Oreland: O Coração do Mundo

4 Capítulo 4: O Leão Prateado


Depois de ser convocado a uma audiência com o seu pai, o rei, Pacjorn ficou preocupado. Mesmo tendo rido na noite anterior, agora estava pálido e com olheiras, pois não havia dormido bem noite passada. Vestiu-se elegantemente pois estava indo para junto do rei. Chegando lá, avistou Mikel em sua armadura verde. Ajoelho-se diante de seu pai, sem olha-lo nos olhos e disse:

– Salve Krasg, o Imponente, Rei do Sul, meu pai!

– Levante-se Pacjorn. Você será julgado agora.

Após ter todas as acusações (que não eram poucas) apresentadas, Pacjorn permaneceu calado e seu pai perguntou:

– Você confirma ter agido de forma egoísta com o seu país? Caso não, apresente-me provas ou testemunhas.

– Não nego as acusações, mas gostaria de saber por que? — Falou Pacjorn, mais alto do que esperava — Por que me punir se fui egoísta? Egoísmo não é crime, é apenas um defeito humano!

– Mas pode vir a ser! — O rei levantou-se — Se continuar arrogante e egoísta quando for rei, pode acabar destruindo o sul, ou começar uma guerra civil!

Ao ouvir aquilo, Pacjorn se calou. Mikel, apreensivo, escutava atentamente às palavras de Krasg, até que se pronunciou:

– Meu senhor, se me permite perguntar, qual será a punição de vosso filho? Afinal sou amigo dele e quero saber o que acontece com meus próximos, entende?

– Meu caro capitão, acho que sabe onde ele vai. Por coincidência vários príncipes estão sendo banidos de seus reinos, geração de fracos. — O rei olhou com desdém para seu filho — Eles irão para a ilha de Oreland.

– Oreland! — Exclamou seu filho quase com alegria — A ilha dos recursos infinitos? O coração do mundo? O lugar onde jaze as ruínas de Mizah?

– Sim, meu filho. Você será mandado para lá apenas com um machado de lenhador, uma pá e um bastão de madeira, nada mais.

– O que? Um bastão? Vou conseguir caçar e me defender melhor com a pá!

– Nada mais! — Gritou Krasg — Está dispensado, e banido também! Como não sou tão ruim assim, quem te levará será seu amigo das docas, o Algustin.

– Mas e quanto a mim senhor? — Disse Mikel — Sou responsável por Pacjorn!

O rei olhou, pasmo, para seu soldado e lhe respondeu:

– Mas, Mikel, você não falhou comigo. Não tem por que ser castigado.

– Pelo contrário meu rei, devo ir com ele. Afinal ele vai precisar de mim e não fiz nada para melhorar seu caráter, era minha responsabilidade. Portanto falhei convosco.

– Que seja. Terá as mesmas ferramentas concedidas a Pacjorn. Agora, por favor, para as docas.

Chegando as docas, Algustin os olhou e continuou em silêncio. Quando o continente já estava a 500 m da caravela, o marinheiro sussurrou ao príncipe:

– Obrigado por ter dado um fim naquele "peixe podre" do meu irmão. Quem sabe, um dia, eu lhe pague com um favor?

Enquanto dizia isso, Pacjorn olhava com fúria, pela última vez, o estandarte do Leão Prateado dos Países do Sul.