Oreland: O Coração do Mundo
10 Capítulo 10: O Javali Morto
Quando finalmente abriu os olhos, Mikel percebeu que não estavam mais na casa inimiga e nem na própria cabana, mas ao relento, perto de uma ravina. Quando viu que o amigo havia despertado, Algustin foi pra perto dele:
– Graças aos céus você acordou! Estávamos ficando preocupados!
– Quanto tempo fiquei desacordado? — Perguntou Mikel, um pouco tonto.
– Cinco dias. — Respondeu o marinheiro — E esses cinco dias foram o suficiente para Pacjorn começar a ser mais responsável. — Deu um risinho — Teve que cuidar da caça e da vigia noturna, parece que está mais sério e menos arrogante.
– Onde ele está?
– Aqui meu amigo. — Disse uma voz.
Atrás de Mikel estava Pacjorn, carregando uma rede e um arco improvisados. A rede continha um pequeno javali, morto:
– Parece que você evoluiu bastante, — Disse Mikel — pra alguém que não conseguia matar uma pomba com o arco.
– Cala a boca. — Brincou Pacjorn — Você está bem? Consegue se levantar?
– A maldita da flecha aterrissou no meu peito, não na minha perna. — Respondeu o amigo, com uma risada.
Quando se levantou, o ex-capitão lembrou de uma coisa:
– E a mão Algustin? Como está o toco?
– Estou me virando bem sem ela. — Respondeu — Mas dói um pouco ainda.
Mikel sorriu e voltou-se a Pacjorn, perguntando:
– E que lugar é esse?
– Nossa nova casa. — Disse — Aqui é um ponto estratégico. A entrada é por uma caverna.
– Mas há um buraco enorme ali em cima. — Falou Mikel, apontando para o alto onde havia uma cratera imensa. — Não é possível alguém entrar por lá?
– Não. — Disse o príncipe — É arriscado demais. E além disso, temos um bom lugar para mineração de ouro e uma passagem para o mar. Logo poderemos contratar os mercenários.
– E os nossos amigos?
– Eles virão logo pra cá, Mikel. — Interferiu Algustin — Segundo o Pacjorn, eles estão estabelecendo moradia em alguns lugares. Curiosamente esse lugar tem vários biomas. Por exemplo: o Jaak Vu achou um bioma desértico e agora vive lá. Enquanto isso, o Rezil encontrou um bioma montanhoso. Mas já disseram que virão pra cá se forem atacados.
– Interessante. — Disse Mikel — A gente tem que mapear essa ilha, e logo. Temos que saber onde o inimigo esta e fazer as fronteiras. Aposto que eles estão construindo suas casas em vários pontos estratégicos.
– Quase que ironicamente, isso já foi feito, Mikel. — Disse Pacjorn — Foi feita uma trégua durante três dias e todos nós viajamos pela ilha, mapeando-a e determinando as fronteiras..
– Nossa! Só foi preciso eu desmaiar que vocês já mapearam tudo? Tudo bem, mas agora quero voltar a ativa. Temos alguma ferramenta nova?
Algustim fez um sim com a cabeça e foi pegar os novos utensílios:
– Aqui. — Disse entregando um saco pesado — Temos mais picaretas. Achamos uma jazida de ferro. Aproveitamos e fizemos espadas também.
– Não são as melhores do mundo, mas já é alguma coisa. — Sorriu Mikel — Vocês disseram que aqui tem ouro, não é? Vamos minera-lo!
Pacjorn e Mikel ficaram minerando até o cair da noite, a qual foi a melhor para Mikel em dias. Comeu uma coxa de javali e foi dormir, notando que estava estranhamente feliz.
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