Only you

4 Mn... my hero...


POV Link

Eu estava correndo para dentro de Hyrule Castle, por nenhum motivo em principal, mas uma corrida com Navi. Estava tudo muito calmo ultimamente, não havia quase nada para se fazer. Entediante. Poderia acontecer algo, quer dizer, uma coisa mínima. Não era como se eu não estivesse apreciando a paz, era só que morar com Zelda era realmente muito entediante. Até ela admitia que era um pouco chato o jeito que as coisas andavam. Eu gostaria que acontecesse algo bom, eu estava sentindo a falta de alguma coisa. Eu não sabia o que era, mas sentia falta. Eu estava aprofundado em pensamentos. Sem perceber, eu acabei trombando com alguém. A pessoa caiu, porém eu não. Ouvi ela pedindo desculpas, meus olhos se arregalaram.

Um garoto muito parecido comigo estava em baixo de mim, esfregando a cabeça encolhido. Ele pedia desculpas frenéticamente, de olhos fechados. O que ele estava fazendo ali? Ele deveria estar no templo de água! Isso se não estivesse morto. Eu percebi que deveria ajudá-lo a levantar, então peguei na mão dele. Ele abriu os olhos, corando um pouco. Sorri, o ajudando a levantar. Percebi que ele já não estava muito parecido comigo. O rosto tinha detalhes afeminados e era menor que eu, além de mais magro. Ele deveria comer algo logo. Percebi olhares sobre nós, então puxei ele para o castelo sendo seguido por Malon. Não havia percebido que ela estava ali antes, perguntaria a ela sobre isso assim que entrássemos.

-Herói do Tempo! O senhor já voltou? E quem são essa adorável dama e esse cavaleiro. -estava prestes a responder, quando Malon entrou na minha frente.

-Não finja que não nos conhece, se agora a pouco acabou de nos ver, nos tratando rudemente! E ai de você se fizer meu menininho chorar de novo! -eu não entendi muita coisa, mas achei melhor tirar Malon de lá. Comecei a puxá-la até o castelo, enquanto ela protestava.

-Ma-mamãe... está tudo bem... -ouvi minha cópia dizer ao meu lado. Espera. Mamãe?

— Eu perdi alguma coisa importante? -perguntei confuso.

-Ah! -Malon se animou. -É que Dark gosta de me chamar assim. Aliás, Link, esse é Dark Link. — Dark olhou para baixo corando um pouco e sorriu timidamente. -Uma coisa fofa, não é? Eu encontrei ele desmaiado e machucado perto de Lon Lon Ranch. -Malon se aproximou de meu ouvido e sussurrou uma última frase. — Aliás ele não me deixou ver seus ferimentos, veja isso por mim, eu tenho que ir. Ele é importante para mim. -olhei para Dark, que estava ajoelhado brincando com uma borboleta. Deusas, poderia ser tão sério assim? Preocupado, resolvi ver isso.

-Hey, Dark. — Eu chamei, sorrindo. A borboleta estava na ponta de seu nariz, enquanto ele tentava olhar para ela, vesgo. Assim que eu chamei, ela saiu voando e ele olhou para mim. — Vem aqui. -Eu ajoelhei e dei tapinhas no meu colo.

Ele corou, mas veio engatinhando e sentou na minha frente. Eu coloquei minhas mãos em um de seus braços, e desci lentamente, com medo de o machucar. Senti ele estremecer um pouco, meu rosto esquentou. Levantei suas mangas, ele virou o rosto, mas deixou. Meus olhos se arregalaram uma segunda vez. Seu braço estava cheio de cortes e hematomas. Passei a ponta dos dedos levemente, ele estremecia ao meu toque. Eu gostava disso, queria mais... sacudi meus pensamentos, levantando e o ajudando a levantar também. Embora ele disfarçasse bem, podia ver claramente seu tornozelo torcido. Suspirei, passando meus braços em suas costas e pernas. O virei, pegando ele no colo.

— Eu tenho que ir! -Malon saiu correndo, e eu podia jurar que vi sangue saindo de seu nariz.

-O que você está fazendo? — Dark perguntou inocentemente.

— Eu vou cuidar de você. -respondi, entrando no castelo.

Fui direto para meu quarto, desde que o rei havia saído com a princesa para um passeio no jardim. Eu disse, era entediante. Coloquei Dark na cama com cuidado ao extremo. Fiquei por cima dele, mesmo que a posição fosse estranha. Suspirei.

— Olha, Dark, desculpe, isso vai ser... hm... estranho e...

-S-só faça! Eu já estou acostumado. — ele resmungou com o rosto virado.

Levei minhas mãos até o seu cinto, o tirando. Deixei de lado, enquanto puxava sua túnica fora. Observei seu corpo. Eu não conhecia ele direito. Mas, ainda assim, até se eu não quisesse, não podia deixá-lo assim. Estava cheio de hematomas e cicatrizes, mas eu não me importei, e prestei atenção em seu físico. Deusas, me ajudem. Acho que vou morrer. Olhei para seu rosto, lembrando quando nós conhecemos.

Flashback on

Eu entrei na sala, observando. Somente havia uma árvore e duas portas, contando com a que eu entrei. Eu não conseguia entender. As duas portas estavam trancadas e não havia nenhum monstro. Eu me virei, vendo então alguém. Era igual a mim, mas com cores diferentes. Me aproximei, com o escudo levantado. Observei ele imitar meus movimentos. Consegui, porém, acertar alguns golpes. Depois de certo tempo, ele se movia sozinho, mas era muito desajeitado. Tombava para os lados e não consegui manusear a espada. Eu larguei a espada e escudo no chão, indo até ele. Em troca, ele me olhou confuso. Acertei a posição de seus braços, o ajudando. Então, ele copiou meu movimento e largou também as armas no chão. Se aproximou de mim, mas acabou tropeçando.

Ele estava entre as minhas pernas, me olhando no olho. Suas mãos repousavam sobre meu peito, enquanto sua cabeça estava agora na curva de meu pescoço. Sentia sua respiração, me fazendo cócegas. Ele me disse algo que eu nunca iria esquecer.

— Seu cheiro é tão bom...

-Q-quem é... — eu ia perguntar, mas seus lábios foram de encontro aos meus.

Percebi logo que não foi proposital, e sim que ele tropeçou novamente tentando levantar, já que nossas pernas estavam entrelaçadas. Ele se auto-puxou para cima, corando. Levantou-se e correu para a árvore, corando. Eu sorri inconscientemente, indo para a porta que agora estava desbarrada.

Flashback off

Sem perceber, nossos rostos estavam próximos. Nossa relação era tão estranha... mas, ainda assim, eu gostava dela. Eu sabia que poderia fazer qualquer coisa um pouco... vergonhosa, íntima, que ele não se importaria. Isso tornava tudo mais fácil, como por exemplo agora. Essa situação era estranha, mas nenhum de nós dois se importava. Era quase normal. Era normal nós estarmos tão próximos. Era normal nós estarmos nos beijando. Eu já havia percebido muito tempo atrás que aquilo no templo de água não foi por acaso.