Only Could Be You

1 Only Could Be You


Notas iniciais
Only could be you, Kaoru-chan *-* :3 Espero que gostem (e que alguém nesse planeta deixe uma única review, porque minhas oneshots não são lá muito populares). Kissus & Hitachiin Twins <3 Koneko PS: Ahhh, sim, e eu tentei, de alguma forma, escrever um POV dos DOIS gêmeos. Talvez tenha ficado estranho, afinal, ninguém que eu conheça nunca tentou escrever na Primeira Pessoa do Plural o_o'

Only Could Be You

E lá estávamos nós de novo. Isso já estava começando a ficar chato. Entretanto, ver os rostos chorosos e revoltosos das garotas de coração partido por terem sido "enganadas" pelos gêmeos Hitachiin nunca, mas nunca deixava de ser interessante.

Ainda sim, é algo triste para nós dois toda vez que uma garota diz que tanto faz qualquer que seja o irmão, Kaoru ou Hikaru, pois apesar de termos certeza absoluta de que ninguém jamais conseguirá nos reconhecer, uma réstia de esperança talvez espreite lá no fundo.

O sol brilhava oscilante no céu azul sobre o Colégio Ouran, refletindo em nossos cabelos ruivos chamativos enquanto nos sentávamos à beira da janela da classe, observando o ponto em que ela certamente apareceria. Ela, a garota que escrevera uma carta a Kaoru e colocara-a sobre sua mesa. A carta revelava a confissão que ela escondia, seus sentimentos por um de nós dois, e pedia que Kaoru a encontrasse no pátio da escola mais ou menos naquele horário.

– De novo, hein, Kaoru? – Hikaru perguntou enquanto observava a garota morena parada ao lado de um pilar, parecendo nervosa, enquanto esperava.

– Sim, Hikaru.

– Qual o nome dela, mesmo?

– Ela assinou a carta como Sunie. É da segunda fileira – disse o irmão, indicando a carteira da garota na sala de aula.

– Bom, vamos descer e acabar logo com isso – o outro respondeu, levantando-se.

Num minuto estávamos lá embaixo. Kaoru foi para perto da garota e Hikaru escondeu-se atrás de uma árvore.

– Oi, oi – disse Kaoru. Ele fingiria ser Hikaru dessa vez.

– Ah! Olá! – disse Sunie, erguendo os olhos.

– Esperou muito? Desculpe-me.

– Não, não. Não se preocupe!

– Bem, eu li sua carta – disse.

– Ahn, Kaoru-kun, eu... – começou Sunie, enrubescendo.

– Desculpe, mas sou o Hikaru – menti. – Você confundiu nossas mesas.

Ela ofegou de preocupação.

– Ah, nossa! Perdoe-me pelo engano, Hikaru-kun!

– Não tem problema – disse, ainda fingindo ser o irmão. – Mas sabe... Tem algum problema se for comigo?

– Hm? – ela exclamou.

– Porque, bem, eu acho você muito bonita e... Parece que o Kaoru gosta de outra garota – houve uma pequena pausa. – E então? Não?

Ela ficou quieta, encarando-o por longos segundos. Nós sabíamos o que viria a seguir. Ou pelo menos, pensávamos que sabíamos. A garota diria que tudo bem, poderia ser com você, Hikaru-kun, e Kaoru chamaria o verdadeiro Hikaru para juntos darmos um fora em mais uma jovem que não soube nos distinguir um do outro. Isso sempre acontecia, era um ciclo vicioso. Ela então sairia chorando, chamando-nos de egoístas, e voltaríamos a viver nossas vidas normalmente.

Mas não foi bem assim que aconteceu dessa vez.

– Ahnn – ela murmurou, de cabeça baixa. – Hikaru-kun, eu... – Sunie ficou com uma expressão determinada e ergueu os olhos. – Desculpe – disse, arrancando um múrmuro de exclamação de Kaoru. – Desculpe-me, mas não... Não poderia ser com você. Eu gosto mesmo é do Kaoru-kun.

Fiquei parado no lugar, olhando-a enquanto continuava. A expressão era mais que evidente: surpresa. Jamais receberamos essa resposta, menos ainda de uma garota que parecia tão influenciável por uma pegadinha como essas.

– Eu gosto do Kaoru-kun – ela repetiu, corando. – Se ele gosta de uma outra garota... Bem, agradeço por me contar. É uma pena – ela sorriu. – Desculpe-me por ter-me enganado quanto à suas carteiras. E desculpe também por... bem, não poder ser com você.

Abobado, Kaoru observou Sunie correr pelo corredor até sumir de vista. Cerca de um minuto depois de sua partida, Hikaru apareceu ao seu lado, achando aquilo demorado demais. Ficamos parados por um momento até que Hikaru falou.

– Ei, Kaoru? O que houve? Onde ela foi?

Kaoru olhou para o irmão.

– Ela... Hikaru, quando eu perguntei se poderia ser você, ela disse que não – murmurou.

Franzimos o cenho simultaneamente.

– O quê? Que palhaçada é essa? – Hikaru perguntou.

– Ela disse que tinha que ser eu. E foi embora.

– Mas o quê...?

Ficamos parados ali por longos minutos, pensando no que havia acontecido. Será que aquela garota poderia ser diferente? Talvez até pudéssemos cogitar a possibilidade de que ela poderia acertar o jogo “Qual é o Hikaru-kun”? Ou não.

No dia seguinte, Sunie não apareceu no colégio. E depois veio o fim de semana, o que nos deixou ainda mais nervosos. Queríamos conversar com aquela garota, afinal, não eram todas que davam aquela resposta.

Mas quando chegou segunda-feira, ela também não apareceu no colégio. Resolvemos perguntar para uma de suas colegas.

– Ei, com licença – disse Kaoru para duas garotas sentadas na sala. Elas pareceram excepcionalmente surpresas por estarmos nos dirigindo a elas.

– Alguma de vocês sabe por que a Sunie-san não aparece no colégio? – continuou Hikaru.

As garotas se entreolharam, depois, uma delas olhou para nós novamente e respondeu.

– Sunie-chan se mudou... Vocês não souberam?

– Claro que não – sussurrou a outra, parecendo não se importar com a nossa presença. – Eles nunca conversam com ninguém para ficar a par das novidades.

Kaoru franziu o cenho.

– Ahn. Para onde ela se mudou?

As garotas se entreolharam novamente.

– Por que querem saber? – disse a outra.

– Porque... – começou Hikaru. Mas não tínhamos uma boa resposta. Entreolhamo-nos e depois ele se virou. – Vamos, Kaoru.

Kaoru suspirou, mas seguiu o irmão.

– Nunca mais vamos encontrá-la, não é? – perguntou quando já estávamos longe.

– Acho que não.

Ambos paramos de andar, fitando o chão.

– Por que isso...

–... nos incomoda?

A luz do sol começava a enfraquecer, ficando alaranjada e cortando o horizonte. Aquela iluminação parecia deixar nossos cabelos menos chamativos. Não que isso importasse. Ficávamos sempre à espreita, sem que ninguém nos notasse. Fechávamos nossas portas para todos, mas ainda havia pessoas que tentavam inutilmente – ou não – quebrar essa nossa barreira.

Mas nunca ficamos tão intrigados por alguém ter quebrado nossa barreira tão simplesmente e desaparecido de forma tão misteriosa... Tão rápido.

– Vamos brincar do jogo... “Qual é o Hikaru-kun?”! – exclamamos simultaneamente.

As clientes do clube, já delirantes com nossa beleza, sorriram e deram gritinhos, incentivando-nos.

– E quem vencer ganha o quê? – perguntou uma delas.

– Hmmm – dissemos. – Na verdade, não sabemos. Ninguém nunca ganhou esse jogo!

– Ohh! – isso pareceu inflamar mais ainda a vontade de jogar delas.

– Vamos começaaaar! – falamos.

– Não tão rápido – disse uma voz séria atrás de nós. Era Kyouya. – Tem uma cliente que pediu o Kaoru, particularmente. Vocês vão ter que dar um tempo de seus jogos.

– Ahn. Tão em cima da hora? Não ficamos sabendo disso – disse Kaoru.

– Aposto que ela deve ter te subornado, Kyouya-senpai.

Kyouya arrumou os óculos. É claro que tinha.

– Isso não importa – disse ele.

– Onde está a cliente? – perguntamos.

– Logo ali – informou, indicando com a cabeça uma garota morena que sorria enquanto conversava com Haruhi.

Hikaru cutuca Kaoru.

– Ei, ela não é um pouco familiar? – pergunta.

– É, parece... Mas vamos lá. Ela não pode optar por apenas um gêmeo. Se quiser um, precisará dos dois.

– Olá – dissemos quando chegamos perto dela. – Você quem nos designou, não é?

Ela corou e sorriu ao nos ver.

– Sim, fui eu! – exclamou. – Ahn, mas na verdade, só designei o Kaoru-kun.

– Sabemos – dissemos ao mesmo tempo.

– Mas se quiser o Kaoru – disse Hikaru.

– Terá de conversar com o Hikaru também – Kaoru completou.

– Mas eu quero conversar apenas com o Kaoru – rebateu a cliente.

Houve uma pequena pausa silenciosa.

– Bem, se insiste – disse um de nós. – Jogará conosco “Qual é o Hikaru-kun”. Se você acertar, deixamos você conversar só com o Kaoru.

– Mas se errar, não poderá designar nenhum. Vamos pegar nossas boinas – o outro continuou.

Fomos até a poltrona onde tínhamos deixado as boinas e Hikaru comentou:

– Essa garota é insistente, não?

– Sim. Ela está me lembrando... – Kaoru parou, tendo um flash de um acontecimento passado, mas balançou a cabeça e colocou a boina. – Esqueça. Vamos logo. Ela não vai acertar.

– Ninguém nunca acerta – Hikaru retrucou.

Voltamos até onde a garota estava. Agora ela conversava com Haruhi novamente, mas com o cenho franzido. Provavelmente estavam falando sobre nós.

– Bem – disse um de nós.

– Haruhi, sem trapaças, ok? – disse o outro.

– Ah! Não fale como se eu fosse o trapaceiro por aqui!

– Tanto faz – dissemos ao mesmo tempo e então trocamos de lugar a fim de confundir a cliente. – Vamos começar. Quem é o Hikaru-kuun?

Ela olhou de um para o outro, pensativa, enquanto exercíamos nossa apresentação. Ela levou alguns segundos, pensando longamente na resposta. Então mordeu o lábio e suspirou, erguendo o dedo indicador e apontando para um de nós.

– Você é o Hikaru-kun.

As pessoas que estavam ao redor olharam, prestando atenção. Teria ela acertado? Uma pequena brisa passou vinda da janela, balançando nossos cabelos. O silêncio tomou conta do ambiente entre nós três e ficamos sérios ao ouvir a resposta dela. Nossos rostos, entretanto, demonstravam a costumeira decepção de sempre que terminávamos aquele jogo.

– Errado – dissemos em uníssono.

Ela suspirou e baixou o olhar.

– Desculpem – disse. – Até hoje não consigo.

Franzimos o cenho.

– O que quer dizer com “até hoje”? – perguntou Hikaru.

Ela ergueu o rosto novamente.

– Desde que os conheci, sempre foi difícil distinguir vocês. Hoje em dia continua tão difícil quanto antes.

– Desculpe, mas nos conhecemos? – perguntou Kaoru. – Qual seu nome?

Agora era a vez de ela ficar decepcionada.

– Sunie – respondeu.

Soltamos exclamações simultâneas de surpresa, lembrando-nos do que acontecera antes de entrarmos para o Clube de Anfitriões.

– A-Aquela Sunie? – perguntou Kaoru. – De antes do colegial?!

Ela assentiu.

– Bem, não consegui distingui-los, então não posso mais designa-los, certo? É... Eu acho justo – ela sorriu e baixou o olhar. – Bom, eu tenho que ir de qualquer maneira. Foi legal vê-los de novo, Hikaru-kun e Kaoru-kun.

Antes que pudéssemos dizer mais alguma coisa, Sunie fora em direção à porta do clube, a abrira e passara por ela. Um silêncio preencheu nossas mentes a ponto de quase não escutarmos quando Haruhi nos perguntou:

– Ahn. Vocês já a conheciam?

Hikaru olhou para ela.

– Ah, sim, Haruhi. Ela estudou conosco durante algum tempo, mas se mudou.

– Oh, entendo.

Ambos olharam para Kaoru, que estava quieto com o olhar fixo na porta.

– Kaoru? – perguntou Haruhi. – Você está bem?

– Estávamos errados – disse.

– Hã?

Ele se virou e pegou o irmão pelos ombros.

– Estávamos errados, Hikaru! Nós a vimos novamente!

– Ahn. Sim, a vimos – concordou. – E daí?

Ficamos nos encarando por muitos segundos até que Kaoru se virou e saiu correndo em direção à saída.

– Ah! Kaoru! – Hikaru gritou.

– Não vou deixá-la ir embora de novo, Hikaru! – respondeu. – Ela foi a única que respondeu corretamente!

Kaoru bateu a porta da Terceira Sala de Música e saiu correndo. Estava apressado e quando olhou para os lados, não a avistou em lugar algum. Saiu correndo então na direção que imaginara que ela fora.

– Não vou deixar – murmurou consigo próprio. – Que a única pessoa que me deu a resposta que eu queria... Vá embora!

Porque no fim das contas, não era a questão responder certo ou errado. A questão era responder o que queríamos. Ouvir um “não” ao invés de um “tanto faz” era extremamente glorioso se contar que o plano era bolado propositalmente.

Logo, Kaoru viu Sunie caminhando de cabeça baixa num dos corredores vazios de Ouran. Ele correu em direção a ela.

– Sunie-chan! – gritou.

Quando ela se virou, ele já estava próximo. Parou bem em frente à garota, ofegante.

– Sunie-chan – disse. – Você se lembra... Daquela vez em que... Deixou a carta... Numa de nossas mesas?

Ela corou ao se lembrar.

– Sim, Kaoru-kun, mas na verdade eu cometi um engano, coloquei na mesa do Hikaru-kun.

– Aquele que foi falar com você não era o Hikaru – falou. – Era eu.

Ela arregalou os olhos.

– O-O quê? – perguntou. – Então por quê... Por que disse que era o Hikaru?!

– Nós fizemos aquilo para saber se você gostava mesmo de mim. Pois nas últimas vezes em que fizemos aquilo, disseram que podia ser o Hikaru... Ou seja, tanto fazia! Eu precisava saber se com você seria diferente, entenda.

Ela olhou para o lado, pensando.

– Quantas garotas já mandaram recados para vocês desse jeito?

– Hmm. Não me lembro. Algumas.

– Fizeram isso com todas? – ela respondeu ainda sem encará-lo.

– Serei sincero com você... Sim.

– E quantas responderam... que não poderia ser o outro gêmeo? – agora ela olhava para ele.

Kaoru parou de ofegar.

– Apenas uma.

Olharam-se por alguns momentos. O silêncio predominando e o sol de fim-de-tarde atravessando a janela para acariciar os rostos deles.

– Sunie-chan – Kaoru disse. – Você ainda gosta de mim?

Ela assentiu.

– Que outro motivo eu teria para ir até o Clube de Anfitriões, se não para ver você?

Kaoru sorriu.

– Então, acho que não vai se importar.

No momento seguinte, ele se abaixara um pouco e pressionara seus lábios contra os dela, num beijo.

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