Only One Survivor
19 Capítulo 18
Notas iniciais
Boa leitura a todos e não deixem de comentar no fim ♥
Chace’s POV
Aquilo estava parecendo um pesadelo.
Depois que o presidente encontrou Allan e eu sabotando as imagens da sala de controle e todo o país havia ouvido o que eu dissera e agora estava causando ataques, fui arrastado para um carro. Taparam meus olhos com uma venda e me algemaram. Eu ainda estava fraco por explodir os encanamentos da vizinhança e dar um curto circuito na maior parte do prédio.
Fui jogado na parte de trás e o carro foi chacoalhando o percurso todo, que levou mais ou menos vinte minutos. Dois Pacificadores me tiraram de lá quando paramos. Quando saímos do carro, ouvi uma multidão berrando bem perto, mas não consegui dizer o que estava acontecendo exatamente. Fui puxado com brutalidade por algum lugar e percebi que subíamos uma escada de pedra. Tropecei uma vez no começo e meus joelhos dobraram. Recebi um soco no estômago e fiquei sem ar.
Ouvi os Pacificadores e o próprio presidente rirem, o que me deixou muito mais nervoso. Mas eu não tinha nada a fazer.
Depois de mais dez minutos, entramos em uma sala. Amarraram-me em uma cadeira com correntes e tiraram minha venda. Eu olhei ao redor. A cadeira em que eu estava era fincada ao chão, então sem chances de me mexer. Nos cantos da sala havia dois sofás brancos. Diante de mim, estava uma TV enorme, como a que ficava no andar do prédio dos tributos que iam para os Jogos.
Virei o olhar para os lados e não gostei nada do que vi. Duas mesas pequenas estavam uma de cada lado meu. O conteúdo em cima delas era assustador. Havia facas serrilhadas, seringas de injeção, fios ligados a tomadas e muitos outros objetos que eu não soube identificar.
Meu coração acelerou e eu entendi o que eram.
Instrumentos de tortura.
Tentei libertar os braços das correntes, mas estava bem preso. Fiz uma careta de ódio e Henry Poison andou até ficar do meu lado direito.
— Temos negócios inacabados, imagino eu – ele disse, me encarando. Eu não respondi. – Mas antes acho que deve saber o que estamos fazendo com seus amigos agora.
A tela da televisão se acendeu. A imagem estava dividida em cinco partes, mas era grande o suficiente para que nenhuma ficasse destorcida. Arregalei os olhos ao focalizar duas imagens.
Em uma delas estava Jill, e na outra estava Allan.
Os dois estavam presos, mais ou menos igual a mim.
— Os cinco últimos tributos terão suas mortes por tortura televisionadas. Quem aguentar mais tempo é o vencedor – explicou Henry. – O que achou? – me perguntou.
— Nojento como você – eu respondi.
Ele soltou um risinho e voltou a olhar para a TV. Mesmo não querendo, eu também olhei para ver o que aconteceria. Não prestei atenção nos outros, mas uma garota morreu logo que tudo começou. Depois um garoto.
Jill e Allan tentavam aguentar. Um Pacificador entrou na cela de Allan com um alicate e se aproximou dele. Assim que ele levou o alicate para perto das mãos de Allan eu soube o que ele iria fazer, mas não consegui parar de olhar.
O Pacificador cortou os dedos de Allan um por um. Allan gritou e continuou gritando o tempo todo. Sangue espirrava para todos os lados, manchando a lente da câmera. O Pacificador terminou com os dedos de Allan e saiu da visão da TV. Voltou com uma bacia d’água e colocou os pés do tributo lá dentro. Em seguida colocou um fio dentro da bacia e foi com a ponta até uma tomada.
Houve uma explosão de faíscas na água eletrificada e Allan começou a se contorcer e dessa vez os gritos dele foram perdidos. Alguns segundos depois, ele parou de se debater e o número no canto da tela mudou para 2.
Eu fiquei paralisado. Olhei para a imagem de Jill, sem me importar com o outro tributo.
Ela estava presa em uma caixa de vidro que estava se enchendo de água rapidamente. A água atingiu o topo e Jill prendeu a respiração. Ela tentava se manter parada, mas depois de um minuto bolhas de ar apareceram. Ela se remexeu involuntariamente para respirar e socou o vidro para quebrá-lo.
De repente, o a caixa de vidro estourou sozinha e Jill caiu no chão, tossindo e cuspindo água. Ficou tremendo, ainda caída, até que dois Pacificadores a levantaram e levaram até uma outra câmara. Jogaram-na lá dentro e mexeram em alguns botões. A imagem mostrava o interior, focalizando somente Jill.
As roupas dela começaram a secar e a água no corpo foi substituída por suor. Eu podia ver que a temperatura aumentava abruptamente cada vez mais até Jill gritar.
Ela estava sendo queimada viva.
Finalmente girei a cabeça para o lado para não ter que olhar, mas no mesmo momento um Pacificador me segurou pelo cabelo e voltou minha cabeça para frente. O aperto dele era forte e eu não me mexi de novo. Não adiantaria fechar os olhos.
Assisti aquilo até Jill ir parando de gritar, chorar e se mexer, e simplesmente se encolher e fechar os olhos. Houve um clarão na imagem e ela ficou preta. Desligaram a TV.
O Pacificador me soltou e eu inclinei a cabeça para frente. Senti um ódio e um vazio por ter visto dois dos meus amigos morrerem daquela forma.
— É isso o que acontece – disse Henry, andando até ficar de frente para mim – quando se desrespeita minhas regras.
Ergui novamente a cabeça como um desafio.
— Mas quando se é o símbolo de todo o caos contra meu governo, isso que você acabou de ver é dez vezes pior – Henry completou. – Pode imaginar como será?
Eu não falei nada. Se abrisse a boca, pioraria ainda mais minha situação. É, eu estava com medo daquele maníaco.
— E adivinhe só? – Henry levantou as mãos como se estivesse dando boas notícias. – Isso também será transmitido como mais um aviso para toda a população. – E sorriu.
Henry se voltou para os poucos Pacificadores que estavam na sala.
— Podem começar. Liguem as câmeras.
Um deles obedeceu a última ordem enquanto outro ia até a mesa da direita e pegava uma faca com a lâmina fina e pontuda. Ele a mergulhou em um copo com algum líquido meio amarelado e caminhou em minha direção.
O Pacificador segurou meu queixo firmemente e fez um corte com a faca em meu pescoço. Eu fechei os olhos e cerrei os dentes ao sentir a dor alucinante que talvez fosse veneno.
Torci para que Diana e Sam estivessem bem, porque eu com certeza não conseguiria mais sair daqui.
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