Orehalion

10 A Vila Yurek


Notas iniciais
O Guerreiro de Io - Prólogo e Capítulo I

Continente Leste — Vila Yurek

A casa do senhor Lilhelm se encontrava em um canto de difícil acesso, em meio a alguns rochedos que circundavam a região, formando um labirinto. O idoso estava cozinhando quando ouviu um barulho do lado de fora. Abriu a porta e foi verificar.
Percorreu o caminho até chegar no vão inicial, a abertura do rochedo.
Do lado de fora, viu um homem montado em um aparelho eletrônico e mecânico de duas rodas, de cor dourada. O homem estava com vestes amarelas, luvas e botas pretas. Seu capacete também reluzia de cor amarela e dele faziam-se escapar longos cabelos loiros;

—O senhor tem aí, por acaso, um punhado de cidreira?

A voz era robótica antes de o rapaz retirar seu capacete, revelando um rosto sério, porém sorridente. Um olhar esmeralda.

—Cidreira? Para quê quer isso?

—Desta forma, conseguirei pilotar melhor.

—É claro! Devo ter um punhado. Espere...

Quando o senhor voltou, o motociclista estava no mesmo local.

—Aqui está.

—Obrigado! — colocou o capacete. Ligou a motocicleta. — Nos vemos por aí!

Vrrrr...

"Ei, Louis! Sou eu, Sinneus! Venha até o totem central quando estiver escurecendo. Tenho algo para te mostrar!"


—-


Um trovão relampejou no céu. Reluziu em frente ao visor do capacete de Louis, que freiou e olhou para o lado. Estava em frente ao Totem Central da Vila Yurek, como combinado com seu companheiro. Procurou por ele em sua volta e não conseguiu achá-lo. Desceu de sua moto.

—Ei, Syn! Tá ai?

Esperou por alguns minutos.

—Parece que não. Tudo bem, ele deve estar aqui em instantes. Espero.

Respirou fundo, piscou os olhos, olhou para os dois lados, procurando por algo que lhe chamasse a atenção.

A primeira coisa que viu foi o céu estrelado. Gostaria de saber o significado de alguma de suas belas, intrínsecas e enigmáticas constelações. Percorreu o olhar por ali, dando pouca importância aos grandes astros que sempre lhe chamavam mais atenção anteriormente. Desceu o olhar até as nuvens carregadas que existiam mais próximo do horizonte. Ao ver as edificações, reparou que uma se destacava: era uma cúpula, da qual espuntava um cano, como o olho de um inseto cíclope.

Dirigiu-se, a pé, até o construto. Deparou-se com um enorme portão ornamentado de pérolas, ouro, marfim e bronze.

Nas maçanetas existiam pedras de jade. Ao encostá-las, brilhou uma forte luz verde, e o portão se abriu.

Logo depois, um breu azulado, resultando em uma clareira luminosa no centro do enorme salão decorado como Montezuma. De longe via-se uma figura masculina que observava em um aparelho que parecia ser provindo da era vitoriana. A máquina se direcionava até o céu, aonde uma abertura fazia com que este aparato pudesse observar diretamente a volta celeste com uma imensa amplitude.

O rosto, que era sustentado por anéis dourados empilhados ao redor do pescoço, girou-se em direção a Louis.

—Quem te deu permissão de entrar? Suma daqui.

Ergueu seu braço esquerdo para o lado, apontando ao ranger.

A porta se abriu atras, e uma ventania empurrou Louis para o lado de fora, de volta ao Totem. Bateu com um baque

—Argh!

—Louis! Isso é jeito de aparecer? — Sinneus disse. — Aonde você estava?

—Bem... O que foi isso?

—Não importa. Temos uma missão a cumprir. Sabe disso, não? Bom, agora sabe.

—Pera, calma aí... não sei de nada disso! Do que está falando, Syn?

Sinneus era robusto, alto dois metros e meio. Mesmo forte, dava a impressão de ser magro. De seus curtos cabelos vermelhos caiam algumas tiras. Usava uma grossa jaqueta de couro por cima de uma camisa de 1977 do Lakers. Estava ao lado de sua moto do Kaneda, de cor preta.

—Vamos até o Grande Barranco.

—-

O céu ainda estava estrelado. Uma grande e bela lua via-se a brilhar, ainda forte, mesmo que a luz do sol já iluminasse o dia. A noroeste, dois outros astros brilhavam consideravelmente, deixando o panorama com uma cor rosa-esverdeada. Louis, dirigindo seu motociclo pela Estrada Aera ao lado de Sinneus, olhava através do visor de seu capacete para as esferas flutuantes, indagando qual seriam seus nomes.

"Bzzt"

—Atenção, Louis! Estamos quase chegando. Prepare-se!

—Entendido, Capitão!

Ali em volta era já deserto. Os dois já haviam chegado à região mais seca de Io. Conseguiam ver alguns cannyons à distância.

—Chegamos.

Os motociclistas frearam. Estavam em um pequeno vilarejo.

Sinneus tirou seu capacete moicano e desceu de sua bike. Logo em seguida foi a vez de Louis.

—Vamos visitar um rapaz que mora aqui. É uma situação de urgência que precisa de nossa atenção. Você está preparado?

—Pode deixar, treinei bastante durante estes anos e me dediquei muito. Não é agora que vou voltar atras.

—Assim que gosto de ouvir. Se está pronto...

Syn e Louis bateram os punhos, fechando um acordo. Em seguida, andaram em direção à casa de madeira.

Bateram na porta, que não demorou a se abrir.

—Ah, então vocês chegaram... — Quem estava na frente dos heróis era um rapaz alto, musculoso, moreno e de cabelos brancos soltos por cima dos ombros. Usava uma camisa bege com detalhes azuis e dourados. Um bonito colar de prata com um pingente de safira ornava seu pescoço.

—Robel! — Sinneus o saudou. Louis assentiu com a cabeça.

—Olá, capitão! Vamos, entrem. Não temos muito tempo.