10/06/2017

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Hoje, assim que coloquei meus pés para dentro do salão, Leo e Guang vieram correndo em minha direção. Eles perguntaram sobre como eu estava e reclamaram por eu ter sumido de repente na semana anterior. Desculpei-me, sabendo que eu realmente agi mal, ainda mais quando eles ficaram comigo durante minha crise de ansiedade até que eu fosse levado pela doutora. Eles então pediram meu número de celular, para que pudéssemos nos comunicar nos outros dias da semana, e para que situações estressantes como aquela não se repetissem. Devo admitir que fiquei meio feliz com o pedido deles; é como se fôssemos amigos mesmo, e não apenas colegas que se encontram de vez em quando e que eram obrigados a interagir.

Assim que entramos no salão, percebemos que a doutora Minako terminava de ajeitar as coisas para dar início à atividade. Victor de repente apareceu do meu lado e não consegui impedir meu coração de dar um pequeno salto, apesar de ter passado a semana inteira tentando o convencer de que eu não deveria confundir carência com atração. Eu não gostava de Victor, ou de seus sorrisos gentis, ou do tom agradável de sua voz. O que eu gostava era da ideia de ter uma companhia carinhosa, que acabaria com o futuro solitário que eu tanto temia. Enfim, depois de cumprimentar Victor rapidamente, voltei minha atenção de volta à psiquiatra, que havia começado a explicação.

O nome da atividade de hoje era “Fear in a hat”. Ela nos entregou papéis com a frase “Neste grupo, o que eu mais tenho medo é…” impressa e canetas esferográficas. Depois de todos terem escrito seus respectivos medos, colocamos os papéis dentro de um chapéu, de onde um a um nós pegaríamos um aleatoriamente, leríamos em voz alta e então comentaríamos sobre o medo da pessoa. Depois de anotar “criar expectativas” em meu próprio pedaço de papel, esperei até que todos tivessem feito o mesmo. O meu medo era bem específico, por isso, quem me sorteou não teve problemas em explicar o que eu sentia. Eu, por outro lado, não tive a mesma sorte. “Me afogar”. Tive que pensar por uns bons segundos no significado daquilo, já que o sentido literal não me parecia ser o certo. No fim, falei que a pessoa provavelmente tinha medo de cair para o fundo do poço e perder-se em meio a uma escuridão criada pelos próprios sentimentos negativos. Todos ficaram bem surpresos com a minha escolha de palavra, mas então lembraram que eu era um escritor e a surpresa se dissipou. Menos Victor, que parecia verdadeiramente estupefato com o que eu havia falado. Tentei ignorar seus olhos, que se fixaram em mim até que o intervalo fosse anunciado, quando pude enfim fugir para o banheiro, onde fiquei até que a “roda de conversa” começasse.

Como esperado, Victor havia sumido quando retornei ao grupo. Ele sempre sumia. Mas pelo menos isso significava que eu não teria que vê-lo tão cedo, o que era bom. Sentei junto de Leo e, estranhando a súbita ausência de Guang, perguntei por ele. Aparentemente ele teve que se retirar mais cedo por causa da mãe, que estava passando mal. Pensei em mandar uma mensagem para ele mais tarde, mas então percebi que eu seria nada além de um intrometido fazendo isso. A roda se iniciou e, sentindo-me confortável o suficiente, falei sobre como eu andava sentindo coisas que não devia, sentimentos falsos, e que eu não sabia como lidar com eles. Tudo que Minako me disse foi que não existem sentimentos falsos, que tudo é uma questão de como você encara o que sente e a si mesmo. Suas palavras foram suficientes para me deixar pensativo por alguns instantes, mas então percebi que não, não tinha como eu estar atraído pelo Victor.

Na saída, enquanto eu andava até o carro, vi Victor de relance conversando com a doutora. Victor não sorria, Minako parecia preocupada e eu estava curioso com o que estava acontecendo. Mas não era problema meu, então entrei no carro e parti.

Notas finais
Espero que estejam gostando. Odeio fazer isso mas gostaria de pedir por alguns reviews. Não vou falar algo idiota com "se não tiver nenhum comentário não posto mais", mas é frustrante sabe. Até um "adorei, continua" seria maravilhoso. Façam-me uma escritora feliz. Estou precisando, e a vida não tem sido gentil comigo ultimamente. Até semana que vem~