Onix canyon - Interativa
11 Capítulo 11- Fim
Notas iniciais
Lucy se viu apalpando a terra, cuspindo um pouco do sangue do corte que fizera no lábio inferior e língua quando a cauda do Onix a pegara de surpresa. Seus sentidos estavam alterados pela falta de insulina, pois perdera as seringas e as sombras pareciam dançar à sua frente. O som do corpo de pedra da serpente sobre a lama da caverna continuava reverberando em seus ouvidos à medida que tentava se erguer: —Peter...—Por onde quer que olhasse, não havia ninguém à vista.
—Yujin!—Chamou, e o Yvisaur apareceu, debaixo de uma pilha de rochas caídas. Lucy se abaixou, procurando ajuda-lo. Precisavam sair dali, precisavam... Seu corpo parecia querer se entregar, se ao menos ela pudesse...ter só um pouco mais.... de força...
—Não posso... Não consigo...— O som do Onix se aproximando aumentando.
—Se esconda, Yujin.—Ela pediu, se colocando a frente dele, o Pokémon de pedra finalmente encarando-os, os olhos vermelhos a observar, quando, sem aviso, o Yvisaur disparou uma rajada de energia, nocauteando o Onix, que não se moveu mais. Yujin caiu de cansaço no chão, ao lado de sua dona. Deitada, Lucy sorria, mas não encontrava forças sequer para agradecer. O Pokémon estendeu-lhe suas vinhas levantando-as até a entrada da caverna. Depois Lucy apontou a pokébola pra ele, convocando-o com um murmúrio, e se deixou ficar. Sua vida inteira perecia rodar em sua cabeça, então ela acordou, sentindo uma força inexplicável. Olhou para o braço. Yujin lhe aplicara seiva através de um corte no braço. Sentia que podia correr, e foi o que fez. Chamando o Pokémon de volta, partiu para a cabana. Sua língua, no entanto, continuava cortada, de modo que não conseguia falar, mas se pudesse, teria dito.
“Obrigada, Yujin.”
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—Antes de entrar no cânion— Dizia o pai de Alex, enquanto deixavam a caverna: —Tomei a precaução de pesquisar sobre o lugar e descobri que havia apenas dois residentes do cânion: O senhor Sugimori e seu irmão, Satoshi. Ambos eram paleontólogos, mas este último abandonou a carreira ao lado do irmão para se dedicar aos laboratórios especializados em reviver os fósseis. Ao que parece, eles não se falaram mais desde então. Fui até o laboratório, e me disseram que o senhor Satoshi não foi mais visto desde que pediu licença para viajar de férias à um mês. Uma hora antes de sair do laboratório, ele teria recebido um telefonema do irmão e mudou os planos, indo visitá-lo.
— O senhor acha que o Sugimori é o criminoso?
—Provavelmente. As equipes de buscas não encontraram nada porque não havia nada para encontrar; A única pessoa que poderia auxiliá-los não fora localizada. O Onix também não.
Marge se exaltou, fechando o punho: —Aquele velho! Tinha dito até que ligou pra polícia por causa do Ônix! Mentiroso!
—O garoto não o enganou, ele é que fez isso, aposto!—Alex concluiu, enfurecida com tamanha frieza nas atitudes daquele aparentemente tranquilo idoso.
O detetive cruzou os braços, franzindo as sobrancelhas: —Eu estive na delegacia, e a única queixa que receberam a respeito do desaparecimento foi feita pela própria família do Billy.
—Espera, agora tudo faz sentido!—ela exclamou, se recordando: —Os Kadabras, ele os usou como cúmplices, observando o movimento no vale. Por isso também os celulares não funcionavam, mas o marca-passo dele sim: A interferência desses pokémons psíquicos era precisa, apenas para um tipo de aparelho específico. — Seu pai acenou com a cabeça: —Você está a poucos passos de se tornar uma grande detetive, Alex. Estou orgulhoso de você filha.
Alex sorriu, mas depois se voltou ao caminho que percorriam nas costas do Noivern. —Rápido, Daegal, pra cabana! Temos que chegar a tempo de avisá-los!
O Pokémon cruzou o céu noturno, deixando a caverna para trás. Contornando os montes escarpados com destreza, Daegal voava sem se deter, indiferente a dificuldade de seus donos em enxergar os obstáculos à frente. Até que, com um rosnado, sacudiu a cabeça, parecendo ter sido atingido por alguma coisa.
—O que é isso?! Pare Daegal!— Alex gritou, mas foi inútil.
Os três se agarraram ao pokémon, que sacolejava, pousando no meio do vale. Depois, ele se ergueu sobre as patas traseiras, derrubando-os. Alex, Marge e Augustus caíram pesadamente sobre o chão, confusos, e Daegal se virou pra eles. E foi então que Alex encarou seus olhos, olhos de um vermelho intenso ao invés do amarelo habitual. A garota recuou se arrastando assustada, sem conseguir deixar de encarar o Pokémon que avançava até ela: —Daegal?! O que aconteceu?
Antes que o Pokémon atacasse, Augustus puxou um canivete, fazendo um corte sobre seu focinho; O Pokémon urrou, sangrando, e os sobrevoou, se elevando aos céus, mirando-os do alto. Foi quando Augustus gritou:—Rápido, ele vai usar o Raio do Dragão!
Correram, se desviando a tempo da rajada de energia que abriu uma cratera no chão. Alex gritou: —Porque está fazendo isso?!— Enquanto exclamava, o pokémon deu um rasante, atacando Marge, que diante da velocidade do dragão mal podia fugir. Gritou, sentindo as garras afiadas do Noivern prendendo-o ao solo, caindo sobre ele.
—Marge!
—Alex!!!
A garota puxou a pokébola de Kitsune do bolso, liberando a fera e ordenando:
—Lança-chamas, Kitsune, agora!!
O Ninetales obedeceu-a, fazendo Daegal recuar com dificuldade, as chamas queimando-lhe as asas e as costas, os lamentos tristes soando conforme se distanciava. Alex levou a mão a boca, lágrimas saindo de seus olhos: —Daegal..
Augustus apanhou a pokébola, chamando o Pokémon de volta e abraçou a filha.
—Pai, me desculpa...
—Tudo bem, calma...—Murmurava para ela, quando os dois ouviram o rosnado de Kitusne se aprofundando e a voz de Marge no canto:—Ah, Alex! Alex!!
Se viraram, encontrando o Ninetales que os encarava agora, as presas pra fora, a cauda aberta em leque e os pelos eriçados.
—Alguma coisa está controlando eles!—O detetive gritou, ficando à frente dos jovens.
A fera soltou um uivo partindo pra cima deles, que pouco podiam fazer além de correr desenfreadamente pelos vale. Estavam a alguns metros longe dele quando toparam com um paredão de pedras à frente:
—Estamos sem saída! Nós vamos morrer!
—Fiquem aqui...—Disse, se postando à frente deles, de braços abertos, quando Ninetales deu o salto mortal na direção deles.
—Pai!
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Pablo xingava: —Droga, essa merda tinha que ficar de noite?— Corria, com Lucario acompanhando-o, o ar frio da noite açoitando suas faces. Afinal, por que se importava tanto? Ela era só uma menina tonta, como tantas outras crianças tontas...Como ele bem poderia ter sido, se tivesse tido a chance.
Se abaixou para tomar fôlego e notou pequenas manchas escuras e bastante líquidas sobre a relva e o caminho de terra. Tocou-as com a ponta dos dedos, levando-os perto do nariz e constatando o que mais temia: —Ai, droga! Lucy!— O sangue vermelho ainda estava em sua mão quando disparou na direção da caverna, a adrenalina tomando conta de sua circulação sanguínea, a visão de seu pequeno corpo trucidado. Não questionava mais por que corria, apenas o fazia sabendo que precisava... Precisava saber.
Chamava seu nome, mas nada se ouvia, a não ser o farfarlhar da relva sobre os seixos. Visualizando a caverna bem à frente, pensou em entrar nela, mas preferiu fazer outra tentativa antes: —Lucy!— Ao que chamou, um som de passos se fez presente, e ele se virou, procurando: —Lucy?—O que quer que fosse, não respondeu, mas Pablo podia ouvir seus passos próximos, como se estivesse a rodeá-los.
—Atenção, Lucario...Está perto.— O pokémon assentiu. Milhões de possibilidades lhe passavam pela cabeça, mas não havia tempo para isso; A criatura se mexeu perto de um arbusto, e ao ver sua sombra refletida na rocha, deu um salto, ordenando:—Agora! Soco Rápido!
Lucario investiu com contra a coisa que se movia, e um baque surdo e um grito estranho foram ouvidos; A coisa resvalou, girando e indo cair num barranco, de onde Lucario e seu mestre observaram-no bater numa pedra. O corpo jazia de costas, inerte entre as pedras, e uma enorme poça de sangue se formava abaixo de sua cabeça. Não era grande como pensava, e parecia estranhamente... humano.
Pablo apertou os olhos, inclinando-se para frente em silêncio, os ombros tremendo conforme ele se conscientizava...o cabelo preto e curto banhando-se no sangue, os membros retorcidos pela queda. Não era... Não podia ser...
Correu até o cadáver, sem acreditar, mas caiu de joelhos por terra quando viu: A blusa amarela, a saia com estampa de Sunkern... As meias brancas com manchas marrons de sangue.
Queria gritar, mas não tinha palavras. Não tinha voz. Seu queixo tremia e seus olhos esvaíam-se na visão da menina caída, o abdome deformado pela força do golpe, o sangue fresco na boca, os olhos ainda abertos, acusadores, pareciam mirá-lo fixamente, como se indagassem: “Por que?”
Lucario observava a tudo distante, sem conseguir entender o que se passava. Ele tinha feito o que seu mestre mandara afinal, não? Mas por alguma razão estranha, o humano não lhe cumprimentara pelo feito. Seu mestre gritava, mas não um grito de exaltação, e sim, desespero. Saltou até ele, mas ao perceber sua presença, o mestre lhe atirou pedras.
—Sai daqui, seu monstro! Vai embora!— Desviou-se rápido dele. Não entendia porque o mestre lhe rejeitava. Só fizera o que fora mandado.
“Mestre”
Ouvindo a voz metálica e grave, Pablo ergueu a cabeça, confuso. A voz continuou: “Não entendo. Porque me atiras paus e pedras se fiz exatamente o que tu mandaste?” Então Pablo percebeu que Lucario o encarava, e mesmo sem mover a mandíbula, era capaz de lhe ouvir.
—Você fala?
“Sim, Mestre. Mas nunca me dirigiste a palavra antes.”
—Isso não importa agora. Ela está morta...
“Mestre?”
—Seu, seu idiota! Você podia ver que era ela! Podia ter evitado!
“Mas eu sou só um Pokémon. Tudo que eu faço é com o consentimento do Mestre.”
Os olhos do Pokémon o encaravam, e por mais que quisesse desviar deles, Pablo o encarou de volta. —Eu pensava que os pokémons estivessem aqui para nos proteger, para serem nossos amigos... Eu fui um idiota?
“Nós servimos aos humanos. É tudo o que sabemos fazer.”
Pablo permaneceu sem palavras. Por mais que gostasse de Lucario, seu Pokémon lhe dava asco agora. Abaixou a cabeça, sentindo-a pesada. O cadáver de Lucy ainda à sua frente começava a se enrijecer. Fechou-lhe os olhos, ainda ouvindo as palavras de Lucario.
“Sabe, quando Arceus criou o tempo e o espaço, não existiam os pokémons como nós, apenas ele e os guardiões. Quando os pokémons surgiram, Arceus não gostou deles. E entramos em guerra. Então ele nos baniu para o espaço, onde nós hibernamos. Quando finalmente voltamos pra terra, haviam os humanos. E os humanos destruíram o nosso lar, e nós ficamos com raiva. Agora, eu percebi que cometemos o mesmo erro de Arceus. Nós não tínhamos o direito de tentar destruir a humanidade, e agora somos condenados a servir à ela.”
—Então você não é mais do que um demônio preso numa cápsula de metal idiota?
“Eu sou o que você quiser que eu seja, Mestre. É assim agora.”
—Então eu quero que seja livre. Não preciso mais de você...— Falou, encarando o horizonte nublado, o céu escuro à sua frente. Lágrimas lhe escorriam pela face.
E encarando o pokémon de metal, Pablo mirou o grande vale escarpado a sua frente e arremessou a pokébola, que desapareceu em algum ponto das pedras. Pablo sorriu, dando alguns passos para frente. O Pokémon ergueu a pata, assustado:
“Mestre?”
—Você não precisa mais de mim, também. Ninguém precisa...— E se lançou ao penhasco, seu corpo se chocando contra as rochas do fundo.
Lucario permaneceu sobre o precipício, contemplando com melancolia o destino de seu dono. Sentia que por mais que a liberdade fosse sua, não saberia o que fazer com ela. E foi então que soube que nada no mundo o faria sair dali.
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Edu, Julia e Hikari tentavam acalmar o garoto e saber sobre o destino de Lucy, mas parecia impossível que Peter respondesse qualquer coisa naquelas circunstâncias. O menino os encarava como uma estátua de mármore, as bochechas gélidas e os olhos sem brilho e sem alma.
Por fim, a voz de Sugimori se elevou sobre eles: —Não ficou claro ainda? O Onix os atacou e agora vocês veem o que eu quero dizer, não é? Estão condenados.
—Espera um pouco, e aquelas pokébolas na gaveta do senhor? Poderíamos usar pra enfrentar o Onix, não poderíamos?
—Você não sabe de nada, garoto...
—Não, eu sei muito bem, sim! O senhor roubou essas pokébolas e agora quer se passar por inocente! Quem garante que o Onix não esteja certo em querer matá-lo?
—Se pensam realmente assim...— Os olhos de Kadabra brilharam, e como num passe de mágica, Edu se viu levitando até o teto da cabana.
—Solta ele, seu monte de lixo!—Julia gritou, tentando bater em Sugimori, mas o idoso lhe segurou pelos braços, com força: —Quieta, sua putinha!— E empurrou-a, fazendo cair com tudo no chão, perto de Hikari.
—Juliaaaa!!!!— Edu gritava, tentando chegar até ela, mas era como se cordas invisíveis o prendessem no alto. Viu com aflição o velho se aproximar dela, segurando-a pelo rosto e erguendo-a do chão: —Eu já estava de saco cheio desse disfarce de velhinho inocente. Agora que o Onix matou a maior parte dos seus amigos, acho que é a hora de me apresentar...— Seu corpo começou a mudar, duplicando em altura. Suas roupas desaparecendo e seu tronco e membros sendo tomado por pelo negros e vermelhos gigantescos, além de orelhas pontudas como as de uma raposa. Seu nariz adunco se transformou num focinho escuro, as presas saltando-lhe para fora da boca contornada de vermelho. Garras vermelhas cortavam o rosto de Julia, que se debatia erguida pelo Pokémon, que a encarou, percebendo o medo em seu rosto.
—O que foi, não quer tentar me capturar?— Riu, numa gargalhada diabólica.

Antes que pudessem dizer qualquer coisa, ele a deixou cair no chão novamente, rindo enquanto Julia se arrastava depressa pra perto de Hikari.
Eduardo tremeu, encarando as duas abaixo dele, e exclamou por fim: —Não pode ser! Você é um Zoroark?— Conforme a criatura se virava para encará-lo, fazia as tábuas de madeira rangerem, aumentando o pavor que sentiam.
—Esse é o nome vocês humanos inventaram para nos designar avisando os outros da nossa natureza. Mas eu gosto desse nome.
—Mas como isso é possível? Nenhum Zoroark consegue se disfarçar de humano por tanto tempo, que dirá ser um! Eu toquei no seu marca-passo, ele era real!
—Sim, porque aquele corpo era real. Há tempos eu descobri numa antiga escritura que era possível assumir a forma de um humano se me alimentasse da carne dele. Descobri esse velho estúpido que morava aqui, e resolvi tirar a prova. Não preciso dizer que funcionou muito bem. Desde então, eu e minha fêmea vivemos aqui, devorando os treinadores que aparecem e fortificando o nosso exército para reconquistar o mundo que um dia foi nosso.— As palavras dele eram cortantes e frias, e nem Edu nem Julia ou Hikari sabiam o que pensar. Mesmo assim, Julia se dirigiu a ele, ultrajada:
—Isso é loucura! Humanos e pokémons vivem juntos há milênios! Não vai conseguir acabar com a amizade que existe entre nós!
— AMIZADE? Amizade!? Como ousa usar palavra tão nobre para isso? Não pode existir amizade entre seres humanos e pokémons, apenas dor e sofrimento. Vocês, crias humanas, não conseguiriam entender o que sentimos quando nos fazem lutar uns contra os outros nem se enfiássemos isso nos seus cérebros inúteis!
Hikari começou a chorar, e Julia entendeu isto como a gota d’água: —Chega, abaixa já o Edu, antes que eu te mostre uma coisa!—A garota apanhou a pokébola, se preparando para lança-la, quando o Pokémon sombrio riu.
—Pare de rir! Seu monstro!—Ela mandou, e Zoroark se tornou sério:
—Vai mesmo usar seu Pokémon contra mim? Quer que eu o transforme em pedaços para que ele possa se sacrificar por você em favor da amizade entre vocês? Vá em frente. Depois eu é que sou o monstro...
—Vai, Bayleef!— Ela gritou, liberando o inicial de planta. —Não tenha piedade, acabe com ele! Use...
Antes mesmo que ela ordenasse, Zoroark investiu com suas garras, produzindo um corte na altura do pescoço em Bayleef, e mais um, e mais outro. O Pokémon de planta verteu uma espécie de sangue e seiva, urrando. Julia se desesperou: —Bayleef! Reaja! Use o chicote de ...
Bayleef não teve tempo de reagir, pois o Pokémon assumiu a aparência de sua própria treinadora, atacando com as garras em uma série de golpes.
—Não sou eu Bayleef! Não se iluda!— Julia gritava, atormentada pela visão de Bayleef apanhando sem conseguir se defender de seu adversários, os dois quebrando móveis e utensílios pelo caminho. Por fim, o Pokémon desmaiou no chão da sala, exausto. Julia se abaixou diante dela, chorando:—Me desculpe, Bayleef, por favor..
Zoroark pelo contrário, não tinha sequer um arranhão ou remorso, e ficou de pé perante elas.
—A amizade entre humanos e pokémons é algo tão falso quanto minhas ilusões de ótica, mas os seres-humanos a usam como desculpa para escravizar criaturas que com certeza não precisam deles. Vocês se dizem preocupados com seus pokémons, mas desde que chegaram aqui só se importaram com vocês mesmos. Aí está a prova.
De repente, a porta da cabana se entreabriu, atraindo a atenção deles, e o Pokémon olhou pra ela com satisfação ao ver outro velhinho aparecendo animado.
—Z! Peguei eles, Z!— O velhinho anunciou com a voz esganiçada gritando.
Zoroark sorriu: —Obrigado Satoshi, ou devo dizer, Zoe.— Disse, e ao ouvir isso, o outro velhinho também mudou de forma, mostrando ser o Zoroark fêmea que o falso Sugimori contara. A fêmea sorria com os dentes afiados, farejando seu parceiro e roçando-lhe o pescoço:
—Eles gritaram como Grumpigs numa churrasqueira! Devia ter visto!
—Espera aí, mas e o detetive? Merda, ele era crucial para os nossos planos! Bem, deixa pra lá, aqui mesmo temos muitas opções...—Dizia, apontando pra eles.
De onde estava flutuando, Edu viu Peter se aproximando devagar, um canivete brilhando em sua mão. Escondido atrás da parede, Peter ficou à espera do melhor momento, então ergueu a lâmina disposto a acertar as costas da criatura. Mas deu com o canivete no ar, quando Zoroark o agarrou pelo colarinho, erguendo-o.
—Você é o filho daquele a quem pertence a indústria de pokébolas, não é? Terei uma grande serventia para você em especial...
Edu fechou os olhos e Hikari e Julia se encolheram conforme os gritos de agonia de Peter começaram, rezando para que sua morte fosse rápida. E as deles também.
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Ao amanhecer do dia, os corpos de dois adolescentes e um adulto jaziam carbonizados em frente a uma pilha de pedras onde um Ninetales confuso repousava a cabeça, uivando de tempos em tempos, um planto triste como poucos ouviriam de um Pokémon por seu dono. Permaneceu assim, até sentir a aproximação de um velho. Rosnou, mostrando os caninos. O velho, acompanhado de seu Kadabra, flutuava a frente dele, um campo de energia o protegendo das mordidas que Kitsune tentava lhe dar. O velho sorriu, murmurando:
—Tão jovens... Morreram abraços os três. Curioso, não? Mesmo morrendo de dor, os seres humanos sempre tentam se desviar dela...— O som das mordidas do Ninetales prosseguia, até que o velho apontou a palma da mão para ele de dentro do campo:
—CALE A BOCA!— Disparou uma bola de energia da mão, fazendo o Pokémon soltar um ganido, caindo inconsciente para trás. —Vocês me dão nojo...
Se abaixou então, apanhando as pokébolas do meio das cinzas e da fuligem, e depositando-as em sua bolsa. Se voltou para uma que havia ficado presa na mão de um deles, e a arrancou, desmembrando os ossos do rapaz: —Veja só, querendo dar trabalho depois de morto! Vamos Uri, temos muitos outros para coletar!
Andaram por mais alguns metros, Kadabra à frente fornecendo proteção e indicando o caminho onde seus poderes mentais apontavam haver mais pokébolas. Sugimori riu: —Foi tão fácil, todos eles caíram como Psyducks!—E admirou o brilho vermelho acetinado da pokébola: —O maior erro dos humanos foi pensar que poderiam fazer disto um esporte seguro e um meio de ganhar dinheiro. Mas mostramos a eles, não foi, Uri? — O Kadabra acenou, concordando. “Preferia que você tivesse arrancado os olhos deles, você sabe que eu gosto de colecionar...”
—Ora, não podemos ter tudo que queremos, Uri. Além do mais, se eu não os devorasse por inteiro, poderiam me reconhecer pela cor dos olhos ou outro detalhe depois.
“Mas o braço do Billy White ficou inteiro...”
—Eu não precisava comer o braço, além do mais, foi mais útil mantê-lo conservado, como você viu.
“É, dava um bom coçador de costas.”
—Pare de pedir bobagens, me distrai muito!— Reclamou, observando outro campo de energia se movendo pelo ar, com a diferença de que quem o manipulava era um Alakazam. Satoshi acenou pra ele e Z acenou de volta:
—Bom dia, Satoshi! Acordou bem disposto não foi?
O velhinho de óculos sorriu: —Nada como uns gritos desesperados pra dormir bem, é o que eu sempre digo...
—Está cada vez melhor, All, aquele Ninetales nem sequer se lembra que foi ele próprio quem incinerou a dona.
“Se eu quisesse ele teria até urinado no cadáver dela, que ele não se lembraria. Mas obrigado pelo elogio, Z.”
—Melhor nenhum deles se lembrar mesmo, não queremos outro incidente como o Onix...
Satoshi, ajeitou o óculos, puxando duas pokébolas da bolsa:
—Não vai ter que se preocupar mais com ele, aquela garotinha idiota o nocauteou na caverna, com a ajuda desse Yvisaur.— E mostrou a pokébola do inicial ao irmão. — Assim que ela correu desesperada, peguei a pokébola e recapturei ele. Basta deixá-lo sem energia, que ele não irá mais nos incomodar.
—Perfeito. Hum, deve ser um Pokémon bem forte esse inicial. Acho que poderá nos ser muito útil no futuro.
—Também farejei os cadáveres da tal gorducha idiota e do rapaz com boca suja, mas eles estavam deteriorados demais pra serem consumidos... Não tenho certeza se podemos nos transformar com eles.
—Bem, só temos um jeito de saber... Mas antes, mande um kadabra até a base, eles precisam saber que é chegada a hora de começar a invasão.—E dizendo isto, trocou a forma de Sugimori por seu corpo original. Satoshi/Zoe se curvou para ele.
—Sim, mestre.— Disse, e beijou a pata de Zoroark.
Fim?
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