Orehalion
2 Presley e Louis
Notas iniciais
—Eu vou lutar contra ele! – Luganno levanta a mão. Todos da platéia se viram e olham para o garoto de roupas verdes e cabelo vermelho.
Luganno vai caminhando normalmente até o ringue e sobe, posicionando-se em frente ao seu adversário. O narrador então pergunta o nome dos dois.
—Ok. Então será Luganno versus Presley! Hoje, a noite está quente, meus amigos, Muito quente! Que a batalha comece!
O gongo então soou. Por alguns segundos, os dois oponentes fitaram-se. Então Presley oferece o primeiro ataque. Corre em direção à Luganno e movimenta rapidamente seu braço para atacá-lo. Luganno usa a bainha de sua espada e se defende, fazendo com que o atacante recue.
—Rápido! E que bainha resistente, olhe para como eu detonei o machado daquele cara em três pedaços!
—A bainha deve ser resistente para conter os Ventos Navalha.
—O que?
Luganno foi retirando pouco a pouco a espada da bainha, liberando ventos navalha que foram em direção à Presley.
—Mas o que é isso? – disse o rapaz. Não obstante, foi ágil o suficiente para esquivar dos ventos e partir novamente ao ataque. Foi atacando com os dois braços rapidamente. Luganno desviou de todas as facadas, menos de uma, que pegou em sua bochecha.
—Você é realmente forte.
Puxou sua espada da bainha e desferiu um poderoso ataque. Presley não teve tempo de ver a espadada e levou o corte em cheio, bem no meio do peito. Caiu de joelhos
—Irmaozão! – disse o garotinho do lado de fora do ringue. – Irmaozão, não perca!
—Lo... Louis! – e caiu inconsciente.
—Incrível! – disse o narrador enquanto pulava de volta ao ringue – Excepcional! Que luta! Será que alguém vai querer lutar contra Luganno?
Silêncio.
—E... Entendo... – disse o narrador. – Então já que é assim, podemos dizer que o grande campeão dessa noite é Luganno! – e levantou seu braço.
—E quanto ao rapaz, vocês cuidarão dele? – perguntou, preocupado.
—Logicamente. Temos uma equipe de médicos especializada em tratar feridas de luta. Aqui está sua premiação. Fique a vontade se quiser vir competir mais vezes.
—Muito obrigado. – e foi em direção à saída. Louis ficou olhando para ele cheio de mágoas. Olhou de volta e fechou os olhos, saindo do recinto.
Após alguns passos, Luganno foi capaz de achar um hotel para passar a noite. A anfitriã ofereceu um lenço para que pudesse limpar o rosto ensangüentado e o levou em direção ao seu quarto.
—Aqui está, durma bem. – E saiu.
Apoiou sua espada ao lado da cama, deitou-se e ficou olhando para o teto, pensando.
“Isso é maluquice. Eu luto e ganho dinheiro? Não só isso, mas os outros ficam felizes em me ver lutando? Bom, quem se importa. O melhor que eu tenho a fazer é dormir.”
Fechou os olhos e dormiu.
“Olhe para mim, irmão. Você sabe por que estamos lutando, não? É melhor você se preparar. O momento de sua morte está bem próximo, e você ficará como todas essas pessoas em nossa volta.”
Luganno se via em uma imensa colina, em pé, na frente de seu irmão. Os dois seguravam suas armas e em volta deles muitas pessoas estavam caídas, ensanguentadas. Foi quando um homem irradiando uma forte luz branca apareceu.
A visão foi ficando cada vez mais embaçada, até que tudo ficou branco novamente, como tinha sido da primeira vez que havia sonhado com seu irmão.
Um grande estrondo. Luganno acordou assustado e olhou para os dois lados. Segurou sua espada e se levantou.
—O que foi isso? – dizia enquanto limpava os olhos.
De repente, a porta se abriu, e a figura de Presley aparece. Ao seu lado estava seu pequeno irmão, Louis.
—Me explique – disse quase que gritando – me diga como você adquiriu tamanha força! Eu treinei durante anos para chegar ao nível que estou, e parece que sou até mais velho que você. Como você faz? Diga-me!
Luganno, assustado, fechou os olhos. Deu uma pequena risada e então sentou na cama, caindo na gargalhada. Presley olhou para ele com desgosto.
—Você realmente quer o segredo? Eu só comi folhas de Abacaxi Cipó. Só isso. – E então se levantou novamente, indo em direção à saída do hotel. Deixou o dinheiro em cima da bancada e a anfitriã rapidamente o pegou. Presley se foi logo atrás dele.
—Abacaxi Cipó? Você está de brincadeira? É impossível ficar tão forte assim só porque comeu algumas folhas de Abacaxi Cipó, e isso nem existe!
Luganno parou.
—Existe. – disse com convicção. – E isso não vem ao caso. Se você quer realmente ficar forte, siga-me.
E foi andando pela rua principal de Arzia. O guarda que lhe havia acordado na noite passada apareceu e abordou os dois.
—Ei, Luganno. Saiba que aquele seu Pégaso Camelo foi embora logo que acordou. Inclusive assustou várias pessoas da cidade.
—Não importa, irei a pé. Muito obrigado, seu guarda! – e voltou a caminhar.
—Como assim? Você veio até aqui com um Pégaso Camelo?
—Sim.
Os dois, então, foram andando em direção ao norte. Ao saírem da cidade, se depararam com uma grande estrada. Parecia ser bem deserta, já que não havia nenhum carro passando por ali no momento. Nas bordas da estrada era possível ver uma continuação do deserto pelo qual Luganno havia passado.
Naquele ponto, fortes ventos se debatiam contra a pista e contra os dois. Luganno abriu os braços, demonstrando prazer.
—Ah, que ótimo! Aqui é um bom ponto para recarregar minha espada! – Apontou a bainha de sua espada para cima e logo um pequeno furacão se formou na ponta, sugando boa parte do vento para dentro da mesma. Presley ficou boquiaberto. – Pronto. Temos que ir naquela direção. – apontou para o norte, que era pra onde a estrada levava.
Após poucos minutos de caminhada, um carro vermelho bloqueava a passagem dos dois. De dentro dele saiu um jovem garoto vestido com roupas de basquete. Ele tinha os cabelos arrepiados.
—Ei, vocês, bem-vindos à estrada Aera. Aqui, temos os melhores ventos de Io! Espero que tenham trazido dinheiro para o pedágio, não é?
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