Notas iniciais
Oi, obrigada pelos reviews e favoritos! Lembrando que clicar acompanhar a fic é a melhor opção pra não perder atualizações! E por favor, olhem nas notas finais, tem uma enquete e uma pergunta que eu dirijo apenas aos participantes, ok? Bjs e boa leitura!

Haviam se passado seis horas desde que Lucy saíra de Viridian, onde comprara as potions e os revives necessários para seguir adiante. Não havia telefonado pra mãe nem ninguém desde então, mas alugara um quarto no hotel Mr. Mime, para passar a noite. Andou com cautela pelos corredores, subindo as escadas até o quarto. Suspirou aliviada ao trancar a porta. Desabou no chão. Seu cabelo grudava pelo rosto, graças ao suor. Em sua mente, o filme dos acontecimentos anteriores repassava-se, incessante. Seu primeiro dia como treinadora e já havia infringido uma das principais regras dos treinadores, a de nunca, jamais, usar seu Pokémon contra um ser humano desprotegido. E lá estava ela agora, respingos de sangue de Marty cobrindo suas meias, que ela conseguiu disfarçar, dobrando-as. Se encolheu, a cabeça sobre os joelhos, abraçando a si mesma. Numa hora como aquela, chegava mesmo a desejar nunca ter saído de casa, nunca ter pego um pokémon. Mas agora era tarde; Seus pais queriam tanto que ela fosse treinadora e depois de terem feito tantos investimentos nela para isso, sentia que desistir seria uma traição à eles.

Ser uma treinadora. Afinal, o que é um treinador? Nunca tinha parado pra pensar muito nisso. Era estranho, mas quanto mais pensava no assunto, mais percebia o quanto era ignorante. Todos repetiam que coletar pokémons e insígnias, ganhar prêmios, vencer a Elite dos Quatro eram o sonho de toda criança em Kanto. Isso tudo era bom, mas valeria toda a sensação de culpa que sentia ao ver o rosto desfigurado de Marty?

Olhou para a bolsa, procurando a pokébola de Yujin. Chamou-o: Estava igual como antes, os mesmos olhos doces, muito diferente do Pokémon que atacara o menino. Abraçou-o. Pelo menos ainda o tinha com ela.— Não me abandona, Yujin. Por favor.

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Sentia o sol do meio-dia esquentando sua cabeça, bem como o cheiro de grama torrada da rota que levava até a floresta por onde teria que atravessar para chegar ao primeiro ginásio. Caminhando à quase uma hora, Lucy já ouvia os roncos do estômago: Não tivera tempo de tomar bem seu café da manhã, pois mal terminava de comê-lo no restaurante do hotel, uma policial Jenny irrompera pela porta perguntando por um suspeito. De onde estava não pode ver a foto de quem ela procurava, mas não ia ficar pra descobrir; Saiu do lugar antes mesmo que pudessem dizer “Jigglypuff”, o estômago praticamente vazio. Por Arceus, por que não levou a comida junto?

Parou, sentanda numa pedra, à sombra de uma árvore. Após beber uns goles de água do cantil, abriu a mochila retirando a panela elétrica, o arroz e alguns temperos e talheres quando se deu conta:

—Ai, caramba, esqueci! Não tem eletricidade nas rotas!— Disse, atônita, segurando a tomada. Por Arceus, como foi ser tão descuidada? Mas também, como iria adivinhar que de treinadora passaria a ser caçada por policiais robôs que andavam todas parecidas umas com as outras?

Seu estômago reclamava, e sua pele parecia suar debaixo do casaquinho azul que usava. Quando fez um esforço extra para retirá-lo, sentiu a cabeça doer, a visão ficando turva. Procurou no fundo da bolsa, de certo teria umas balas ou qualquer coisa... E nada. Sentou no chão, a cabeça abaixada, tentando passar o desconforto; Para alguém como ela, isso não era nada bom. Do jeito que ia, pararia no hospital e aí, seria fim de jogo. Ameaçou se levantar e voltar à estrada, mas seus joelhos tremeram e teve de se sentar antes que caísse. Deitou no chão. Precisava de um milagre, urgente. Deitada, fechou os olhos e rezou para Jirachi, o Pokémon realizador de desejos, que continuasse a jornada, que não precisasse de um hospital...

Foi então que com o ouvido grudado na terra, ouviu passos. Os olhos semicerrados então viram um par de tênis esportivos e meias cor de rosa com pequenos Marrep bordados. Tentou dizer alguma coisa, mas só conseguiu erguer a mão, apoiada sobre o cotovelo. O par de tênis parou de repente, se abaixando logo sobre ela, as pernas finas e os joelhos pontudos na terra, a voz aflita e jovem a examiná-la. Apagou por alguns segundos, voltando em si logo após algumas batidinhas em seu rosto. Encarou a menina loira com um rabo de cavalo que a olhava preocupada chamando o garoto que estava perto dela: —Edu, ela acordou! Você tá legal?

Lucy fez que sim devagar, vendo o menino gesticular na direção delas. Ele tinha os cabelos ruivos, e também parecia ter treze anos, vestindo uma camisa com a estampa de um Feraligatr.

—Julia, a garota acabou de desmaiar e você pergunta se ela tá legal?— O menino comentou, e ao se aproximar, pode ver que seu físico era médio, nem magro, nem gordo. Lucy corou quando ele ofereceu a mão pra ajudá-la a se levantar. A menina também ajudou, mas ela bambeou um pouco pra ficar de pé.

—Eu precisava perguntar, Edu! E então, tudo bem com você?

A menina perguntou sorrindo. Aparentemente também tinha 13 anos, alta e esguia, com um corpo que ela nunca iria ter. Respondeu, envergonhada: — Tô bem... Foi um mal-estar.

—Vem, a gente te ajuda a andar. Pra onde você ia?— Um som gutural vindo de seu abdome se propagou através da rota e Lucy afundou o queixo de tanta vergonha.

—Putz, isso foi um Feraligatr? Tá com fome, hein moça!—Edu exclamou, fazendo uma careta. Lucy repuxou um pouco o lábio, olhando pra baixo. Será que ele também a chamaria de Snorlax? Julia, a menina, lhe pegou pelo braço, acolhendo-a.

—Tá deixando ela acanhada! Deve ter tido uma queda de glicose. Eu tenho um almoço super-saudável na minha mochila, deixa eu ver...—Lucy arregalou os olhos, surpresa; Um almoço e saudável ainda por cima? Céus, Jirachi existia realmente e ouviu sua prece!

—Lá vai ela de novo...—Edu resmungou, recostando-se numa árvore.

—Talvez você não goste muito, mas é tudo fresquinho! Sirva-se!— Ela disse, entregando um pote de plástico com alface, tomate cereja, tofu, arroz integral e cenoura ralada. O aroma era suave e encantador. Lucy sentou num banco próximo com a ajuda deles e agradecendo, devorou a refeição oferecida com o mínimo de educação que sua fome permitia.

—Estava muito bom, obrigada...—Disse, devolvendo o recipiente.

—Acho que agora podemos nos apresentar: Eu sou Julia Silva e esse é Eduardo Rios, meu namorado. Somos de Johto. E você, é?

—Eu sou Lucy Diamond, de Pallet. E vocês... são namorados?—Perguntou, incrédula. Achava 13 anos meio cedo pra essas coisas. Edu sorriu levemente, cruzando os braços e Julia levou a mão em direção ao braço dele, corando, enquanto acenava em confirmação.— Vamos fazer um ano de namoro em setembro.

Edu completou, rindo: — Fazer o quê... A gente se atura.— Julia lhe lançou um olhar de irritação disfarçada.

Lucy se levantou então, ainda cambaleante, o que fez a garota se voltar para ela:

—Talvez fosse bom você ir ao hospital mesmo assim, não acha? Desmaio é coisa séria.—Lucy arregalou os olhos, gesticulando negativamente. Não queria nem passar perto de hospitais, e se houvesse alguma enfermeira Joy ou policial Jenny por lá? Foi andando, dando várias negativas pelo caminho, mas o casal ainda insistia.

—Vem, eu te levo no Feraligatr do meu pai!— Eduardo sugeriu, já convocando o monstro pra fora da pokébola. Lucy se encolheu ao ver o tamanho do bicho.

—Não, não precisa, eu quero continuar até o ginásio, vou ficar bem...

—Não, eu insisto! Vamos lá, eu peguei esse Pokémon escondido da minha avó e nem consegui usá-lo! Andei a manhã toda e não achei treinadores bons nessa floresta, só um bando de Kakunas e Beedrils! Tenha dó! Eu te dou uma carona até Pewter, estamos indo pra lá também!

—Iih, ele não vai parar até te convencer...—Julia afirmou e Lucy olhou pra o alto, onde Edu se acomodara nas costas do Pokémon, estendendo a mão para elas. Até que uma carona viria muito bem a calhar nesse caso, Lucy pensou.

Julia subiu primeiro, bastante confiante, e também estendeu a mão a ela. O Feraligatr quase roçava a barriga no chão, agachado, quando Lucy conseguiu se colocar sobre ele com a ajuda dos dois, escalando as escamas azuis e vermelhas do crocodilo.

O Pokémon se levantou então, e Lucy, já do alto, sentiu um frio na barriga ao olhar pra baixo, os pés sem apoio. —Segure firme.—Julia aconselhou. E Lucy segurou firme, as mãos suadas, numa das grandes placas vermelhas que se erguiam sobre a coluna do animal, com tanta força que as pontas dos dedos ficavam esbranquiçadas. Julia atentou para isto. —Calma, também não precisa exagerar. O Fera é bem manso e vai devargar, né Edu?— ela perguntou, e Edu se virou de repente, de costas para a cabeça do Pokémon e para a direção, consequentemente. Antes que Lucy pudesse dizer qualquer coisa, ele fez um sinal chamando-a: —Vem cá, me dá sua pokébola. Vou adivinhar qual Pokémon tem dentro dela.

Julia se recostara sobre a placa, e Lucy entendeu que ela prestava atenção na estrada, então relaxou, tirando a pokébola da mochila. Soube que era a de Yujin quando viu um arranhão pequeno na metade vermelha dela, e a entregou. Edu a girou nas mãos, muito seriamente, então fechou os olhos, fazendo uma careta como se mentalizasse todo o poder do universo. Então os abriu, declarando: — Bulbassauro!— E lançou-lhe o dispositivo com um sorriso confiante.

Lucy apanhou-a, sorrindo boquiaberta, olhando dele para Julia.—Nossa, como faz isso? Pensava que só os treinadores pudessem reconhecer seus pokémons dentro das pokébolas.

—Segredo profissional! Na verdade isso é um truque antigo de família. Meu pai era mágico nas horas vagas. Divertia a mim e a minha avó com isso o tempo todo. Só me contou o segredo desse truque pouco antes de morrer.

—Nossa! Eu sinto muito...—Lucy disse, tentando amenizar qualquer desconforto que tivesse causado, mas Edu apenas continuou a contar:

—Pois é. Ele morreu envenenado. Pisei sem querer num Ekans uma vez. Ia me atacar, mas meu pai me empurrou à tempo, mas quando eu vi, já era tarde demais pra ele.

—Puxa, mas e os antídotos? Não serviam?

—Veneno de Ekans é uma coisa maligna pra qual só foi descoberto um antídoto que servisse em humanos à pouco tempo.—Respondeu, com um suspiro, conduzindo o Fera.

—Não sabia...Sinto muito.—Lucy disse, prometendo consigo mesma não perguntar mais nada à respeito. Edu levantou um pouco o semblante, olhando para o céu.

—Relaxa, isso já faz um tempo. Ele era bom, e é isso que importa. Vai reencarnar como um Totodile, tenho certeza.—Lucy teve que conter uma risada; Reencarnar? Existiam várias crenças diferentes sobre o assunto, mas preferia acreditar que pessoas e pokémons conservavam suas individualidades após a morte ao invés de se transformarem em bichos que pudessem ser presos e treinados por seres-humanos. Mesmo assim, não era uma ideia de todo ruim, pensou. Julia riu:

—Lá vem ele com essa estória de reencarnação de novo... E eu, Edu, vou reencarnar em quê?

—Um Doduo, aquele com duas cabeças. Eu vou ser uma, e você, a outra.—Falou brincalhão, lançando um olhar apaixonado a ela, fazendo um coraçãozinho com as mãos.

—Seu bobo!—Falou, franzindo o nariz de leve e olhando pro lado. Lucy já se sentia um pouco desconfortável de estar sobrando entre eles, quando Julia perguntou:

—E você, tá treinando quais pokémons?

— Só o meu Bulbassauro, Yujin. O Rattata e o Pidgey ainda estão muito fracos.

—Ah. O meu Chikorita está no nível 12, mas pra nós que temos iniciais de planta vai ser moleza! O Edu adora Pokémons de água, ele só não monta um time inteiro com eles porque sabe que isso seria quase impossível numa jornada.

—A cidade de Pewter! E o ginásio de pedra é bem ali!—Edu apontou o prédio todo feito de pedra. Tão logo o viu, Lucy se apressou.

—Obrigada, pode me deixar por aqui mesmo...

—Nada disso, nós também vamos desafiar o Brock! Vou estacionar o Fera bem aqui, pra ele ver da janela e começar a tremer nas bases.— Com uma pancadinha do lado, Edu fez o Feraligatr parar bem do lado, mas sua pose acabou quando ele tropeçou, quase ficando dependurado pela calça no processo. Ela e Julia o ajudaram a descer.—Isso que dá pegar o Pokémon dos outros sem pedir!—bronqueou Julia. Edu se calou, puxando a calça jeans. —Vamos, eu quero chegar em Cerulean amanhã...

Ao chegarem na entrada no entanto, repararam no líder discutindo com um treinador que Lucy achou familiar. Se aproximaram, ouvindo a conversa:

—Como assim? Tá de brincadeira comigo! Você sabe quanto eu andei pra chegar aqui? Eu preciso muito dessa chance, por favor!

—Sinto muito. Sem a carteira de treinador, eu não posso fazer nada. Não teria como identificar você, e eu não saio distribuindo insígnias por aí. Uma batalha oficial tem regulamentos.

—Eu já disse, minha carteira ficou na lavanderia! Não posso recuperar!

—Então vai ter que tirar outra. Relaxa, leva só uma semana pra chegar nos correios. Você ainda terá bastante tempo pra continuar sua jornada. — Brock cruzou os braços, tranquilo, sem parecer entender a preocupação do homem.

O rapaz cerrou os punhos, tremendo o queixo um pouco; Parecia a ponto de chorar. Então, se ajoelhou, a cabeça abaixada em respeito:

—Por favor, eu tô desesperado... Eu não tenho um teto nem pra dormir, que dirá receber cartas! Eu preciso do dinheiro pra comer! Se eu não conseguir, até meus pokémons vão morrer de fome! Por favor...

—Sinto muito, mas eu não posso fazer nada. É contra o regulamento. Se eu lutar com você sem a sua identificação e te der a insígnia, serei punido por isso.

—Espera!— Lucy gritou, indo em direção a eles. Se curvou em respeito ao líder de Ginásio e então continuou: —Eu conheço ele. O nome dele é Pablo Gomes.

O rapaz sem ação, piscava os olhos, murmurando: —Garotinha?

Brock sorriu por sua vez, apanhando a prancheta de dentro do ginásio e um pacote com um lacinho.

—Lucy! Já pegou seu Pokémon, né? Sabia que você viria, minha mãe mandou te entregar esses biscoitos de aveia que ela fez. Seus pais vão bem?

—Vão, vão bem.—Lucy respondeu um tanto hesitante e então agradeceu pelos biscoitos, guardando o pacote dentro da bolsa. Brock se voltou para o rapaz:— Bom Pablo, acho que nesse caso, isso conta sim como testemunha. Mas ainda precisa encomendar essa carteira até o próximo ginásio, por que da entrada da Elite dos Quatro você não passa sem ela.—Ele disse, dando um tapinha no ombro do rapaz ainda incrédulo: —Vamos?

Pablo acenou, e seguiu Brock, mas não sem antes lançar um olhar para Lucy, sorrindo e fazendo uma reverência:

—Obrigado, muito obrigado.— Se afastou, seguindo em direção à arena, enquanto Lucy sentou num banco de pedra para assistir a luta.

Assim que Brock atirou a pokébola para o alto chamando seu Onix, Pablo fez o mesmo, convocando Riolu. As feras se encararam, e foi dado inícil a batalha:

—Vamos, Riolu! Esmaga Pedra!

—Onix, ataque com Lança Pedras!— Brock ordenou em vão, pois antes mesmo que pudesse desferir o golpe, seu Pokémon desfaleceu com a potência do soco. O chamou de volta.—Foi demais pra você, amigo. Sem problemas, vai, Geodude!

O Pokémon esférico pousou sobre a arena, causando um tremor que chegou até os pés de Lucy; Pablo se desequilibrou um pouco com o impacto, escorando os dedos no chão para evitar a queda. Se levantou:

—Não se intimide, Riolu! Agora, Esmaga Pedra de novo e vamos,..

—Terremoto, Geodude!

—Mas o quê?!—exclamou Pablo, sentindo um novo tremor que fez o chão rachar ao meio, fazendo-o cair de joelhos dessa vez. Olhou para a arena e viu o pequeno pokémon lutador caído, sem ação. —Riolu?— chamou-o para a pokébola. Brock cruzou os braços: — Precisa de mais treinamento pelo jeito. Vamos, o que mais você tem?

Pablo se ergueu, limpando a poeira da roupa; Então sorriu: — Tudo bem, tenho certeza que ficará impressionado com isso!— Buscou outra pokébola do bolso, atirando-a: —Muito bem Riolu, fez a sua parte! Vai Monferno!

O macaco de fogo sentou na arena, e bocejou. Tanto Lucy quanto Brock estavam impressionados realmente, mas era com a pouca disposição para lutar do bicho.

—É esse o seu inicial? Tá parecendo meio desnutrido, não acha? Tudo bem...— Brock terminou de comentar, gritando:— Vai Geodude, Terremoto!

—Ataque com Soco Rápido, Monferno!

De repente o macaco se levantou, aplicando o golpe que rachou o Geodude ao meio. O Pokémon de pedra desmaiou esmigalhado na arena e Brock o recolheu. Outro Geodude esmagado e entregou a insígnia à Pablo. Depois foi a vez de Lucy, que com o Bulbassauro encontrou um caminho bem mais fácil à frente. Na saída do Ginásio, se despediu de Julia e Edu:

—Obrigada, nos vemos em Cerulean, eu acho!

—Foi um prazer, Lucy! — Julia pegou sua mão, sacudindo-a.

—A gente se vê por aí!—Seu namorado disse, subindo no Feraligatr e estendendo a mão para Julia. Lucy os observava, quando ouviu a voz de Pablo:

—Garotinha, você me salvou. Não sei nem o que dizer...

—Pode dizer um “obrigado”, se quiser...

—Obrigado, então. Mas escuta, você não ia pra casa? Seus pais devem estar preocupados, não?

—Já falei com eles. Só com a minha mãe na verdade. Ela me disse pra continuar, e é o que eu vou fazer. Se voltar, vão levar o Yujin de mim.

—Hum, bom isso quer dizer que você é uma fugitiva agora...

Lucy se calou; contra tal lógica, não podia refutar. Pablo lançou um olhar malicioso a ela.

—Você precisa se esconder, e eu preciso de alguém pra confirmar minha identidade nos ginásios. Acho que formamos uma bela dupla...

—Eu, er... E-espera um pouco, eu já não vi o seu rosto em algum lugar? Você é o cara do cartaz de procurado! É você! Sua recompensa é enorme, você deve ter feito algo bem terrível!

—Olha quem está falando! A menina que não leva desaforo pra casa, retalhadora de bullies...—Ele murmurou, rodeando-a. Ela respondeu, gritando:

—Não sou criminosa como você! —Pablo a agarrou, tentando fechar-lhe a boca. Ela começou a chutar e se agitar, esperneando, quando foi liberada.

Pablo olhava para os lados, se certificando de que ninguém tinha ouvido: —Tá louca! Tudo bem, Lucy, escuta, é só um trato, ok? —Lucy ajeitava seu casaco, ouvindo a proposta dele: —Viajamos juntos pelos ginásios, você acerta minhas contas com todos aqueles lideres de ginásio e eu te ajudo a se esconder, o que me diz?

Girou os olhos, pensando; precisava mesmo de ajuda para se manter de olhos abertos. —Tudo bem, mas os itens que eu comprar são meus. Você compra os seus. A comida também.

Pablo estendeu a mão, sorrindo: —Ok, como quiser. Agora vem, vou te mostrar como consigo meus itens.

Os dois se esgueiraram pela janela do porão do mercado aberto aquele horário. Pablo chamou baixinho por Buizel e o Pokémon apareceu. Sussurrava as instruções ao Pokémon quando Lucy os interrompeu: —Você vai roubar!

—Sim, gênia! É isso que eu vou fazer! Cai na real, como você acha que eu conseguir me manter sem ter que comer os meus próprios pokémons? Um roubo aqui, outro ali, qual a diferença?

—Mas isso é errado e...—Se calou. Quem era ela afinal para julgar. Marty poderia ficar com cicatrizes para sempre por conta do que tinha feito.

—Só fica quieta aí, já vamos!— Pablo disse-lhe, descendo Buizel com uma corda. O Pokémon de água começou a coletar vários itens, como potions, pokébolas, revives. Os juntava e depois Monferno ajudou levando-os até seu mestre. Um Starly ficava de guarda do lado de fora, junto com Roserade. Se alguém aparecesse, os esporos soníferos do Pokémon de planta dariam conta do recado.

Lucy sentiu o coração palpitando nervoso, principalmente quando ouviram os passos do balconista descendo até o porão. Buizel e Monferno se esconderam atrás de caixas de itens sem etiqueta, enquanto eles se encolheram na parede, ficando fora da visão da janela. Infelizmente a janela aberta não passou despercebida pelo comerciante, que se esticava tentando fechá-la. Isso até pisar numa das caudas de Buizel...

O Pokémon rosnou e com um pulo no ar, acertou um jato d’água no homem, que caiu pra trás, assustado. Depois os pokémons correram, saltando sobre as caixas até a janela entreaberta. Com um puxão, Pablo ergueu os dois de dentro do porão e ordenou:— Esporos soníferos, Roserade!— Lucy correu junto deles enquanto uma nuvem azul-esverdeada se formava entre eles e o balconista, e num ímpeto agarraram as bicicletas, Monferno, Buizel e Roserade sobre as costas do mestre e Starly voando acima dele, todos eles rindo enquanto Lucy sentia o coração subindo pela garganta até a boca. Uma sensação de medo misturava-se com a adrenalina pulsando em suas veias; devia ser isso que os pokémons sentiam quando ganhavam uma batalha, pensou.

Só pararam de pedalar em Cerulean, escondendo as bicicletas entre os arbustos sob a ponte dourada. Sentaram, e a menina podia sentir os músculos formigando de tanto esforço. Pablo mandou Monferno acender um pouco de grama de gravetos numa latinha jogada por ali, fazendo uma fogueira e se abaixou, buscando alguma coisa na mochila. Lucy olhou para ele, com toda aquela pose, e não pode deixar de sentir raiva: —Você é doido! Essa vida de fora-da-lei não é pra mim... Se eu passar mal, a culpa é sua!— Falava, procurando algo pra comer na mochila, mas Pablo não parecia estar ouvindo. Ergueu a cabeça, chamando-o: —Pablo?

Pra sua surpresa, o rapaz estava sentado sobre as pernas, Riolu no colo. Franziu a testa; O badass, todo solitário numa cena dessas? Olhando mais atentamente viu que aplicava um revive no Pokémon desmaiado, acordando-o. Depois, deu-lhe uma potion, fazendo o pequeno filhote sorrir, se espreguiçando em seus braços. Sorriu com ternura, se aproximando deles. —Você gosta mesmo dos seus pokémons...

—Eu sempre quis ter meus pokémons. Cuidar deles até evoluírem, e ficar com eles até o dia em que se forem.

—Mas você é tão velho... Não devia mais fazer isso. Achei que só crianças saiam em jornadas.

—Eu só tenho 24 anos e já fui criança também, sabe.—Disse, em tom irônico. — É que eu não pude ir. Minha família era pobre demais pra se dar ao luxo de mandar um filho caçar bichinhos pra treinar ao invés de cortar lenha ou trabalhar numa mina. Vivíamos com muito pouco, não tínhamos tempo pra isso. —Lucy ouviu tudo quieta, hipnotizada pelos reflexos do fogo dançando nos olhos avermelhados dele enquanto falava. De repente, seu rosto se iluminou um pouco: —Um dia, quando eu tinha dez anos, vi todos os guris mais bem de vida saindo em suas jornadas, pegando seus iniciais, e decidi que ia fazer o mesmo; Veja bem, eu não tinha sequer ido à escola de treinadores, mas eu tinha esperteza pra saber que com um pouco de comida é possível atrair um Pokémon, e foi o que eu fiz. Coloquei um pedacinho de pão no final do cano de uma rede de esgotos que tinha perto de casa e esperei. Levou a tarde inteira, mas no fim, eu peguei meu primeiro Pokémon, um Skorupi! Levei ele dentro de um saco pra casa e depois de dar um bom banho nele, decidi chamá-lo de Scorpius, por causa do meu signo. Passei a guardar o Scorpius debaixo da cama, com cuidado pra que minha mãe não o visse. Mas tudo foi em vão, porque um dia meu pai o encontrou e ia matá-lo, mas eu o salvei, jogando-o pela janela do quarto. Discuti com os meus pais, e resolvi que tinha de ir embora, pois a vida que eu queria não combinava com o que tinham em mente pra mim.

Resgatei o Scorpius e o resto... O resto é estória.— Concluiu, fazendo um cafuné em Riolu. Lucy achou por bem deixá-lo em paz, já era a segunda estória de vida que ouvia naquele dia. Mesmo assim, precisava dizer:

—Sabe, você fazendo isso, aplicando o revive nele— Lucy dizia, olhando para a fogueira:— Me lembrou do meu pai quando ele me ajudava a aplicar a insulina. Tô com saudade dele.

Pablo ergueu as sobrancelhas, levando a mão à nuca, o rosto sério. —Melhor ter alguma coisa pra comer aí, garota. Não tenho nada aqui comigo.

Lucy sorriu, destampando a panela com arroz e entregando um hachi a ele e apanhando outro para si enquanto exclamava: —Kampai! Ou como dizem em Sinnoh, Bon Appetite!— O rapaz aceitou um pouco, o aroma do arroz trazendo um pouco da familiaridade de que ambos tanto sentiam falta.

Notas finais
Enquete: Qual dia da semana é melhor pra atualizar a fic? Segunda, Quarta ou Sexta? Eu pessoalmente prefiro às sextas, e vcs? Agora pergunta apenas aos participantes: O seu personagem pode se envolver amorosamente? (quem já estiver envolvido amorosamente, favor desconsiderar a pergunta, ok?) Quero dizer, a fic é de terror/ aventura/ amizade, e só porque tem meninos e meninas juntos romance não é obrigatório, mas se tiver possibilidade, vocês acham interessante? Me respondam com sinceridade. E outra pergunta: Orientação sexual, qual a do seu personagem? Quero dizer, claro que é a do personagem e isso não diz nada sobre o usuário nem deve ser motivo de escárnio, é só uma pergunta, ok. Também não significa que vou inserir qualquer cena com sexo, não é o propósito da fic. Eu sei que devia ter feito isso desde a ficha, mas eu desconsiderei a possibilidade de alguém querer romance, o que foi errado da minha parte, afinal, fic interativa é pra interagir com vcs e vice-versa. Então, podem me responder por mp se quiserem ou pelos comentários. Também peço paciência a quem ainda não viu seu personagem na fanfic, eu quero apresentar todos e dar destaque a cada um, mas isso precisa ser feito em momentos diferentes que tenham a ver com o plot principal, e amarrar tudo isso está sendo um desafio enorme e muito gratificante pra mim. Então, se o seu personagem ainda não apareceu, paciência, tenho sete fichas até agora, e quero muito usar cada uma delas o melhor que eu puder, ok? Bjs de togepi pra vocês!