16/12/2017

Já era tarde na noite de ontem quando descobri que teria o meu sábado livre. Por questões de saúde, Minako não pode comparecer ao GAPAD hoje.

Assim que vi a notificação, mandei uma mensagem no grupo do WhattsApp para perguntar aos meus amigos se eles tinham algum plano para o dia seguinte, pois desejava muito ocupar o tempo que eu agora tinha disponível. Ultimamente, ficar em casa aos sábados tem me deixado estranhamente desconfortável; mais até do que eu tenho me sentido em relação ao Leo e ao Guang, de quem tenho escondido o fato de ter recebido uma confissão do Victor. Não me entenda mal, não é que eu não confie neles. Sou, porém, um covarde, e não preciso de mais ninguém além do Phichit me dizendo o óbvio. Eu sei que fiz besteira. Sei que preciso me confessar. Eu realmente sei.

De qualquer forma, acabei com a companhia de nenhum deles. Leo e Guang já haviam marcado de ir em um encontro, e Phichit se recusou a sair comigo para qualquer lugar alegando que eu tinha algo mais importante para fazer: ir visitar Victor no serviço.

Sem mais nada para fazer, decidi ir; até porque ficar em casa apenas faria eu pensar ainda mais no Victor do que já penso, e pensar também no quão idiota eu fui na semana passada.

Só quando cheguei na lanchonete, porém, é que lembrei que Victor trabalhava mais para o final da tarde.

Sentei-me numa das mesas e aguardei, observando com curiosidade a decoração refinada do local. Haviam toalhas bordadas cobrindo todas as mesas, além de quadros decorando as paredes. As cadeiras eram confortáveis e havia um delicioso aroma tomando conta do lugar. Não havia, porém, nenhum cliente além de mim, e isso fazia com que eu me preocupasse com minha carteira…

“O que vai querer?” Quando dei por mim, um garçom estava ao meu lado, com um sorriso educado nos lábios rosados. Ele tinha os cabelos loiros curtos penteados para trás e vestia um uniforme escuro. Algo nele me chamou a atenção, e tive imediatamente a impressão de que sabia quem ele era.

“Chris?” Falei, sem sequer pensar direito. Os olhos do homem se arregalaram e ele parecia confuso sobre como eu poderia saber o seu nome. Senti que o devia uma explicação. “Victor me falou de você.”

As expressões em seu rosto se tornaram mais joviais e menos rígidas, ao que ele relaxava consideravelmente. “Yuri?” Ele disse, apontando em minha direção e sorrindo. Ele parecia bastante feliz. “Você é o Yuri, não? Sou Christophe. Muito prazer!”

Ele buscou um pouco de café, sentou-se comigo e começamos a conversar. Fiquei surpreso (e embaraçado) ao descobrir que Victor falava tanto de mim, e apenas coisas boas. Comecei então a me sentir para baixo, as recordações da semana passada assombrando-me.

Victor não merecia ter passado pelo que passou. Na verdade, nem tinha porque aquilo ter acontecido. Por que é tão difícil para mim dizer que o amo? Do que eu tenho tanto medo?

Chris, que estava sentado em minha frente, mostrou-se perceptivo, pois não tive nem que abrir a boca para ele dar-se conta de que algo me incomodava. Ele me perguntou o que havia acontecido e eu estava prestes a contar tudo para ele quando me impedi, recobrando a razão. Se eles eram tão próximos quanto pareciam ser, e certamente o eram, Chris sem dúvidas sabia que Victor gostava de mim e que havia se confessado; logo, ele também saberia que eu o rejeitei (mesmo que por acidente).

Enquanto eu tentava descobrir como me livrar daquela situação, Chris me observava atentamente, suas expressões sérias e pensativas.

“Você na verdade gosta dele, não é?” Ele perguntou, apesar de ele não parecer ter qualquer dúvida. Pego de surpresa, tudo que consegui fazer foi corar e olhar timidamente para a minha xícara de café frio. Ele sorriu, satisfeito.

Chris então me perguntou porque eu havia dispensado o Victor se os nossos sentimentos eram recíprocos. Ciente de que não havia mais razão para mentiras àquela altura do campeonato, falei que nem mesmo eu entendia o porquê. As palavras não saíram, eu estava nervoso, entrei em choque… Contei-o tudo, e ele escutou cada palavra atentamente. Por fim, Chris disse que eu devia parar de pensar no passado e focar no futuro, pois o que já foi ficou para trás e há agora um mar de possibilidades daqui para frente. “Se daquela vez você não foi capaz, tente de novo, e de novo, quantas vezes forem necessárias.” Seu conselho pareceu válido, então decidi levá-lo em consideração.

Pouco depois Victor chegou, seus olhos arregalando surpresos ao que me viram sentado junto ao Chris, tomando café sossegadamente. Ele corou e me encarou, aparentemente incerto sobre o que fazer. Acenei em sua direção e sorri, tentando, como Chris sugeriu, deixar o passado para trás.

A fim de nos deixar um pouco a sós, Chris falou que ia buscar alguns doces para eu experimentar e, apesar de eu dizer que não precisava, ele insistiu e que disse que seria por conta da casa. “Apenas traga uns amigos da próxima vez”, ele picou sugestivamente antes de sumir atrás de uma porta.

Victor se sentou comigo e perguntou como eu estava, nitidamente nervoso. Seu nervosismo, claro, contagiou-me. Não desejando cair em um silêncio desconfortável, perguntei como havia sido a sua primeira semana no novo emprego. Victor contou, animado, de sua experiência. “Uma pena que o lugar não é muito conhecido.”

Enquanto ele compartilhava de uma história que havia acontecido na quarta passada, Chris voltou a se juntar a nós, mas dessa vez veio acompanhando de uma fatia de bolo e de um rapaz alto, de cabelos castanhos medianamente compridos, que ele me informou ser o seu namorado. “O melhor cozinheiro da cidade,” Chris disse enquanto beijava o homem no rosto. Ele, por sua vez, ruborizou, seu rosto sendo rapidamente tomado por um vívido escarlate.

Assim que Chris largou o prato na minha frente, não pude deixar de ficar admirado. Se o bolo fosse tão gostoso quanto bonito, seria perfeito. Eu estava prestes a garfar um pedaço quando Victor me impediu. Ele pediu para que eu aguardasse por um momento, apanhou o celular e fotografou o prato. Chris perguntou, impaciente, até quando ele ia continuar fazendo isso. Victor, porém, não parecia ter ouvido as reclamações de seu chefe e amigo, pois estava ocupado demais digitando. Imediatamente perguntei para quem ele estava mandando a foto, pois, da última vez que eu o vi agir assim, o destinatário era o Chris. A sua resposta, entretanto, foi inesperada, e me trouxe uma alegria indescritível.

“Você e sua mãe estão trocando fotos de comida?!” Tenho que admitir que estava me divertindo com a situação. Ela era, afinal, engraçada. “Bem, eu tentei mandar um texto uma vez, mas ela me ignorou. As fotos, pelo menos, ela responde, mandando foto do que ela fez em casa. Aparentemente, ela gosta muito de cozinhar.”

Um avanço.

Eu estava verdadeiramente feliz por ele. Minha mão agarrou seu braço e eu estava prestes a levantar e a abraçá-lo quando lembrei que não devia fazer isso, e que isso só complicaria ainda mais as coisas.

Se eu não tivesse sido idiota, se eu o tivesse dito que também o amo... Esquece o abraço, eu poderia beijá-lo nos lábios e aconchegar-me em seu peito enquanto trocamos sussurros gentis. Mas eu sou um grande idiota, então nada disso vai acontecer tão cedo.

Alguns minutos depois, falei que tinha de ir. Victor, desanimado, perguntou se eu não ia pelo menos vê-lo vestindo seu uniforme. Por mais tentadora que a ideia fosse, falei que tinha realmente de ir, mas prometi aparecer novamente, e que, na próxima vez, esperava ser atendido especialmente por ele.

Nos despedimos e eu parti. Meu desejo de dizer a ele meus sentimentos maior que nunca. Lamentavelmente, eu ainda não sabia como pô-los para fora.

Por que a resposta dos meus problemas não podia ser simples e óbvia?

Notas finais
Oi, mundo. Desculpe pelo update atrasado. Eu até tentei terminar de fazer as coisa ontem, mas eu tava super mal (ainda estou, actually) porque passei por um procedimento no estômago então é... Muita cólica e ânsia. Por isso, desculpe se tiver algum typo no texto. Eu revisei, mas não estou nas melhores condições. >. Bem, vou parando por aqui porque, como eu disse, estou bem mal. Com sorte semana que vem eu já estou 100%.... Até semana que vem!