Notas iniciais
Olá, amores! Me desculpe por não ter postado na semana passada. Meus planos era escrever nas férias inteiras, mas fiquei doente e elas já terminam quarta-feira, então é provável que os capítulos atrasem um pouco. Espero que gostem, boa leitura!

A cozinha estava escura, afinal, estava de madrugada, não tinha motivo para ter alguém lá, mas tinha. A mulher estava sentada na cadeira, uma fileira de diferentes garrafas de whisky a sua frente, ela séria, uma carranca no rosto enquanto vira mais uma em sua boca.

Um sorriso triste se formou em seu rosto quando viu o anel em seu dedo, lembrava-se de quando o ganhou, não fazia muito tempo.

— Como você vai pagar esse lindo anel, querido? — Clara indagou o marido, observando sua joia nova reluzindo em seu dedo, aquilo não havia sido barato.

— Ah, é só aumentar os turnos naquela droga de empresa, amor. — Sorriu para ela, tentando ser convincente. Não foi, Clara não havia entendido a expressão 'droga de empresa' da forma certa e ele também não fez extras, aquilo continuava sendo um segredo para ela. Porém a mulher estava feliz demais com o presente, não queria discutir sobre coisas banais naquele momento.

Clara sabia que o anel era para compensar as traições, era uma forma de Pedro a manter calada, mesmo que ela não fosse dizer nada para não acabar com a família perfeita. Ele achava que dando presentes a ela, a fazia esquecer de tudo, só podia pensar que ela era burra.

Barulhos foram feitos e a porta da sala se abriu, revelando gemidos altos que mesmo no escuro Clara conseguia diferenciar de quem era, e também não podia ser de mais ninguém. A porta foi batida e ela pôde escutar passos, que fizeram a mulher se levantar e ficar observando.

Logo avistou duas silhuetas passando pelo batente da cozinha, a luz foi acesa e Clara se aproximou, cumprimentando seu marido e a amante com um bafo insuportável. O homem a empurrou para trás, tentando passar, imaginando que a mulher se desequilibraria, mas ela se manteu firme.

— O que foi, meu bem? A bonitinha não pode me conhecer? — Perguntou sorrindo ironicamente.

— Sai pra lá, Clara, nós temos mais o que fazer. — Era notável o álcool no hálito do homem, provavelmente a garota com ele estava igualmente bêbada, elas não eram muito diferente nesse quesito.

— Vão lá, então. — A mulher se afastou, indo até uma gaveta, enquanto Pedro cambaleava segurando a moça.

Em pouco tempo, Clara encontrou o que procurava e analisou as facas, girando-as em sua mão. Deu um sorriso perverso e se virou, vendo os dois ainda cambaleando para sair da cozinha.

A faca foi cravada, primeiro nas costas do mais forte, que caiu agonizando. A moça se virou assustada, tentando entender o que havia acontecido, mas antes de notar qualquer coisa, uma faca também foi enfiada nela, em seu peito, a fazendo cair perto de Pedro.

Clara se abaixou na frente dos dois, retirando as facas e as enfiando em lugares diferentes, para ter certeza de que estavam mortos. Arrumou-os um ao lado do outro e se levantou, observou-os uma última vez, apagou a luz e saiu, indo até seu quarto para buscar alguns lençóis.

Melissa acordou assustada, pensou ter ouvido gritos e se sentou na cama, porém se convenceu de que era apenas um pesadelo e deitou novamente, se obrigando a voltar a dormir. Minutos depois, a menina se sentou outra vez, não conseguia dormir e imaginou que fosse sede, então se levantou para ir buscar água.

A menina chegou à cozinha e acendeu a luz, precisava chegar até a geladeira para pegar um pouco d'água. Avistou um lençol jogado ao chão, próximo a ela e ao olhar mais de perto, notou que ele estava encharcado de sangue. No fim dele dava para ver dois pares de pés, um estava com os sapatos de seu pai e o outro com saltos, um grito escapou de sua garganta antes mesmo dela perceber o que estava realmente fazendo.

Ouviu passos atrás de si e sentiu mãos agarrarem seus braços, a fazendo virar ainda mais espantada, era Clara quem a segurava.

— O que foi que você fez?! — A menina gritou, olhando os olhos sombrios da mãe.

— Shh, Melissa. — Ela colocou o dedo na frente da boca da filha, levantando uma garrafa quase vazia e a virando em sua boca. A menina olhou outra vez para o lençol em cima dos corpos.

— Quando você terminar essa garrafa, ele ainda vai estar morto! — Ela gritou, com a voz trêmula.

— Por favor, Melissa, você acha que eu me importo?! — Indagou rude, soltando a menina, sabendo que ela estava paralisada de medo. Deu as costas para ela e mexeu em algumas coisas na pia.

— Você é louca! Completamente louca! — Gritou, quando foi agarrada outra vez e Clara colocou um pano em seu nariz, em seguida ela caiu em seus braços, enquanto a mulher sorria.

Não foi muito fácil para Clara carregar Melissa até seu quarto, mas com um pouco de esforço ela conseguiu. A mulher jogou a menina na cama e a cobriu, pensando no que faria, já que a garota acordaria logo.

A mulher desceu novamente, já estava cansando. Procurou um remédio na cozinha, desviando dos corpos e algum tempo depois voltou para o quarto, Melissa estava se remexendo na cama.

Clara segurou o rosto da menina e começou a despejar o conteúdo do copo na boca da filha, que acordou se debatendo.

— O que você está fazendo? Me solta! — Gritou, sentando assustada.

— Calma, meu amor. É só um xaropinho. — Tentou tranquilizá-la, pensando que havia esquecido do que aconteceu.

— Você está tentando me matar também! — Exclamou.

— Esquece isso, garota. — Disse autoritária.

— Por que você fez isso, hein?! Porque suas cirurgias não o prenderam? Porque não conseguiu fazer ele te amar? — Indagou, mesmo sabendo que esse era um dos motivos.

— Cale a boca! — A mulher começou a se irritar.

— Por quê? Você finalmente está percebendo? — Perguntou, mas não obteve resposta. — Você não percebe? — Gritou. — Nem toda a maquiagem do mundo vai te deixar menos insegura.

— Eu já mandei você calar a boca! — Gritou e segurou o rosto da filha novamente. — Abre essa maldita boca! — A apertou e conseguiu despejar o remédio garganta a baixo, logo ela desmaiaria mais uma vez.

Clara estava nervosa. As palavras de Melissa se repetiam em sua mente e ela sabia que era verdade. Por que havia matado Pedro? Porque apesar de todos os seus esforços, ele continuava a traindo, não importava o que ela fizesse. Ela emagreceu para agradá-lo, fez milhares de cirurgias e não adiantou, ele ainda preferia as outras, preferia buscar mulheres na rua do que ficar com a que tinha em casa, com a que fez de tudo para ficar com ele. Afinal, ele mereceu morrer, não mereceu?

Não, meu Deus! Como Clara era tola, como estava se sentindo tola. O que havia feito? Só agora estava voltando a si e sentia um arrependimento arrebatador. Havia matado o homem que amava, onde estava com a cabeça?

Saiu do quarto e desceu as escadas correndo. Entrou na cozinha desesperada, não precisou procurar, deu de cara com os corpos. Se abaixou e levantou o lençol, seu marido e uma mulher desconhecida estavam embaixo dele, ensanguentados e já sem vida. Colocou as mãos sobre a boca e se levantou trêmula, cambaleando para trás, ela havia mesmo feito aquilo.

Caminhou quase caindo até uma gaveta e tirou de lá mais uma faca. Voltou para perto dos corpos e ergueu a mão, cravando a faca em seu peito. O grito foi estrondoso, porém os únicos que ainda tinham vida naquela casa estavam drogados, portanto ninguém escutou.

Uma lágrima solitária escorreu pelo rosto da mulher e ela desabou no chão. Enquanto ia perdendo os sentidos, a única coisa que passava pela sua cabeça era a frase "não deixe eles verem o que se passa na cozinha.", todo o esforço foi em vão e finalmente o teatro teve fim, a família perfeita foi destruída. Clara se foi, deixando seus filhos deprimidos sozinhos, agora cabia a eles decidir seu próprio futuro, a mamãe não interferiria mais.

Notas finais
Se houver algum erro, me avise e quando estiver pelo computador consertarei. Até mais!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.