Notas iniciais
Heeey pessoas! Ia postar só na segunda mais não aguentei kkkk Ah, lembrando que eu também estou postando no Wattpad ^^ Sem mais... Uma boa leitura e um feliz Natal para todos!

A professora entra na classe, ouço todo aquele discurso sobre educação pela milésima vez, a vontade de sumir fica cada vez maior, ao mesmo tempo em que eu quero gritar "HEY, EU NÃO AGUENTO MAIS VOCÊ!! EU NÃO AGUENTO MAIS NENHUM DE VOCÊS!!", não sei o que me dá, mas eu sinto o nó que havia se formado na minha garganta voltar para o meu estômago e simplesmente desligo, não ouço mais a professora e seus discursos, nem os outros alunos e suas conversas nauseantes, fico no mais completo silencio, olho para o quadro negro e deixo minha mente vagar até a hora do intervalo, onde todos descem e eu fico, para enfim, ter um pouco de sossego real.

Quase hora da saída, conto os minutos... meu estômago dói de forma que parece estar sendo apertado por uma mão de ferro, minha cabeça dói, eu não queria estar aqui, não ligo para essas pessoas, não ligo para as notas deles e nem para as minhas, a única coisa que eu quero é voltar para o meu quarto e tentar recuperar o meu sono arrancado pela desregrada insônia...

Minha cabeça está pesada, meus olhos doem, sinto que vou desmoronar a qualquer momento, assim que entro no meu quarto, relaxo e me jogo na cama, o nó que antes havia descido de volta para o meu estômago voltou e eu começo a chorar e soluçar, me sinto esgotada, sair de casa é um sacrifício, e quando se trata daquele lugar infernal... Não, realmente não tem como me sentir bem lá, me sinto sempre trancada, sendo forçada a ser quem eu não sou, apenas sei que lá era para ser um local onde me incentivariam a explorar meus talentos e habilidades para, um dia coloca-los no mundo, mas é tudo ao contrário! Sinto que cortam minhas asas e ateiam fogo nelas, cada vez que tento algo diferente, que me agrade. Odeio me sentir assim, presa, com mãos e pulsos atados!

Sinto uma mão em minhas costas e me viro, minha mãe está ali, me olhando um pouco perplexa pelo estado em que estou, ela nunca gostou de choros..." O que aconteceu filha, se machucou?" a pergunta sai mais alarmada do que eu acho que ela gostaria de demonstrar "Não mãe, apenas estou cansada, só isso, não quero ir mais para aquele inferno!" ela me olha e solta um dos seus risinhos irônicos, e já sei o que ela dirá a seguir, " Cansada de quê? De ficar jogada ai o dia todo? A única coisa que você tem que fazer é concluir o ensino médio e entrar numa boa faculdade de direito, pare com essa besteira de dizer que está cansada, porque cansada estou EU dessas suas histórias!", "Mas mãe, eu...", tento me justificar, "Nada de mas, se você chora, você se rebaixa e eu não aceitarei isso, entendeu? Você já tem 17 anos! Não é mais uma criança para ficar chorando por mimos! E o assunto se encerra aqui!", e ela saiu do quarto.

Depois do ótimo dialogo mãe e filha, não me senti melhor, tampouco me acalmei, ao contrário, chorei mais, tanto que perdi a respiração por alguns minutos, e depois que voltei a respirar percebi que estava tremendo fortemente mesmo sem estar com frio. Me enrolei nos meus cobertores e me dei o luxo de dormir antes que a insônia chegasse outra vez.

Sou retirada do meu repouso pelo habitual som de batidas na porta, dessa vez pesadas de mais para ser a minha mãe, e agradeço internamente por isso, não queria falar com ela novamente, não por enquanto...

"Sua mãe disse que você está sendo mal criada e agindo como criança.. Quer se explicar?" meu pai pergunta sem rodeios, e sei que isso é só fachada, mesmo se eu tentar explicar, o veredito final será o que ele achar que a minha mãe irá aprovar, é sempre assim, ela fala e ele abaixa a cabeça e a segue. "Não é nada pai, só não quero ir pro colégio, na verdade, não quero e não sinto vontade de sair, me sinto presa lá e...", ele não me deixa terminar, "Não acredito que estou ouvindo isso! Eu e a sua mãe pagamos caro pra você estudar naquele colégio! Eu e sua mãe trabalhamos duro durante o dia para ter dinheiro para ajudar a te sustentar e é assim que você nos retribui? Sua mãe está certa, você está agindo como uma criança mimada, não quero ouvir mais nenhuma palavra, você não tem motivos para agir dessa maneira, te educamos e damos do bom e do melhor, espero não ouvir mais reclamações da sua mãe em relação a suas atitudes!", levantou e saiu do quarto batendo a porta; por mais que eu soubesse que ele iria ignorar o que eu dissesse, não consegui evitar de ficar decepcionada, ele era o meu pai, deveria ao menos tentar me ouvir, é isso que os pais fazem, não é? Lembro-me de uns anos atrás, quando ele ainda não se afundava na empresa para fugir dos problemas aqui de casa, nós passeávamos de carro pela cidade, quando a fome batia, parávamos em algum estabelecimento barato e comíamos porcarias, era algo tão bobo mas agradável, simplesmente por estarmos nós dois, nos divertindo, como pai e filha... Depois que a minha mãe começou a surtar por ser demitida do último emprego que teve, ele quase não para mais em casa, e quando para, eles geralmente discutem.

Sentei na cadeira e observei entre a brecha da cortina, estava nublado e já escurecendo, haviam poucas pessoas na rua, alguns carros passavam, e algumas crianças jogavam bola no campinho, e vendo elas brincarem, mais uma vez me dá saudades da minha infância, me questiono agora, quando a vida parou de ser radiante e convidativa para ficar tão horrenda e sem graça?

Quando criança lembro de querer ser uma grande pintora, ter minhas pinturas expostas em todo mundo, e quando dizia isso para os adultos, eles riam e diziam 'Criança tem cada sonho, não é mesmo?', e eu pensava o porquê de rirem enquanto eu falava sério; só fui descobri a resposta quando fiz 12 anos e me perguntaram qual profissão eu gostaria de seguir depois do colegial e eu dei a minha habitual resposta, 'Quero ser uma pintora famosa!', mas daquela vez ninguém riu, meu pai me olhava com um uma mistura de preocupação e seriedade enquanto minha mãe apenas negou com a cabeça e disse que eu já era grande demais para sonhos infantis, que eu deveria ser realista e pensar seriamente no que eu queria para o meu futuro, e quando eu perguntei o motivo de eu não poder seguir com tal sonho, me disseram que 'ser pintora' não iria me dar dinheiro, e por isso, deveria pensar em outras áreas que não fossem na arte, como direito, por exemplo, e no momento seguinte em que eu abri minha boca para dizer que eu não queria construir uma carreira nessa área, meus pais já discutiam em qual faculdade eu entraria...

Ninguém me ouviu.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comentem o que acharam!