One to Rule Them All.

21 Do Lago de Avalon até á Academia...


Notas iniciais
Narrado por "Trinity"

Arredores das ruínas de Camelot.

Passou um dia e ainda estavámos a nos dirigir para Camelot. O primeiro abrigo que encontrámos foi o Castelo Pendragon, e lá eu, Adisa, Ava e Thema pernoitamos.

" — Será que me podem contar o que se está a passar por favor?" — perguntei eu.

Elas entreolharam-se e Thema começou a falar.

" — Nós as três nascemos há bastante tempo, somos filhas de Deusas, mas isso não nos deu uma vida fácil. Somos mestiças ou híbridos, pois somos também filhas de humanos que em tempo foram grandes reis. Eu sou filha de Isthar e do rei Nabucodonosor II da Antiga Babilónia. Ava é filha de Ísis e de Ramsés II do Egipto, e de todos os filhos mestiços, ela é a mais velha. E Adisa é filha de Afrodite e de Alexandre Magno. Ingrid é filha de Freyja e de um guerreiro vinking que ninguem sabe o nome, nem Ingrid sabe."

" — Bem, voçês têm uma longa história então, mas onde é que eu entro nisto?" — disse eu.

" — Tu e Marcus são os únicos descendentes vivos com magia da linhagem de Abraham. Abraham é o filho mestiço de Nyx, o mais novo de nós e o mais poderoso neste momento, é ele quem comanda praticamente todos os vampiros, ele é o Regius Secularis. Tu tens em ti o sangue de todas as deusas. Apesar de nós nunca termos tido filhos, as deusas tiveram mais filhos que deram descendência como elas queriam, eles desvaneceram na história e apenas tu, Abraham, Angelinna e nós restamos. O teu papel nesta história é o mais importante de todos, tu serás o Regius Maximus, o Rei Supremo e tu comandarás o maior império sobrenatural de sempre."

" — Um império..." — repeti eu pensando no significado dessa palavra e juntamente o seu peso.

" — Sim, um império. Até há uns dias o maior império era o Império Rothliner, que estava a cargo do primeiro vampiro, Radagast Rothliner. Reichroth é antigo nome do império dele, que abrangia o mundo á excepção da Itália e da Grécia que pertenciam ás Rainhas Vampiras Lilith e Andrásteia. Os meus espiões dizem que Andrasteia fugiu para não ser morta ás mãos de Abraham e Lilith está escondida no seu covil principal e a emitiu a ordem de inclusão. O mundo dos vampiros está a mudar e em breve o mundo das outras criaturas sobrenaturais também." — disse Ava.

" — Mais criaturas?! Como o que?" — perguntei eu sobresaltado.

" — Criaturas como lobisomens, lincantropos, metamorfos, skinwalkers, dragões, wyvern, harpias, mantícoras, hidras. E isto é só dos deuses clássicos. Do deus cristão, judeu e islâmico tens os Jins, os demónios, súcubos, incubos, anjos, arcanjos e muitas outras coisas para nos chatear a cabeça." — respondeu ela.

Perante aquilo fiquei parado(a) no tempo, o meu mundo na realidade era minúsculo, como é que seria possível criaturas como aquelas se esconderem dos humanos, e se seria isso que eles faziam. Começei a chorar, o meu mundo num espaço de quatro dias tinha se alterado completamente. Tinha a confirmação que o meu irmão estava vivo, descobri que não sou fraco, tenho poder. Mas elas chegaram-se mais próximo de mim, e Thema me abraçava e limpava as lágrimas.

" — Sei que essas lágrimas não são de tristeza, mas de confusão, mas não te preocupes, todas nós estamos aqui para te ajudar. E o primeiro passo é infiltrar os Death Dealers, subir todos os ranks até que tu chegues ao lugar de Lorde Comandante. Depois tens de ir a uma das Academias Mágicas, e aí tens duas hipóteses, ou a Academia Venyar ou Eldarlon. As academias são escolas onde vais aprender magia e escolheres o que mais convêm. Adisa e Thema, juntem-se, vamos até Camelot.

Num espaço de três segundos estavamos em Camelot, as ruínas eram enormes, via-se o destroço de uma antiga cidade mediaval, o Castelo de Camelot no topo da colina, a muralha que cercava o vale, o palácio que estava junto ao rio. Não se via sol, lua. Apenas a bruma e as nuvens, no céu uma nuvem sobresaia-se de todas as outras.

" — As Lâminas Camelotianas, são o símbolo dos Death Dealers, isto é por onde eles saem, para vir aqui."

Seguimos o caminho, cobrindo-nos da humidade, uma capa de linho preto com um capuz que nos cobria a cabeça pela metade. No portão estavam dois Death Dealers, com o típico traje preto de cabedal, as botas de couro pretas e as armas á cintura.

" — O que fazem aqui? Perderam-se no caminho? Avalon é naquela direcção!" — disse um deles.

" — A presunção é a morte de muitos!" — respondeu Isthar.

Ele apenas se riu, entreolharam-se e avançaram na nossa direcção. Thema apenas puxa o capuz para trás e ergue a mão. Mas eles continuaram a rir. Ela apenas murmurava uma espécie de encantamento.

" — EU SOU THEMA, DA CASA REAL DE ISTHAR! Eu não me perdi no caminho, eu pertenço aqui!".

Ele apercebeu-se das coisas e segredava com um outro. Apenas nos deu um sinal e seguimos-o para dentro das ruinas da cidade. Iamos em direcção do castelo de Camelot, imponente sob a colina. O portão descaído, com grades de ferro ferrugento, mais Death Dealers a vigiarem. O outro apenas acenou a cabeça e eles com um gesto hastearam as grades, ao passarmos homenageram-nos com uma vénia e um dizer estranho " Agdaed Farhed" ao que ele respondeu "Farhed siyth Agdaedin".

Thema apercebera-se da minha admiração.

" — Eles falam em Lornish, a língua da magia Valar, eles são Death Dealers e também a primeira linha de defesa do mundo supernatural, daqui a uns tempos verás as " Valar Virgo" ou as V's, elas são as Virgens de Avalon, as mais ferozes de todas as tropas, mas também as que menos lutam, visto que elas se encarregam da defesa suprema de Avalon. E vejamos Avalon encontra-se nas brumas, não tem muito por onde pegar guerra.

«Agdaed Farhed» significa «A morte segue-nos» e «Farhed siyth Agdaedin» significa «Todos os caminhos se cruzam na Morte»"

Estavamos a entrar, o magnífico Hall de Camelot, decadente mas ainda assim guardava muita da sua antiga beleza. Tudo era de pedra negra, no hall apenas duas estátuas de mármore serviam de decoração. As inscrições diziam que eram de Viviane e Níníane. Seguimos o caminho para o topo, umas escadarias em forma de caracol ascendiam para o patamar superior. Ao subirmos para o patamar superior admirei-me por ver que tudo era moderno. O guarda fora-se embora. Uma espécie de balção de atendimento estava á nossa frente e bastantes pessoas lá atarefadas. Ouvia eles a falarem em várias línguas: Inglês, Francês, Mandarim, Cantonês, Japonês e até Português, mas uma delas se destacava, deveria de ser Lornish.

Uma das mulheres se virou para nós e simplesmente falou:

" — Bem vindo ao Castelo de Camelot. Aqui é a sede dos Death Dealers, mas digam em que vos posso ajudar."

Por essa altura saltos altos ecovam na escadaria. Ouviam-se risadas e tosse. Quando me apercebi era Angelinna e Ingride.

A mulher fez uma breve vénia a elas.

" Não sabia que a Senhora do Lago tinha mandado alguém a Camelot! Sejam bem-vindas a Camelot, minhas senhoras!" — disse ela.

" — Ó Anne, já sabes que não precisas de nos chamar "senhoras". Já agora está aqui a carta para nós e eles" — disse Angelinna apontando para nós.

Ela recebeu a carta, que para mim parecia mais um pergaminho, descolou a cera e leu para si, no que parecia segundos. Olhou-nos e disse:

" — Sejam bem-vindas a Camelot! E boa sorte com os Death Dealers! Vou agora tratar da papelada e tratar de vos inscrever na Academia e na Residência."

" — Obrigado Anne! Nós vamos indo para a Academia se não te importares, temos muito que fazer, e espero estar numa missão ainda este mês!"

" — Sim, sim! Podem ir, quando lá chegarem já lá deve tar a papelada não se preocupem, quanto a estarem numa missão isso já depende do Lord Comandante. Novamente se precisarem de mais alguma coisa, não hesitem!" — disse ela já preparando papelada.

" — Sigam-me! Não pensaram que seriam os únicos a se divertir?" — disse Ingride.

O caminho para baixo já não era tão penoso, mas ainda assim as raparigas se divertiam. Excepto Angelinna que estava ao meu lado.

" — Não te esqueças que és uma de nós, Trinity! Agora é que tudo vai começar, este é apenas o primeiro passo de muitos que iremos dar juntas. Mas primeiro que tudo a Academia não é o que estás a pensar, não é uma escola. Lá apenas irão ver quais as habilidades que tens, e o tipo de magia que tens, uma vez que nunca estiveste em nenhuma das academias mágicas."

" — Sim! Estou-me a aperceber disso, mas não te preocupes eu finalmente estou a gostar disto, até tem uma certa poesia neste sítio abismal. Nunca pensei que Camelot fosse assim tão mórbido. Mas onde é a Academia?"

" — Assim é que se fala, mulher! A Academia de Camelot é ali no Palácio." — respondera Ava.

Apesar da morbidez de Camelot, esta ainda tinha um lado belo e clássico, o Palácio de Camelot, ou a Academia. Apenas com três andares, tinha o estilo barroco, pintado de amarelo-baço e com calcário á mistura, uma fonte á frente da entrada, nela estava uma estátua de ouro, um homem com uma folha de pergaminho na mão esquerda e as lâminas camelotianas na direita e um manto que ia desde a cabeça até aos pés. Por debaixo deste, patamares circulares com inscrições em línguas totalmente estranhas.

" — Que é aquilo ali escrito?" — perguntei eu.

" — Um dia saberás Trinity. Mas aquilo está escrito em Lornish Antigo, Lornish, Narsoa e Eldish. São as línguas mágicas, mas não te preocupes eu vou dando-te dicas para perceberes o que eles dizem. Até podes gozar com eles, a maioria não sabe Português." — disse ela.

Perante isso eu soltei uma gargalhada, não estava habituado á voz que saia deste meu corpo.

Entrámos na Academia, ao que pareçe os Death Dealers apenas investiram nos patamares superiores do Castelo e aqui na Academia. Tudo era lindo, por dentro era feito de mármore rosa e decorado com ouro branco e amarelo. A mobília era de madeira extremamente trabalhada e ornamentada.

Subimos uma escadaria, e um corredor tivemos de percorrer, até que me apercebi aonde estávamos a ir. Á nossa frente estava um trono de madeira negra ornamentado com as lâminas de Camelot e o pergaminho. Sentado nele estava um homem que pela sua aparência não tinha mais do que quarenta anos. Pelo que me estava a aperceber era o Lorde Comandante. O que eu teria de suplantar.

" — Minhas Senhoras, sejam bem vindas á Academia de Camelot, a Anne já vem com os papéis para voçês lerem e assinaremm, entretanto sentem-se comigo, dentro de momentos vem um professor de Necromancia dar uma palestra sobre a Magna Muerte e as utilizações da Necromancia, devo dizer que para mim é aborrecido, mas é o meu papel como Lorde Comandante"

" — Claro que nos sentaremos consigo meu Senhor, é uma honra, e para nós não será aborrecido pois em Avalon não temos aulas de Necromancia." — disse Ingride.

Para mim, tudo aquilo era estranho, Necromancia, um dos tipos de magia mais odiados pela História. Mas ao mesmo tempo tudo o que é obscuro atrái a mente humana.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.