Opposites Love 2
2 Arrependimento
Notas iniciais
Amethyst, não se esqueça de quem você é, do porque lutar, e não se esqueça, principalmente, de amar.
A voz de Rose ecoou em sua mente, repetindo-se como um disco arranhado.
A menor abriu os olhos, um tanto quanto inquieta, porém sentiu-se confortável ao notar a quem pertenciam os braços que agora estavam à sua volta, em um carinhoso abraço.
–O que aconteceu? -Pensou, enquanto as memórias da noite anterior chegavam subitamente. A Gem Púrpura sorriu, ao lembrar-se dos doces lábios da ruiva colados aos seus.
Sentiu uma pontada em seu coração, ainda lembrando-se de sua face, coberta por lágrimas causadas por um outro alguém. Agora, o rosto da menor exibia preocupação e, de certa forma, tristeza ao fitar a outra.
Sutilmente, levantou-se e respirou fundo, inspirando parte da brisa gélida de inverno. Afagou seus longos cabelos platinados e apoiou-se na pequena cerca da sacada, a qual se encontrava escorregadia devido ao frio, apenas para vislumbrar o indescritível nascer do sol. Fitou a outra por cima de seu ombro e notou que a mesma encolhia-se de frio. Relutante, virou-se, dando passos lentos e ritmados em sua direção. Aproximou-se ainda mais da maior, o suficiente para sentir seu doce aroma, e sentou-se ao seu lado. A mais nova deixou escapar um sorriso bobo, do qual ela não conseguiria se livrar tão cedo, e abraçou a ruiva, na tentativa de acolhê-la do frio. A mesma corou, arqueando uma de suas sombrancelhas.
–Parece que alguém se importa comigo, não é? -A Gem nevada brincou, sem mover-se ou abrir os olhos.
As pupilas da menor arregalaram-se, demonstrando surpresa.
–E-Eu não... -A arroxeada gaguejava, envergonhada, soltando a outra quase imediatamente, que divertia-se com a situação.
A Gem Púrpura levantou-se rapidamente e sentou-se ao chão, próxima ao banco, exibindo um semblante corado e, ao mesmo tempo, pensativo, fitando o nada em particular.
–Então... Quem diria que você um dia acordaria cedo. -A ruiva tentou, sem sucesso, quebrar a atmosfera estranha onde se encontravam, falando em um tom de brincadeira.
–Como continuar dormindo após uma noite dessas. -Rebateu, em tom de murmúrio, rindo por nervosismo.
Permaneceram assim por algum tempo, sem dizer uma única palavra sequer, sem trocar olhares ou nem mesmo gesticular algo, até que a menor cedeu.
–O que você estava fazendo à aquela hora da noite, sozinha? -Indagou, de certa forma, preocupada.
–Apenas... Pensando. -Respondeu após alguns segundos de silêncio. -E você? O que fazia acordada?
A mais nova sentiu o coração apertar, dando nada mais do que silêncio como resposta, escondendo o rosto entre as pernas em uma posição semi-fetal.
–Pearl... Me desculpa... Eu não devia ter... -Ditava as palavras em tom de arrependimento.
–Está tudo bem, Amethyst. -A mais velha interrompeu, fitando a mais nova com um olhar acolhedor.
–Não. Eu não devia ter feito aquilo... -A menor continuava. -Você estava frágil, precisava de conforto, e eu me aproveitei disso... Eu só queria fazer você se sentir melhor, eu só...
–Amethyst, eu... -A outra não sabia o que dizer. Notou algumas lágrimas escorrendo pelo rosto da mais nova, que estava escondido entre seus joelhos.
–Eu só... Queria que fosse como antes... -Falava entre soluços, mal conseguindo completar uma frase.
Aquelas palavras fizeram a mais velha congelar, enquanto tentava, em vão, dizer uma alguma coisa. Esfregava as mãos demonstrando desconforto.
Cerrou os olhos por alguns segundo, apenas para ouvir sua respiração entre o silêncio, acalmou seu coração e preparou-se para falar.
If I could begin to be
Half of what you think of me
A menor, instantaneamente, parou de chorar ao ouvir a doce voz da outra.
I could do about anything
I could even learn how to love
Like you
A ruiva não conseguiu segurar suas lágrimas, que escorriam incessantemente por seu rosto. Surpreendeu-se quando notou que a mais nova continuara a cantar.
I aways thought that I might be bad
Now I'm sure that its true
'Cause I think you're so good
And I'm nothing like you
–Amethyst... -A mais velha, não conseguindo conter as lágrimas, ditava as palavras com as voz falha. A menor levantou-se e desceu as escadas da sacada num pulo, correndo para longe da casa, com o rosto escondido entre as mãos e com lágrimas escorrendo entre seus dedos. -Amethyst!
A ruiva gritava seu nome em vão, até que sua voz não suportara mais e começara a falhar. Sua vontade era de correr atrás da outra, abraçá-la e nunca mais deixá-la ir, porém não conseguiria juntar forças para fazê-lo. Estava muito abalada com o que acabara de ocorrer.
–Eu não acho que você seja má, Amethyst... -Falou baixinho, para si própria.
Fale com o autor