One to Rule Them All.

20 The Queen of Darkness


Roma, Itália

Ela percorria o salão, para a frente e para trás, num estado de ansiedade. Os rumores aumentavam e o nervosismo consequentemente. Finalmente ela sentou-se no trono e deixou o seu conselheiro avançar.

" — Minha Rainha, a comitiva do aclamado Rei Secularis está a avançar para Belgrado para ir depois em direcção a Atenas." — disse ele.

Ela fechou os olhos em reflexão, e abriu-os de novo. Ela sabia o que aconteceria assim que Atenas caisse aos pés deste Mihnea da Casa Dracul.

" — Mais uma vez fui suplantada, mais uma vez serei destronada por um homem. Eu sempre tinha feito o que me foi pedido pelos Anciãos e pelo o Grã-Duque de Itália. Se Adrásteia cair sob o poder Dracul, toda a Europa será dele. Eu não poderei estar cá na altura em que ele vir cá." — disse ela.

" — Sua Majestade, voçê ainda tem uma força maior que a dele. Eu sugiro um ataque a Bran, Belgrado e Atenas. Sua Graça ainda tem em seu controlo a legião que Bael lhe deu."

" — Ela seria reduzida a cinzas, na comitiva decerteza que devem estar presentes necromantes. Demónios contra necromantes não daria bom resultado. Não eu tenho de me exilar ao lado de Bael, Buer e Andomalius. Os serviçais desta casa devem-se dirigir para Monte Sant' Anna"

" — Eu proponho algo diferente..."

" — Sim, continua, o que propões?!"

" — Rumores que laço de fidelidade entre Mihnea e Lady Maria quebrou-se estão a aumentar, ainda mais agora que Maria saiu da comitiva, o avião dela irá fazer parar cá em Roma, para fazer a ligação para o destino dela. Eu proponho que seja a sua comitiva a ir busca-la. Uma aliança com a Sheyde de Mihnea deverá servir de algo, logo agora que Morgan Politiè sucumbiu."

" — Não é mau pensado! Maria é parte integrante da Casa Nyx e Dracul...Nyx e eu em tempos fomos grandes amigas. Tu ainda não existias, mas Nyx tinha um covil enorme em Florença e outro em Veneza, em tempos Nyx tinha em poder dela toda a Itália, e eu era a sua protegida, apesar de ser quem sou e dever fidelidade a Lúcifer. Nyx disse-me que eu sim incorporava o espiríto rebelde que ela necessitava. E agora que Mihnea subiu ao trono eu e Adrásteia seremos perseguidas."

Ela acenou a cabeça e Rafaelo seguiu para o aeroporto.

A comitiva dele incorporava um grupo de Íncubus e Sucúbos, assim como vampiros leais a sua Senhora, a Rainha Vampira de Itália. Itália e Grécia nunca seguiram a Dinastia Rothliner e assim eram independentes de Radagast, Circe e acima de todos Mihnea. Porém ele queria mudar isso, daí a comitiva dirigir-se para Grécia. O que antes tinha sido o mais poderoso território independente tinha-se tornado uma zona de conforto para os exilados dos Grã-Ducados. Sob o reino de Adrásteia Grécia tinha um exercito enorme, porém fraco.

Maria estava a chegar a Roma, depois de horas preocupada com o chamamento de Abraham e a sua passividade em relação á sua fuga, Maria encontava-se agora prestes a ser sugada para uma nova realidade.

O Aeroporto Internacional Leonardo Da Vinci era o maior da Itália. A hora de aterrar aproximava-se. Maria chegara e fora em direcção á saida do porão de chegada, quando saiu, seguiu o seu caminho para a sala de chegada.

Maria sentia algo estranho a funcionar, olhava para todos os lados porém não via nada de alarmante, até...

" — Lady Maria, Sheyde de Abraham, seja bem-vinda a Roma. Minha Senhora, a Rainha de Itália deseja vê-la." — disse ele aparecendo de repente á frente dela.

Maria sabia que a Rainha Vampira de Itália era inimiga de Abraham, pois Abraham era agora o Rei Secularis.

" — Se ela deseja me ver, porque não veio ela me buscar? Será o cargo de Rainha demasiado cansativo para Sua Senhoria?! Não vim aqui para delegar com a sua rainha e o seu bando de demónios, vim pois destino assim o quis!"

" — Minha Senhora é uma optima rainha, melhor do que Abraham alguma vez o será. Ele continua a odiar os vampiros?! Com a retirada dos cargos mais importantes e criados por Radagast, não creio que a comunidade vampira continuará muito tempo a prestar vassalagem a ele. Em breve Itália será o maior reino, com um exército que aniquilará a arrogância do teu criador. Mas chega de atritos, é melhor que venha comigo, senão terei de usar estas criaturas a meu lado." — respondeu-lhe ele com um tom confiante.

" — Irei apenas porque tou curiosa para saber quem é a tua Rainha, arauto, apenas isso."

Ela fora guardar "a sua mercadoria" num cacifo do aeroporto, e segui com o arauto para a viatura que estava mesmo á frente da entrada principal, uma limousine. A comitiva dele desaparecera. Depois de entrar na viatura, ele também entrou.

" — Desculpe minha rudeza há pouco, mas um insulto á minha senhora é algo que não tolero! Chamo-me Rafaelo, Da Nobre Casa Medici."

" — Medici! Eu pensava que essa família tinha perecido há muito. Desculpe-me por tê-lo posto nessa situação."

" — Minha Senhora, está no Covil de Sant'Angelo, e acredite quando digo que Sant'Angelo não é um covil como os outros, é o maior do mundo, não é apenas de vampiros, lá irá encontrar muitos tipos de criaturas."

" — Mas Sant'Angelo não é um monumento nacional?"

" — Sim, mas o covil não é dentro do castelo".

A viagem até fora grande, dentro de meia hora estavam no centro de Roma, Maria teve um vislumbre da Cidade do Vaticano, pensando sempre como é que seria possível que as pessoas caissem naquelas balelas. Mas quando viu o castelo tudo saiu da cabeça. Aquela visão era única quando chegou ao portão do castelo a comitiva estava lá outra vez. Entraram. Para Maria era impossível a Rainha Vampira de Itália ter a sua residência num sítio tão ligado ao Vaticano, afinal ela poderia facilmente entrar lá, através do Passeto. Mas em vez de irem para cima, eles foram para baixo em direcção ás celas, e nisto chegaram a umas celas ainda mais recônditas, escavadas na pedra e aí havia uma porta com a ombreira feita de puro mármore, e a porta de titânio á moda de Avalon, com incrições em hebraico, aramaico, latim e grego antigo, as línguas mortas.

A porta abrira-se do outro lado, e lá estavam guardas, eles continuaram o caminho, desceram um lanço de escadas e tudo era iluminado com candelabros e juntamente com as paredes roxas, todo o covil tinha um ar ainda mais sombrio e macabro, portas tanto de um lado como doutro com símbolos.

Chegaram a uma zona em que havia três corredores, dando um aspecto triangular ao sítio, e eles seguiram um pouco mais á frente e ali estavam eles. Um salão, com um único trono ao fundo do salão, e ali estava ela, sentada no seu trono. O barulho imperava, mas não era apenas vampiros que ali estavam, criaturas dos infernos, Incúbos, Súcubos, Lincantropos, Harpias e até mesmo alguns Wyvern.

Assim que Maria era avistada pelos membros do covil, todos pararam para ver a beldade que era a tão conhecida Sheyde de Abraham. Maria estava simples, os caracóis do seu cabelo faziam lindos cachos, de preto tão intenso e a sua pele tão morena, lisa e mate. Ela apresentava-se com um umas jeans justas pretas, uma blusa de algodão fino verde, e uns saltos simples verdes. Tudo combinava com os faróis verdes que eram os olhos dela.

" — Proseguire, signorina Mary!" — disse a Rainha no mais perfeito italiano.

" — Lei è molto gentile, Sua Grazia!" — respondeu Maria.

Bastou a Rainha um baixo bater de palmas que todos saissem do Salão, os guardas e Rafaello sairam também fechando as portas. Quando isso aconteçeu, ela levantou-se do seu trono e encostou-se á parede e pôs a sua mão na parede. As paredes ganharam uma leve coloração, mas logo isso passou.

" — Agora poderemos falar á vontade." . disse ela.

" — Mas o que como é que é possível um vampiro..."

" — ...Ter magia?!" — interrompeu ela.

" — Sim!" — admitiu Maria.

" — Mas quem é que te disse que eu sou vampira! Não minha filha, eu sou algo mais que isso, não sou um vampiro, mas sim um Demónio, e um dos mais antigos."

Uma mesa e cadeiras apareçeram a Rainha sentou-se numa, e Maria numa que estava á frente dela.

" — Eu sou a primeira mulher, a original, para muitos a verdadeira mulher de Adão!"

" — Lilith?!" — perguntou ela. " — Eu sei que sou velhinha, porém o meu legado foi esquecido, apenas as criaturas sobrenaturais sabem da minha existência. Eu já perdi a conta de quantos anos tenho, eu, Radagast e Andrásteia somos os que ficamos de reger o mundo. Radagast tinha todo o mundo á excepção de Itália e Grécia. Eu fiquei com Itália e Adrastéia ficou com a Grécia. Nyx fez as coisas assim. Avalon pertence a ele. Hoje que o Império Rothliner desmuronou ele ficou sem nada, e assim ele continua a viver sem nada, sem ninguém. Ele fugiu de Avalon quando o teu mestre subiu ao Trono Secularis. O afilhado dele, Petyr é agora o Duque de Avalon. Andrastéia fugiu também. Resto apenas eu, e este pequeno país que outrora fora o centro da civilização."

" — Diz-me o que queres de mim!" — disse Maria.

" — Uma aliança entre a Sheyde de Abraham e a Rainha de Itália. O teu mestre já fez mal a muita gente e tu sabes, e acabaste de sofrer o maior golpe possível. Eu sei que a Europa e a Ásia cairá de mão beijada nas mãos dele. Mas a América é o continente em que a minha fama é notória, em que eu sou adorada. Isso num demónio é importante. O teu papel será apenas evitar a nossa colisão." — respondeu Lilith.

Maria ponderava na cabeça, apesar de já ter uma resposta na sua cabeça. Lilith não lhe ameaçara, não tinha sido rude ou arrogante. Lilith era apenas como ela. Uma peça do jogo de Abraham que não queria ser usada.

" — Sim, eu lhe irei ajudar. Mas não poderei ser incluida em nenhum plano seu.