Orgasm
1 Welcome to Desire
Notas iniciais
boa leitura ~
Eram pouco mais de oito e meia. A Desire, onde eu trabalhava, era a boate gay mais famosa de Tóquio e, devido ao horário, estava quase vazia.
Havia apenas algumas poucas pessoas naquela hora, sendo em sua maioria gays solitários ou casais afobados em conseguir um lugar nos estofados vermelho-escuro das mesas de canto. Porque, com a movimentação frequente daquele lugar –até mesmo em dia de semana- era difícil se encontrar uma mesa para sentar se chegasse pouco mais tarde que nove da noite, quem dirá numa noitada de sábado como aquela iria ser.
O fato era que, tirando o gostoso que estava sentado há minha frente em um dos banquinhos do bar onde eu fazia as bebidas, o Dj tocando algumas musicas aleatórias e testando o sistema de luzes, algumas pessoas dançando alegremente pela pista de dança quase vazia, a Desire estava praticamente desocupada.
Parando de perder meu tempo olhando pra toda aquela gente classe C, apoiei meu queixo em minhas duas mãos entrelaçadas, meus cotovelos apoiando-se na mesa do bar onde eu fazia os drinks mais gostosos da região — modéstia a parte.Eu estava levemente cansado, mas nada que eu já não estivesse acostumado, já que passava praticamente o dia todo –de segunda a sábado- naquela boate, que de dia servia como um bar e lanchonete.
Havia apenas algumas poucas pessoas naquela hora, sendo em sua maioria gays solitários ou casais afobados em conseguir um lugar nos estofados vermelho-escuro das mesas de canto. Porque, com a movimentação frequente daquele lugar –até mesmo em dia de semana- era difícil se encontrar uma mesa para sentar se chegasse pouco mais tarde que nove da noite, quem dirá numa noitada de sábado como aquela iria ser.
Tentei apoiar meus joelhos melhor no estofado do banco alto para que eu aparentasse ser maior, minha bunda ficando empinada para a enorme parede lotada de prateleiras com bebidas de diferentes colorações, que eu tanto amava misturar e criar novos sabores. Ato que, eu esperava que o moreno sedução que estava em minha frente, do outro lado do balcão, não notasse.
Oras, ele não precisava saber da minha altura, ainda! Até porque, o que eu não tenho de grande em cima, eu tenho embaixo, isso eu garanto!
Pigarreei baixinho, limpando minha garganta para dar continuidade à conversa e dar lugar a voz mais sexy que minha garganta conseguisse produzir.
Afinal, aquele cara era realmente muito bonito. E fofo também.
Lembrando que, na minha concepção, “fofo” e “puta gostoso” tem o mesmo significado. Ele fazia bem meu tipo e, se quer saber, eu estava realmente precisando de alguém pra passar meu precioso tempinho.
Eu me garantia em conseguir homem. Me garantia mesmo, mas sempre me diziam que eu exagerava um pouco e acabava assustando o cara...
Então, dessa vez, resolvi seguir o conselho que Kouyou, a bicha mais experiente na arte da sedução — depois de mim, é claro- e ‘ir com calma’. Palavras dele.
Repito: Palavras dele.
Porque pra mim, ir com calma é cu doce.
E se tem um remédio útil pra cu doce é pau diet. E, o meu é que não ia ser remédio pro cu de ninguém.
Deus me livre e guarde! Prefiro ser medicado...
Fodido, pra quem não entendeu ainda.
Ok, Takanori, então vamos com calma dessa vez, pra não assustar o garoto...
– Então, gato, o que essa bundinha linda faz pra sobreviver? – Falei sedutoramente na maior calma possível, me inclinando sob o balcão iluminado por várias luzes da boate, desentrelaçando meus dedos e descansando meus braços ali, me apoiando de leve pra mais perto daquele bofe gotosíssimo que se sentava no banquinho do outro lado do bar.
Claro que eu jamais poderia deixar de comentar sobre a bunda linda que o Covinhas tinha, porque ela era simplesmente fenomenal, se que saber.
O moreno engoliu em seco.
Ele não ia resistir ao meu charme, eu sei disso.
O homem a minha frente se remexeu nervoso e tomou um longo gole da bebida azul piscina que eu fizera caprichosamente para ele — Leia-se: com o dobro de vodca, promoção exclusiva da casa: coma o Ruki e ganhe 50% a mais de álcool.
Só não deixa o patrão saber.
Ou melhor, deixa sim, vai que aquele gostoso me come pra ganhar um drink carregado?
–Kai... Meu nome é Kai. Eu trabalho como agrônomo... — ele falou cabisbaixo, evitando o meu olhar a todo custo.
Com medo de se apaixonar, obvio.
Os seus longos dedos — tão longos quanto varetas — começaram a brincar com o guardanapo que servia como descanso para taças do drink, retirando o papel com a marca do copo e tentando amassa-lo tediosamente.
Puta que pariu, que dedos grandes. Meu Kami, isso era uma anomalia da natureza, só pode. Sério, se ele não tivesse um ‘instrumento’ no mínimo satisfatório, eu ficaria feliz só com um dedo dele...
Ele parecia de alguma forma, bem nervoso, e eu notei isso porque ele pegou o outro guardanapo que eu usara pra dar apoio extra ao drink. Qual é, eu não sou garçom pra ficar limpando mesas, então é melhor prevenir já que o mão de vaca do meu patrãozinho não comprava os descansas-copos que eu sempre pedia.
E lá estava ele, amassando aquele papel fino.
Isso é porque esse filho da puta não sabe quantas arvores morreram pra fazer esse papel. Eu sou um viado ecologicamente correto ok? Afinal, nada mais ecológico do que dar o cu pra não procriar e sobrecarregar o mundo com superpopulação.
– Aaah, você é agrônomo... Kai– Falei seu nome com a melhor voz de boqueteira que eu consegui encontrar, mais animado por saber o nome dele do que por saber mais daquela profissão.
Ele estremeceu.
Ai, ai esse peixe já tá na minha rede.
Mas espera aí...
Agrônomo? É um dos novos subgrupos de sexualidade que eu não tô sabendo? Essa gente hein, não bastando pegar homem, pegar mulher, pegar homem E mulher sempre inventa de pegar outra coisa.
O que é dessa vez? Homem, mulher e um cavalo?
Mas, serio aí, Alguém aí me explica que porra é um agrônomo? Me diz, meu Santo Deus Misericordioso das bichas mal comidas, por que raios viado tem essa mania maldita de ter emprego estranho?
Pra variar, nunca vi uma bicha que tenha um emprego normal e se tem, arranja um jeito de fazer diferente dos machos de verdade. Mas no geral é tudo igual mesmo: cabeleleiro, drag queen, designer, estilista, atendente de tele sex, revendedor da Avon... e bar man de uma boate gay, como eu sou.
E tem aqueles fazem profissão de hétero, e tem jeito de hétero, mas esses, meus queridos, nunca enganariam a mim, que tenho um sexto sentido atarraxado no cu, onde eu sei da sexualidade até a cor da cueca de cada gostoso que passa por meus olhinhos que a terra há de comer.
É por isso que eu sempre digo e repito para todas as mulheres desse mundinho pervertido aceitarem uma coisa:
Só tem viado nessa merda.
Fim.
– Agrônomo, sabe... eu cuido de plantas... Tenho plantações... -Notando minha confusão mental anterior, ele tratou de se explicar.
– Aaah, você é lavrador, entendi. – Sorri amarelo.
É pobre. Credo, alguém tira esse homem da minha frente?
Porque de pobre já basta eu, e quando é de pobreza que a gente tá falando, um sempre é muito e dois sempre é demais.
– Eu não sou...- começou emburrado.
–RUKI! – ouvi uma voz grossa atrás de mim me chamar, interrompendo o gostosinho de covinhas, o timbre era zangado. – Porque raios sempre que eu venho aqui, você está fazendo tudo menos trabalhar?
Virei meu rosto em direção àquela voz, vendo um Reita furioso se aproximar. Fiz questão de fincar meus joelhos no banco de couro e empinar minha bunda mais ainda.
– Fala, Tigrão- Falei com uma voz feroz.
Desci do banco e virei-me de costas para o moreno, ignorando completamente a presença do tal ali. Apoiei meus dois cotovelos no balcão, erguendo apenas uma mão imitando uma ‘pata’, grunhindo ferozmente para o Loiro em minha frente como um tigre malvado.
– Incomodando os clientes de novo, Takanori? – Falou seco num tom incrédulo, sua sobrancelha esquerda se erguia me encarando em tom descrente, e eu já sabia que o chilique ia começar.
Às vezes, só às vezes, o Reita dava uns ataques de pelanca que -se ele não fosse tão hétero, divorciado e com uma filha linda de 11 aninhos- eu diria que ele é mais afetado do que eu.
– Credo, Reeeei- Miei inocentemente diante de seus olhos negros e duros — Isso tudo é falta de sexo, meu lindo? Se for, eu resolvo na hora. – Falei manhoso, me aproximando dele sensualmente, tratando de rebolar bem no percurso, passando a mão por aquele abdômen delicioso, coberto por uma camisa social preta, aberta um ou dois botões , exibindo o peito esculpido.
Meu deus, eu daria minhas coleção de vibradores inteirinha pra poder dar provar a pele daquele gostoso filho de uma puta.
Reita era dono daquela boate. Hétero assumidíssimo, Akira era o tipo de homem que era tão macho, mas tão macho que era capaz de engravidar uma mulher só pelo cuspe.
Aí, você se pergunta ‘Porque porra esse hetero gostoso de merda é Dono de uma boate gay??’ Eu respondo essa pra você, mero mortal, mas só porque essa pergunta também rondava meu cérebro, há uns três anos atrás, quando eu era apenas um novato nessa boate esquecida por Jesus:
Akira só havia adquirido a boate como uma herança de seu tio preferido, que era uma bicha velha e doente.
No começo, tentou transformar um uma boate normal, mas no fim mantivera como uma boate gay porque, meu bem, fama de gay é igual à fama de puta: só sai se mudar de cara, cidade e identidade. E aquela boate já tinha uma fama de ser gay há um raio de três países de distancia.
E também, raciocinem: com tanto homossexual e ‘curioso’ que existe aí pelo mundo, é claro que boate gay era, mais do que lucro, garantia de sucesso.
Eu estava tão perdido em meus pensamentos sobre o loiro gostoso em minha frente, que mal notei que minha mão inconscientemente descia pelo abdômen malhado, podendo sentir cada quadradinho do musculo dividido e... Mentira, eu notei sim, e estava quase tendo um orgasmo com aquilo.
Minha mão foi afastada de seu tanquinho maravilhoso com um tapa estalado na mesma.
–Ruki, eu já falei pra você não fazer isso – grunhiu entredentes, o musculo do maxilar estava salientado, com a força que seus dentes pareciam fazer entre si.
–Credo, seu bruto, eu só estava vendo de qual tecido era feito a sua camiseta – Menti descaradamente, recolhendo minha mão estapeada junto ao peito e massageando a tal com a outra.
Se esse filho de uma puta tiver arrancado UM milímetro sequer do meu esmalte preto diviníssimo com esse tapa muito másculo, eu juro que arranco o pau dele com os dentes, depois de ter feito ele gozar até sair sangue.
E não é drama não, ok? Só Deus sabe como esmalte sai mais fácil quando a gente coça a cabeça, por exemplo, do que com a própria acetona. Imagine então com um tapa daqueles! Lá se vai minha unha feita!
Seus olhos me fuzilaram mais uma vez, ele então retornando a andar passando por mim e, trombando propositalmente o ombro com o meu, fazendo-me quase ir ao chão.
O ouvi rir baixinho com o próprio feito, as mãos se apoiando no balcão no mesmo lugar que eu estivera, e encarando o moreninho ainda sentado ali com um sorriso.
Ri o quanto pode Gostoso maldito. Um dia eu te pego, te jogo na parede e te forço a me estuprar.
–Desculpe pelo tarado do Takanori. Está realmente difícil conseguir bons funcionários hoje em dia. — Seu tom simpático era misturando com a música do local. –Posso servir algo para você?- se inclinou um pouco mais sob o balcão, para que Kai pudesse ouvir melhor sua voz em meio a musica, e, me dando uma visão privilegiada da bunda maravilhosa que ele tinha.
E que bunda era essa, senhor?
Não muito grande, mas era carnuda, redondinha, máscula, aprisionada por uma calça apertada de jeans escuros que me fazia querer apertar os glúteos torneados até deixa-los roxos.
O moreninho abriu um largo sorriso, os dedos voando até o cabelo de fios revoltosos e pondo as mechas negras revoltosas atrás da orelha, as bochechas corando adoravelmente, balbuciando um ‘não, obrigada’ num tom graciosamente tímido.
E, eu só notei isso, porque meus olhos passaram a fuzilar aquele moreno horroroso cruelmente.
Aquela bicha maldita tava dando em cima do meu, MEU REITA?!? É isso que minhas lentes falsamente azuis caríssimas estavam vendo mesmo?
Ok me deixa explicar uma coisa pra vocês: O Reita é meu.
Meu.
Meu.
Meu, meu, meu, meu, meu.
É ‘meu’ o suficiente pra vocês? Porque, ele é!
Apesar de não saber e não querer isso...
Bom, pelo menos na minha cabecinha oca e falsamente loira, o Reita pertencia a mim desde que eu tinha o visto pela primeira vez que pisei meus pés na faixada daquela boate.
Bom, eu sabia que esse tesão irrefreável pelo meu chefe hétero e rabugento era totalmente incoercível, mas era uma coisa que eu não conseguia segurar. Então, Reita era meu desde sempre... Mesmo que em todo esse período de tempo equivalente a ‘sempre’, tivesse uma vadia atrás dele.
Bem, era de se esperar de um cara gostoso, afinal, eu não era apaixonado por ele.
Tudo o que eu queria era ser deliciosamente fodido por aquele homem másculo e maravilhoso, e era esse o pedido que eu vinha fazendo pra todos os santos e até mesmo nas minhas cartinhas pro Papai Noel.
Mas já que ele não curtia a fruta, eu, e apenas eu, era o único viado que podia dar em cima do Reita e ser negado pelo mesmo.
O único.
Mas ele não parecia notar que aquele moreno safado queria ser comido por ele tanto quanto eu. Mas EU conseguia notar aquele pervertido praticamente comendo o loiro da faixa com os olhos, me fazendo ter vontade de enfiar uma garrafa de uísque naquela boca sorridente e só parar quando todos os dentes estivessem quebrados.
Então, amaldiçoando até decima quinta geração da arvore genealógica –que estava mais pra ginecológica- do moreninho, decidi agir.
Respirei curto e fundo três vezes para não sentar a mão na cara do tal Kai.
Andei até o loiro com passos furiosos, minha mão voando para seu antebraço e o puxando com toda a minha força dali, praticamente arrastando-o para a entrada que ficava atrás de mim, do lado da parede com bebidas, de um jeito tão másculo que eu até me assustei.
Nem me dei o trabalho de olhar para trás para ver o rosto surpreso do moreno, ou menos a carranca que Reita com certeza absoluta deveria estar fazendo.
Passamos pela porta de acesso exclusivo para funcionários que se fechou sozinha com a força que foi aberta e lançada até a parede por mim, dando lugar ao corredor vazio e sem pintura, iluminado por uma única lâmpada de luz branca, o que dava uma aparência suja ao estreito corredor, mesmo sendo relativamente limpo, graças ao pessoal da limpeza, sem eu ao menos me dar o luxo de soltar o braço do loiro.
Deus, será que que eu botar a mão dele na minha bunda ele aperta? Ou melhor...bate?
–Que porra é essa, Takanori, o que você pensa tá fazendo?- Ele gritou puxando seu braço de uma vez, desvencilhando-se de minha mão com violência,
Virei-me para ele, cruzando meus braços e meu pé batendo nervosamente no chão, o meu rosto carregava uma expressão semelhante a das esposas que questionavam o marido por ter chegado tarde e com marca de batom na camisa.
–Você não notou?!- Falei inquisitivo, num tom seco e grosso. Ele bufou, o rosto se contorcendo numa expressão de carranca e duvida. – É serio que você não notou aquela bicha afetada e pobre estava PRATICAMENTE IMPLORANDO PRA VOCÊ JOGAR ELE EM CIMA DO BALCÃO E METER ATÉ SANGRAR?- Gritei apontando logo o dedo na direção daquela cara enfaixada e sonsa que ele tinha, vendo seu rosto se retorcer de escarnio e seus lábios se contraírem numa risada irônica e estalada.
–AH, sinceramente, QUEM VOCÊ PENSA QUE É, MATSUMOTO? E ele não era um...
–Ah não?!? E era o que? Hetero? Numa boate gay?- Joguei meus braços para cima, de um jeito exasperado. – Vamos deixar bem claro aqui nessa merda que EU SOU A ÚNICA PORRA DE MACHO QUE PODE DAR EM CIMA DE VOCÊ, QUE PODE TER TESÃO POR VOCÊ E LEVAR FORA SEU, OUVIU BEM, CARALHO?- Gritei. Minha voz ficando afinada e mais histérica à medida que as palavras eram cuspidas de meus lábios, meu rosto se tornando num tom de vermelho vivo, apenas por causa da raiva e do esforço pelos gritos dados. Meu dedo que estava apontado pra sua cara foi apontado para cima, meu pulso erguido no mesmo nível de meu rosto, que mantinha uma expressão de desafio, os cantos de minha boca se torcendo e meus olhos e sobrancelhas se arregalando levemente e o encarando em desafio. Meu dedo se mexeu em um meio circulo e meu pescoço imitou o movimento. –VOCÊ.É.MEU.QUERIDO.
Isso, aí, mulher negra não tem papas na língua.¹
Suas sobrancelhas se fechavam deixando o cenho franzido enquanto os olhos estreitavam-se furiosamente e seu rosto se tornando avermelhado por baixo da misteriosa faixa branca.
Oh-ou.
Eu conhecia aquela expressão.
Ele costumava ficar assim quando eu, acidentalmente quebrava uma de suas preciosas garrafas de uísque de seu minibar localizado em seu escritório, ou quando me pegava discutindo com a doce Hime (sua filha, que por sinal era um amor e me adorava) quem era o ator mais gostoso da atualidade.
Reita havia ficado furioso.
Mas eu estava muito puto pra sair correndo e gritando feito uma bicha afetada, ou pelo menos corar por ter admitido meu tesão louco e aviadado por ele.
Porra, eu me sentia traído, tá legal?
Algo contra?
Vão me bater agora por cuidar do que é meu?
– TAKANORI!- Explodiu. –QUEM PORRA VOCÊ PENSA QUE É PRA ANDAR FALANDO COMIGO ASSIM? TÁ ACHANDO QUE SÓ PORQUE VOCÊ FICA NO MEU PÉ PIOR DO QUE UMA CADELA NO CIO, TODOS OS OUTROS TÊM QUE FAZER ISSO TAMBEM? TÁ ACHANDO QUE É MEU DONO?- Um punho estava cerrado, e o outro estava em minha direção, o dedo apontado perigosamente pra minha cara, assim como eu havia feito antes. Olhou então para uma funcionaria que iria passar no corredor, mas que devido aos gritos, desistira, segurando o esfregão junto ao peito vestido com o macacão cinza, o pequeno carrinho amarelo levando outros materiais de limpeza estava pousado à sua frente. Seus olhos estavam escancarados de medo. –Ô, MINHA SENHORA, TÁ ESPERANDO O QUE PRA PASSAR? EU DAR PERMISSÃO PRA VOCÊ FAZER SEU TRABALHO? – A mulher se encolheu toda, dando as costas e passando rapidamente pela mesma portinhola ao final do corredor que havia entrado, com medo de passar entre nós.
Suas palavras não haviam me magoado. Na verdade, eu parecia mesmo uma cadela no cio e sentia até certo orgulho disso. Tudo o que eu queria era que ele fosse o cachorrão que fodesse minha bunda até sangrar. Um orgasmo. Apenas um maldito orgasmo, era tudo o que eu queria.
E ele? Nada.
O Akira era um broxa medroso e rabugento.
Deve ser por isso que Mellody, sua adorável e divisíssima ex-esposa, pediu divorcio para casar com Ishihara, um tatuado gotosíssimo que a deixava praticamente com um atestado de ‘bem comida’ grudado na testa.
Eu poderia baixar a guarda, acalmar minha voz e evitar uma briga desnecessária...
Mas eu havia baixado o demônio quando ele falou naquele tom comigo. Se você quer irritar uma pessoa, fale palavras duras pra ela. Se você quer irritar a mim fale naquele tom comigo.
–E VOCÊ? ACHA QUE É QUEM PRA FALAR COM A CONSUELO DESSE JEITO? DEUS? A COITADA DEVE ESTAR CHORANDO NO CANTO AGORA- gritei, mesmo sabendo que ele só havia falado assim com nossa querida imigrante clandestina porque estava muito nervoso...
Reita podia ser bruto, seco, mal educado, mal humorado, mas agia com respeito com seus funcionários.
Menos comigo, mas acho que eu perdi bem o nível de merecer respeito no dia em que tentei passar a mão na bunda dele.
–EU VOU TE PROCESSAR, AAAH SE VOOU! VOU TE PROCESSAR POR ABUSO AOS FUNCIONARIOS!- gritei, meu tronco se inclinando milimetricamente pra frente e minhas pernas se separando, como um lutador que estava preparado para acertar um golpe. Claro que, uma pessoa como eu fazendo tal ato, só parecia com uma bicha afetada ao ponto de armar barraco pelo ultimo cachecol de camurça da D&G.
–AAH ÉE? POIS ME PROCESSA! E APROVEITA PRA FAZER ISSO AGORA! PORQUE VOCÊ ESTÁ DEMITIDO! – gritou.
Era a decima quinta vez que ele me demitia daquela boate, mas daquela vez, meu sexto sentido disse que era essa era séria.
–DEMITIDO? VOCÊ NÃO PODE ME DEMITIR!- gritei
–Ah Não?- Seu tom foi mais baixo, mais era inundado de escarnio.
–NÃO!
–E PORQUE NÃO, PORRA?
–PORQUE EU ME DEMITO! E, QUE EU SAIBA, VOCÊ NÃO PODE DEMITIR ALGUEM QUE JÁ SE DEMITIU! –Gritei, apenas pra não ficar por baixo, me virando rapidamente em direção à mesma porta que entramos, visando cruzar a pista de dança e sair daquela maldita boate. –Bicha encubada. — Deixei escapar entredentes.
–O QUE?!?!- o ouvi gritar indignado de longe.
Abri a porta e atravessei a tal e rapidamente a fechando, prevendo o murro que eu levaria se eu ainda estivesse lá.
Mexa com tudo, menos com a masculinidade de Reita. Eu havia aprendido isso com o tempo, e praticamente pisava em ovos ao dirigir qualquer palavra sobre sua machez, mesmo ela sendo mais que evidente.
E, sabe, eu posso parecer briguento, mas não sei dar nem um tapa sem reclamar de dor na mão. Imagina se ele decide quebrar os meus dentes, como é que eu fico?
Senti o cheiro enjoativamente doce da fumaça artificial invadindo minhas narinas, o vento frio do ar condicionado arrepiando minha pele que estava habituada a temperatura ambiente do corredor.
Contornei o balcão com passos rápidos, começando a atravessar a pista de dança com o intuito de ir para a porta da saída.
Passos que se tornaram mais rápidos ainda quando ouvi a porta ser aberta com violência num chute.
Puta que pariu eu vou ficar sem dente.
Puta que pariu eu vou ficar sem dente.
Puta que pariu eu vou ficar sem dente.
–TAKANORI! NO MEU ESCRITÓRIO, JÁ!– Seu grito foi grotesco.
Mesmo com a musica alta e o som de conversas da boate que agora estava mais cheia, todos ouviram perfeitamente seu berro furioso –e duvido que alguém no raio de 300 quilômetros não tenha ouvido.
Meus ombros se encolheram e minha expressão se tornou dolorida como se o grito tivesse ferido meus tímpanos.
Eu estava fodido.
E não era no sentido legal da coisa.
Com toda a dignidade que eu tinha no mundo, eu tentei escapar.
Juro que tentei.
Mas, foi impossível escapar quando os dois seguranças da boate, depois de receber ordens em forma de berros vindas de Reita, barraram minha saída, me deixando sem ter pra onde ir (leia-se: correr).
Humilhante? Não menos que ter dois seguranças, um segurando cada braço meu, impedindo meus pés de ao menos tocarem ao chão, com minha baixa altura, e me carregando para o escritório do inferno onde o Capeta em forma de múmia me esperava.
– Tora! Tora, por favor, me deixa ir embora, eu juro que te dou o telefone do Hiroto, juro! Eu nem quero ele mesmo, Uke com Uke não dá certo!- Sacudi minhas pernas insistentemente no ar.
Eu implorava, miava, pedia, exigia, mas o moreno da direita nem sequer olhava na minha cara.
– Tora, oh, Tora, me deixa ir embora! – comecei a cantar dramaticamente, não conseguindo nada além de um revirar dos olhos do maior.
Maldito, e pensar que eu já quis dar minha bunda pra ele!
–Ruki, não adianta insistir pro Tora, foram ordens da chefia.- Ouvi a voz fanha do outro segurança se pronunciar ao meu lado esquerdo.
Alguém me diz se eu perguntei alguma coisa pra essa boquetera???
–Meu filho, seu nome é Tora por um acaso?- Perguntei sem nem me dar o trabalho de olha-lo, tratando eu mesmo responder minha própria pergunta. –Não! Então não te mete que eu não te perguntei nada.
–Não sou movido à pergunta. — Respondeu malcriado, a voz anasalada se tornando tão irritante que, se eu tivesse com as mãos soltas, bateria seu cassetete na minha própria cabeça pra morrer e nunca mais ouvir aquela voz de novo.
Eu só não mandei tomar no cu porque sei que ele tomaria, e com muito prazer.
E porque a sala do Reita se aproximava cada vez mais e meu medo aumentava assim como meus pedidos de socorro.
Mas eles nem escutaram.
Atravessaram o corredor do mesmo modo. À medida que a porta de madeira avermelhada e grande no fim do corredor se aproximava, meus pés se balançavam mais freneticamente no ar, assim como minha garganta soltou um grito agudamente fino e ininterrupto.
Chegamos á porta que continha o nome ‘Reita’ pintado em letras garrafais na plaquinha branca pregada ali com um único prego.
–Porra, Matsumoto, para de ser boiola! O Reita não vai te matar, caralho! Ele não deixaria a boate pra ser preso porque matou uma bicha afetada como você!- Gruniu Shinji a voz grossa fazendo contraste com meu grito extremamente fino que ainda saia a todo vapor de meus lábios, soltando meu braço e me largando no chão e tendo tal ato repetido por Shou, os dois pousaram a mão nos meus ombros, para o caso de eu tentar escapar.
Assim, meu grito cessou tão subitamente quanto havia começado.
Isso! Era isso!
Se Reita tentasse me matar ou me bater, eu podia escapar e depois denuncia-lo por agressão, ganhar milhões e ficar rico, afundando em joias, glamour, champanhe...
–Coloquem-no aqui dentro. — ouvi a voz rouca que eu tanto queria ouvir gemer pronunciar-se de dentro da porta que eu nem notara estar aberta.
Shou soltou meu ombro, mas Tora adiantou-se e emaranhou os dedos na parte de trás da gola de minha camisa, puxando o tecido como se eu fosse um pivete pego roubando chicletes no mercadinho da frente, fazendo menção de colocar-me para dentro da sala.
Levei minha mão até a sua e finquei minhas unhas afiadas nas costas de sua mão, fazendo-o ofegar e me soltar com o susto.
–Eu vou sozinho, Tigrão.- Falei com meu melhor tom de desdém, entrando na sala rebolando o máximo possível, antes de fechar a porta praticamente na cara dos dois.
A sala de Akira estava como sempre, desde a última vez que eu pus meus pés ali.
Bom, eu costumava zanzar por toda a Desire, mas eu entrava pouco naquele escritório, porque estava sempre trancado com chave. Isso, porque era o canto privado de Reita. E, ele ficava muito bravo quando eu entrava ali.
Agora, eu estava entrando por um pedido –não tão gentil- dele.
E, quando o vi ali, tive a plena certeza que se eu estivesse em outras circunstancias, eu juro que teria uma ereção aqui e agora.
Reita estava com o rosto impassível, sem expressão.
Estava sentado em sua imensa cadeira de couro, os cotovelos apoiados na mesa e os longos entrelaçados entre si, o queixo apoiado nos mesmos. O cigarro estava preso despreocupadamente no canto dos lábios finos, quase caindo por mais que parecessem seguros ali.
A fumaça saia de seus lábios e narinas bailando para o ambiente ao redor de si, criando praticamente uma aura ao redor de seu corpo, deixando suas feições mais embaçadas. Mas, no meio de toda aquela fumaça esbranquiçada, seus olhos extremamente negros pareciam mais brilhantes do que nunca.
Quase...sádicos.
Putz...morro de pena, haha.
–Ah, Reita! Chupa meu dedo pra ver se sai gozo, ok? Se eu tivesse medo de cara feia não trabalhava com o Shou!- Grunhi impaciente esquecendo todo o medo que eu sentia antes de por meus pés ali, andando até a frente de sua mesa, mas ainda sim me mantendo longe da tal, preferindo ficar perto da estante de troféus e enfeites de vidro a ficar perto dele, meus pés se fincando ali.
Seus lábios se retorceram num sorriso baixinho. O cigarro se movia perigosamente, como se fosse escapar, mas seus lábios pareciam habilidosos demais para deixa-lo cair.
Apoiei meu peso em apenas um pé e coloquei a mão na minha cintura, o olhando de sobrancelha erguida.
– Você tá se achando muita coisa, hein, Matsumoto, pra falar assim comigo. — Falou baixinho, o tom estranhamente calmo. Os olhos se abaixando para os papéis em frente a si em cima de sua mesa apinhada de documentos.
E tinha também dinheiro, naquela mesa, visto que sábado era o dia em que Reita contava os lucros da semana toda. Alguns pequenos montes de notas altas, e ao lado, varias liguinhas amarelas para prender as notas estavam jogadas pela mesa.
Ele desentrelaçou seus dedos, pegando um apinhado de papeis dali, os colocando em pé e batendo o fundo da resma entre seus dedos de leve na madeira da mesa, para que as folhas ficassem ajeitadas de um modo singular.
– Ah, meu lindo, eu sou muita coisa.- falei, elevando minhas unhas ao nível de meu rosto, olhando para as tais numa expressão de desdém.
– E, outra, Takanori- Ignorou minha afirmação anterior, completando em tom calmo e natural: — O Shou não é feio. Ele é até comível.
O QUE?
...
Espera que ainda não caiu a ficha...
...
...
QUER DIZER QUE EU PERSEGUIA AQUELE FILHO DA PUTA POR TRÊS ANOS DA MINHA VIDA E AQUELE MERDA INVENTAVA DE ACHAR HOMEM BONITO JUSTO QUANDO EU ERA DEMITIDO???
E JUSTO O SHOU????
Fiquei com vontade de arrancar todos os meus cabelos.
E só não o fiz porque peruca é uma coisa que anda muito cara ultimamente.
–PERAÍ, O-OQUE???? –gritei exasperado, minha raiva elevando a décima quinta potencia vezes sete.
Ele sorriu mais uma vez, sem nem ao menos me fitar. Continuava ajeitando os papeis- que eu previa serem os de minha demissão- ao redor de si.
Algo se rasgou em mim, liberando o macho dormente em meu interior.
Ok, nem tão macho assim.
Mas, só sei que eu estava ferrado de novo, já seus olhos incrédulos pousaram em mim, assim que um globo com um boneco de neve foi apanhado de cima da estante atrás de mim e atirado em sua direção.
Minha mira falhou miseravelmente, fazendo assim o vidro do objeto passar de raspão na cabeleira loira e se espatifar na parede, melando-a com uma substância brilhante e molhada, além de pequenas bolinhas brancas de neve falsa.
–VOCÊ FICOU MALUCO DE VEZ, TAKANORI??? PERDEU A NOÇÃO DO PERIGO??- Gritou, se levantando de uma vez e derrubando sua cadeira no processo brusco.
Mas, algo dentro de mim estava despertado, e não era a noção do perigo.
–Você perdeu a noção do perigo, Takanori?- Imitei sua voz num tom fino.- Eu que falo isso, pra você, ReiRei. – sorri baixinho.
VOCÊ...- Virei-me rapidamente para a estante mais uma vez –... PERDEU... – apanhei o primeiro objeto que vi. – ...A NOÇÃO...- Me virei para ele tão rápido quanto virei de costas. -... DO PERIGO??!!? — atirei novamente o objeto contra Akira.
Ele desviou para o lado, os olhos se arregalando com o breve susto, mas os dentes trincando de ódio.
E, se pensam que esse foi o único, estão enganados. Atirei em Reita todos os objetos que pude encontrar.
Vidros, troféus, copos. Garrafas, CD’s, livros, vasos de vidros, portas retratos.
Minhas feições queimavam de ódio, Reita estava ocupado demais desviando de meus objetos voadores para ao menos gritar comigo.
–QUER DIZER QUE A BICHA DO SHOU VOCÊ ACHA GOSTOSO NÉ, SEU VIADO ENCUBADO??!!? –Eu gritava constantemente, atirando tudo o que eu via pela frente.
Juro pra vocês que tentei atirar até um papel solitário, mas a maldita gravidade o fez flutuar perto de mim.
–ISSO NÃO É DA SUA CONTA, PORRA!- Gritou Reita.
Ele tentava inutilmente se aproximar, mas com a velocidade e força que eu jogava os objetos voadores em si, ele mal tinha tempo para desviar, quem dirá para chegar perto de mim.
Espera... não é da minha conta???
A pausa momentânea que eu fiz, provavelmente tendo uma veia de minha testa estourando com o que eu havia ouvido, lhe deu vantagem: ele tentou chegar perto, os passos se aproximando perigosamente.
O movimento me fez acordar para o mundo novamente.
Filho de uma puta mal comida.
Se antes eu havia baixado o capeta em mim, agora eu tinha baixado o demônio em pessoa!
Não era da minha conta? Acho que no momento que uma pessoa passa três malditos anos praticamente sendo enxotado pela razão da sua punheta, chega a ser da conta dela sim.
Peguei outro globo de neve, este tendo um papai Noel alegre dentro de si, jogando-o com mais força contra Reita, talvez devido a sua resposta anterior.
E para minha sorte — ou meu azar — o globo acertou em cheio a sua testa.
Sua mão voou para a área atingida, as costas se arqueando para frente e o corpo se contraindo de dor enquanto um palavrão alto ecoou de seus lábios.
Ai, Louvado seja Meu Senhor, eu matei o Reita!
–Reita! Puta que pariu, você está bem?- Preocupei-me, andando rapidamente em sua direção.
Toquei suas costas, me desesperando.
Mas, fui surpreendido quando ele se colocou ereto novamente, atingindo-me com um soco forte bem nos lábios.
E doeu pra caralho.
Eu pude ouvir um estalo forte vindo de minha mandíbula, o susto foi tão grande que meu cérebro mal teve tempo de enviar a mensagem para meus pés sustentarem meu peso, resultando em mim caindo lindamente de bunda no chão.
Meus lábios ardiam, meus dentes da frente estavam ligeiramente amolecidos com o impacto do punho de Akira. Passei a língua sob os mesmos e, Graças a Deus, nada parecia fora do lugar além do gosto estranho de sangue em minha boca.
Normalmente, eu já estaria chorando sangue com a possibilidade de ter pelo menos um dente meu fora do lugar, ou mesmo de ter meu lábio inchado com um corte bruto.
Mas, por incrível que pareça, tal soco havia desencadeado uma sensação completamente nova em mim.
Em minhas veias foi lançada uma fonte de testosterona que eu jamais imaginaria que tinha, fazendo a adrenalina formigar em todo milímetro de minha pele macia graças ao hidratante aromático de lavanda.
De repente, eu não cogitava mais em sair correndo, ou até mesmo atirar objetos nele.
Eu queria revidar.
Com minhas próprias mãos...
E foi isso mesmo que eu fiz.
Levante-me do chão em um pulo antes mesmo que Akira cogitasse em se aproximar mais, ambos meus punhos estavam inconscientemente fechados.
Eu não sabia como fazer aquilo... Mas meu instinto primal parecia muito bem como fazer, então decidi deixa-lo se apossar de todo meu ser.
Meus lábios se abriram soltando um grito grosso, mas não era um grito de medo. Era um grito de guerra.
Um grito que até mesmo Rambo ficaria com inveja.
Simplesmente sai correndo na direção daquele homem enorme e furioso. Parecia uma cena cômica, um nanico como eu correndo em direção a um homem do tamanho de Akira que tinha toda aquela cara de membro da Yakuza e um corpo que até mesmo Narciso¹ teria inveja. Mas meu corpo parecia não saber do perigo que estava correndo, e eu notei isso quando eu praticamente me joguei em cima de Reita, minhas pernas emaranhando-se em seu quadril tendo meus pés se cruzando ao redor do corpo dele para dar-me um sustento maior.
Meus dedos embrenharam-se em seus cabelos loiros, o puxando com mais força do que eu jamais ousaria puxar algo além da descarga decadente do banheiro de minha casa. (Sinceramente, porque casa de pobre tem mania de ter privada ruim? Sério, agora pobre não caga por um acaso?)
Ele deu um grito surpreso e dolorido, a cabeça pendendo fortemente para trás com a força que era puxada, suas mãos voando para minhas coxas, apertando a carne ali com força e empurrando minhas pernas a todo custo visando tirar-me dali.
Os dedos longos eram como alicates e aquilo realmente machucava minha carne, mas mesmo assim meu corpo não desistia, meus pés pareciam travados ao redor de sua cintura delgada.
Uma de suas mãos tateou desesperada por minhas costas, socando e puxando minha camisa em qualquer local que pudesse tocar, até que chegava a meus cabelos, puxando-os com uma força tão grande que, a qualquer momento, meu corpo iria ceder para trás.
Mas eu não podia desistir. Adiantei-me e prontamente cravei os dentes na pele de seu pescoço, mordendo ali puramente para causar dor e também para impedir minha cabeça de ser puxada para trás pelos cabelos, pois ele sabia que meus dentes não se destravariam e se ele puxasse, uma boa parte da pele do seu pescoço iria junto.
Desistente, ele começou a socar minhas costas enquanto a outra mão empurrava uma de minhas coxas ainda mais, tentando tirar-me a todo custo de seu colo.
Seus lábios grunhiam de raiva e frustração.
–AAR..seu vagabundo...larga –Ouvi seu esgar de dor, meus dedos se apertando mais em seu cabelo, podendo sentir alguns fios sendo arrancados, suas costas se arqueando mais e mais para trás com a força que meu braço empenhavam contra seus fios. A outra mão deslizara pelo ombro musculoso, cravando minhas unhas longas ali por cima da roupa, visando me dar mais apoio e lhe dar um pouco mais de dor.
Ele cairia a qualquer momento, pois meus dentes não largariam seu pescoço e nem meus dedos seus cabelos.
Seus pés viraram-se rapidamente em passos rápidos e desesperados, ele segurou minha coxa, agora me apoiando ali, me carregando, minha surpresa fora tão grande que meus dentes se afrouxaram apenas por alguns instantes.
‘Apenas por alguns instantes’ porque, minhas costas logo se chocaram com o pequeno armário com portas de vidro usado para guardar as medalhas e troféus de Reita que ficava atrás de sua mesa, minhas costas se chocando com o vidro com tanta força que ele se espatifava prontamente, meus dentes se fincaram com tanta força no pescoço de Reita que cheguei a arrancar sangue.
Filho de uma quenga mal comida
O barulho do vidro sendo violentamente quebrados, os troféus que estavam ali guardados caindo ou chocando-se de forma violenta com minhas costas, foi ensurdecedor.
Soltei um urro de dor, minhas pernas se afrouxando prontamente, mas sem larga-lo.
Os cacos estavam em toda parte de minhas costas. Apesar de minha camisa social branca, eu me sentia nu, cortado, fatiado...
Eu sentia cacos do vidro frio adentrando minhas costas sem realmente fura-la gravemente, até aí tudo bem. Mas eram dezenas de cacos de vidro cortando minha epiderme.
Meu corpo começava a ceder e minha coragem súbita a decair.
Ele pareceu notar que a dor deixava-me fraco, pois prontamente tomou impulso mais uma vez e chocou-me novamente contra o armário destruído, seu quadril empurrando o meu com força para mais adentro onde alguns vários cacos pontudos estavam insistentemente grudados.
Dessa vez, minha cabeça se chocou também com o armário, batendo com força no tal e deixando-me tonto.
–Ahh, filho de uma puta! – Gritei.
Eu já podia sentir o sangue morno escorregando livremente por minhas costas, melando o tecido branco de minha camisa.
Meus joelhos agora tremiam com o esforço que eu fazia para manter minhas pernas ao redor da cintura de Reita, minha visão estava ridiculamente embaçada e tudo indicava que meu corpo cederia em menos de um minuto.
Então, foi num ato de desespero que, aproveitando que meu tronco estava dolorosamente apertado contra o armário que me dava um apoio precário, soltei o ombro e o cabelo de Reita, e comecei a deferir tapas aonde minhas mãos desesperadas conseguissem alcançar.
Ele pareceu surpreso com isso.
Eu lhe estapeava no rosto, no pescoço no ombro, nos braços, na cabeça, no peito. Minhas unhas eram usadas veementes, arrancando e arranhando tudo que tocavam, fazendo-me parecer com um gato extremamente irritado.
A força e velocidade de meus golpes eram tão altas que eu apenas conseguia vê-lo como um borrão.
Suas mãos tentavam segurar meus pulsos, mas eu era rápido demais, quando seus dedos tentavam se envolver em meu braço, eu escapava com rapidez, seus lábios grunhindo impacientes e soltando sibilos aborrecidos.
Akira notou que seria inútil tentar segurar meus golpes, levando sua mão até meu rosto, os dedos fortes apertando meu maxilar e empurrando assim minha cabeça para trás com força, fazendo-me bater a cabeça na madeira do fundo do armário raso, visando deixar-me tonto.
E conseguiu.
Gemi de dor, meus golpes nem assim parando. Agora eu usava as unhas insistentemente, arranhando cegamente tudo que eu conseguia alcançar.
Tomei impulso com o tronco para frente, meu peito batendo no dele, minhas duas mãos agarrando novamente seus cabelos e puxando-os . Com o sucesso de minha ação, ele se desequilibrou, o corpo dando um passo em falso para trás, só não caindo por muito pouco.
Mas assim, minhas costas ficavam livres do maldito vidro do armário.
Suas duas mãos pareceram tão desesperadas quanto as minhas ao tocarem meus cabelos, enroscando os dedos nos mesmo e puxando na mesma intensidade que as minhas nos seus, os movimentos ficando mais bruscos gradativamente, quase espelhados nos meus.
Meus olhos contemplavam as esferas negras brilhantes. E eu vi ódio ali.
Ódio, raiva, dor, mais raiva.
Suas sobrancelhas estavam franzidas num tom de raiva, os dentes trincados e à mostra, a testa com um fio rubro de sangue, parecendo um animal feroz prestes a atacar.
E, eu tinha certeza que minhas feições estavam tão animalescas quanto às dele.
Encaramo-nos friamente, os lábios proferindo palavrões porcos um ao outro e as mãos puxando os cabelos de modo que nossos olhares não se perdessem.
Nem nossas respirações ofegantes, nem o ódio que exalava de nos dois, nem a dor que cada membro do meu corpo sentia foram capazes de distrair-me de seus olhos, assim como tais estavam distraídos com os meus.
Os movimentos com ambas as mão foram abrandando até morrerem aos poucos. Os lábios soltando suspiros e baforadas de lamento e desistência, ao mesmo tempo em que nossos olhos se encaravam de forma que era indecifrável até mesmo para nós.
Nossas ações estavam sincronizadas como reflexo.
E, assim como um reflexo, nossas mãos novamente se apertaram no cabelo um do outro, puxando os fios de ambos mutuamente para frente, meus lábios se chocando com violência com os deles ao mesmo tempo em que os dele se chocavam com os meus.
Mutuamente.
E foi assim, mutuamente, que nossos lábios se abriram com prontidão, os deles para dar espaço para sua língua passar entre si e os meus para abrigar aquele musculo quente e molhado sem nem mesmo a passagem me ser cobrada.
Foi tão rapidamente que eu quase não pude sentir o êxtase de sentir sua língua de imediato.
Por que eu simplesmente não conseguia lembrar-me de sentir seu gosto pela primeira vez. Eu só lembrava de que ainda o estava sentindo, e era embriagante...
A língua quente que tinha um gosto mentolado e apimentado enroscava-se na minha sem pudor, atiçando-me a corresponder com movimentos bruscos e molhados, e eu o fazia de bom grado, entrelaçando-as, sugando o musculo rosado para minha boca com desespero, prendendo tal entre os dentes para depois deslizar minha língua por sob a sua própria, a fim de descobrir mais o seu gosto.
O beijo era rápido, com movimentos curtos e bruscos, totalmente desprovido de delicadeza, mas nem mesmo assim menos gostoso.
E ele não parecia se incomodar. Sua mão, assim como as minhas, ainda puxava meus cabelos, só que agora mais para perto, proibindo-me de uma coisa que eu jamais faria: afastar-me.
A outra mão de Akira foi até minha coxa, dessa vez segurando-a apenas para me dar apoio, seu corpo se virando novamente e dando passos velozes para uma direção desconhecida para mim.
Coisa que eu apenas notei pelos movimentos que seu corpo parecia exercer. Meus olhos estavam muito ocupados fechados, aproveitando melhor a sensação única de poder beijar aquela boca que há tanto desejei.
Seu corpo se inclinou para frente – o meu se inclinando para trás consequentemente-, fazendo assim com que meus braços abraçassem prontamente seu pescoço, e minhas pernas se apertassem como podiam em sua cintura num impulso causado pelo medo de cair. Aquela posição se tornando, pela primeira vez, de uma conotação extremamente sexual quando meu baixo ventre coberto por aqueles jeans grossos roçou-se demoradamente no dele.
Sua mão largou meus cabelos, o braço fazendo um movimento brusco para baixo e depois para o lado. Minhas costas foram de encontro à mesa de Akira que antes estava apinhada de coisas, estava sem qualquer objeto que agora deviam estar jogados de qualquer jeito no chão pelo seu ato anterior.
Ambos soltamos gemidos abafados ao sentirmos nossos corpos pressionados um contra o outro, mas nem assim separando nossos lábios.
O ar faltava para ambos, mas isso estranhamente só fez o ritmo do beijo acelerar-se mais. As bocas se massageavam, os movimentos de nossas línguas, que se encontravam por vezes até por fora de nossos lábios, eram lubrificados por nossas salivas misturadas uma a outra, liquido delicioso que eu fazia questão de sugar para mim, aproveitando para abocanhar vez ou outra também seu queixo, sugando aquele pedaço de carne que possuía rastros de nossa saliva.
Havia também o gosto de sangue ali e, por Deus, isso só parecia deixar o osculo mais perfeito. O beijo era tão profundo que nossos rostos pareciam talhados um ao outro. Eu conseguia senti-lo explorando cada centímetro dos resquícios mais profundos de minha boca, marcando minha língua com o fogo de sua saliva.
Eu não queria parar o beijo, mas meus pulmões doíam como o inferno em busca de ar. Akira não parecia notar isso, imprensando meu corpo contra a mesa cada vez que eu tentava separar nossos lábios por uma misera lufada de ar, a cintura roçando descaradamente em meu membro, o movimento a fivela de seu cinto em contato com o local me trazendo arrepios gostosos, e o pior ainda: fazendo-me querer gemer – o que só tirava mais meu folego.
Sem aguentar muito mais, levei uma mão á sua franja, embrenhando meus dedos nos fios dali e segurando a tal com força, só assim conseguindo pender minha cabeça para trás na madeira da mesa e liberar meus lábios, que buscaram o ar com sofreguidão.
Sua boca macia nem ao menos se desgrudou de minha pele. Os lábios deslizaram até meu queixo, mordendo e lambendo ali, então aproveitando o espaço que minha cabeça deixava ao estar pendida para trás, beijando o meu pescoço com veracidade.
Um gemido extremamente manhoso escapou de meus lábios, mesmo meus pulmões doendo feito o inferno. Ter os lábios de Reita em meu pescoço era –no mínimo- maravilhoso. Sua boca úmida pela saliva que antes compartilhávamos deslizava insistentemente por uma seleta área de meu pescoço, marcando, mordendo e sugando obstinadamente apenas ali coisa que, com certeza, deixaria uma marca assustadoramente roxa no dia seguinte.
Oh, meu lindo, você pode marcar minha bunda com um ‘R’ de ferro quente que eu ainda vou agradecer com um sorriso na cara.
Sem parar os beijos – que agora desciam por meu ombro- , sua mão grande e áspera tocou a pele de minha bochecha, deslizando a palma dali pela concavidade de meu pescoço com busques, como se estivesse se segurando para não fechar a mão em meu pescoço e me estrangular.
A mão bruta como a de um trabalhador braçal continuou a deslizar pelo meu peito coberto por minha maravilhosa camisa social de seda francesa, descendo perigosamente em meu abdômen.
Apenas a expectativa de ter sua mão bruta e pesada contra minha pele me fez gemer.
Minha respiração, apesar de ainda ofegante, já se normalizava. O ar começava a se tornar algo de importância mínima comparada aos meus lábios formigando de vontade de ter aquela boca divinamente maravilhosa estuprando-me com a língua.
Enrosquei os dedos nos seus cabelos, os puxando para mim com força.
Seus lábios fizeram um barulho molhado quando foram separados da pele de meu pescoço por minhas mãos impacientes, seu rosto encontrando com o meu sem regalias ou até mesmo olhares maiores, apenas com o intuito de colar nossas bocas famintas o mais cedo possível.
E, novamente o fogo estava ali, mas daquela vez tudo parecia mais forte.
As línguas enroscadas, suas mãos ásperas, a saliva descendo por nossos lábios, minhas mãos tentando a todo custo abrir os botões de sua camisa social, de repente tudo parecia mais como um borrão.
Eu era um borrão.
Não havia mais a possibilidade de descrever as sensações quando todas as que eu já havia sentido, e até mesmo as que nunca senti, estavam entrando em ebulição ao mesmo tempo.
Não eram necessárias palavras, olhares mais longos ou até mesmo palavras de amor.
Eu sabia –e ele também- que se algo fosse dito, ou até mesmo se nossos olhares se encontrassem por mais tempo que o necessário, que o encanto terminaria, nós acordaríamos e então tudo o que sobraria era a raiva, o ódio. Se pensássemos um pouco mais, todo o momento estaria acabado.
Aquilo era uma foda.
E eu nunca me senti mais satisfeito com isso.
Começamos a nos preocupar em abrir a camisa um do outro sem ter que separar os lábios, o que foi uma tarefa muito difícil, mas assim que concluída, nossos lábios foram separados brevemente por um Reita afobado em tirar o tecido da camisa social de seus ombros e atirar em qualquer lugar do chão, levando-me a imitar seus atos.
Sem me distrair muito com aquele tanquinho de lavar rouba que aquele ser delicioso possuía, tratei de puxar o loiro de volta, atacando os lábios do mesmo com fome.
Uma corrente elétrica percorreu todo o meu corpo quando sua pele quente desnuda se encostou à minha. E, pelo suspiro pesado que o loiro deu, provavelmente a sensação fora a mesma para ele.
Dei um jeito de enfiar minha mão entre nossos corpos que, sem pudores, deslizou pelo abdômen malhado e delicioso e, sem me preocupar em demorar mais ali, apertei o membro por cima da calça grossa sem rodeios.
Nossos lábios foram milimetricamente separados para dar espaço ao suspiro que escapou de sua boca, e do sorrisinho que escapou da minha.
Duro. Ele estava malditamente duro por mim.
Lambi manhosamente seus lábios com a ponta de minha língua, para que este retornasse a me beijar, tendo meu pedido aceito sem demora.
O beijo começou casto, mas logo queimava a medida que minha mão se movimentava sobre o membro coberto de Reita, apertando o tecido elevado sem timidez, dedilhando o local levemente.
Sua língua passou a estuprar minha boca com mais força, a respiração quente chocando com meu rosto.
Levei minha mão livre até a sua que estava pousada em meu abdomen, pegando a tal e fazendo questão de desliza-la até meu membro carente de atenção, soltando um gemido surpreso ao ver que sua mão passou a se mover do mesmo modo que a minha se movia nele sem ao menos hesitar.
E meu gemido surpreso foi ouvido novamente quando ele tomou a iniciativa de abrir o botão de minha calça tão rápido que eu mal senti quando este foi desabotoado e meu zíper foi aberto.
Sua mão entrou afobada dentro de minha calça, os dedos longos ignorando completamente o tecido de minha boxer com estampa de onça e apertando meu membro como se o pano maldito não estivesse ali.
Gemi mais uma vez, me debatendo num pedido mudo para ele aprofundar a caricia.
Ouvi-o sorrir entre o beijo, a mão dentro de minha calça se movendo rapidamente, os dedos longos fazendo questão de apertarem meu membro dolorido. Minha cintura já se movia inconscientemente contra a sua mão, minhas coxas se abrindo mais ainda para receber daquela caricia mesmo que precária.
Meu corpo estava em ebulição, e aquele vagabundo brincando com meu pau como se fosse massinha de modelar.
Suspirei impaciente e mordi seus lábios com uma força desnecessária, vendo ele afastar o rosto de perto do meu com raiva.
–REITA, CARALHO, PARA DE CU DOCE E ME FODE LOGO. – gritei quando tive meus lábios libertos.
O sorriso sádico voltou aos seus lábios. Sua mão, que durante o beijo havia sido tão carinhosa, se enroscou novamente em meus fios, dessa vez segurando-os com firmeza e puxando para trás, minha cabeça automaticamente seguindo o mesmo destino.
–Você quer que eu te foda é? – Falou baixinho em meu ouvido. –Hein, seu viadinho de merda?
Ele me chamou mesmo de viadinho? Kami-sama assim eu gozo, juro que gozo!
–Anda Reeei... Anda chefinho... – miei manhoso
Ele levantou seu tronco rapidamente, as mãos ágeis voando até minhas duas coxas e me puxando pela mesma, fazendo minhas costas deslizarem sob a mesa até que eu estivesse de pé no chão.
Não tive tempo nem de ficar confuso com seu ato anterior, visto que quando fiquei em pé suas mãos grandes me viraram pelos ombros e sua mão empurrou minha cabeça contra a mesa, deixando minha bunda empinada na sua direção.
Espalmei minhas mãos ao lado de meu rosto deitado na mesa a fim de me dar mais equilíbrio, e, quando sua mão parou com a pressão em minha bochecha, nem ao menos me dei o trabalho de levantar o rosto.
Pra que? Se for pra dar, que seja de um modo confortável!
Senti quando sua mão segurou o cós de minha calça, já solta, e a desceu juntamente com minha boxer até a altura de minhas coxas. Me retorci, roçando as coxas uma na outra para fazer a calça descer por minhas pernas até chegar aos calcanhares, onde consegui tira-las com o pé e as chutei longe.
Ouvi o tilintar de suas mãos se desfazendo de seu cinto , assim como o farfalhar do tecido de sua calça sendo descido com afobação e jogado em um espaço qualquer daquele escritório destruído.
Não demorou a mim sentir mão grande do loiro tocando minha cintura, apertando a pele dali numa pressão fraca.
–Tão macio... Parece... Parece uma garota...- Ouvi sua voz murmurar, soando quase encantada.
Sua mão se chocou com força contra minha bunda, dando um tapa mais do que forte na mesma. Minha pele local ardeu com o atrito extremamente pesado, mas meu baixo ventre apenas pulsou violentamente com tal ato.
Pude sentir seu falo duro tocar a parte atingida de minha nadega milimetricamente, eu podia sentir a glande do mesmo pulsando ritmada em minha pele. Céus eu estava enlouquecendo.
Suas mãos seguraram minha cintura, empinando-me mais para si. Senti seu membro resvalar por entre a fenda de minhas nadegas, e só com aquilo eu já podia afirmar que o membro dele era mais que satisfatório.
Eu não agüentava mais aquilo. Por Deus, eu esperei três anos. TRÊS ANOS por aquele maldito momento e ele ainda me vem com preliminares??
– ANDA LOGO E METE COM RAIVA- praticamente rosnei, minha voz se tornando mais abafada por minha cabeça encostada na mesa.
–Seu pedido é uma ordem. – Falou.
O que eu não esperava, é que o desgraçado realmente metesse com raiva. Ou melhor, metesse com ódio, visto que ele separou bem as minhas nadegas e penetrou de uma vez meu pobre corpinho, só parando quando estivesse completamente dentro.
Sem lubrificação, sem preparo.
E só o que eu pude fazer foi soltar um berro alucinante. Berro que foi mascarado pelo seu gemido alto de prazer.
Sim, eu era uma bicha louca, sim eu dava até pro carteiro se ele pedisse com jeitinho, mas já fazia algum –muito- tempo que eu não fazia sexo.
Meu interior se comprimia, retorcendo-se para se livrar daquele invasor imprudente. Minhas mãos, mais tremulas do que eu desejava que estivessem, voaram para meus lábios, tapando os mesmos para que mais nenhum grito escapasse. Desejando que as lagrimas que escorriam como cachoeira de meus olhos lavassem a minha dor. Eu podia sentir meu sangue quente escorrendo por entre minhas pernas.
Mas aquele era meu sonho de consumo, mas do que tudo no mundo.
E sabe, lá em cima quando eu disse que o Reita era “grande”? Risca, apaga aquilo. O homem era uma aberração da natureza! Pior do que um cavalo!
E esse cavalo batizado devia ter notado minha dor excruciante, pois seu tórax grudou em minhas costas, e seu quadril ficou imóvel.
Após alguns poucos minutos, onde minha bunda doía do mesmo jeito que havia doído quando ele meteu aquele troço gigantesco dentro de mim, mandei todos os meus princípios (leia-se: bregas na bunda) tomarem no cu.
Rebolei o quadril minimamente, o ouvindo gemer rouco. Seu membro pulsava fortemente em meu interior, indicando que ele estava se segurando mais do que o inferno para não se mexer dentro de mim.
BEM FEITO! Quem manda meter em mim como se eu fosse uma boneca inflável??
Já entendi! Fui eu quem pediu! Mas ele podia fazer como sempre e não ter me escutado!
Reita começou a se movimentar lentamente, o membro grosso mal se movimentando dentro de mim, quase sem sair. Seu quadril rebolava devagar, tentando abrir espaço para estocadas maiores.
Aos poucos, meu interior foi cedendo, se tornando elástico e se adaptando ao tamanho do falo do loiro. Seus movimentos foram se alongando mais, o membro, a cada movimento, saindo mais de mim e entrando um pouco mais fundo. E assim se sucedeu até o momento em que ele pudesse se movimentar livremente.
Meus gemidos já arranhavam a minha garganta e pareciam decorar a atmosfera daquele escritório, assim como os de Reita, só que de modo mais contido.
Os movimentos se tornavam mais longos gradativamente. Reita retirava-se todo dentro de mim, para então se enterrar de novo, seus movimentos sendo lubrificados pelo meu próprio sangue.
A dor não passava, e você experimente dar a bunda para saber se algum minuto ia passar. Não mesmo, a dor estaria ali sempre.
Mas junto com a dor, um prazer inexplicável brotava do nada, e me fazia ver estrelas.
E era isso que deixava tudo simplesmente delicioso...
Inconscientemente, meus quadris começavam a se arremeter para trás, acompanhando o mesmo ritmo da cintura do loiro, rebolando longamente, sedento por ganhar mais daquele prazer estranho.
Não demorou muito para nossos movimentos estarem rápidos, fortes. Ele me penetrava tão profundamente que eu os barulhos de seus quadris se chocando com minhas nadegas era mais do que audíveis. O som era molhado, assim como a camada fina de suor que cobria nossos corpos.
Seus lábios mordiam meu ombro, sugando a pele do mesmo com avidez. O timbre de seus gemidos contidos se se chocavam contra minha pele, trazendo-me arrepios.
Minha visão estava nublada, eu não conseguia ter nenhum pensamento consciente. A única coisa que me dominava era o instinto. E, movido pelo instinto, peguei sua mão que estava em minha cintura e levei até meu falo esquecido.
Ele atendeu prontamente o meu pedido mudo, os dedos se fechando em minha ereção me fizeram revirar os olhos momentaneamente.
A mão que me masturbava seguia o mesmo ritmo se seu quadril. A dor agora era mínima comparada ao meu prazer. Naquele momento eu amava o fato de ele ser grande demais e de eu ser apertado demais. Porque assim eu me sentia totalmente preenchido. Me sentia vivo.
Os movimentos se tornaram brutais. Os quadris se chocando com tanta força que meu corpo tombava para frente, seus dentes perfurando minha pele já maltratada por vidros, sua mão tocando meu membro tão rápido que parecia querer arranca-lo.
Tudo isso abalava minha sanidade. E eu soube que eu ia enlouquecer quando, em uma estocada mal calculada, Akira esbarrou em cheio em minha próstata.
Meu corpo todo se contraiu com tal ato. Agora minhas pernas estavam totalmente moles e eu lutava para manter-las fixadas no chão.
–Ah, aí! Mais!- Grasnei, minha voz saindo totalmente esganiçada pelo choro anterior e pelos gemidos incontroláveis.
Reita tentou repetir o movimento anterior, e depois de duas ou três estocadas conseguiu, passando a acertar-me unicamente naquele ponto de prazer.
Meus dedos tentavam arranhar a madeira escura da mesa. Eu delirava, gemia, gritava. Meus olhos se reviravam nas orbitas desesperados.
Minha mente não sabia como lidar com tanto prazer. Eu estava enlouquecendo.
Minhas pernas se abriam como podiam, meu quadril se empinava o maximo que eu conseguia. Eu queria sentir ele todo dentro de mim, mesmo sabendo que ele já estava.
Meu corpo não agüentava mais. Eu não agüentava mais. Então, com um grito alto e continuo, senti meu orgasmo chegar, o liquido de meu ápice melando sua mão enquanto meu corpo se pressionava ao redor do membro de Reita inúmeras vezes.
Ele passou a estocar-me desesperado, o que só prolongou meu estado de êxtase. E depois de dois ou três movimentos, sentir seu liquido morno invadir-me. Gememos juntos.
Seu corpo despencou sob o meu, a cabeça encostada em minhas costas enquanto a minha descansava na mesa. Estávamos-nos ofegantes e suados.
Minhas pernas estavam bambas, e eu sabia que se o loiro gostoso não estivesse me segurando, eu cairia.
Elevei um pouco a cabeça, virando-a sobre o ombro. Ele parecia saber o que eu queria, pois tão logo seus lábios já se chocavam com os meus num beijo lento.
Nossas línguas se encontraram intimas, numa caricia que pouco a pouco foi aumentando. Seus braços abraçaram a minha cintura e, junto com seu corpo, me puxaram para baixo.
Fomos ao chão.
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O teto nunca me pareceu tão interessante quanto ele parecia agora.
Depois de transarmos loucamente como animais não uma, não duas, não três, mas QUATRO vezes no chão daquele escritório, estávamos nós dois, deitados um do lado do outro, sem ao menos nos tocarmos, encarando o teto com uma expressão levemente pasma e assustada, um sem ter coragem de olhar na cara do outro.
Tudo ao nosso redor estava destruído. No chão onde estávamos deitados havia cacos de vidro, papéis, dinheiro, troféus quebrados e afins.
Mas nenhum dos dois parecia ligar muito para isso.
Bom, eu pelo menos não ligava, já que a dor na minha bunda era algo a se manifestar.
Aquele homem de pau grande e coração pequeno havia acabado comigo em todas as formas e eu estava me remoendo em decepção.
‘Decepção’ porque algo em mim esperava que ele não fosse tão bom de cama quanto em minhas fantasias, que fosse só mais um metido a besta.
Mas não. Ah, não!
Por que alem de maravilhoso, gostoso, lindo, inteligente, rico, sensual, sensato, o filho da puta parecia macho, até mesmo comendo um homem!
¹: sim, é de Kaisha com K, achei que se adequava com a situação >
Notas finais
ah, e eu pretendo sim fazer a continuação dessa fic! E, eu já tenho a historia toda na minha cabeça, e dependendo da repercussão dessa, eu posto o mais cedo possivel!
Rewien, criticas, sugestões?
kissu~
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