Orcs Must Die

2 Garotas e Garotos


Notas iniciais
Mais personagens entram em cena; o tempo avança um pouquinho desde o prólogo e uma batalha de "leve" acontece.

Eles evitavam os grupos que sempre apareciam por ali, geralmente de pessoas que fugiam para "algum lugar seguro"... Como se existisse esse tipo de lugar. Gostavam de onde moravam: um apartamento arrombado em um prédio quase que totalmente destruído. Apesar da situação, o lugar era grande o suficiente para viverem bem e os escombros preveniam qualquer ataque posterior, contanto que tomassem cuidado para não serem vistos. Os recursos eram fartos, se soubessem procurar nos lugares certos, e quando nada mais valesse a pena, pegariam o velho fusca e dariam o fora dali, pra alguma outra região na cola dos ataques dos Goblins.

Pan, a garota, achava irônico como os lugares mais seguros eram aqueles mais próximos dos Goblins. Os quatro sempre sabiam quantos demônios eram e que região atacariam, era fácil monitorar uma multidão que nunca se dispersava, ainda mais sendo jovem, rápido e sabendo como se manter invisível.

O grupo era bem equilibrado, cada um com seu papel para ajudar na sobrevivência dos outros. Rick, o mais novo do quarteto, era responsável por se esgueirar por lugares que os outros não conseguiam passar e era responsabilidade do mais velho, Peter. Daniel, o irmão gêmeo de Pan, vigiava os dois de algum lugar alto o suficiente para lhe dar visão enquanto Pan cuidava do reconhecimento, já que era a mais furtiva.

A rotina era simples: sair antes dos portais se abrirem para recolher alimento e depois que eles se fechassem para recolher qualquer arma ou dispositivo que os Goblins tivessem deixado para trás. No começo a coleção era apenas uma distração para os quatro, até que encontraram uma espécie de granada remota e um peitoral meio deteriorado e perceberam que poderiam usar aquilo a favor deles. A essa altura, quase podiam ser confundidos com os monstros: se tivessem a pele avermelhada com certeza alguém já teria matado algum deles.

A vida, na maior parte do tempo, era boa, mas Pan vivia com medo do dia que eles falhassem: do dia que o Rick ficasse preso ou que o Daniel não conseguisse avisá-los a tempo da chegada de algum grupo de Goblins, que Peter não conseguisse protegê-los ou que ela fosse apanhada. A aflição era constante, mas nunca falava sobre isso com os garotos, sabia que só iria irritar o irmão e assustar o Rick. O melhor a fazer era continuar calada, torcendo para que o pior não acontecesse.

Foi numa manhã como outra qualquer, pouco antes dos portais se abrirem, que eles deram de cara com uma mulher. Uma visão que deixou todos os quatro de boca aberta. Os cabelos batiam muito abaixo da cintura e eram de um ruivo fortíssimo, os olhos verdes brilhantes. Tudo nela chamava a atenção e Pan se pegou pensando como uma pessoa como aquela não se tornava alvo prioritário em um ataque. Só quando ela percebeu os músculos desenhados dos braços e das coxas entendeu que ela realmente deveria sofrer ataques diretos, mas se estava viva era unicamente por esforço próprio.

– O que quatro garotos como vocês fazem perdidos por aqui? – Ela questionou com uma voz carinhosa, um tom que eles já tinham se esquecido que existia. Observou mais um pouco e riu. – Desculpem, vocês com certeza não estão perdidos, vejo que conseguem se virar muito bem. – Olhava diretamente pra a armadura completa que Peter usava. Aproximou-se dele e pôs-se a analisar a ombreira. Peter ficou tão vermelho quanto o cabelo dela. – Incrível como vocês conseguiram uma armadura completa e em tão boas condições. Como conseguiu matar o monstro que o vestia?

– Ele não o matou. – Pan respondeu percebendo que Peter estava embaraçado demais com a presença da mulher para dizer qualquer coisa. – Nós não os enfrentamos, apenas pegamos o que eles deixam no lixo depois de um ataque.

– A Pan sempre encontra as coisas mais legais. – Rick pontuou sorridente. – Ela sempre deixa eu escolher primeiro.

Levantou algo que parecia um estilingue feito de metal. Atirou contra a parede uma pequena bolinha verde que explodiu facilmente com o contato, espalhando uma gosma esverdeada sobre o concreto, que aos poucos se dissolvia.

A mulher pareceu admirada, o que animou ainda mais o garoto.

– Daniel tem um parecido com o meu, mas o dele explode. – Apontou para o garoto ao lado de Pan, que olhava a mulher fascinado.

– Mas quem é você e o que faz aqui? – Pan indagou, perturbada pelo rumo que a conversa tinha tomado.

A mulher estava próxima demais, se quisesse atacá-los poderia muito bem acabar com eles facilmente: o único bom o suficiente em luta corpo a corpo era o Peter e ele estava tão encantado com a mulher quanto seu irmão, duvidava que qualquer um deles fornecesse alguma resistência contra ela.

A estranha andou calmamente até ela sorrindo e colocou uma mão em seu ombro.

– Gostei de você. Escutem... – voltou-se para os outros, ainda com a mão no ombro da garota. – Eu faço parte de um grupo que luta contra esses monstros. Nós temos um acampamento ao sul daqui, soubemos de ataques por essa região e viemos averiguar. Não querem se juntar a nós?

Pan esperou que o encanto nos garotos se quebrasse quando ela fez o convite, o que realmente aconteceu. Peter e Daniel trocaram um olhar por um momento e voltaram-se ao mesmo tempo para a mulher.

– Nós não...

A garota colocou a mão sobre a boca de Peter.

– Poderíamos ver o que vocês fazem antes de darmos nossa resposta?

A mulher sorriu e acenou afirmativamente, então apontou por onde eles tinham acabado de vir.

– Acredito que não exista monstro algum por aquele caminho. – Os garotos confirmaram. – Se eu chamar os meus amigos, vocês poderiam nos mostrar exatamente onde eles aparecem? – Confirmaram mais uma vez. – Muito bem.

Ela puxou uma espécie de chifre do cinto e o soprou, o barulho foi muito mais alto do que esperavam que fosse. O quarteto tapou os ouvidos com as duas mão e se encolheram. A ruiva guardou o chifre novamente e pouco tempo depois, um grupo de pessoas surgiu.

– Bel! O que você encontrou por aqui? – O homem andou até os quatro garotos e parou em frente a eles. – Vejam só, bem preparados! – sorriu ao ver a armadura de Peter que apenas o encarou com desconfiança.

– Eles vão nos mostrar o local dos portais.

O homem concordou e ofereceu a mão a cada um deles.

– Meu nome é Jack. A Bel vocês já conhecem. Ali atrás temos o JB, o Tom, o Marcus, o Gin e a Clara.

Cada um dos integrantes levantou a mão assim que ele disse seus respectivos nomes.

– Eu sou o Rick. – O pequeno apressou-se em se apresentar, pela primeira vez conhecendo um grupo tão grande de pessoas. – Aquela é a Pan. – A garota fez um pequeno gesto com a cabeça em direção ao outro grupo, que retribuiu. – Esses são o Peter e o Daniel.

– Então parece que você é o líder deles, hein? – Jack sorriu para o garoto.

Rick riu divertido, mas apontou para o Daniel.

– O Daniel é que é o nosso líder. Ele é muito inteligente.

Jack observou o garoto atentamente, chamou JB e os apresentou.

– Você tem uma arma boa aí. – JB comentou.

– Eu trocaria esse rifle se fosse você. – Daniel disse pela primeira vez, apontando para o que era para ser um rifle, montado com partes estranhas e aparentemente de armas diferentes.

JB sorriu e sussurrou para que apenas ele pudesse ouvir.

– O último que deu palpite no que eu deveria fazer ou não, morreu com um tiro desse "rifle" na testa. – Afastou-se como se tivesse contado alguma piada muito boa.

– O JB é nosso atirador de elite, o mais próximo que temos de um sniper. Vejo que você também tem gosto por armas de longo alcance, se quiser ele pode te ensinar uma coisa ou duas. – Jack disse, batendo nas costas de Daniel, aparentemente sem ter ouvido nada. – Mas antes, por que não nos mostram onde os safados vão aparecer?

Os garotos olharam para Pan.

– Nós seguimos uma certa rotina – explicou para o outro grupo. – Não gostamos de nos aproximar do local antes que eles surjam: eles não seguem um horário, às vezes aparecem logo depois do meio dia, outras, quase no final da tarde. Eu posso guiá-los por uma parte do caminho, depois é por conta de vocês.

– Ficaremos observando de um prédio próximo, podemos dar cobertura se as coisas complicarem e vocês precisarem fugir, mas não garantimos nada mais que isso. – Daniel acrescentou.

– Bom, muito bom. – Jack concordou.

A garota os guiou pelas ruas destruídas e pelas montanhas de destroços, dando as instruções que deveriam seguir para chegar até os portais quando os dois grupos se separaram. Então o quarteto seguiu em direção a um prédio baixo de 5 andares e subiram até a cobertura. Daniel tirou sua arma e a montou no parapeito do prédio: parecia com uma besta, mas era muito maior e mais leve. Pan tirou um óculos de metal retorcido com um binóculo acoplado e colocou no rosto, ajoelhando-se do lado de seu irmão, Rick e Peter dividiam uma luneta enquanto Daniel usava a mira de sua própria arma para ver a movimentação do grupo estranho.

O prédio tinha sido construído nos limites do centro comercial da cidade, depois dele só existiam ruas de casas baixas e praças, embora a grande maioria tivesse sido obstruída pelos Goblins durante os ataques. Pan murmurou em desaprovação quando viu o grupo seguir sempre em frente, mesmo que isso significasse escalar paredes parcialmente demolidas ou montes de escombros, deixando-os a vista.

– Não se preocupe, Pan. – Daniel sussurrou para ela e apontou para um ponto na esquerda.

Jack, JB e Clara seguiam calmamente pelo caminho que Pan tinha lhes ensinado, dando a volta pelo quarteirão e seguindo em direção à dois caminhões que tinham batido sabe-se lá há quantos anos. Naquele ponto JB se separou, enquanto Jack e Clara continuavam para a pequena depressão nos limites da região onde os portais abririam. O homem robusto, de quase dois metros de altura, escalou com facilidade os veículos e sentou-se no ponto mais alto, cruzando as pernas e descansando a arma nos joelhos.

– Estranho... – Daniel murmurou.

Peter cutucou Daniel e apontou para o outro grupo composto pela mulher ruiva e os três homens, que tinham parado bem em frente ao terreno aberto onde os Goblins surgiriam. Tom e Marcus ajoelhavam-se por alguns momentos em locais específicos, criando uma linha entre eles e o terreno.

– Bombas? – Peter perguntou.

– Difícil, naquela distância a explosão acabaria acertando todos eles. E olhe, eles estão cruzando a linha...

A ruiva e o outro homem, Gin, adiantaram-se, colocando uma distância de 50 metros entre Tom e Marcus, que continuavam atrás da linha. Gin puxou dois machados que carregava nas costas e que nenhum dos garotos tinha visto, porque estavam escondidos embaixo do enorme cabelo do homem. Bel tirou de um lugar da cintura alguma coisa que eles não conseguiam ver direito; segurava displicentemente com a mão direita enquanto conversava com Gin, que saltava de um pé para o outro e sacudia os braços, provavelmente se aquecendo. Tom e Marcus puxaram, cada um, duas pistolas.

– Eu não acho que eles vão conseguir... Pan, você disse para eles a última contagem que fez? – Rick perguntou preocupado, o rosto de criança pálido, mas sério.

Pan confirmou.

– Contei para o moreno lá. – Apontou para Jack. – Ele só riu.

– São loucos... – Peter murmurou impressionado.

Então surgiu o som de eletricidade e algo deslocando o ar, ocupando seu espaço. Depois os rugidos e som de passos pesados e desorganizados. Os portais apareceram por último, já com Goblins e mais Goblins se empurrando para atravessá-los. Era como se os portais fossem alguma criatura dando a luz ininterruptamente: os bichos eram cuspidos, caiam de costas, perdiam equipamentos, embolavam-se e brigavam para sair de cima uns dos outros, se pisoteavam para sair de perto do portal e da bagunça. Os que já estavam de pé, esperando os outros, finalmente perceberam Bel e Gin parados conversando. Um deles urrou alto o suficiente para os garotos ouvirem de onde estavam. Como se uma força invisível surgisse e tomasse conta dos outros Goblins, todos eles ficaram de pé e correram em direção aos dois humanos.

Jack e Clara começaram a jogar bombas do lado onde estavam, quebrando a formação, mas os Goblins continuavam em sua corrida assassina em direção aos dois humanos. Bel e Gin continuavam pacientemente conversando.

– O que esses dois estão fazen... – Pan começou preocupada, mas não precisou terminar.

Tom e Marcus abriram fogo, cada um de um lado, obrigando a formação de demônios a virar ponta de flecha.

– Os dois vão ser esmagados... – Daniel comentou, esperando que Bel e Gin tentassem lutar com a ponta da formação.

O homem e a mulher apenas atrasavam os Goblins da frente, que eram derrubados e empurrados pelos de trás, que continuavam na marcha louca para chegar até os humanos. Os dois recuavam calculadamente, chegando cada vez mais perto da linha desenhada no chão.

– Mas o que...! – Daniel exclamou.

Pan observou JB sentado em cima do caminhão, ainda na mesma posição, sem fazer nada.

– Como eles esperam derrotar todos eles? Já acabaram as bombas! – A garota gritou para Daniel.

O garoto suava, mas continuava olhando fixamente para o confronto lá embaixo.

– Aqueles dois não carregaram nenhuma vez – murmurou sério.

– Armas dos elites? – Peter perguntou espantado, observando o garoto.

– Com toda a certeza – respondeu.

Os garotos entraram em um silêncio respeitoso, finalmente percebendo que tipo de pessoas eram aquelas.

Bel e Gin finalmente cruzaram a linha e tanto Marcus quanto Tom pararam de atirar subitamente. Os garotos gritaram ao mesmo tempo quando a horda de Goblins alcançou a linha, mas o que chegava ao outro lado eram apenas pedaços de corpos, cortados no mesmo tamanho, com uma precisão cirúrgica.

– O que? – Pan exclamou, encarando o irmão.

Daniel olhou para ela e deu de ombros.

– Não faço a menor ideia do que está acontecendo ali embaixo.

Os Goblins continuaram marchando para o ponto invisível e morrendo. Ou eram muito burros ou apenas não conseguiam parar a tempo quando finalmente conseguiam ver o que estava acontecendo na frente da formação. Tom e Marcus voltaram a atirar, agora ajudados por Bel e Gin, controlando a horda para que não tentasse contornar o que quer que tivessem colocado no chão. Jack e Clara estavam ajoelhados na depressão, apenas observando enquanto os portais aos poucos diminuíam a atividade. JB ainda estava sentado, na mesma posição.

Quando os Goblins pararam de sair dos portais, Jack e Clara correram cada um para um portal. JB finalmente colocou a arma apoiada no caminhão e deitou-se. Daniel voltou a atenção para o casal que corria pelo terreno desprotegido. Clara foi a primeira a chegar em um portal, ajoelhou-se e montou uma espécie de dispositivo no terreno, seguiu para o próximo portal logo depois. Jack fez o mesmo. Eram apenas 3 portais, então os dois se encontraram no portal do meio e ajoelharam-se.

Ainda estavam armando o dispositivo do meio quando os outros dois detonaram. O som da explosão foi abafado pelo barulho de ar preenchendo rapidamente um local vazio. Os Goblins voltaram-se todos em direção aos dois humanos, ainda ajoelhados no único portal ainda aberto. Os quatro que não tinham mais motivo para ficarem parados correram atrás dos Goblins que tinham se voltado para Jack e Clara. Bel e Gin estraçalhavam os Goblins pelas costas. Rick gritou.

– Ela tem um sabre de luz!

Os garotos olharam admirados para a arma que Bel segurava com as duas mão: a coisa estranha que ela segurara displicentemente quando chegaram no terreno era apenas a empunhadura da arma, a lâmina brilhava do mesmo modo que o sabre de Anakin no poster que tinham pendurado no quarto que dividiam.

– Mas ainda prefiro os dois machados daquele cara, você viu aquele movimento?! – Peter gritou excitado, apontando para Gin.

O movimento em questão foi um giro com lançamento do machado bem no centro da testa de um Goblin enquanto decepava um segundo que o atacava. Gin não se preocupou em pegar o segundo machado, segurou com as duas mãos o machado que ainda tinha e investiu furiosamente de encontro a um grupo de Goblins que tinha se voltado para atacar o grupo. Tom e Marcus usavam as armas com cuidado, atingindo apenas os Goblins que não estavam no caminho de Bel e Gin.

Jack e Clara ainda estavam ajoelhados no portal, os Goblins correndo em direção a eles. JB atingia todos os que se aproximavam demais, mas Jack teve que se levantar para defender Clara quando a quantidade de Goblins aumentou.

– Aquele rifle não é rápido o suficiente... – Daniel murmurou, colocando munição em sua arma.

As explosões assustaram tanto os humanos que lutavam quanto os Goblins. No centro do terreno entre Bel e Jack, ocupado unicamente por Goblins que se dividiam entre atacar o grupo que os atacava por trás e correr em direção ao único portal que restava, um mar de fogo tomou conta. Pequenas explosões, tão rápidas que quase poderiam ser tomadas como uma única grande explosão, destruíam os monstros e incendiavam os que estavam próximos.

Daniel voltou a observar o grupo, depois de gastar, em menos de um segundo, 10 de suas munições. Jack olhava para o lugar que sabia que os garotos estavam e levantou o polegar em aprovação. JB continuava atirando, mas não com a mesma frequência, os Goblins já não corriam em direção ao portal.

Jack e Clara correram de volta para a depressão ao mesmo tempo que Bel e os rapazes correram para a linha e depois dela: esconderam-se atrás de uma casa próxima ao terreno.

Essa foi a deixa.

Os Goblins que seguiam o grupo de repente foram puxados em direção ao portal por uma espécie de imã invisível e, quando finalmente chegaram ao centro do terreno, ocorreu a explosão. O mesmo som de eletricidade e ar sendo deslocado, tudo sendo empurrado para fora e então sugado de volta para o centro.

– Implosão? – Daniel perguntou admirado.

Rick levantou-se e saiu correndo escada abaixo. Os três trocaram olhares antes de seguir o garoto. Em pouco tempo estavam no terreno, em frente ao grupo que conversava e examinava os corpos dos Goblins que sobraram.

– Agora vocês sabem porque nós ficamos impressionados com a armadura de seu amigo. – Jack comentou bem humorado, cutucando o corpo despedaçado de um Goblin. – Agradeço a força ali atrás – disse para Daniel, apontado para o lugar onde estava o último portal.

Rick pulava ao redor deles, comentando a luta excitado, dizendo elogios para cada um deles e parando ao lado de Gin.

– Você foi totalmente incrível! O Peter não conseguia parar de olhar pra sua luta!

Peter ficou vermelho e tossiu, tentando disfarçar. Puxou conversa com Bel.

Pan sorria para o grupo, mas voltou a ficar séria quando Tom repetiu o convite de Bel.

– Vão se juntar a nós?

Daniel e Peter trocaram olhares e voltaram-se, ao mesmo tempo, para Pan, que apenas sorriu e deu de ombros.

– Mas só se vocês me explicarem o que foi que enterraram ali. – Daniel respondeu curioso, apontando para a linha no chão.

Tom andou calmamente até lá – Pan pôde perceber que ele era um pouco manco –, ajoelhou-se com cuidado e desenterrou um disco minúsculo, do tamanho da palma da mão. Jogou em direção ao garoto.

– Já viram alguma vez algum demônio elite? – perguntou.

Daniel apanhou o disco e observou com cuidado.

– Sim, suas armas são armas de elite, não são?

Tom confirmou e andou até Daniel. Colocou um braço em volta do ombro do rapaz e apontou um pequeno desenho estranho no disco.

– Isso foi criado por um cientista doido do nosso acampamento com uma das armas que apanhamos de um elite entre os elites.

Os garotos encararam boquiabertos o homem. Tom riu.

– Lançam algum tipo de energia concentrada que corta qualquer coisa, mas é invisível para os humanos e descobrimos que para os Goblins também. – Marcus comentou, retirando os outros discos.

Rick fez um som engraçado com a boca.

– O sabre de luz da Bel é ainda mais legal.

– Sabre de luz? – Bel riu. – Fala disso?

Ela mostrou a arma: a empunhadura era de uma pedra negra e a lâmina era fina e translúcida. A arma estivera o tempo todo em sua cintura, mas se você não soubesse o que estava procurando e onde olhar exatamente não conseguiria enxergá-la.

– Quando os portais explodiram devem ter refletido de algum modo na lâmina de Bel. Imagina que incrível se a Bel tivesse um sabre de luz como o Luke Skywalker. – Jack comentou rindo.

Todos riram, embora Rick permanecesse quieto, se sentindo desapontado.

– Mas é engraçado como você, tão novo, saiba sobre Guerra nas Estrelas. – Jack ajoelhou-se em frente ao menino.

– Guerra nas Estrelas? – O garoto repetiu incerto.

– Nós temos um poster de um tal de Anakin segurando um sabre de luz. Só sabemos que é um sabre de luz, porque estava escrito no poster. – Pan disse, como se desculpasse.

Jack assentiu e levantou-se.

– Vamos embora.

Os garotos viram todos seguirem, sem questionar, o homem. Então eles se olharam e Daniel pigarreou.

– Temos algumas coisas em casa que gostaríamos de pegar.

– Tudo bem, vamos até lá e depois seguiremos para o sul. – Bel sorriu.

Daniel assentiu, meio vermelho e pediu para Pan guiá-los pelo caminho mais rápido para casa. Ela assentiu e pôs-se a caminhar, sendo seguida pelo maior grupo que alguma vez imaginara participar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.