Only Parts
1 Sandor
Notas iniciais
Ele estava ali parado há algum tempo, ainda não havia entendido porque tinham o chamado ao pequeno conselho do Rei Joffrey, mas já que tinham o aceitado de volta estava se empenhando em fazer tudo como sempre fez, obedecer sem questionar, em tudo que pudesse ao Rei, Cersei,Tywin e Joffrey eram os únicos na sala, e depois do que parecera uma eternidade, finalmente Tywin Lannister, que agora tinha voltado ao posto de mão do rei, apareceu, sentando-se, se dirigiu a ele, sem rodeios :
—Clegane, temos uma tarefa para você que tenho certeza irá lhe agradar. — disse somente.
Sandor ficou em silêncio, nada poderia vir de bom deles, já sabia, ele era apenas o Cãozinho de Joffrey,o cão adestrado que não questionava, todavia escutou, e foi Cersei que continuou:
—Você tem protegido o reino durante anos,lutou na batalha da água negra-explicou em tom de sarcasmo -e agora temos uma pequena recompensa para você.
Joffrey a interrompeu:
—Minha mãe disse que devo me casar com Margaery Tyrell, e não com uma filha de traidores Starks.- cuspiu as últimas palavras, como se isso fosse a pior coisa com que aquele garoto mimado tivesse se deparado na vida.
Sandor já esperava que deixassem o compromisso real de lado, agora que Ned Stark estava morto, porém não entendia o porquê de discutirem tal coisa com um guarda.
—E o que eu tenho a ver com isso?- aquela conversa com certeza tinha uma causa, e apesar de ainda estar pisando em ovos, com a família Lannister, o cão não tinha estômago para conversas banais.
—Você deve se casar com a garota Stark- Tywin disse como se lhe falasse de como o tempo estava bonito, ignorando sua cara de espanto continuou- deve estar se perguntando o porque disso,e é muito simples, nos comprometemos a entregar a garota, assim que Jaime chegasse em segurança, mas se casássemos ela não precisaríamos cumprir a promessa, e além disso se o jovem lobo morrer, ela será herdeira do norte, e queremos um aliado.
Joffrey sorria como se tivesse dado um baú de ouro a ele.
Clegane pelo contrário não fazia idéia de como responder aquilo.
—Mas porque eu?- arquejou finalmente encontrando as palavras.
—Ora, você foi escudo juramentado por anos, sempre cumprindo as ordens,sem questionar, e um cão não se vira contra seu dono, temos outras opções é claro, porém o que acha que aconteceria se Tyrion, por exemplo, virasse protetor do norte?Meu filho faria outra rebelião, e além do mais assim como não é bom que Joffrey se case com o sangue de traidores, também não é bom para nenhum Lannister, nenhum casamento poderá unir nossas famílias agora.
Por alguns instantes tudo que se ouvia era a respiração dos presentes, tentava organizar as coisas em sua cabeça, acabou se dando conta, que não era uma pergunta que haviam feito, era uma ordem vinda da mão do rei, então assentiu derrotado, e perguntou:
—Ela já sabe?-não que importasse muito o que o passarinho pensaria, tinha tentado salvar ela das garras dos leões, e ela se negara a partir com ele dizendo que estaria salva com Stannis, e aí estava ela sendo dada aos cães por seu antigo pretendente.
—Não, ainda não deve, saberá quando chegar a hora certa- o Leão falou no mesmo tom frio que sempre usava- não queremos que ela tente fugir, temo que esse casamento tenha que ser realizado daqui á dois dias no máximo, pois recebi corvos dizendo que Robb e sua escolta já estão marchando para busca-la -fez uma pausa e continuou- E há mais uma coisa.
“Mais?”Pensou Sandor, ainda não tinha digerido essa história, o passarinho tinha se livrado de Joffrey e agora iria parar em suas mãos, para ela não seria nada tentador.
—Daremos á Sor Gregor Clegane, um lugar na Guarda Real, ele não herdará nada, a Fortaleza Clegane irá para as suas mãos, assim poderá morar lá com sua esposa, talvez precise de alguns homens pois provavelmente, a família de Sansa não aceitará de bom grado esse casamento.
"Eu sabia" pensou enfurecido, nada vinha de graça dessa familia. Era óbvio que Robb Stark iria derrubar os Sete reinos para buscar sua irmã, e o Leão deixava a cargo dele tentar pará-lo.
De súbito percebeu que não aguentava mais, aquela ladainha, da qual não podia fazer nada para impedir.
— Terminaram?- perguntou impaciente, precisava de uma cerveja para clarear suas idéias.
—Pode se retirar, Clegane- Cersei respondeu sorridente
Deu as costas a eles desejando nunca ter voltado,aquelas malditas pessoas somente se importavam com o jogo, o jogo que usava os que não eram poderosos como peças.
Tentou afastar os pensamentos enquanto se dirigia para fora do Castelo,caminhou até chegar a estalagem que sempre bebia, a cerveja era ruim, mas ao menos era barata o suficiente para encher os cornos.
O Local estava lotado, com todo tipo de gente, guardas fora de serviço assim como ele, bêbados e até mendigos, a estalajadeira era uma mulher gorda, e atarracada com cabelos castanhos e sebosos, mas seu olhar transmitia simpatia e ela não conversava com os clientes e isso já tornava Sandor grato.
Pediu uma cerveja que tomou em apenas um gole, pedindo outra a seguir.
— Parece que as coisas não andam boas...- uma voz a suas costas comentou.
Nem precisou virar se para saber que a voz era do odioso Petyr Baelish.
— O que faz aqui? Apenas perturbando meu sossego?- perguntou bruscamente.
— Tenho alguns negócios no local, não pensou que viria aqui apenas para parabeniza-lo por seu casamento?- provocou o homem.
“Ora, todos sabem, menos o passarinho”praguejou mentalmente,ou talvez só aquele homem que era pior que Varys com seus informantes soubesse.
— Espero que seus negócios não tenham a ver comigo, porque não pretendo desperdiçar minha noite conversando com você. -não estava com humor para aquelas conversas cheias de intenções e duplos sentidos.
Petyr Baelish deu um meio sorriso,cheio de malicia.
— Deveria melhorar seus modos, meu caro, Lady Sansa não gostará de um homem turrão e de modos tão brutos.- o pequeno homem sorriu mais ainda.
Não precisava que ninguém dissesse isso á ele, muito menos aquele homem detestável, bebeu o resto da cerveja, e se levantou passando bruscamente por ele,não importava o que dissessem, tinham manipulado seu destino, Sandor queria muito conversar com um certo passarinho.
Fale com o autor