Notas iniciais
Decidi postar esse hoje, então espero que gostem e comentem lá no fim =D
Boa leitura!

Diana's POV

Nós demoramos um dia para sair do distrito. O pai de Sam nos levou no carro, mas nenhum de nós tinha ideia de que o distrito fosse tão grande. Ainda mais cheio de vigia, com Pacificadores em todas as ruas praticamente. E é claro que três semideuses no mesmo lugar não poderia dar totalmente certo.

Eu estava com uma adaga – não era difícil de se encontrar uma -, Sam tinha uma espada e Chace o tridente. Sam levava o mapa de Panem na mochila e fora isso todos tínhamos as mesmas coisas: comida, água, néctar e ambrosia. Nós vestíamos roupas pesadas com capuz como um disfarce. Não adiantou.

Na fronteira dos distritos, fomos parados por Pacificadores.

— Desçam.

As armas estavam bem escondidas no meio das roupas, mas esse não foi o problema. O problema foi a pessoa dos olhos azuis reconhecível de qualquer forma. Os olhos do Pacificador se arregalaram. Felizmente, ele ainda ficou em dúvida, já que estava escuro.

— Qual o seu nome? — perguntou.

— Ryan Sutter – Chace respondeu. O Pacificador olhou para Sam e fez a mesma pergunta. Sam mentiu o sobrenome. Então o Pacificador se voltou para mim.

Droga. O que se diz quando você tem a exata aparência de alguém que supostamente está morto? O Pacificador podia ser bobo, mas não a esse ponto. No momento em que abri a boca para inventar um nome diferente, o outro Pacificador gritou, na frente de Chace:

— Ei! É o filho de Poseidon que está sendo procurado pela Capital!

Isso acarretou uma bagunça. Os outros três Pacificadores foram para perto, e eu vi Chace levando a mão ao tridente. Antes que algo acontecesse, eu berrei:

— Não, não é a mesma pessoa. Você se confundiu.

Todos me encararam. Eles franziram as sobrancelhas, e até Chace e Sam pareceram acreditar.

— Mas...

— Não é a mesma pessoa – eu disse. — Só estamos dando uma volta. Nos deixem passar.

Todos os Pacificadores rapidamente assentiram, constrangidos.

— Claro, claro.

— Podem ir – eles murmuravam. Tiraram alguma coisa de dentro do bolso e apertaram um botão. Os portões se abriram e voltamos para dentro do carro. O pai de Sam nos deixou perto do trilho do trem no que imaginava ser o Distrito 10.

Descemos e vimos as luzes do carro desaparecerem. Fomos para dentro da mata que circundava os trilhos. Como levamos a noite e a manhã toda para fazer o percurso, quando paramos de andar o sol já estava se pondo. Achamos uma clareira e nos encostamos nas árvores para descansar.

Sam tirou o mapa da mochila e começou a pensar.

— Ainda não estamos na Capital – disse depois de um tempo, ainda olhando para baixo. — Devemos estar em uma das florestas do Distrito 10.

— Quanto tempo para chegar lá? — Chace perguntou.

— Não sei – Sam respondeu, franzindo a testa. — Temos que ser discretos e as ruas estão cheias de vigilância. Em circunstâncias normais, andando, eu diria que pelo menos dois dias. E ainda temos que achar o oráculo, além de não estarmos em circunstâncias normais.

Abri a boca para dizer alguma coisa, mas fui interrompida. Como se o mundo gritasse que tudo o que estava e já havia acontecido não fosse suficiente, um silvo ecoou ao nosso redor.

Estremeci. Eu tinha trauma de cobras por causa dos Jogos passados. Por causa dessas coisinhas rastejantes eu não conseguira me defender direito quando fui atacada. Mas algo me dizia que não eram cobras. Pelo menos não como todos as veem.

Pegamos nossas armas e nos levantamos devagar. Chace veio para perto de mim. Eu me senti internamente agradecida apesar de não dizer nada. Tê-lo por perto novamente era uma sensação incrível. Eu sentia muita falta dele no Mundo Inferior. Quem vai para lá não se lembra de sua vida passada, a menos que vá para os Campos Elísios, e eu fui.

Então, naquele dia, eu ouvi vozes. Quero dizer, vozes mesmo, porque mortos não podem sonhar. Não que eu saiba. De qualquer forma, era a voz de minha mãe – Afrodite. Eu não me lembrava de muita coisa com clareza; muitas coisas pareciam apenas borrões desde que eu voltara. Mas ela disse que eu deveria voltar pois tinha que ajudar e seria importante. Eu não entendi na hora. Afrodite insistiu que eu teria uma segunda chance. No segundo seguinte houve um clarão e eu apareci na porta da cozinha de Sam.

Voltando ao presente, o silvo se repetiu.

— Vocêssss não deveriam esssstar aqui – disse uma voz rouca. Um arrepio atravessou minha espinha e eu tive vontade de me encolher, mas continuei imóvel.

Pés caminharam rapidamente para dentro da clareira e as criaturas se tornaram visíveis. Meia dúzia de mulheres metade humanas metade cobras, antigos monstros da mitologia grega. Dracaena.

Nossas armas eram feitas de bronze celestial, até o tridente de Chace, se bem que não tinha o mesmo brilho do metal. Poseidon dera um presente e tanto.

Bem, eu admito que estava congelada pelo medo nessa hora por se tratarem de mulheres meio cobras, mas esperava algo diferente de Sam do que o:

— Corram!

E nós corremos. Apesar de estarmos exaustos, estávamos ainda em menos condições de lutar contra um grupo de monstros. Continuamos dentro da floresta. Subimos uma colina e minhas pernas protestaram. Sam e Chace começaram a escalar uma árvore e eu os segui. Fazia tanto tempo que eu não fazia aquilo que quase caí duas vezes. Chace me ajudou.

Nós paramos, respirando fundo. As dracaena rodearam a árvore, mas não conseguiam subir por causa das garras. Soltaram mais um silvo em nossa direção e foram embora, deixando claro que ainda não tinham desistido. Porque mais um inimigo era tudo o que precisávamos.

Não nos atrevemos a descer, então resolvemos passar a noite ali em cima. Bebemos um pouco da água e comemos tiras de carne. Chace veio até meu galho e se sentou do meu lado. O espaço não era tão grande, mas suficiente. Eu sabia e via nos olhos dele que Chace tinha medo de que eu o deixasse de novo.

Entretanto, ele não tinha perdido o jeito.

— Sabe, seria muito mais confortável se você estivesse em cima de mim.

Eu gargalhei.

— É, seria – concordei, brincando. — Mas hoje não. Sam está aqui.

— Certo. Eu sou paciente. Posso esperar isso acabar e nós dois ficarmos sozinhos.

Ouvimos uma voz resmungar em algum ponto acima de nossas cabeças:

— Vou vomitar em vocês dois se não me deixarem dormir. — Sam. Depois corrigiu: — Na verdade, vou vomitar no Chace. A Diana é legal.

— Ei, eu sou legal – reclamou Chace. — Eu sou incrível.

— É, que nem uma pedra – disse Sam.

— Tudo bem, os dois são demais – eu disse, para deixá-los feliz. — Vamos dormir.

Notas finais
O que acharam? O que pensam que vai acontecer agora? Deixe sua opinião aí embaixo nos comentários :3