Notas iniciais
Enfim, chegamos ao final ;-; Mas estou muito feliz e orgulhosa desse meu conto, que foi uma evolução na minha escrita! Bom, vejo vcs em outras histórias! o/

Eu não sei o que pensar, ou o que dizer, tenho certeza que estou pálida, eu sabia que meus pais não tinham uma boa relação, mas isso... Era surreal! E o pior de tudo, a culpa desse inferno todo, é minha! Sem contar que a minha mãe me usou para se reaproximar do meu pai! Eu me sinto enjoada e enojada, a vontade de sumir é maior que nunca, me levanto e vou para o meu quarto, o meu refúgio.

Não consegui dormir como eu pretendia, também não sumi como queria, a única coisa que estou conseguindo fazer é olhar para o teto, não penso em nada, apenas olho para cima, como se houvesse algo muito interessante escrito ali. A sensação que estou sentindo é horrível, uma mistura de enjoo, raiva e vontade de chorar, tentei fazer as lágrimas saírem, contudo, nenhuma se atreveu a sair dos meus olhos, talvez seja melhor assim, simplesmente deixar como está, se eu for extravasar agora, pode acontecer algo de ruim, eu acho...

Ouço o som da porta da frente, o som grave do salto alto ecoa pela casa até chegar aos meus ouvidos, ela havia chegado, o meu estomago se embrulha com a ideia de ficar no mesmo ambiente que ela...

'Ela só me usou...'

Num súbito surto de raiva, levanto da cama e pego o meu casaco, não vou ficar aqui, me recuso a ouvir a voz dela!

'Será que ela me amou mesmo, como ele disse? Ou seria apenas fingimento para prende-lo a ela?'

Pego a minha mochila e saio do quarto, no momento, o meu refugio não está sendo acolhedor como sempre, está sendo um alimentador dos meus pesadelos. Parto para a rua, sem dizer nenhuma palavra, apenas saio e começo a andar, não tenho um lugar em mente para ir, só sigo caminhando. Perco a noção do tempo, minhas pernas começam a reclamarem de dor, mas não paro, não quero parar, não posso. Continuo andando até chegar em um lugar ao qual não conhecia, mas não me importo, o importante é que eu estou longe de casa, no momento, minha cabeça só se importa com a dor em minhas pernas, vejo um posto de gasolina e decido parar ali e comprar algo para beber; entro no estabelecimento e vou até a geladeira onde encontro água, porém, olhando para baixo, ao lado da geladeira, vi uma prateleira com bebidas alcóolicas, nunca fui de beber, já provei vodka uma vez, quando tinha quinze anos, e achei o gosto horrível, mas no dia de hoje, pode ser exatamente o que eu esteja precisando, pego a garrafa mais barata que tem e vou para o caixa, felizmente ninguém perguntou a minha idade ou pediu documento, então apenas pago, pego a minha bebida e caio fora o mais rápido possível.

Ando até um ponto de ônibus perto dali e sento-me no banco, não irei pegar nenhuma condução entretanto, precisava sentar em algum lugar. Abro a garrafa e a levo para boca, assim que dou o primeiro gole sinto a minha garganta arder como se pegasse fogo, me recupero respirando fundo e dou o segundo e o terceiro gole, alguma hora a sensação ruim de queimação iria ser substituída pela leveza na minha mente, ao menos, essa era a intenção de estar bebendo.

Minha cabeça gira, mas ainda não estou bêbada, apenas alta, com a garrafa ainda em minhas mãos, ando sem saber para onde, avisto o mar e me dou conta de que estou perto de uma praia, perco o equilíbrio algumas vezes mas continuo andando até cair sentada, eu não me importo, ao contrário, aproveito e enfio as minhas mãos na areia e a sinto entre os dedos, fecho os olhos e me deito, quando os abro olho para o céu esperando ver as estrelas, mas está nublado e não aparece quase nenhuma.

"Pra que eu estou vivendo?" Pergunto para mim, mas não encontro uma resposta.

Isso é realmente verdadeiro...? Por que, se for, eu não quero mais isso! Não quero me machucar mais e mais a cada dia, estou cansada, simplesmente cansada de ficar vivendo uma existência vazia! Eu não sinto que tenho um motivo para viver, não encontro um. Quando eu morrer, apenas irei desaparecer, talvez, uma pessoa ou outra lembre de mim e diga um dia "Lembra daquela garota que estudou com a gente? É aquela que morreu!", vou ser apenas a garota que conquistou a morte. Eu não sei se me apego a vida ou se simplesmente deixo de existir, não vejo um motivo para nenhum dos dois, não vejo saída, não vejo opções...

Quero gritar e chorar mas nada sai, nenhum grito, nenhuma lágrima, apenas o silencio prevalece, fecho os olhos e bebo mais um gole da bebida ardente, minha garganta não se incomoda tanto quanto nas primeiras vezes, respiro fundo e fecho os olhos, quero ir para os meus sonhos, e ali ficar, para sempre.

Eu sonho, e sonho outra vez, sei que preciso voltar a realidade, sobretudo, nunca encontro algo para ela, talvez esse 'algo' simplesmente não exista, mas no fundo eu sei que a verdade, é apenas que eu não quero voltar. Por mais que eu tente encontrar uma motivação para viver eu não consigo, literalmente não existe um. Porém acho que encontrei algo, uma coisa que eu prendi e escondi dentre de mim por muito tempo, e agora não consigo mais, a dor.

A dor que eu sinto me impede de encontrar uma razão, tira as cores das coisas ao meu redor, torna tudo mais insuportável e eu não aguento mais viver assim. Não há ninguém para me salvar, e eu não precisava de ninguém para isso no fim das contas. Levanto e o mar parecia mais convidativo do que nunca, dei mais um gole na bebida e deixei a garrafa na areia, meu corpo treme de leve com o ar gélido que a maresia traz mas sinto o meu corpo quente, quase fervendo, por dentro, dou o primeiro passo em direção do mar, meus olhos queimam pelas lágrimas que estão presas...

Segundo passo, ás lágrimas saem marcando o meu rosto...

Terceiro passo, tudo o que eu prendi durante todo esse tempo sai, eu grito, choro, soluço mas não paro até sentir o mar em meus pés, e sem olhar para trás, continuo andando.

"Finalmente a dor passará, não é?"

Notas finais
Mesmo tendo acabado, comentem! Me falem o que acharam da história! Até a próxima, pessoal!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!