One to Rule Them All.
2 Sócrates e Hipátia
Grécia algures entre Antes de Cristo
– Mami, mami onde vamos? — perguntava a rapariguita.
– Onde nunca poderemos nada dizer, vamos á ágora que lá estará Sócrates a discutir com os sofistas. — dizia a mãe. — Um dia entenderás que por muito que vivamos nunca poderemos saber tudo sobre o universo e que ainda há muitas incógnitas para desvendar.
– Gostei do Homem que disse aquilo dos quadrados dos catetos serem igual ao quadrado da hipotenusa, como se chama ele mami? — perguntava ela.
– Pitágoras, minha filha, Pitágoras, e acredita no que te digo ele será para sempre lembrado, agora pega na pena e no pergaminho e passa-mos.
A mãe passava os dias no ágora onde escrevia os diálogos, as conclusões e tudo mais, ela tinha uma ligação especial com os sábios.
– Bem vistes Sócrates ganhou aos sofistas, a Retórica não é tudo. — dizia a mãe contente.
– Mas mami os homens dizem que os sofistas ganharam.
– Meu bem isso é porque os cidadãos desta e doutras pólis não sabem cogitar por eles mesmos e caem muito facilmente em mentiras porque nada sabem sobre o assunto e por isso apelam ao discurso que parecer mais sábio. Agora vamos. I̱PA FORTI̱GO̱N!
E com isto a mami e a filha estavam no Pánthos.
– Hémera filha vamos estudar. Érebo, Alecto, Megera e Tísifone vá vamos também estudar. — dizia Nyx.
E lá estudavam eles de tudo, Lógica, Retórica, Filosofia, Aritmética enfim tudo em geral e assim esta Hémera que apesar de "nova" começava a apreciar as subtilezas do pensamento humano e assim tornou-se uma pequena sábia.
– Então a Lógica é um instrumento, uma introdução para as ciências e para o conhecimento e baseia-se no silogismo, o raciocínio formalmente estruturado que supõe certas premissas colocadas previamente para que haja uma conclusão necessária. O silogismo é dedutivo, parte do universal para o particular; a indução, ao contrário, parte do particular para o universal. Dessa forma, se forem verdadeiras as premissas, a conclusão, logicamente, também será. — dizia Hémera sem sequer gagejar.
– É isso mesmo, vêm meninos a Hémera já aprendeu.
– Mãe porque que os humanos acreditam que é o Sol que gira á volta da Terra? — perguntava Éter.
– Bem porque é o que pareçe visto da Terra pareçe que o Sol nasce em Este e põe-se a Oeste. — respondia Nyx com muita paciência.
No dia seguinte lá iam os "meninos" para o ágora e souberam de uma notícia aterradora, Sócrates tinha sido condenado á morte e estaria a passar-se agora o julgamento.
– Eu predigo-vos portanto, a vós juízes, que me fazeis morrer, que tereis de sofrer, logo após a minha morte, um castigo muito mais penoso, por Zeus, que aquele que me infligis matando-me. Acabais de condenar-me na esperança de ficardes livres de dar contas da vossas vida; ora é exactamente o contrário que vos acontecerá, asseguro-vos (...) — dizia Sócrates.
– Mami o que lhe vai acontecer? — perguntava Hémera.
– Nada meu bem...nada — respondia Nyx
Pois se vós pensardes que matando as pessoas, impedireis que vos reprovem por viverem mal, estais em erro. Esta forma de se desembaraçarem daqueles que criticam não é nem muito eficaz nem muito honrosa. — continuava Sócrates.
E assim foi a última vez que Nyx vira Sócrates na Terra.
– Gia to thánató tou eínai ligótero chronovóra — murmurava Nyx entredentes.
Alexandria décadas depois.
Hémera estava agora em Alexandria e era amiga de uma das máis conhecidas da época, Hipátia de Alexandria. Hémera segundo consta era visitante constante da Biblioteca de Alexandria, onde estava as compilações de todo o conhecimento do Homem.
– Minha amiga Hipátia, ontem deparei-me com uma teoria de Aristarco muito interesante. — dizia Hémera.
– Qual? A da teoria heliocêntrica? — perguntava Hipátia.
– Sim é algo deveras estranho, mas muito bem formulado, porém penso que a mentalidade do Homem não sabe apreciar estas subtilezas, estas teorias que vão contra o que os sentidos lhes dizem. — dizia Hémera
Lá fora da biblioteca algo se estava a passar.
– Minha senhora Círilo é agora o Patriarca de Alexandria — dizia um servo de Hipátia.
– Muito bem, Hémera sabes o que tens de fazer certo? — perguntava Hipátia.
– Sim minha cara amiga — respondia Hémera.
Hémera fez o que lhe foi pedido e partiu para a sua residência em Alexandria. No dia seguinte Hémera soube que a sua amiga Hipátia fora assasinada e que a biblioteca era agora nada mais que um curral de animais e que todo o conhecimento escrito pela Humanidade esta agora perdida ou assim pensavam eles...
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