Notas iniciais
"Do you still got to catch'em all?"

Lucy abriu os olhos, franzindo a testa com a claridade dos raios de sol que atravessavam as frestas batendo em seu rosto. Resmungou, se revirando na cama. Se pudesse dormir ao menos mais uns dez minutos... Não, talvez nem isso fosse o bastante. Ouviu a voz estridente de sua mãe chamando-a:

―Querida, acorde! Já é de manhã! ― Não se mexeu. Fechou os olhos com mais força, puxando o lençol. Ouviu os passos dela pela escada, depois abrindo a porta do quarto: ―Não vai até o laboratório do professor Carvalho buscar seu pokémon?

Abriu os olhos de súbito. Como ela pudera esquecer, por Arceus! Antes que se desse conta, tinha pulado da cama, quase caindo enroscada nas cobertas. Felizmente sua mãe a segurou, dando-lhe uma bronca:

― Hey, cuidado! Não vá se machucar antes mesmo de sair de casa! Você ainda tem uma hora pra se aprontar, então desça pra tomar café da manhã conosco.

Bocejou, se atirando de volta a cama, um sorriso percorrendo seu rosto de ponta a ponta; Então o seu dia tinha finalmente chegado. Lucy Diamond seria enfim, uma treinadora, não somente a garotinha cdf que decorava todos os 150 pokémons na hora do recreio. Olhou os pôsteres colados na parede do quarto: tinha se decidido há muito qual seria seu pokemon inicial: Bulbassauro. Era a melhor escolha, um pokémon com ótimo potencial de ataque especial, e de planta, seu tipo preferido. Olhou-se no espelho de canto, ajeitando os cabelos marrom-escuros curtos e a franja, imaginando como ficaria quando tirassem seu retrato pro hall da fama. Corou. Seu rosto redondo decididamente não ficaria tão bem assim num retrato. De pé, encolhia a barriga estufada sobre o pijama, mas era inútil; De qualquer jeito que fosse, continuava igual, gorda e patética, pensou. Encolheu os ombros, sentindo lágrimas querendo se formando, quando foi a vez de ouvir seu pai chamando-a lá de baixo. ―Lucy!― Limpou os olhos se certificando de que estava parecendo bem de novo. Desceu.

Seu pai lia o jornal à mesa, e ergueu os olhos ao vê-la: ― Parabéns Lucy! Venha aqui, nossa mais nova treinadora!― Se levantou, abraçando-a ao pé da escada. Lucy se contorceu; seu pai abraçava forte como um Snorlax!

―Pai ainda nem busquei meu Pokémon! Deixa pra quando eu voltar com meu Bulbassauro!

Então foi a vez de Wendy, sua irmãzinha de seis anos, puxá-la pelo braço:

―Por que você vai escolher o Bulbassauro, Lucy? Prefiro um Charmander! É muito mais legal! Ele solta fogo assim, ó!― E imitou o Pokémon fogo soprando em seu rosto com um biquinho. Lucy riu, abraçando-a: ― Sua bobinha! Eu gosto do Bulbassauro. Escolhe você o Charmander quando for a sua vez!

―Não é justo! Eu vou ter que esperar um tempão! Você só quer esse porque ele é gordo igual a você!― Wendy exclamou, batendo em sua barriga. Lucy franziu a testa, agarrando as mãos dela: ― Sua monstrinha!

―Crianças, parem com isso! Sentem-se agora!― Ambas as meninas obedeceram, juntando-se ao pai enquanto a mãe servia o café da manhã com pães e frutas variados. E um prato à parte para Lucy, que o fitou com um misto de ojeriza e desinteresse que foi logo percebido.

―Vamos, Lucy. Não vai sair daqui enquanto não comer o que eu botei no seu prato. É hipocalórico, como a sua nutricionista prescreveu.

―Mãe, estou fazendo essa dieta à quase um mês e não tá fazendo a mínima diferença. Acho que eu devia era nem comer.

―Faça isso e não sairá tão cedo pra uma jornada Pokémon, mocinha!

―Mas mãe, esse é o meu sonho! Eu esperei por isso a minha vida toda!

―Sem mas! Eu preciso ter certeza de que você será capaz de se cuidar longe de casa. Vou botar o livro de pontos na sua mochila, e também sua panela elétrica, as seringas de insulina...

―Shhh, o Xatu News vai começar!― O pai apontou para a televisão, onde um repórter apresentava as notícias da manhã.

“E foi preso ontem o homem que sequestrava crianças em Kanto usando um Hipno e um Drifloon. O maníaco telefonava para as vítimas e as obrigava a passar pokémons shiny para seu pc em troca das crianças. Ao ser preso, declarou: "Eu só queria um shiny, só isso! Eu tenho tão pouca sorte!" O homem debatia-se nas mãos das policiais Jenny. O repórter continuou: "Suspeita-se que ele seja um ex-membro da equipe Rocket, a quadrilha que aterrorizou Kanto dez anos atrás, mas foi desmembrada pelo campeão Red."

―O que é um Pokémon shiny? Tem purpurina nele?

―Não Wendy. Um Pokémon shiny tem uma cor diferente do comum, só que eles são muito raros; Pra achar um, só mesmo fazendo um pacto com Giratina...

―Lucy!― Greena a repreendeu. Lucy baixou os olhos em direção ao prato que comia bem devagar, ansiando que a sensação de saciedade viesse antes mesmo que ela terminasse de comer.

Seu pai riu: ―Tem cada doido nesse mundo! Sequestrar crianças pra trocar por pokémons! Ainda bem que você é esperta, e não cai nesse tipo de truque!― Lucy concordou meramente. A reportagem seguinte, no entanto a fez levantar a cabeça, prendendo sua atenção:

“E continua desaparecido o treinador conhecido como Billy White, de dezesseis anos, da cidade de Saffron. O jovem percorria Kanto mês passado, quando foi visto pela última vez perto da cidade de Lavander. Habitantes locais afirmam ter visto Billy em cima de seu Ônix chamado Rocky, indo em direção ao Cânion Desolação perto do Rock tunnel. Faz quarenta dias que o jovem está desaparecido e segundo às autoridades, as chances de encontrá-lo vivo são pequenas. Seus pokémons também não puderam ser localizados.”

―Por Arceus, que coisa terrível! Esse Billy White, não era aquele garoto que vivia aqui mesmo em Pallet, hein, Matthew?

O pai fechou os olhos, se esforçando em puxar a lembrança da memória: ―Era, eu acho... Me lembro pouco dele, os White logo se mudaram para Saffron. Ele estudava na sua escola, não é Lucy?

―Hum, acho que sim... Era um garoto de cabelo loiro, mas não estudou na mesma série que eu, ele era mais velho. E ele era muito gentil...― disse com uma ponta de tristeza e mesmo receio. Era muito estranho estar ouvindo aquela notícia bem no dia em que sairia de casa. Um calafrio percorreu sua espinha, imaginando o garoto perdido no meio do nada, com fome, sede, frio talvez. Seus pensamentos foram interrompidos pela fala, um tanto quanto suave da mãe:

―Pensando bem, agora me lembro da vez em que você caiu no parquinho da escola e machucou o joelho. Foi ele que te levou até enfermaria, não foi? Pobre garoto. Quem podia esperar que algo tão horrível assim acontecesse?

―Isso foi uma fatalidade; Acidentes assim são raros. Eu acho que ele só se perdeu porque resolveu explorar uma área que não era registrada no circuito oficial de treinadores. Que sirva de exemplo pra você, Lucy. Há muitos Pokémons excelentes nas rotas conhecidas, não precisa se arriscar por aí. Lembre-se, queremos que tenha sucesso, mas não a qualquer custo!

―Tá bom pai, vou me lembrar. Hum, olha só a hora, já são quase dez! Me dá uma carona, mãe!

―Com prazer! E depois eu quero tirar uma foto!―Ela sorriu, abrindo a porta do carro.

Chegaram à tempo, e enquanto Greena foi até o mercado, Lucy se juntou aos outros tantos estudantes do curso de treinadores à espera de seu primeiro Pokémon. Avistou do seu lugar na fila a figura reverenciada do professor Carvalho e seu assistente, que se ocupavam em distribuir os iniciais e as pokedéx. Havia tantas pokébolas quanto garotos e garotas ali, inclusive vindos de outras regiões. Isso ela podia ver pelos Pokémons que traziam consigo; uma Chikorita balançava sua folhinha alegremente ao lado da treinadora, e por um momento Lucy desejou que estivesse em Johto. Uma coisa de cada vez, pensou. Poderia fazer um intercâmbio assim que vencesse a elite dos quatro e se sagrasse campeã. Mas seus pensamentos foram interrompidos pela visão de seu maior terror. Encolheu os ombros ao ver passar do seu lado Marty e sua turma, um bando de garotos cujo maior passatempo era infernizar sua vida na escola. O menino de cabelo loiro penteado de modo impecável olhou pra ela sério, e então fez “Boo!”, rindo perante seu susto. Comentou: ―Olha só, a Snorlax quer treinar Pokémon também! Alguém avisa pra ela que um Pokémon não pode treinar outro?

Respondeu, cerrando os punhos:―Cala a boca, Marty! Quando eu tiver meu Bulbassauro, você vai engolir tudo isso aí que você disse!

―É mesmo? Engole você que é gulosa, por que eu peguei um Charmander, e ele vai é incinerar sua plantinha otária.― Eles riram de novo enquanto Marty propôs que fossem tomar um sorvete na Sorveteria Vanilluxe pra comemorar.

Respirou fundo, então notou que algumas pessoas a olhavam, perplexas, e corou, voltando ao seu lugar na fila. Pelo menos não demorou muito, ela finalmente recebeu seu tão esperado Pokémon, aquele que seria talvez, seu único amigo ali. Assim que o recebeu, arremessou a bola no chão, fazendo o réptil folhoso sair. O bicho bocejou, tranquilo, encarando-a com os olhos vermelhos e arredondados. Lucy sorriu; Ele era exatamente como esperava. O Pokémon veio até ela e começou a esfregar a cabeça contra seu pé, saltitando alegre. Carvalho lhe entregou a pokedéx, mais cinco pokébolas. Guardou-as, prometendo respeitar os pokémons e ser ética com os outros treinadores. Claro, ainda faria do Marty um picadinho, mas em outra ocasião. Só o que queria agora era voltar pra casa e se despedir. Foi caminhando, Bulbassauro do lado desfilando com pose de orgulhoso. Lucy olhou de relance pra ele: Por Rayquaza, tinha esquecido de dar um nome pro coitado! Parou então.

―Nossa, me esqueci... Me esqueci mesmo. Hum, deixa eu ver...―Começou examinando-o, tentando buscar alguma coisa nele que pudesse ser um nome. Nada. Não havia nada de diferente. Precisaria ser esforçar: ―Hum, que tal Folhoso? Hein?

O Pokémon fez uma careta, acenando a cabeça negativamente. Lucy torceu o lábio: ―Então, Verdinho? Ah, não, né? Ai, eu sou péssima em dar nomes... Não consigo pensar em nenhum bom.― Bulbassauro ergueu uma das vinhas em direção aos ombros caídos dela. Levou um susto, quando o viu encarando-a, com os olhos mais bondosos que já vira num Pokémon. Então teve um insight:― Hei, já sei o seu nome! É Yujin! Significa “amigo leal” na nossa língua! Então você gosta? Ele acenou fortemente que sim. ―Tá bom! Vamos, vou te mostrar minha casa, Yujin!― Gritou, correndo com ele do lado. Suas jornadas haviam começado.

Notas finais
Atualizarei a fic assim que tiver pelo menos uma ficha. Pretendo postar um ou dois capítulos a cada semana. Por favor, antes de mandar a ficha, tenham em mente que por se tratar de uma fic de terror e uma deathfic, pode ser que qualquer personagem principal morra, (inclusive a Lucy). Entendo que deve ser difícil montar um personagem pra depois vê-lo morrer, mas terei o cuidado de desenvolver tudo de modo que nenhuma morte seja em vão ou não tenha significado, ok? Aí vai a ficha: Ficha Seu primeiro nome? Seu sobrenome? Sua idade? Gênero? Características físicas? Personalidade? Região de origem (Kanto, Johto, Hoenn, Sinnoh, Unova ou Kalos)? Seu Pokémon inicial (de acordo com a região escolhida)? Pokémons que usa? História? Gostos e desgostos? Talentos, vocação? Observações (tudo que não couber aos outros campos)?