Open Your Eyes
2 My New Life Already Sucks.
Notas iniciais
Anne Marie POV
Ao despertar me dei conta de que a dor nas minhas costas era imensa, dormir em um colchão duro no chão nem sempre é fácil. Meu pai e eu havíamos acabado de se mudar, o que eu tinha odiado em certo ponto, não é legal sair da sua cidade natal para ir morar em L.A em uma casa desconhecida, um lugar desconhecido e ainda estudar em uma escola de ricos, sendo que você não é. Mudamos-nos para uma mansão, não, não morávamos dentro da mansão e sim na casa do caseiro, que no caso o meu pai era o novo caseiro, a casa era super simples, porém até mesmo mais aconchegante que a que morávamos em outra cidade, porem ainda não tínhamos todos os moveis, já que tínhamos acabado de se mudar e meu pai ainda iria ver o quanto de dinheiro conseguimos com a venda dos antigos, o que com certeza não seria muito, mas pelo menos tenho certeza que uma cama conseguiria. Dizem que a família que mora aqui é muito rica, e pelo o que vi do lado de fora apenas da mansão eu deduzi que eram realmente muito ricos. Nessa semana eu havia feito uma prova para conseguir uma bolsa no colégio mais requisitado de L.A e ontem a tarde me ligaram anunciando a boa de que eu tinha conseguido, pelo menos com meus estudos meu pai não iria mais ter que se preocupar, eu sempre estudei nos melhores colégios, através de bolsas é claro. Hoje era o primeiro dia de aula, levantei rapidamente, muito cedo para não perder o horário, tomei meu banho, a água era tão quente, a casa de fato era muito boa. Eu não sabia o que vestir, já havia estudado em colégios de ricos, porem esse era o mais alto nível que eu havia entrado, eu tinha medo, medo pelas pessoas não me aceitarem. Coloquei algo que achei que ficaria bom, mas não tão satisfeita fiquei, porem era tudo que tinha, algumas roupas de minha mãe e algumas delas que comprei com meu pequeno salário meio período na outra cidade. Vesti-me (http://24.media.tumblr.com/tumblr_m6swj9XMp21r5kkwzo1_500.png) e sai, meu pai teria que ir ao centro comprar algumas ferramentas e ia me levar em sua caminhonete. Ele ainda estava lá dentro, eu havia realmente acordado bem antes do horário, avistei de longe um rapaz fumando no jardim, bem escondido atrás da casa principal. Ele me viu e veio até mim, só podia ser o filho dos patrões.
- Quem é você garota? – perguntou rude me fitando dos pés a cabeça.
- Sou a filha do novo caseiro, Anne Marie. – disse e engoli em seco. Ele era absurdamente lindo, apesar de grosso no primeiro instante, tinha cabelos encaracolados e olhos verdes belos.
- O que faz aqui fora a esta hora? – perguntou e jogou seu cigarro fora. Eu odiava o cheiro, fora que minha alergia sempre atacava por causa dele.
- Só esperando meu pai me levar ao colégio moço. – disse timidamente enquanto ele mantinha os olhos fixos em mim.
- Pensei que fosse a pé com a situação financeira que deve ter. – disse ele soltando um risinho.
- Olha só, eu realmente não tenho dinheiro para comprar um carro para mim como um que com certeza você deve ter, talvez até mais de um, mas eu faço por merecer tudo que eu tenho. Vou-me embora daqui. – disse raivosa e me levantei até sentir sua mão em meu braço, virei para fitá-lo.
- Você se acha não é garota? Lembre-se que você não é ninguém, é invisível e sempre vai ser. – disse grosso e me soltou. Tossiu um pouco e se virou caminhando para a casa principal.
- Acho que invés de ofender as pessoas devia cuidar da sua saúde, estúpido. – gritei e ele nem deu bola. Eu odiava ser mal educada, podia ter crescido com gente simples, mas eu tinha educação e pelo jeito bem mais do que esse riquinho filho dos patrões. Bufei, estava repleta de raiva, o pior era saber que teria que conviver com essas situações sempre acontecendo já que teria que ir para esse colégio que só teria gente grossa e mesquinha como esse garoto. Meu pai então apareceu em minha frente.
- O que aconteceu meu bem? – perguntou-me gentilmente.
- Nada papai, acho que só estou um pouco nervosa com tudo sendo tão novo. – disse e forcei um sorriso. Sabia que ele tinha desconfiado já de minha resposta e iria perguntar mais vezes sobre. Entramos no carro e ele começou a dirigir. Não demoramos muito e ele me deixou na esquina do colégio, talvez fosse até bom não chamar atenção e chegar de mansinho nos passos, ninguém me conhecia. Passei pelos corredores que estavam bem vazios devido ao fato de ter chegado cedo, teria que ir até a recepção pegar o meu horário. Chegando lá o peguei rapidamente e sai em busca da sala que teria aula de Matemática, eu amava, sim é verdade, amava a matéria e seria bom começar assim, já que alguém já havia me aborrecido mais cedo.
- Perdida? – uma delicada voz me perguntou e então eu vi, era uma garota, usava óculos e parecia realmente bem fofa.
- Na verdade, sim. – disse com um sorriso de lado e ela ri de leve.
- Eu te ajudo, qual sua primeira aula? – perguntou gentilmente a garota.
- Matemática. – disse firmemente.
- A minha também, então eu te acompanho, pode ser? – sugeriu e eu assenti.
- Como é seu nome, ainda não sei. – disse cuidadosamente e ela sorriu.
- Me desculpe, meu nome é Elena, pode me chamar de El se quiser. – ela disse com um grande sorriso no rosto.
- O meu é Anne Marie, gosto que me chamem pelos dois mesmo. – disse e então ela pegou em meu braço me guiando até a sala de nossa primeira aula. Pelo menos alguém eu teria com quem conversar, pelo menos até ela descobrir que sou bolsista e poder até me deixar de lado, já estaria acostumada mesmo. Sentamos-nos uma perto da outra, a sala ainda estava vazia, porem faltavam apenas 10 minutos para o sinal.
- Logo todos chegam inclusive as maldosas e os idiotas desse colégio. – murmurou ela.
- Maldosas? Idiotas? – perguntei arqueando as sobrancelhas.
- Sim, logo você verá, é só assistir assim que chegarem. – ela disse e eu dei ombros. Apenas esperei. Faltando 5 minutos começou a entrar pessoas na sala e todos riam e pareciam muito bem vestidos. Até ver duas loiras incrivelmente arrumadas entrando, percebi que os olhares focaram bem nelas e então elas pararam bem na mesa onde eu e El estávamos.
- Então arranjou uma companhia fracassada como você para não ficar sozinha? – uma das loiras disse e eu notei que as pessoas riam nos olhando. Senti-me perdida, e não tinha nem coragem de nos defender, apenas me encolhi como uma animal medroso, diferente de hoje de manha que encarei quem havia me ofendido, com tantas pessoas rindo e nos olhando fixamente só tentei não chorar e ficar quieta para acabar logo isso.
- Vejo que elas não têm nem boca para falarem, assim é melhor. – disse a outra loira e as duas se dirigiram ao fundo da sala enquanto alguns alunos ainda nos olhavam.
- Não ligue, vai ser assim mesmo, se quiser parar de andar comigo eu não me importo. – disse El tristonha.
- Claro que não, sou bolsista, não tenho roupas da moda, estou até em piores situações que você El, acho que seria bom ficarmos juntas. – disse com um leve sorriso e ela retribuiu.
Ouvi algumas risadas altas vindas do corredor e alguns rapazes muito bonitos começaram a entrar, vi que eles então seriam os tais populares desse colégio, tal como as loiras, porque atraiam tantos olhares quanto os delas. Reparei timidamente neles, para que não percebessem, até ver um em especial, o garoto estúpido de olhos incrivelmente lindos e verdes. Estremeci, seria com certeza humilhada pela terceira vez hoje, e olha que o dia mal tinha começado.
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