30/09/2017

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Desta vez, não me juntei a Guang e Leo para fazermos bolos para o lanche comunitário, e tampouco aceitei o pedido de Victor de ir ensiná-lo a cozinhar; até porque ele ainda não resolveu a questão do emprego, ou sequer veio falar comigo sobre o porquê de tanta demora para tomar uma decisão. Eu entendo que é complicado e que é um enorme passo para alguém que praticamente nunca sai de casa, mas há um limite para quanto tempo se pode deixar alguém esperando. Mas, enfim, já que Phichit veio passar a noite ontem em minha casa, tive uma boa desculpa para recusar o convite de todos.

Falando no Phichit, foi bom vê-lo depois de tanto tempo. Brincamos muito com Vicchan e falamos bastante sobre vários assuntos, apesar do foco acabar sempre voltando ao GAPAD. Ele me perguntou sobre como iam as coisas com Victor, ao que respondi que estava tentando não criar expectativas. A seguir, Phichit balançou a cabeça em reprovação, mas não disse nada, certamente ciente de que uma abordagem direta não funcionaria comigo.

Desejando mudar de assunto, comentei sobre Guang e Leo, e de como eu achava que talvez eles estivessem saindo. Depois de considerar a possibilidade por algum tempo, ele disse que não sabia se era o caso, mas que adoraria descobrir. Comentamos então sobre como Leo às vezes corava quando Guang sorria um pouco mais largamente que o normal, e de como Guang sempre olhava na direção do Leo com olhos encantados quando o outro não estava vendo. No final, concluímos que eles combinavam e que seria legal se nossa suspeita fosse verdadeira.

Quando foi hora de sair para o GAPAD, Phichit acabou me acompanhando, ajudando-me a carregar os refrigerantes que eu levava para o lanche comunitário. Fomos de ônibus, o que não sei ter sido possível devido ao fato da minha mãe ter finalmente cedido ao meu pedido de independência ou se foi apenas por causa da presença de Phichit. Depois de deixarmos os refrigerantes sobre a mesa ao fundo do salão, fui com ele ao portão a fim de me despedir e agradecer pela companhia, mas então Minako apareceu e, descobrindo que Phichit era um de meus amigos próximos e que ele gostava muito da área da psicologia, convidou-o a ficar.

A palestra já estava para começar quando nos juntamos a Leo, Guang e Victor, que estavam sentados em meio a cadeiras vazias. Leo e Guang ficaram surpresos ao verem o visitante inesperado, mas foi Victor quem Phichit cumprimentou primeiro. “Um prazer enfim conhecê-lo.”, ele disse, enquanto apertava a mão de Victor. O ênfase e as implicações que ele tentava trazer à tona foram totalmente desnecessárias, e eu farei questão de comentar sobre meu desconforto quando falar com ele novamente. Victor, porém, não pareceu perceber a conotação por detrás do tom provocativo de Phichit (ainda bem).

Minako então se pôs a frente do grupo, pronta para iniciar a palestra sobre os recentes estudos sobre música e relaxamento, e todos se silenciaram.

Quando uma pausa foi enfim decretada, Guang e Leo anunciaram que iam ao banheiro e partiram. Imediatamente, Phichit virou em minha direção e perguntou se eu havia chegado a alguma conclusão se eles estavam ou não saindo. Balancei a cabeça, dizendo que não. Victor, que estava sentado ao meu lado, perguntou se estávamos investigando os dois, o sorriso em seus lábios o de alguém que estava se divertindo com o que ouvia. Sem pensar duas vezes, Phichit respondeu que era claro que sim, porque, se duas pessoas gostam uma da outra, é natural você desejar que elas fiquem juntas, e então ele complementou dizendo “Se uma pessoa tem um crush num amigo, você não se vê torcendo para que o sentimento seja recíproco?”. Fiquei horrorizado com o quão direto ele estava sendo e a certeza de que eu tinha que conversar com ele depois da reunião só crescia. Ainda alheio às verdades por trás das palavras de Phichit, Victor apenas respondeu com um sincero “acho que sim”. Quando Leo e Guang retornaram, eles perguntaram sobre o que falávamos e Phichit riu brevemente, dizendo que nada de especial, e o assunto morreu ali, para o meu alívio.

Durante a segunda parte da palestra vi-me disperso, atento mais ao Guang e ao Leo do que às palavras que Minako proferia. Minha curiosidade falava mais alto. Em certo instante, pensei ter visto Guang segurar a mão de Leo, mas então ele notou que eu olhava em sua direção e, corado, repousou as mãos sobre as pernas. Senti-me culpado e, pela primeira vez, questionei se o que eu fazia era certo.

Assim que a palestra acabou, Phichit foi atrás da doutora perguntar se ela podia o mandar o conteúdo da palestra, além de outras coisas que ela achasse interessante, deixando-me sozinho com Victor. Guang havia partido junto de Leo pouco antes, indo em direção às mesas afim de comer alguma coisa, e ele ainda não parecia ter se acalmado.

Eu me perguntava se devia falar com ele mais tarde, mesmo que por mensagem, quando Victor virou em minha direção e perguntou se eu queria me aproximar deles. “Posso ser seu disfarce, se quiser.”, ele sugeriu, piscando sugestivamente.

Pego de surpresa pela oferta inesperada, atrapalhei-me com as palavras na hora de responder, mas então disse que não sabia se era certo, afinal eles nunca fizeram isso comigo. Victor pareceu surpreso e seu sorriso desapareceu, o que me fez pensar se ele teria se chateado por eu ter recusado a sua oferta, além de questionar, de certa forma, a sua moral. A pergunta que se seguiu, porém, foi contra qualquer expectativa que eu tinha criado. “Você gosta de alguém?” Uma interrogação sem sentido saiu dos meus lábios antes que eu pudesse detê-la.

Victor então disse que não esperava por aquilo e encerrou o assunto, virando o rosto e olhando em direção às próprias mãos com feições pensativas. Não tive, porém, chance de perguntar se tinha acontecido alguma coisa, pois Phichit voltou e perguntou se já íamos embora, só depois de ter feito a pergunta notando a tensão que rodeava o homem sentado ao meu lado. “Não que a gente esteja com pressa”, ele tentou se corrigir, mas a reação de Victor foi perguntar como íamos para casa. Quando falei que íamos de ônibus, ele nos ofereceu carona, mas falei que não era necessário. Victor, entretanto, insistiu e logo estávamos dentro do seu carro.

Durante o trajeto a tensão sumiu e tudo estava de volta ao normal. Phichit e Victor conversaram distraidamente o caminho todo, pulando de assunto em assunto. Victor ficou animado ao saber que Phichit e eu éramos tão próximos, mas, ao mesmo tempo, parecia ter uma preocupação por detrás de sua voz calorosa e gentil; entretanto, eu não comentei a respeito.

Como sempre, eu não entendia o que se passava na cabeça de Victor.

Notas finais
Capítulo voltou a ficar grande. Espero que isso anime vocês porque eu definitivamente preciso de mais amor. E não sei bem o que dizer... Só penso em coisas inúteis, ou que pareceriam título de notícia ruim... É. Espero que estejam gostando da história! Até semana que vem!!