxergar na penumbra do ambiente sem se incomodar com a chuva fina que caía embaçando-lhe a visão, deixando-a turva. Sentiu um frio no estômago e seu coração deu um baque no peito quando avistou Bella desacordada e ferida.
-Canalha!
Sibilou entre dentes sentindo seu ódio crescer vermelho e quente, seu instinto protetor gritando como louco. Ela estava estirada no chão frio, inconsciente com um dos braços amarrados a uma cama de ferro. Seu rosto tinha um grande hematoma roxo sob o olho esquerdo, sua roupa estava rasgada na altura dos seios, o início do sutiã de renda aparecendo. Sua vontade de correr até lá e arrancá-la daquela situação perigosa e deplorável era enorme, mas a armadilha era óbvia. James a estava usando como isca. Edward respirou profundamente e conteve-se a tempo engolindo com dificuldade. Sua sede de sangue crescia como um monstro incontrolável. Queria bater em James com todas as suas forças, quebrar cada osso do seu corpo, sentir o sangue jorrar e ver a vida esvair-se de sua carcaça humana imunda, mas essa hora chegaria. E ele teria a sua vingança, mas no momento precisava preocupar com Bella apenas e em mantê-la viva e a salvo.
Com grande relutância agachou-se se afastando para comunicar-se com ou outros. Quando se sentiu a uma distância segura pôs-se de pé outra vez dando de cara com Quil agora camuflado no chão entre alguns arbustos.
-Acho que ele não está lá. Eu não o vi, falou sentindo a tensão em cada músculo de seu corpo.
Quil duvidou.
-Será que a deixaria sozinha?
-Não sei, mas acho pouco provável.
-Ela está bem?
O rosto do policial expressava uma preocupação genuína e Edward sentiu-se agradecido.
-Não. Está ferida e presa.
Falou com um nó formando-se em sua garganta.
-Droga, sibilou entre dentes o policial experiente. Seus olhares encontraram-se num segundo precioso e decisivo. Palavras eram desnecessárias.
-Vou entrar. Ele acha que vim sozinho, que não arriscaria a vida dela.
-Certo. Vamos lhe dar cobertura.
Edward assentiu.
-Dê-me cinco minutos apenas ok?
-Ok. Mas lembre-se que ele está preparado para você.
Quil emendou olhando para o relógio em seu pulso fazendo um sinal para Edward que mais uma vez afastava-se voltando para junto da janela cauteloso. Bella continuava inerte como uma boneca de pano estropiada. Ele então deu a volta na construção vendo um leve movimento furtivo no meio das árvores identificando agora Charlie e Embry. Sentiu-se aliviado por saber que logo mais estaria tudo terminado. Determinado circulou a cabana. Não havia entrada nos fundos. A única maneira de chegar até Bella seria pela porta da frente, o que dava a James, se estivesse escondido lá dentro, uma enorme vantagem. Sabendo que não lhe restava escolha, foi o que fez. Caminhou decidido até lá, abriu a porta com um chute e entrou dando apenas três passos e alcançando Isabella. A porta fechou atrás dele com um barulho surdo. Edward ignorou. Nervoso, checou sua respiração e seu pulso, que estava fraco, mas batendo. Suspirou aliviado apressando-se em desamarrá-la quando ouviu o estampido e sentiu seu ombro queimar. Havia levado um tiro.
-Ora, ora, se não é o meu convidado especial, disse James saindo de trás de uma barricada improvisada com uma cadeira e uma sacola de viagem. Edward virou-se a tempo de vê-lo vindo em sua direção. Ele estava todo de preto, com o rosto descoberto e os cabelos louros presos num rabo de cavalo frouxo. Seu ombro ardia, o sangue escorria, mas ele não se importou. Tudo o que ele queria ele ver aquele desgraçado morto.
-Seu filho da puta!
Cuspiu irado. O outro homem sorriu com desdém.
-Se é um elogio, agradeço. Estávamos esperando você chegar para começarmos nosso show particular. Eu e a Bella.
Ao ouvir o nome de sua mulher, seus olhos faiscaram, seu ódio inflamou-o e ele atirou-se sobre o outro homem com toda sua raiva, medo, tensão e descontrole. Tomado de surpresa, James não conseguiu reagir a tempo. Edward lançou-se sobre ele com tamanha ira que levou ambos a cair no chão em segundos.
-Desgraçado, eu vou te matar!
Berrou enlouquecido.
-Acha mesmo que é páreo para mim Cullen idiota?! Vou foder sua mulher na sua frente!
-Canalha! Maldito!
-Por que não chegou aqui mais rápido?! Não se importa o suficiente com sua noiva?!
Perguntou provocando enquanto trocavam socos, murros, golpes fortes e chutes. Edward sabia que Quil entraria a qualquer momento e tentou tirar proveito disso, ferindo-o como podia. James reagiu desferindo uma cotovelada no ombro atingido pela bala e ele gritou de dor. O outro ficou de pé dando agora uma chave de braço no pescoço de Edward que se dobrou para frente jogando-o por cima do seu próprio corpo travando uma verdadeira batalha. Tanto ele quanto Emmett haviam aprendido judô e defesa pessoal no colégio. Uma exigência de seus pais. Edward era faixa marrom e Emmett faixa preta.
-Vou estuprar sua noivinha na sua frente quatro vezes, matá-la e depois te matar seu imbecil!
-Você vai morrer seu desgraçado! Eu vou ter matar seu doente!
Chutes violentos colocaram a porta abaixo desta vez e em questão de segundos Quil estava apontando uma arma para a cabeça de James que fitou Edward com ódio, a expressão de seu rosto desfigurada pela dor deter a sua fantasia mórbida interrompida. Charlie e Embry correram para libertar Bella.
-Covarde! Você não é homem suficiente para salvar sua mulher, sozinho?! Seu merda! Filho da Puta! Você estragou tudo! Tudo!
Edward aproximou-se e desferiu-lhe outro soco certeiro no queixo, calando-o
-O senhor está bem senhor Cullen?
Perguntou Embry assim que desamarraram Bella.
-Sim... Bella está bem Charlie?
-Sim, mas está inconsciente. Será que está drogada?
-Espero que não. James esbravejava como um cão enfurecido enquanto era algemado. Edward encarou Quil firmemente e ordenou:
-Solte-o.
James estava com as mãos algemadas em suas costas.
-Senhor Cullen, eu...
-Obedeça, Quil.
Disse Embry com sua fria voz de comando. Edward olhou para o seu sogro e pediu:
-Tire Bella daqui Charlie. Agora. O capataz assentiu e carregou a filha para fora da cabana nos braços. Bella esboçou um sorriso fraco assim que o viu e tornou a desmaiar logo depois. Charlie saiu com a filha nos braços em direção aos carros que estavam escondidos na floresta. A porta da cabana foi fechada. Só restavam os quatro homens ali dentro agora. Edward aproximou-se perigosamente de James que já se encontrava com as mãos livres.
-Você ameaçou a minha mulher James. Está ouvindo? Ameaçou a mulher que eu amo. A mulher com quem vou me casar. A mão dos meus filhos.
-Vá se danar! Eu a vi muito antes que você!
Berrou raivoso. Edward continuou num tom de voz seco baixo e frio:
-Como se isso não bastasse, você infiltrou-se no meu lar, conquistou a confiança da minha família e colocou cada um de nós em perigo. Nenhum homem consegue esquecer ou perdoar isso. Como disse assim que cheguei, vou te matar seu filho da puta. Vou te matar com minhas próprias...
Sem esperar que Edward fosse concluir a frase, James ficou de pé com rapidez dando um salto e voando em cima de Edward que desviou depressa e ágil aplicando-lhe um golpe violento nas costelas, deixando-o zonzo e sem ar.
-Qual é o seu problema James? Você fica irritado quando as pessoas te falam a verdade? Ah, esqueci... Você não é um homem. Você é um verme. A escória da raça humana. Um parasita desprezível que viola o corpo de mulheres indefesas porque não tem a capacidade de conquistar uma delas. Por que você não é humano. Você é a vergonha e a desgraça da nossa raça seu infeliz.
-Vai se foder, Edward!
-Não, quem vai se foder é você, seu filho da puta, disse pegando sua arma, mirando no meio das pernas dele, atirando dois segundos depois. Ele urrou num grito desesperado de dor. Parecia um animal quando está para ser abatido. Edward deu mais um tiro. James berrou indefeso, caindo no chão encolhendo-se em posição fetal, o sangue espalhando-se por todo lado manchando sua calça preta e o chão da cabana. Edward aproximou-se, posicionando-se em cima dele, colocando o braço em seu pescoço disposto a esmagar sua traquéia
-Nunca mais você vai ter a chance de estuprar uma mulher, seu canalha porque eu estourei o seu pau e as suas bolas. Nunca mais ele vai subir de novo. Acabou. Eu destruí você seu animal! Lembre-se disso quando estiver chegando ao inferno!
Falou desferindo mais pressão no golpe. James estava sufocando lentamente.
-Edward, não!
Gritou Charlie colocando a cabaça na porta nesse instante.
-Fizemos um acordo, Charlie. Não vou poupar a vida desse monstro! Vociferou aplicando agora mais força.
-Escute! Bella acabou de dizer que ele matou três moças e enterrou os corpos na floresta. Se você matá-lo elas nunca serão encontradas.
Ao escutar tais palavras, Quil e Embry seguraram Edward que praguejando alto, finalmente soltou-o deixando que agora os policiais assumissem o controle da situação. Aquele desgraçado havia feito mais vítimas e agora também havia matado mulheres inocentes. Por mais que quisesse vê-lo morto sabia que as famílias das moças mereciam justiça.
-Não se preocupe senhor Cullen. Ele terá o castigo que merece, disse Quil algemando-o novamente e arrastando-o para fora. Assim que os dois saíram Edward virou-se para Embry.
-O quero morto assim que os corpos das vítimas forem encontrados.
-Pode deixar Edward. É uma promessa minha. Seu pedido será atendido em breve. Também quero ver ele morto.
-Bandido bom é bandido morto, emendou.
Trocaram um breve aperto de mão e saíram daquele local. Edward, porém, fez questão de despejar um galão de gasolina que haviam trazido na caminhonete em toda a cabana e atear fogo na construção esperando que nunca ninguém mais tivesse que passar por todo horror que Bella havia passado. Finalmente aquela história de terror havia chegado ao fim.
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Bella.
Eu não sabia se estava dormindo ou acordada. As coisas estavam confusas. Era como se eu flutuasse numa água escura e tranqüila. Ouvi vozes, a voz mais linda que eu podia escutar. A voz do meu anjo, do meu amor. Ouvi um tiro. Parecia tão próximo... Talvez meus sentidos estivessem me pregando uma peça. Sem poder fazer mais nada ouvi uma luta. Gritos, ameaças, som de golpes. Mergulhei novamente na escuridão profunda tentando fugir da dor que atormentava meu corpo. Meu braço principalmente. Depois senti que estava sendo libertada. Braços familiares envolveram-me. Abri os olhos e vi o meu pai. Sorri debilmente. Quando tornei a acordar estava sendo levada até uma caminhonete. Sem saber ao certo o que estava se passando disse a primeira coisa que veio a minha mente antes que a dor me dominasse outra vez sobrepujando meus sentidos. Que o James tinha matado três mulheres e enterrado seus corpos. Senti um beijo leve em meus cabelos e a voz de papai dizendo que tudo iria ficar bem. Tentei acreditar naquilo com a pouca força que ainda me restava e confiei que tudo realmente ia ficar bem. De alguma forma eu iria ficar livre daquele terrível pesadelo.
Dois dias Depois...
Tentei abrir os olhos, mas uma luz forte e branca obrigou-me a fechá-los novamente.
-Bella?
Corri os dedos pelo meu braço e percebi que estava engessado. O braço livre estava preso a fios e eu tentei alcançá-los.
-Bella, não.
A voz da Alice soou mais forte agora.
-Alice?
-Sim, amiga. Sou eu, disse com sua pequena mão alcançando a minha. Virei à cabeça devagar e seu lindo rosto de fada estava próximo ao meu. Seus olhos agora estavam úmidos e eu sorri feliz em revê-la depois de tantos meses.
-Alice? Onde eu estou? E que bom ver você. Mas como veio parar aqui?!
Realmente eu estava muito confusa.
-Bem é uma longa história. Resumindo: Você está no hospital e quando eu te liguei o Edward atendeu e me contou o que tinha acontecido. Assim, eu cancelei minha agenda para os próximos dias, remarquei os compromissos mais urgentes e peguei o primeiro avião para cá.
-Obrigada.
-Não me agradeça. Você faria o mesmo por mim.
-E o Jazz?
-Ele está bem e deve vir visitá-la em breve. Resolvemos morar juntos.
Ainda com sua voz de sino em meus ouvidos me forcei a olhar em volta. As paredes eram brancas, o quarto desconhecido. A parede na lateral da cama coberta por uma cortina de persianas horizontais, no teto a luz forte que havia me cegado instantes atrás. A cama era meio dura, os travesseiros fofos. Meu braço sadio estava preso a um suporte de soro. Fiz uma careta de desgosto. Eu odiava agulhas mais que ninguém. Virei à cabeça outra vez dando de cara com a Alice.
-Fico muito feliz por vocês dois, Allie.
Eu sabia que aquele era um grande passo para ela que sempre fora tão independente. Mas eles se amavam, assim como eu e Edward.
-Eu sei querida. Obrigada.
-Há quanto tempo estou aqui?
-Dois dias. Não consegue lembrar?
-Mais ou menos. Ai, minha cabeça... Percebi que existia uma névoa em minhas lembranças.
-Ah, Bella eu lamento tanto, disse deixando as lágrimas correrem soltas.
-Não lamente.
-O Edward contou-me tudo. – Você viveu um inferno nas mãos daquele maluco!
O ultraje em sua voz era claro. Fechei os olhos por um instante.
-Ele conhecia você, Alice. Era você que ele ia pegar naquela noite, falei agoniada.
-Sim, eu sei. Você contou tudo, toda a história nas vezes em que despertou. –Não se preocupe. Vai ficar tudo bem, Bella, completou me aquietando.
-O que aconteceu a ele?
-Foi operado e levado para um hospital especial de segurança máxima. Quando tiver alta será julgado e condenado pelos seus crimes.
Nada poderia descrever o alívio intenso que eu senti naquele momento.
-E as moças? A polícia as encontrou?
Questionei lembrando finalmente de tudo.
-Sim. E apesar da perda as famílias estão muito agradecidas a você. Duas delas eram primas legítimas. Se ele tivesse morrido sem que você contasse sobre as três, elas jamais seriam encontradas.
Assenti sentindo um bolo formando-se em minha garganta. Eu tinha tido muito mais sorte que elas.
-Onde está o Edward?
Ela sorriu.
-Ele não saiu daqui todo o tempo. Ficou ao seu lado durante esses dois dias. Ele te ama, Bella e muito.
-Eu sei. Também o amo. Quero vê-lo, pedi.
-Ele foi pegar alguma coisa para comer. Ou melhor, ele foi obrigado a ir. Os pais dele o arrastaram daqui até a cantina.
-Carlisle e Esme também estão aqui?
-Sim e também o seu pai. Sua prima e o marido já voltaram para a fazenda, mas estiveram aqui ontem durante o dia todo.
-O Emmett não deveria ter vindo! Ele está em processo de recuperação!
-Ele é bastante determinado e pelo que eu pude ver tem o um gênio de cão. Acho quem nada o impediria de vir até aqui, nem mesmo se ele estivesse de cama.
-É você descreveu bem o Emmett, falei sentindo que os cantos da minha boca repuxavam num sorriso.
-Ele e o Edward brigaram feio, disse resignada.
-Por quê?
Perguntei intrigada.
-Porque o Edward não deixou que avisassem ninguém quando descobriu que o James tinha pegado você. Ele, seu pai e dois policiais que trabalhavam disfarçados na fazenda organizaram uma força tarefa e forem te resgatar.
-Eu fui tão idiota, Alice. Por um momento esqueci que não devia andar sozinha. Fui até a nossa futura casa, que Edward está reformando. Ele armou tudo direitinho. Ele enganou o Edward com uma distração e veio atrás de mim.
-Já passou Bella. Está tudo acabado agora. Você está segura e a salvo.
E por quanto tempo? Quase perguntei, porque os problemas pareciam ter um ímã em minha direção.
-Meu braço está quebrado, concluí.
-Sim e você precisa ficar quieta e descansar.
-Estou toda dolorida. Mais algum dano que eu não esteja vendo?
-Um olho roxo, um galo na cabeça e algumas escoriações. Você teve muita sorte Bella, disse.
-Ai, estremeci quando meus olhos depararam-se com a agulha enfiada no meu braço, numa veia central.
-O que foi?
-Agulhas, Alice. Você sabe o quanto eu detesto isso!
Ela revirou seus olhos castanhos amarelados e fez uma careta.
-Acho que agulhas perfurando o seu braço são o seu menor problema agora, Bella, respondeu balançando a cabeça. Nesse instante a porta foi aberta e meu olhar correu para lá. Foi quando vi o Edward e não pude conter as lágrimas. Ele arregalou os olhos e correu até mim. Esme vinha logo atrás.
-Bella o que foi?! Está sentindo alguma coisa meu amor? Por que está chorando? Por favor, fale comigo!
-Edward!
Solucei sentindo meu corpo sacudir e a dor me tomar. Gemi alto. Ele estava abatido com círculos escuros sob os lindos olhos verdes e devia ter perdido peso, mas mesmo assim continuava lindo.
-Bella você está me assustando! O que foi? Fale!
-Vou chamar uma enfermeira disse Esme saindo para o corredor. Alice veio em meu socorro.
-Ela achou que nunca mais fosse ver você Edward, falou com sua voz de sino alcançando a porta. Os olhos verde jade relaxaram e ele me deu o sorriso torto que eu tanto amava.
-É por isso que está chorando?
Assenti ouvindo o “clic” suave da porta sendo fechada. Alice estava nos dando privacidade.
-Sim!
-E como eu poderia viver sem você?
Perguntou afagando meu rosto com o mais leve dos toques. Minha dor e confusão mental não eram mais fortes que a reação do meu corpo a proximidade dele. Meus batimentos cardíacos aceleraram, minha pele arrepiou, a descarga elétrica carregada de apelo sexual correu meu corpo. Ele percebeu.
-Parece que terei de ser mais cuidadoso ao tocar você agora, carinho.
Disse sorrindo.
-Só enquanto eu estiver nessa porcaria de hospital, rebati constrangida e irritada.
-Isso é um incentivo para tentar apressar a sua alta? Não me tente ou vou atrás do médico agora mesmo.
-Faça isso, então!
Pedi animada.
-Não há nada no mundo que eu gostaria mais de fazer, mas infelizmente agora você precisa descansar e se recuperar, Bella.
Bufei indignada.
-Será que ao menos você poderia me beijar?
-Com prazer, disse enquanto seus lábios tocavam os meus levemente. Estiquei o braço livre tentando trazê-lo para mais perto, arrependendo-me imediatamente com a dor da agulha enfiada em minha veia.
-Ai!
-Shh... Quietinha. Não se esforce Bella, respondeu afastando-se.
-Quero você, choraminguei.
-Eu estou aqui, coração. Eu estive aqui ao seu lado cada minuto.
-Mas eu ainda não terminei de beijar você, reclamei chateada com a distância que ele impôs.
-Prometo que vou passar um dia inteiro beijando essa sua boca linda assim que estivermos em casa.
-Qual é o problema de me beijar aqui Edward?! Vou ter que arrancar o soro do meu braço e ir até aí?!
Eu estava brava, irritada, confusa, com medo e queria-o mais que tudo perto de mim.
-Não é um problema carinho, é que vai ser meio constrangedor se alguém entrar aqui e me vir assim, disse apontando para o pênis. Meus olhos o acompanharam e finalmente eu entendi o motivo do seu afastamento. Sua ereção era enorme. Ele me deu um sorriso amarelo.
-Desculpe por isso.
-Não, me desculpe você. Eu jamais deveria ter saído correndo daquele jeito e te deixado sozinha, falou com maxilar cerrado. –Nunca vou me perdoar. Nem que eu viva mil anos!
-Não diga bobagens. Eu sabia o risco que corria indo até a nossa casa sozinha. Mas apenas por um momento... Por um só instante eu me senti segura e achei que estivesse livre daquele pesadelo.
-Ele me enganou, falou amargo.
-Ele enganou a todos nós.
-Você me perdoa Bella? Eu te fiz uma promessa e quebrei. Disse que não deixaria que nada de mal te acontecesse e olhe no que deu. Eu quase morri ao te ver largada no chão, machucada e presa aquela cama de ferro, falou culpando-se.
-Você me salvou Edward, devolvi segurando em sua mão sentindo o calor que emanava dele, as minhas lágrimas descendo livremente.
-Nunca mais vou te deixar enquanto eu viver.
-Eu também nunca mais vou deixar você livre.
A expressão pesada e carregada pelo remorso em seu rosto de anjo suavizou e ele sorriu amplamente.
-Está me fazendo uma promessa?
-Sim, Edward. Estou prometendo que nunca vou te deixar. Enquanto nós dois vivermos.
-Não sabe o quanto fico feliz em ouvir isso. Agora que tal colocarmos este anel em seu devido lugar?
Perguntou abrindo a mão e mostrando-me o anel de sua avó que havia me dado dias atrás.
-Já não era sem tempo cowboy.
-Você é minha Bella. Sempre foi. Fui um tolo em não perceber isso antes.
-Eu sei. Assim como você também pertence a mim.
Respondi sentindo uma onda de felicidade tomar conta do meu ser. Tínhamos passado por maus momentos, mas juntos nós dois iríamos superar. A presença dele dava-me a força necessária para reunir meus cacos e ossos quebrados e seguir em frente.
-Eu te amo, Edward.
-Também te amo. E vou te amar enquanto eu viver.
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