Ordem dos Cavaleiros - Parte 2
14 Arco Arcádias - Mary Rockbell
Notas iniciais
O muro não estava próximo de sua queda, no entanto, todos os atiradores estavam assustados ao perceber que estavam lidando com uma espécie considerada lendária devido a sua força física e resistência. Os soldados republicanos ficaram mais confiantes devido às ações de sua tenente, no entanto, Jin percebeu que mostrar uma carta do baralho para o inimigo nunca foi considerado uma boa jogada, devido a isso, ela tomou distância dos atiradores e começou a receber tiros dos canhões, que estavam furiosos, pois os soldados perceberam que aquela mulher estava prestes a quebrar uma grande parte do muro.
— Acho que já está bom – disse Jin, arremessando uma cortina de fumaça para esconder sua presença.
— ATIREM NAQUELA MISERÁVEL! MATEM ELA! – gritou a líder dos atiradores.
— ACABEM COM A RAÇA DELA! LITERALMENTE FALANDO! – gritou um dos atiradores.
— Acho que é minha deixa – sussurrou uma garota, que cravava sua espada no pescoço da comandante dos atiradores.
— COMANDANTE!? – gritou um dos soldados, chamando grande parte da atenção dos atiradores para a posição da sua líder, fazendo com que a garota por trás do ataque estive na mira de vários inimigos.
— Acho que deviam olhar para o outro lado – disse a menina, que demonstrava ser Kyoukai Mayla.
— SOLDADOS! É UMA ARMADILHA! EM QUARDA! – gritou um oficial, no entanto, seus gritos foram em vão junto de sua vida, que havia sido tirada pela espada de Jin Castle.
— MAS O QUÊ? COMO ELA SUBIU ATÉ AQUI????? – questionou um dos soldados.
— Ela saltou! Essa desgraçada não tem limites!? – resmungou um dos soldados.
— Quem sabe – disse Jin, enquanto atacava seus inimigos, focando-se completamente na batalha.
Enquanto Jin e Kyoukai continuavam lutando contra os atiradores, seu exercito estava escalando o muro com o auxilio de lagartos do deserto, que carregaram cerca de oitenta soldados. Os soldados republicanos foram de grande auxilio para derrotar os cem atiradores de Ember, que foram todos derrotados.
— Parece que conseguimos! Foi um bom plano – disse Kyoukai.
— Acho que contra fatos não há argumentos – brincou Jin.
— Talvez... Sobre você ser uma shinobi, como posso dizer, COMO? Não estavam extintos? Você não havia nascido em Noctis? O que você fez pra chegar aqui? – questionou a sacerdotisa, que havia percebido o quão incrível era Jin Castle.
— Acho melhor deixar isso para uma próxima – respondeu Jin, focando novamente na missão.
— Claro! Pode ser – disse Kyoukai, enquanto suspirava para acalmar-se.
— Alias, você está se saindo bem com os lagartos do deserto, mesmo eles sendo de nível de captura 27, talvez tenha descoberto uma profissão – brincou Jin.
— Quem sabe, talvez eu tenha um dom – disse Kyoukai, com um sorriso em seu rosto.
— Bom, acho que agora podemos conversar, certo? White? – questionou Jin, enquanto ficava encostada em uma parede.
— Exato! Vocês realmente foram muito bem! – disse uma mulher, que havia aparecido como uma nuvem ao lado de Jin.
— Mas o quê? – questionou a sacerdotisa.
— Não se preocupem! Estou aqui apenas para ajudá-las a encontrar um desaparecido – respondeu White, movendo-se para o meio dos soldados.
— Desaparecido? Procure você, não temos tempo pra isso – respondeu Kyoukai, focando novamente na batalha atual para a conquista da capital.
— A primavera só deve durar mais uma hora e cinquenta minutos, vocês acham mesmo que conseguem derrotar Kairos, os Jaegers e passar pelos três muros nesse tempo? – questionou White.
— Bom... Acho que o plano foi bom, mas concordo que é impossível fazermos isso contra esses inimigos – respondeu Jin, enquanto levantava-se do chão.
— Jin... Nesse caso, o que sugere? Que eu fique parada esperando uma chance melhor que essa? Nós nem mesmo sabemos se eles destruíram o Shaald da barricada – retrucou a sacerdotisa.
— Kyoukai, o refletor foi destruído, confie nos rebeldes para destruir o segundo muro, Riruzen deve ajudá-los a acabar com aquela aberração – explicou a tenente.
— Vocês estão confiando demais nele, sabem pelo menos o nome verdadeiro dele? Já viram o rosto dele? – questionou Kyoukai.
— Realmente não podemos acreditar fielmente na palavra dele, mas ele já deve ter percebido que é impossível tomar a capital no tempo restante, por isso, faremos nossa parte – respondeu Jin.
— Nossa parte? – perguntou a sacerdotisa.
— Nosso batalhão vai atravessar o primeiro muro, matando os atiradores e atacando o exercito do lado esquerdo de Ember, ajudando o batalhão do Gabriel Constantini, resultando em uma vitória fácil e salvando mais vidas para a batalha de amanhã– respondeu Jin.
— Esse é seu plano? Admito que estou impressionada – disse White.
— Está de acordo, Kyoukai? – perguntou a tenente.
— Mais um dia... Acho que fui otimista em acreditar que conseguiríamos tomar a capital em cinco horas, mesmo despistando a maioria dos inimigos nas montanhas – disse a sacerdotisa.
— O plano deles foi bem bolado, no entanto, é impensável passar pelos três muros de uma cidade imensa como essa, talvez se fosse outro lugar, mas... Infelizmente, a liberdade desse planeta terá que esperar outro dia – disse a tenente, colocando sua mão sobe o ombro da sacerdotisa, tentando consolá-la.
— Existia um espião entre os rebeldes, eu acreditei firmemente que era o meu melhor amigo e isso... Está me corroendo por dentro, quero matá-lo o mais rápido possível para conseguir o perdão do Taunk, ele foi torturado, espancado pelos nossos companheiros pelo meu julgamento precipitado – disse Kyoukai, que demonstrava pela primeira vez insegurança em suas palavras, naquele momento, ela não era uma sacerdotisa, apenas uma garota preocupada com um amigo.
— Eu te prometo, teremos outra chance... Apenas confie em mim – disse Jin.
A sacerdotisa continuava cercada de pensamentos sobre qual decisão, mas as palavras de Jin estavam conseguindo mantê-la confortável, parecendo algo como o conselho de uma irmã mais velha, fazendo com Kyoukai ficasse mais calma naquela situação, no entanto, White não estava interessada em nada além da sua missão.
— Talvez você tenha uma chance – disse White, colocando fones de ouvido, acendendo um cigarro e ativando o modo SpotyMusic em seu comunicador.
— O que quer dizer? – questionou Kyoukai.
— Simples, o cavaleiro de classe prata, Gabriel Constantini, está lutando dentro da cidade contra um Jaeger – respondeu White, com um sorriso em seu rosto.
— Gabriel? Ele é o desaparecido?! – deduziu Jin Castle.
— Exatamente. O plano de Jin é o mais fiel a realidade, mas isso provavelmente não adiantaria em nada, se o batalhão do lado esquerdo estivesse desorganizado sem seu líder – explicou White.
— Isso... Faz sentido, precisamos dele para não diminuir a moral do exercito do lado direito – disse Jin, retirando sua mão do ombro de Kyoukai.
— Entendo... Onde ele está? Eu vou atrás dele – afirmou a sacerdotisa.
— Era ISSO que eu queria ouvir garotinha, está preparada? Terá que pular muito – disse White.
— Consegue encontrá-lo? – perguntou a sacerdotisa, aproximando-se da sacada para saltar dentro da cidade.
— Está me insultando? Sou a melhor rastreadora de toda República, mas talvez não encontre o que busca – disse White, mordendo sua mão.
— Mas o quê? Isso é o que eu estou pensando? – questionou Jin, que reconheceu esse tipo de habilidade quando reparou na quantidade anormal de sangue que saiu após uma única mordida.
— Cala a boca, apenas observe – disse a White, que demonstrava um sorriso assustador e olhos escarlates.
A nova tenente de Fisk, sorridente, criou uma corrente de sangue, que começou a navegar pela cidade atrás de Gabriel, ela era imensa, no entanto, era fina o suficiente para despistar a atenção dos soldados inimigos.
— Você... O que devo fazer agora? – Kyoukai conseguiu perceber que Mary Rockbell mantinha um imenso segredo, mas decidiu ignorar desde que ela a ajudasse a encontrar um Jaeger.
— Simples... Apenas vá pegar – disse White, queimando a corrente de sangue com seu isqueiro, fazendo com que a corrente começasse a se deteriorar rapidamente, no entanto, a sacerdotisa percebeu que tinha pouco tempo e começou a perseguir a fagulha que estava corroendo a corrente.
A sacerdotisa seguia a corrente, saltando entre várias casas, correndo entre becos, desviando de vários tiros de soldados inimigos que atiravam sempre que a encontravam, mas nunca com êxito. A velocidade de Kyoukai era admirável, ela continuava a seguir a fagulha, mesmo que a levasse para lugares totalmente desconhecidos, matando guardas e desaparecendo sempre que encontrada.
— Não se preocupe com isso, ficar pensando demais nesse tipo de coisa não resultará em nada de bom – disse White, enquanto aumentava o som do seu comunicador.
— O que está ouvindo? – perguntou Jin, percebendo os fones nos ouvidos da nova tenente de Fisk.
— Miles Davis, So What, tente escutar, lhe garanto qualidade – respondeu White.
— Nunca pensei que ouviria alguém da sua espécie falando sobre musica e vida, parece que realmente estamos no fim dos tempos – brincou Jin, tentando provocar a tenente.
— Disse uma shinobi que se preocupa com alguém além dela mesma, e prefere continuar como tenente, tendo recebido diversos pedidos para tornar-se general, não sei se isso seria alguma evolução, mas é o que temos pra hoje... Retomando ao foco principal, tenho permissão para liderar seus homens para matar os atiradores e auxiliar o lado direito – retrucou White.
— Nessa situação... Acho que não vai precisar da minha ajuda, certo? – perguntou Jin, voltando ao seu bom humor habitual.
— Bom... Isso dependerá da sua posição, quer seguir minhas ordens? – questionou White.
— Acho que isso é impossível – respondeu Jin, enquanto começava a sorrir ao achar graça da situação.
— Eu já imaginava – disse White, retribuindo o sorriso de Jin com uma pequena risada.
— Nesse caso, vamos lidar com isso – disse Jin, chamando a atenção de seus homens, que ainda estavam perplexos com as habilidades de White.
— Tenente... O que quer que façamos? – perguntou um dos soldados.
— Sigam as ordens dessa mulher, deixo vocês sob os cuidados dela – respondeu Jin, enquanto se preparava para descer do muro.
— Você realmente é muito gentil com eles, sob “meus cuidados”? Vocês vão trabalhar como condenados, ESTEJAM PREPARADOS!!!- gritou White, demonstrando que sua maneira de comandar é diferente da sua antiga líder.
— Bom... Só tentem seguir as ordens dela e matar alguns inimigos – disse Jin.
— Mas tenente... Onde você está indo? – questionou outro soldado.
— Vou encontrar o general, tenho certeza que ele está causando problemas – respondeu Jin.
— Nagato Kisuke, “O Cruel”, ele parece pior do que os humores dizem – disse White, enquanto ascendia outro cigarro.
— Você não faz ideia – concordou Jin, enquanto subia em um lagarto do deserto para descer o muro.
— Imagino. Enfim... Jin Castle, agradeço pelos seus serviços até o momento, lhe garanto que devolverei seu batalhão após o cumprimento de minhas ordens, ou seja, tente não morrer onde eu não possa ver – disse White.
— Não se preocupe, lhe garanto que nos encontraremos novamente... Independente das circunstâncias – disse Jin, despedindo-se de seus homens e descendo o muro para encontrar o general do seu batalhão.
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