Only Need Your Look

6 Capítulo Sexto - The Light In My Life


Notas iniciais
Sabe, enquanto escrevo isso, eu percebo cada vez mais...
A Medusa de Soul Eater não é nem um pouco assustadora. Sabe, magias, maldade, loucura... Ela só queria revolucionar o mundo a seu jeito.

Uma Medusa de verdade, na vida real, que vivemos hoje...

Seria muito pior.
Muito pior MESMO.

Crona acordava de mais uma noite que passara naquele quarto. Os animais já se acostumaram com sua presença e se aproximavam sem medo algum. Aquela figura magra praticamente crescera sendo disciplinada por métodos como esse, não era como se as cobras desconhecessem os hábitos e detalhes da menina. Alguns daqueles bichos se enrolavam nela de um jeito estranho, se metendo entre seus braços e pernas, se enrolando em seu pescoço ou serpenteando pelo seu rosto. Medusa não tinha jogado nem um pão bolorento ou uma água misturada a drogas como ela sempre fazia, e isso alarmava Crona. Mesmo com a mente nublada por aquela pequena parte insana da sua cabeça, a menina tinha medo de morrer. Antes, não se importava com a morte. Antes, seria um grande presente do Acaso. Porque agora, que queria tanto viver, para as pessoas que lhe esperavam do lado de fora daquela prisão, sentia tão próximo o fim de sua vida?

Cada vez mais, não entendia o que acontecia em sua vida. A ordem dos fatos não correspondia a um final feliz, o que a deixava desesperada. Tinha se acostumado as coisas darem certo, no tempo que esteve na casa do Shinigami-kun. Tinha se acostumado a Liz a acordar bem cedinho, quando o cheiro de café pairava no ar, para que fossem entreter Patty e evitar Kid e seus ataques do Transtorno Obsessivo Compulsivo. E também se acostumou ao cantar dos pássaros pela manhã, e o Sol maníaco do céu de Death City. Tinha se acostumado a ser amada de um jeito especial.

XXX

- Medusa-sama... O que é isso?

- As coisas de Crona.

- Espera, o que vai fazer com elas?

Ragnarok perguntou, já praticamente sabendo a resposta. Medusa não escondeu um sorriso cínico, e parou de arrumar aquela mala por um instante, para virar-se e responder ao filho mais velho.

- Vou queimá-las.

- Porque?

- Você faz perguntas demais. Não quer se livrar de Crona? Você não parece ser um irmão afetivo, uhn?

Engoliu em seco a pergunta, deixando Medusa sozinha na sala, arrumando aquela mala tão pequena. Por mais que gostaria de parar Medusa e colocar um pouco de juízo na cabeça daquela mulher louca, ele não tinha esse poder. Medusa tinha mil maneiras de acabar com sua vida — ou acabar com a vida de Crona. Ela poderia se sentar em uma poltrona confortável, e escolher aquela que daria mais prazer ao seu sadismo. Ragnarok amava a irmã. Se pudesse, entregava ela ao Shinigami. Era um cara decente, com trabalho, rico, e gostava dela. Era o suficiente, em frente dessa situação insustentável. Mas depois de tudo que houve, depois de tudo que Medusa sabe... Não sobre apenas Ragnarok, mas sobre coisas sujas no passado de Crona. Ambos estavam acorrentados a Medusa, pois só ela admitiria as infrações ao moral que já haviam cometido no passado.

Não que fosse algum estuprador, e Crona uma assassina de aluguel. Apenas fizeram coisas que fariam com que pessoas da lei nem olhassem em seus olhos mais.

Ragnarok fechou a porta, logo apoiando suas costas nela, e escorregando até o chão. Ouviu o som da porta da frente, se sentindo derrotado.

Não acreditava que estava deixando isso acontecer.

XXX

- Estamos aqui. É o endereço que Chichiue deu. Vamos, Liz, Patty.

Kid se aproximou da porta simples. Com um empurrão, ela já se escancarou, revelando o interior igualmente simples, até rústico. Entrou, tentando não tocar em nada, e sendo seguido. Liz e Patty vinham atrás dele sem nenhum constrangimento, tocando em tudo e analisando. Bom, ambas já foram garotas de rua, então, se acostumaram a entrar em lugares que não eram delas.

- Alguém em casa?

Kid perguntou para a escuridão do corredor, sem obter resposta. Ouviu um gemer, pequeno, e abafado, mas não parecia nem ao menos feminino, pois estava muito distorcido. Uma porta do corredor abriu. Ragnarok saiu devagar, com um olhar incrédulo, um pouco nervoso.

- Só eu. Vocês não estão invadindo?

- Não exatamente. Viemos buscar Crona, e temos direitos legais.

Ragnarok engoliu em seco, e apontou para uma porta no fim do corredor.

- Eu não sei onde está a chave, mas sei que ela está lá.

Agora sim, sabia que estava em apuros.

XXX

Crona ouviu passos no corredor. As cobras se incomodaram e se afastaram ao máximo, praticamente sumindo entre as sombras, entrando em buracos de fuga que só elas conseguiriam entrar. Elas eram realmente talentosas quando se tratava de sumir quando haviam testemunhas, não é mesmo? Enfim. Ela apenas escondeu o rosto entre os braços, se encolhendo, com medo. Por mais fome que tinha, esperava que não fosse Medusa, ou Ragnarok. Ela sempre era alimentada apenas depois de ser... enfim.

Com esses pensamentos melancólicos, o nó de tristeza formou-se em sua garganta, e fechou os olhos, sem se importar se iriam escorrer lágrimas deles. Se ninguém mais se importa, porque ela se importaria?

XXX

Kid se deparou com uma porta de ferro, pesada e grossa. Havia um cadeado ali, mas não parecia muito seguro, e sim apenas de enfeite. Algo com ar de 'se você tentar fugir, existirão coisas piores'. Pegou qualquer coisa pesada, para arrebentar aquele pequeno cadeado. Com facilidade, ele caiu no chão, já aposentado. Lá atrás, Liz e Patty se asseguravam de fazer com que Ragnarok não se envolvesse. Kid suspirou, e empurrou a porta com força.

Engasgou com o ar, quando viu o que havia lá dentro.

Crona estava jogada no chão, com sangue negro escorrendo de feridas expostas graças a rasgos no costumeiro vestido negro. Deitada de um jeito estranho, sua respiração fazia as suas costas subirem e descerem devagar. Logo, entendeu que provavelmente doeria demais se mexer. As marcas no corpo já normalmente fraco, mostravam que havia sofrido violência, durante esse tempo fora da Shikedai. E muita violência. Ela se encolheu com a luz, com medo, mesmo que estivesse de costas. Ao não ouvir a voz maliciosa de Medusa nem os passos fortes de Ragnarok, virou os olhos devagar, e simplesmente ficou estática com o que viu.

Certas experiências de quase morte fazem com que os seres humanos ganhem mais vontade de viver. Um amor pode ter a mesma consequencia, e um amor tão desesperadamente forte como o de Crona era mais que a Salvação. Quando Crona experimentou ambas as situações, pode sentir pelo corpo, uma 'overdose de felicidade'. As lágrimas descendo pelos olhos, as mãos tremendo incontrolávelmente e o coração batendo mais do que o peito aguentava. Tentou se mexer, mas a vontade de levantar não foi suficiente para levantá-la.

Então, sentiu os braços de Kid a envolvendo, a levantando, e gentilmente deixando um beijo em sua testa, fazendo tudo com um rosto pálido, afetado. Não acreditava que alguém teria coragem de fazer esse tipo de coisas com Crona, uma menina doce como ela.

De qualquer maneira, Crona sentiu que tudo ai ficar bem, com dores ou não. E é isso que importa.