Orgulho E Sedução.
26 Capítulo 26
Notas iniciais
PDV Edward Cullen.
Observando Bella adormecida em meus braços, vi o dia amanhecer. A noite havia sido perfeita. E eu tinha cumprido a minha promessa deixando-a exausta. Olhei para os seios redondos e firmes que subiam com o ritmo suave de sua respiração e sorri. Eu também estava cansado, mas não consegui dormir. Não consegui pregar o olho. Nem mesmo um simples cochilo. Às vezes era difícil acreditar que ela estava mesmo ali, que era real. Muitas coisas aconteceram nas últimas quarenta e oito horas. Eu precisava de um tempo para lidar com tudo. Para absorver cada detalhe. Mas a melhor coisa do mundo foi descobrir que ela me amava. Tanto quanto eu. Porra, eu estava sorrindo à toa. Caralho... Minha vida agora estava quase completa. Quase. Enquanto não pegássemos aquele psicopata filho da puta o medo ainda estaria a nossa espreita. E eu não poderia viver em paz.
Suspirei levantando cuidadosamente saindo da cama bem devagar para não acordá-la. Andei descalço até o guarda roupas, peguei roupas limpas para vestir, retirei a calcinha de Bella do bolso da calça de Emmett examinando a delicada lingerie destruída com interesse. Era vermelha de cetim e renda, fio dental atrás e pela textura do tecido deveria custar bem caro. Aquele tipo de roupa enlouquecia homens como eu. Mordi os lábios intrigado, guardando a peça numa das minhas gavetas. Mais cedo ou mais tarde eu iria descobrir. Vesti minha roupa, peguei as botas de couro marrons um tanto desgastadas saindo do quarto, descendo as escadas e calçando-as na sala. Verifiquei se tudo estava devidamente fechado. Janelas, a porta dos fundos... Satisfeito caminhei para a saída, fechando a porta atrás de mim com cuidado, trancando-a duas vezes, disposto a dar uma boa cavalgada. Nada melhor que um passeio a cavalo ao nascer do sol nas montanhas para colocar minha mente em ordem. Com sorte eu estaria de volta antes de Bella acordar.
PDV Narrador.
Chegando aos estábulos com o dia amanhecendo, o céu sendo cortado pelos primeiros raios de sol da manhã, Edward caminhou até a baia onde Forks estava e sorriu para o velho cavalo. Nenhum dos peões havia chegado. O sol acabara de nascer.
–Está ficando gordo de tanto ficar parado nesse celeiro, amigão, disse aproximando-se e dando uma cenoura ao animal que relinchou e aceitou a oferta comendo o legume. Levou o cavalo para fora, apoiou um dos pés no estribo e tomou um impulso para montar.
–Sabe o que nós dois estamos precisando? Um bom passeio, falou pegando seu revólver na cintura e ajeitando-o. O puma ainda estava à solta. Todos tinham que andar prevenidos.
Incitando o cavalo a seguir galopando, escolheu a rota oeste, que margeava o rio, oposta a que levava a colina, de onde avistava-se a casa dos pais. Não queria encontrar ninguém nesse momento. O ar estava frio apesar de ainda estarem no verão, mas ele sabia que o inverno chegaria daqui a poucos meses. A beleza daquela terra poderia surpreender um homem, mesmo conhecendo-a desde que nascera. Hoje o céu estava límpido, quase sem nuvens. O sol despontava numa imensidão azul límpida e majestosa. Edward cavalgou olhando para o ambiente que o rodeava. Olhou as construções, as pastagens e para o gado a sua volta, deslocando-se sobre a sela enquanto observava a tudo... Trabalho no campo... Um trabalho árduo e que nunca tinha fim, mas que ele amava. Assim com seu avô, seu pai e o seu irmão. A vida e a dedicação ao campo poderiam curar uma grande dor, mas também poderiam partir um coração em mil pedaços. Lembrou de quando criança ver homens morrendo ali afogados, na tentativa de salvar seus animais dos lagos e rios. Todos sabiam. Os ricos no inverno eram enormes. Gado morrendo de fome ou simplesmente congelando até a morte, cavalos bons tornavam-se coxos, bezerros e potros viravam alvos de predadores como pumas, lobos e coiotes... Deu um suspiro e continuou andando sem rumo.
As árvores imensas da floresta ladeavam trilha formando um caminho verde, prata e marrom, fornecendo sombras acolhedoras. O rio corria pelo vale, cristalino e convidativo. Ele estacou parando o cavalo vendo um cervo aproximar-se da margem cuidadoso para beber água. Edward observou à cena, fascinado. O animal mantinha as orelhas em pé, como se estivesse em permanente estado de alerta. Ele ficou ali por bons dez minutos, bebeu água e em seguida afastou-se embrenhando-se na densa vegetação e desapareceu. Ele sentiu-se agraciado por poder presenciar tal momento. Forks reclamou por estar parado e ele sorriu afagando-o o cavalo.
–Desculpe amigo. Nós viemos aqui para dar um passeio e eu estou fazendo você ficar parado no meio do nada. Bom, vamos andando, disse cutucando de leve os flancos do animal com os calcanhares. Forks começou a trotar. Após alguns instantes o animal abriu caminho por uma encosta íngreme que depois de vinte minutos acabou na margem do lago. O lago onde ele estivera com Bella cinco anos atrás. A visão daquele lugar encheu todos os seus sentidos com as lembranças daquela tarde e ele apeou soltando as rédeas, permitindo que o cavalo avançasse até a água.
Forks mergulhou até estar apenas com o pescoço de fora e relinchou satisfeito. Edward riu alto. O animal estava realmente disposto a se molhar.
–Acho que apeei na hora certa, não foi?
Como se entendesse o que o seu dono falava, o animal relinchou outra vez.
–Certo. Você estava decidido a tomar um banho. Aproveite, pois não vamos demorar muito. Forks nadava de um lado para o outro, as pernas lançando-o para frente, a cabeça erguida, as orelhas apuradas.
Edward caminhou até a beira da margem, no local onde havia feito Bella virar mulher e sorriu. Se tivesse vindo ali algum tempo atrás às lembranças dolorosas o corroeriam, dilacerando seu peito, fazendo-o sofrer. Mas agora elas faziam parte de uma história. Uma história de amor que começara às avessas, mas que terminaria com um casamento. Sim. Ele iria pedir Bella em casamento logo mais. E depois de casado, eles começariam uma nova história. Sorriu e nesse instante teve sua mente invadida pela lembrança da falta de preservativo. Um lapso que talvez estivesse gerando um filho... Um filho dele no ventre de Isabella. Sentiu um calor aquecendo-o diante daquela idéia. Formariam uma família. Não sabia se Bella queria muitos ou poucos filhos, mas o fato é que eles os teriam. Sim. Seus pais seriam avós. Mas o calor que o aquecia internamente foi sendo dissipado instantes depois com uma nuvem negra que pairava sobre todos eles... Edward engoliu em seco vendo mais uma vez a mensagem do intruso em letras garrafais: ICE EYES. Maldito. Filho da puta. Bastardo doente. Tinha de conversar com seu pai e com os policiais o quanto antes. Aquele miserável estava ameaçando sua mulher. O seu amor. Sua razão de viver. Ele precisava ser encontrado e detido.
Assoviou e o cavalo veio até ele sem demora, sacudindo o corpo e a cabeça, livrando-se do excesso de água que voava em todas as direções. Edward ampliou seu sorriso.
–Bom menino, elogiou pensando em como a vida havia sido generosa com ele. O cavalo relinchou em resposta.
–Você foi muito bem, Forks. Mas agora está na hora de voltarmos. O animal caminhou até ele com destreza, parando quando estava ao seu lado. Edward apoiou o pé no estribo, tomou impulso e montou sabendo que chegaria em casa com as calças completamente molhadas, mas não se incomodou.
–--
PDV Emmett.
Acordei primeiro e decidi sair da cama indo até o banheiro tomando uma ducha e fazendo minha higiene matinal. Vesti um roupão atoalhado, enxuguei os cabelos como sempre, com displicência e voltei para o quarto. Rose continuava adormecida. Vesti-me e resolvi esperar. Quarenta minutos depois ela despertou. Chegara a hora de nós conversarmos.
–Bom dia.
Ela assustou-se um pouco, mas depois relaxou.
–Bom dia. Que horas são?
–Seis e meia, respondi.
–Acho que vou voltar a dormir, então, falou remexendo os travesseiros, ajeitando-se melhor sob as cobertas.
–Está melhor?
Ela me fitou diretamente e eu me perdi em seu olhar.
–Tirando a sensação de estar com a cabeça pesada, sim.
–E o enjôo?
–Passou. Aquele chá faz milagres.
Sorri amplamente. Ela fitou meu sorriso. Um brilho surgiu em seus olhos ao mesmo tempo em que a esperança encheu a minha alma.
–Podemos conversar?
Ela deu um longo suspiro.
–Não pode ser mais tarde? Ainda estou de ressaca, emendou deitando-se.
–Preciso falar Rose. Por favor.
–Ok. Diga o que está lhe afligindo desta vez.
–Sua ida ao Riley ontem à noite. Sua roupa... Você estava irritada e eu entendo. Fiquei super orgulhoso da sua performance sobre o touro, mas quase tive uma síncope com a quantidade de homens que estavam te secando. Se não fosse o Charlie, eu teria com certeza te jogado sobre o ombro e te arrastado de volta para a fazenda.
–Como um homem das cavernas, rebateu.
Assenti envergonhado.
–Olhar não tira pedaço, Emmett. Eu não fiquei com nenhum deles.
–Sei disso. Só o pensamento de que ela pudesse ter se aproximado de um cowboy fez minha visão ficar turva.
–Agora você sabe um pouquinho como eu me senti, disse mostrando-me os dedos ligeiramente afastados.
–Sei também que já te pedi desculpas e...
–Desculpas não fazem a dor desaparecer, Emmett. Jéssika estava lá, retrucou evitando meus olhos.
–Sei disso, mas não existe mais nada entre ela e eu.
Sua expressão era cética, as sobrancelhas arqueadas, os braços cruzados sobre os seios.
–Prometi a você e a mim mesmo que nunca mais mentiria. Acabou.
–Ótimo, disse relutante.
–Depois de ontem à noite, tenho certeza de que precisamos ter uma conversa.
–Tudo bem, disse afastando as cobertas me presenteando com a visão do seu corpo escultural coberto apenas por uma fina camisola. Engoli com esforço.
–Sei que ferrei com tudo, que me comportei como um babaca, um imbecil sem noção, feri seus sentimentos, a Bella, o Charlie, o Edward, meus pais... Sei também que não existe uma desculpa plausível para tudo o que fiz.
Ela me estudou atentamente antes de esboçar qualquer reação.
–Ainda bem que você reconhece, disse com tranqüilidade. Engoli em seco novamente. Ela não facilitaria as coisas e eu não podia culpá-la.
–Sinto muito pelas coisas que fiz nos últimos meses. Minha voz soou estranha, rouca, abafada. –Eu errei Rose, errei muito. Precisei quebrar a cara para perceber que você é a mulher da minha vida. Eu amo você e quero uma chance, uma única chance de provar que mereço o seu amor. E sei que você ainda me ama, pois em momento algum cogitou se separar de mim. Então por favor, me dê mais uma chance. Quero que tudo volte a ser como antes.
Ela me observava sem nada dizer e aquilo começou a me angustiar. Meu coração apertou, um bolo formou-se em minha garganta.
–Rose? Você estaria disposta a me perdoar? Por favor...
Ela suspirou longamente. Senti gotas de suor começaram a brotar em minha testa. Minhas mãos umedeceram. Comecei a ter medo. Medo de ter estragado tudo.
–Rose?
Insisti enquanto minha aflição crescia infinitamente.
–Eu já te perdoei Emmett. Desde a primeira vez que você me pediu desculpas. Vi a sinceridade estampada nos seus olhos e decidi te perdoar. O problema é que eu não confio mais em você. Perdi a confiança e não sei como vamos resolver essa questão, falou com a voz branda. Doeu pra caramba ouvir aquilo tudo, mas lá no fundo a minha esperança cresceu. Caminhei até ela com precisão, sentei na cama ao seu lado e segurei suas mãos delicadas entre as minhas enormes.
–Vou provar que pode confiar em mim outra vez. Pode apostar nisso. Ela me deu um sorriso triste.
–É difícil um relacionamento sobreviver sem confiança.
–Eu juro Rosalie. Vou fazer você confiar em mim de novo.
–Tudo bem, Emmett. Vou te dar essa chance, mas não force muito a barra ok? Não estou preparada para ir para cama com você.
–Eu entendo, falei com dificuldade. Minhas idas solitárias ao banheiro seriam intermináveis, mas seria um preço que eu teria de pagar.
–Bella me deu o nome de um médico que tratou de uma amiga dela em Washington. Procurei o endereço na internet e já marquei uma consulta para daqui a duas semanas.
–Para tratar o fibroma?
–Sim, respondeu triste.
–Ok, nós iremos juntos. Vamos fazer o que for preciso para ter um filho, já que você não quer adotar.
Desta vez vi os cantos de sua boca repuxarem no esboço de um sorriso. Por enquanto aquilo bastava. Inclinei-me para frente e beijei sua testa, despedindo-me e saindo para a lida. Como estava em abstinência eu iria trabalhar até a exaustão, para que quando chegasse em casa e a visse, o meu corpo não exigisse demais.
PDV Edward.
–Droga, Charlie! Não me viu aqui?!
Bufei irritado quando ele chegou de supetão a assustou Forks que deu um pulo, imprensando-me contra a parede.
–Desculpe Edward. Achei que fosse um dos rapazes.
–Caralho... Você quase me mata de susto! Ele sorriu cinicamente.
–Veio com o volvo?
–Não. Vim caminhando, respondi sem desviar os olhos do que fazia.
–Não acha que devia comprar uma caminhonete, Edward? Seria muito mais prático aqui na fazenda. O seu carro é para a cidade.
–Você sabe que eu gosto de carros velozes, retruquei sabendo desde o momento em que o comprei que se tratava de um luxo tolo, especialmente morando numa fazenda, mas certos prazeres não tinham preço. Assim que eu tinha visto o carro esporte prateado de última geração soube que teria que possuí-lo... E Edward Cullen geralmente conseguia tudo o que queria.
–E o que faz aqui tão cedo?! Caiu da cama?! Achei que hoje você só viria trabalhar na parte da tarde.
Respirei fundo antes de abrir minha boca e proferir uma resposta adequada, mas resolve ser honesto.
–Não consegui dormir, disse dando de ombros.
–Por quê?
Perguntou estreitando os olhos, fitando-me fixamente.
“Por que transei com a sua filha a noite toda. Dei a ela cinco orgasmos. Foi à noite mais maravilhosa de minha vida. Ela confessou que me ama e eu acho que você vai ser avô muito em breve, pensei comigo mesmo.”
–Não sei. Aquela ameaça não sai da minha cabeça, disse por fim. Ela apertou os lábios numa linha fina.
–Aquele filho da puta vai ter o que merece. Quil não está aqui hoje. Combinamos uma desculpa para que ele fosse até a cidade levar o papel e verificar se contem digitais. Embry está com os rapazes no alojamento.
–Acho difícil. Ele sempre foi cauteloso, mas...
–Onde está Bella?
–Na minha casa, respondi sem titubear. Ele coçou o queixo antes de retrucar.
–É bastante corajoso por dizer isso ao pai da moça, falou divertido.
–Eu não disse que ela estava na minha cama, rebati.
–Você seria um completo imbecil se não levasse Isabella para cama, Edward!
Revirei meus olhos, sem saber se a atitude dele me deixaria divertido ou se era constrangedor.
–Tudo bem. Ela ficou dormindo na minha cama, murmurei baixinho. A expressão do Charlie mudou na hora.
–Ei, pode parar, disse ele com a mão erguida, a palma aberta na frente do meu rosto.
–Torço muito para que as coisas dêem certo entre vocês dois, mas não quero saber dos detalhes. Poupe-me. Sou o Pai dela e Bella sempre será a minha garotinha.
Revirei meus olhos outra vez.
–O que é isso? Um tique?
Perguntou torcendo a ponta do bigode.
–Não amola!
Falei sem conseguir conter o riso.
–Ela está segura, eu disse frisando cada palavra.
–Assim espero.
Do nada meu irmão irrompeu nos estábulos.
–Bom dia!
–Caralho, Emmett, quer me matar de susto?!
Bradei com os olhos arregalados e o coração aos saltos.
–Porra... Disse Charlie com a mão sobre o peito. Emmett gargalhou sonoramente e voltando sua atenção para mim logo depois.
–Você está se assustando como uma garotinha, Edward.
Estirei o dedo em sua direção. Ele e Charlie sorriram.
–Está cuidando dos cavalos agora em vez de delegar a tarefa para um dos peões?!
–Estou cuidando de Forks e você sabe muito bem que ele não é um cavalo qualquer, respondi com secura.
–E o quem houve com as suas calças, Edward? Tá parecendo um menino mijão!
Charlie disfarçou o sorriso. Contei até vinte mentalmente. Emmett era um pé no saco, às vezes.
–Forks resolveu tomar um banho no lago.
–E te levou junto. Tá perdendo o jeito, mano?
Dei de ombros. Eu estava com a cabeça cheia e não deixaria que ele me irritasse como de costume.
–O bilhete?
–A caminho da delegacia, respondemos Charlie e eu ao mesmo tempo.
–Ótimo. Com sorte, teremos alguma novidade.
–E a Rose?
–Dormindo, meu irmão respondeu olhando a nossa volta. Só dois dos rapazes estavam ali.
–Ainda estão dormindo?
–A maior parte dos rapazes, sim. É a manhã de folga deles. Mais tarde aparecerão para cuidar de tudo.
–As coisas estão bem adiantadas. Os cavalos já comeram. O gado está no pasto. À tarde os peões cuidam do restante.
–Não vi o James por lá ontem à noite, Emmett questionou despreocupado.
–Nem poderia. Ele saiu no fim do turno. Foi levar o Laurent no posto de saúde mais próximo. O cara estava vomitando feito criança, disse Charlie solidário. Emmett estreitou os olhos.
–Eles ainda estão fora?
–Não sei dizer. Por quê?
–Vi na ficha dele que vai ao médico de vez em quando. Ele pode ter algum problema de saúde... Sei lá... Emendou taciturno.
–Não acho que seja nada sério, disse Charlie. –Ele trabalha normalmente, fazendo muitas atividades, como os outros. Nunca o vi se queixar.
Não disse nada, mas eu concordava com o Charlie. James sempre pareceu disposto às tarefas rurais e nunca havia recusado nenhum tipo trabalho. Nem mesmo quando fomos atrás dos pumas. Pelo contrário ele havia nos ajudado a rastrear os bichos.
–Algum sinal do puma?
Perguntei enquanto tirava com a escova alguns carrapichos que ficaram grudados no pêlo de Forks depois do nosso passeio.
–Nenhum! Aquele miserável deve ser invisível!
Cuspiu Charlie apreensivo e irritado.
–Problemas e mais problemas, disse Emmett suspirando. Todos nós sabíamos que enquanto o animal selvagem não fosse capturado ou morto nenhum de nós estaria realmente seguro.
–Prontinho amigão. Já acabei eu disse satisfeito com o meu trabalho e com o cavalo. Charlie estendeu uma cenoura e Forks abocanhou a metade do legume numa só mordida, fazendo com que nós três ríssemos. Entreguei as rédeas para o capataz da fazenda. Ele levaria Forks de volta à baia.
–O que vamos fazer agora? Tanger o gado?! Distribuir a ração?! Exercitar os animais?! Caramba estou disposto a trabalhar duro hoje, disse Emmett esticando os braços com as mãos entrelaçadas, estalando os dedos.
Apertei a ponta do nariz e fechei meus olhos, num gesto involuntário, sorrindo com sarcasmo, entendo tudo. Rose devia estar fazendo greve de sexo. E ninguém poderia culpá-la por isso. Mas o meu irmão enlouqueceria se ficasse em casa e não tivesse nada para fazer.
–Boa sorte, eu estou indo para casa, falei divertido. Ele me olhou surpreso.
–Já?! Mas...
–Vou ficar com Bella. Espero chegar antes que ela acorde.
–Sortudo filho da puta!
Emmett resmungou baixinho confirmando as minhas suspeitas.
–Ei! Respeite a mamãe, eu falei provocando. Ele me deu um olhar atravessado. Sorri, mas segurei o riso ou então, me meteria em encrenca.
–Dê um beijo nela por mim, Charlie pediu.
Meu sorriso alargou.
–Darei vários.
–Não se preocupe Emm. Se você quer mesmo trabalhar garoto, eu prometo que vou arranjar milhares de coisas para você fazer até o final da tarde, disse o capataz dando tapinhas no ombro dele e sorrindo com astúcia. Acenei para os dois e saí.
PDV Bella.
“Edward e eu estávamos deitados na relva, sorrindo, trocando carinhos a nos beijando de forma apaixonada, a beira do lago. O dia estava indo embora, era a hora do crepúsculo. O sol estava desaparecendo nas montanhas enquanto a brisa leve começava a esfriar. Vi o meu amor refletido no brilho intenso dos olhos verdes e agradeci silenciosamente a Deus por tudo que ele havia me dado. Edward ergueu-se um pouco. O sorriso torto brincou em seus lábios e olhou para baixo, afagando meu ventre crescido com um misto de orgulho e satisfação. Eu estava gerando um filho. Um fruto do nosso infinito amor...
Um som insistente começou a me incomodar e eu percebi que estava sonhando. Pluft! A imagem se desvaneceu como por encanto. Gemi baixinho desejando ignorar o barulho, mas não funcionou. E por incrível que pareça acordei com o meu celular vibrando sem parar dentro da pequena bolsa preta tira colo, no criado mudo ao lado da cama de Edward. Ali na fazenda o sinal para celulares não pegava direito, para não dizer quase nunca. Mas justamente naquele dia em que eu deveria dormir até a hora do almoço, ele resolver dar sinal de vida. Abri os olhos piscando diversas vezes, tentando me acostumar ao ambiente escuro do quarto tipicamente masculino e estiquei o braço tateando às cegas. Peguei o aparelho que balançava e abri sem nem ao menos verificar quem era.
–Hum... Alô?
Minha voz estava engrolada e um tanto tremida devido ao sono.
–Bella! Até que enfim você atendeu! Eu não sabia mais o que fazer, Love...
A voz ansiosa de Jacob Black rasgou do outro lado da linha fazendo com que eu me sentasse abruptamente na cama, o coração aos saltos, olhos arregalados, a boca subitamente seca.
Meu coração estava batendo na garganta. Inconscientemente apertei o telefone com força. Os nós dos meus dedos ficaram brancos devido à força desnecessária.
–Amor, me fala onde você está. Eu vou até aí para conversar com você, vou te buscar, eu falo qualquer coisa, disse angustiado. Fechei os olhos com força sem acreditar que aquilo realmente estava acontecendo.
–Bella, eu te amo. E sei que fui um imbecil.
–Jacob.
Tentei falar, mas ele não permitiu.
–Me perdoa. Por favor. Fico de joelhos se for necessário! Eu te amo, Love. Fui um babaca, um otário, um idiota, mas faço qualquer coisa para que você me perdoe. Você ouviu? Eu disposto a fazer qualquer coisa!
Abri os olhos engoli em seco procurando por Edward, mas percebi que estava sozinha fato que me fez suspirar aliviada. Agucei meus ouvidos tentando escutar a voz ou os passos dele, mas notei que o andar de cima estava mergulhado num silêncio absoluto. Ou Edward estava tomando banho no andar de baixo ou havia saído.
–Bella? Bella você tá aí?!Fala comigo!
Sua voz agora era desesperada.
–Bella!
Gritou exasperado, me fazendo gemer baixinho.
–Sim, estou aqui, respondi procurando manter minha voz neutra, porém firme.
–Não desliga, por favor... Fala comigo. Mais um suspirou escapou de minha garganta.
–Jacob, eu...
–Love, me escuta, por favor. Eu preciso que você me ouça.
–Ok, eu disse a contragosto.
–Eu te procurei em cada canto de Washington, virei à cidade de cabeça para baixo. Chequei os ônibus, as empresas aéreas...
Eu havia viajado usando o sobrenome de solteira da minha mãe.
–Quando soube que você tinha saído do país fui para há Europa dois dias depois.
“Alice” pensei silenciosa.
–Eu te procurei por toda a França, Espanha acabei indo até a Itália, pois sei que você adora Roma...
Ele tom ou fôlego antes de continuar enquanto eu varria a mente em busca das palavras certas.
–Fui para Milão, Veneza... E nada. Você sumiu, desapareceu da face da terra! Voltei duas semanas depois e tentei entrar em contato com o seu pai, mas quando me identifiquei ele desligou o telefone na minha cara e...
“Como?” Ele havia ligado para o Charlie?!
–Você ligou para o meu pai?!
Questionei surpresa.
–Sim. Onde você está Love? Me fala, por favor! Tenho vivido u m inferno desde que você foi embora...
Contei até quinze mentalmente sem me deixar abalar por suas angústias.
–Jake...
–Eu te amo, me perdoa, pediu suplicante.
–Não, Jacob. Acabou.
–Bella, por favor, não faz isso! Me dá uma chance! Eu estou destroçado, Love. Eu não consigo fazer nada direito desde que nós nos separamos. Até fiquei no banco durante o último jogo...
“Que bom” pensei comigo mesma. Assim ele aprenderia a não brincar com os sentimentos dos outros. Suspirei. Embora no fundo eu agradecesse intimamente a ele por ter me magoado. Eu havia voltado para casa, estava feliz ao lado das pessoas que amava e tinha finalmente me acertado com o Edward. Talvez se tudo aquilo não tivesse acontecido eu acabaria casando com ele, seria infeliz e o faria infeliz.
–Eu mandei um email para você.
Não queria ser grosseira com ele.
–Eu não acredito no que você disse. Nem uma só palavra, replicou sussurrando. Agora a dor transparecia nitidamente na sua voz embargada. Meu coração apertou. Eu não queria magoá-lo, mas não sabia que não havia outra forma de amenizar a nossa situação.
–É verdade. Foi o fim para mim, Jake. Acabou. Siga com a sua vida como fiz com a minha.
–Não fala assim... Eu quero você de volta.
–Mas eu não.
–Bella, você não está sendo racional! Eu errei uma única vez! Em todo o tempo em que ficamos jun tos eu cometi apenas um deslize!
“E me fez perceber o grave erro que estive a ponto de cometer” pensei silenciosa.
–Jake eu...
Mais uma vez ele não me deixou terminar.
–Preciso te ver! Quero ver se você vai ter toda essa determinação olhando dentro dos meus olhos!
Minha boca retorceu-se num sorriso amargo.
–Jake, você está me escutando?
–Sim.
–Ok, você pediu para que eu te escutasse, mas agora é a minha vez. Tudo bem?
Ouvi-o suspirar pesadamente.
–Sim. Pode falar.
–Eu não te amo, falei sem rodeios ou preâmbulos. Ele silenciou. Eu suspirei longamente sentindo minha cabeça girar.
–Be... Bella...
CONTINUA.....
Notas finais
beijos meninas, um bom resto de semana pra vocês
Kiki.
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