Oreland: O Coração do Mundo
9 Capítulo 9: A Mariposa Azul
A cabana ardia em chamas. Pacjorn corria e gritava por Mikel e Algustin.
"O que diabos aconteceu aqui? Mikel deve ter ateado fogo na casa por engano. Isso, foi isso mesmo. Ele não sabe cozinhar, deve ter tentado assar alguma coisa e queimou a cabana. Isso."
Infelizmente, não tinha sido nada disso. Ao chegar nas ruínas, ele ouviu um murmuro chamando seu nome. Quando chegou mais perto de uma porta caída, viu embaixo um rosto familiar, o de Mikel:
– Que porra aconteceu aqui? Cadê o Algustin? — Perguntava, arrasado.
– Primeiro me ajude com esta porta. Ela caiu encima de mim e eu apaguei, mas fora o galo na cabeça eu estou bem.
Depois de ajuda-lo a levantar a porta, Mikel começou a explicar o que havia acontecido:
– Algumas horas depois de você ter saído, duas pessoas vieram aqui e nos atacaram. Como o Algustin não sabe se defender, tive que lutar contra os dois enquanto o marinheiro se escondia. Depois que colocaram fogo na casa, a porta caiu na minha cabeça. A última coisa que me lembro antes de apagar foi que eles levaram o Algustin.
– Você se lembra quem eram essa pessoas? — Perguntou Pacjorn.
– Não sei os nomes, mas uma delas era inconfundível. Era aquela princesa.
– A Kazilia? Temos que acha-la. E eu sei como.
Pacjorn contou a Mikel o que aconteceu na casa de Rezil, e disse que o mesmo andava espionado a garota. Ele sabia onde ela morava. Os dois foram, então, para a casa de Rezil, que contou onde ficava a casa de Kezilia. Chegando lá, verificaram se tinha alguém dentro da casa. Como não viram ninguém, eles entraram. Lá dentro, nenhum sinal de Algustin, apenas duas camas, três caixas de madeira e uma porta que dava em um sótão. Fôra ali que haviam prendido o marinheiro:
– Pacjorn? — Perguntava com voz fraca — Mikel? Graças aos céus!
Quando soltaram-no, Mikel viu algo que reviraria o estômago de qualquer ser fraco:
– O que fizeram com você? Céus! Cortaram sua mão esquerda!
– Eles mandaram eu escrever uma carta a uns mercenários. Como não o fiz, eles cortaram minha mão, e se eu negar de novo, cortarão a direita, com que escrevo e depois me matariam.
– Espera um pouco! — Interrompeu Pacjorn — Se eles mandaram escrever cartas a mercenários, isso significa que eles já tem ouro! Preciso avisar os outros!
– Eles já devem estar voltando! — Alertou Mikel — É melhor irmos andando. Consegue caminhar Algustin?
– Sim.
Quando saiam pela porta, ouviram passos, mas não sabiam da onde vinham. Então, de repente, uma porta que não tinham, que ficava perto de um morro, se abriu e de dentro saíram Kazilia, Cafré e John, que atacaram o grupo com várias flechas:
– Eles tem arcos? — Gritou Pacjorn — Rezil! Ajuda aqui!
De uma moita saltou o quarto membro do grupo, que se juntou a batalha:
– Aqui! Mirem aqui seus filhos da puta!
Enquanto fugiam, Mikel foi atingido por uma flecha vinda de Kazilia, no peito. Caiu no chão, nada mais fazia sentido, a dor era inconfundível sem uma armadura. Perdeu a audição, e antes de apagar, a última coisa que viu, foi uma mariposa azul e Pacjorn arrastando-o para longe da luta.
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