One Summer Dream
2 II - Danger
Notas iniciais
Dói tanto por sua causa
Pare de me confundir
Você é tão má
Aquele sentimento era falso, tinha que ser, eu não podia ficar me recordando de sonhos impossíveis de uma adolescente. Por que doía tanto? Eu estava confusa. Que sentimento maldoso era esse tal de amor.
xx
Quando cheguei na Coreia do Sul estava achando o avião muito frio. Mas quando eu saí dele, estava mais frio ainda! Eu não estava preparada para aquele clima, mal tinha roupas de frio, eu realmente deveria ter pesquisado mais sobre o clima de lá.
Olhando pelos janelões do aeroporto pude ver a cidade de Seul. Era uma mistura do moderno e do antiquíssimo. Havia prédios que pareciam ter vindo do próximo século e templos que vinham de séculos passados. Fiquei pensando como seria morar ali.
Saí a procura de um táxi. Mas não sabia como chamá-lo.
Eu havia feito aulas de coreano, anos antes de ir para lá, o problema é que tinha esquecido quase tudo, e meu inglês não estava lá essas coisas. Ótimo, agora eu estava perdida em Seul sem saber me comunicar adequadamente, e nem mesmo onde ficava minha faculdade.
Depois de muita enrolação e uma mistura de inglês – coreano, consegui encontrar a faculdade. Lá por sorte havia pessoas que falavam português. Assim eu conseguir achar meu quarto com mais facilidade.
Ao chegar nele, haviam malas e roupas jogadas por todo lado. Eu já sabia que ia dividir quarto com uma pessoa, mas tinha que ser justo com uma pessoa desorganizada?
— Com licença. Há alguém aí? – Eu disse pondo minhas malas em cima da cama.
— Quem você pensa que é para invadir meu quarto desse jei...- Disse uma mulher que parecia ter minha idade, estava vestindo um roupão e passando uma toalha em seus belos cabelos loiros — Ah, é minha nova companheira de quarto, certo? Prazer, sou Anne.
— Sim... É, prazer, sou Diana.
— Desculpa a bagunça, juro que não sou assim, tirei o dia para arrumar o quarto. – Ela falou enquanto retirava suas roupas de cima da minha cama.
— Não tem problema, eu entendo...
— Você nunca veio para cá certo? Hoje é sábado, não tem aula amanhã, porque não sai comigo amanhã à noite? Para conhecer a cidade? Eu conheço uns bairros muito bons de se visitar. Se você quiser eu posso te levar para um bom restaurante também, para almoçar.
— É...
— Você houve k-pop né? Dá para notar pela sua blusa do BTS. Eu também gosto. Mas fique sabendo que você não vai ouvir k-pop em toda rua que passar por aqui, me conta mais sobre você.
— Ah sim, eu ...
— De onde você é? Veio cursar o que?
Comecei a rir, essa situação eram bem engraçada, parecia aquelas de um filme de comédia.
— Por quê você está rindo? Ai Meu Deus! Acho que estou falando demais, desculpa. Você deve tá cansada né? Porque não vai tomar um banho? Eu te mostro o banheiro. Vem cá.
Eu apenas sorri e a segui. Estava nos meus devaneios de novo, pensando em como seria minha vida naquele lugar completamente diferente do que o que eu vivia antes.
Tomei um banho quente, afinal estava muito frio naquele momento. Então me decidi, a primeira coisa que eu faria no dia seguinte seria comprar roupas de frio.
— Hum... Você poderia me levar em alguma loja amanhã? Preciso comprar roupas de frio.
— Claro! Eu ia sair amanhã mesmo, te levo comigo. Mas agora acho melhor você dormir, não sei se você sabe, mas aqui tem toque de recolher. Já são 11 horas da noite.
Apenas assenti e me deitei, realmente estava cansada, afinal passei dezoito horas dentro de um avião.
xx
No dia seguinte fomos para uma loja, eu havia juntando dinheiro suficiente para sobreviver três meses lá. Depois teria de pedir há meus pais, algo que eu odiava fazer.
— O que você acha desse? Combina com você não é? Compra esse. – Falou Anne jogando um moletom em cima de mim, enquanto pegava outros.
— Ah, claro é muito bonito, deixa eu ver... – Interrompi minha fala quando vi uma pessoa estranha, toda camuflada, passando em frente a loja. Como se fosse um fugitivo ou algo do tipo. Ele olhou em direção a nós, parecia que ia entrar na loja, mas em vez disso, seguiu em frente.
O olhar dele me lembrava muito alguém, só não lembrava quem. Meu coração mudou de ritmo. Simplesmente ignorei e voltei a olhar as roupas.
Mais tarde, no meu quarto, aproveitei o tempo livre para ligar para meus pais e dizer que havia chegado bem. Já estava sentindo falta deles.
Quando a ligação terminou estava mergulhada em lágrimas novamente, havia contando como fora minha chegada, que eu estava bem e impressionada com o lugar. Não lhes contei que estava um pouco perdida e com muita dor por conta da saudade e do medo do desconhecido pois não queria preocupá-los.
Me joguei na cama e me pus a pensar por um único momento naquele em que um dia me ajudou quando eu estava na pior. Ele me perseguia em meus sonhos, em meus pensamentos, onde quer que eu fosse, não importa o quanto eu tentava esquecê-lo.
Depois de conhecer Rafael, eu havia conseguido afastá-lo do meu pensamento. Mas agora, na Coreia, ele voltava ao meu pensamento. Kim Taehyung, meu sonho impossível de verão. Apenas um sonho de uma adolescente de dezessete anos.
Ele era integrante de um dos meus grupos favoritos, era o meu favorito. Seu sorriso era perfeito, seu amor pelos animais, pelas crianças, sua humildade, sua voz. Tudo nele me atraia. A não ser um simples fato: Ele nunca saberia da minha existência. Foi assim que eu decidi desistir desse sonho maluco e voltar a viver na vida real.
A vida real doía, mas era a vida real, e eu não podia fugir dela.
Sacudi minha cabeça tentando apagar meus pensamentos estúpidos e me pus arrumar meus materiais para o dia seguinte.
Anne chegou alguns minutos depois me chamando para sair para um Club, eu não estava com cabeça para sair naquela noite, então recusei o convite. Peguei meu celular e liguei para Rafael.
Eu sentia falta dele, por muito tempo ele me ajudou a esquecer a dor do meu amor platônico que nunca seria correspondido. Naquele momento, eu desejava mais do que ouvir a sua voz, desejava que ele estivesse ali comigo.
Em seguida pensei em ligar para Leandra, mas provavelmente ela estaria ocupada no trabalho. Eram nove da noite na Coreia, então deveria ser nove da manhã no Brasil. Eu a admirava muito por ser tão dedicada ao que fazia.
Ela havia se formado há pouco tempo e já estava trabalhando em uma empresa de marketing muito renomada.
Decidi sair para tomar um ar, não estava aguentando ficar naquele quarto. Com um dia lá, já pude notar que as ruas a noite eram bem movimentadas. Como eu não queria ter que se misturar a esse movimento todo, fui para uma área mais reservada. Fiquei impressionada com a segurança da Coreia, nada havia acontecido comigo ainda. Foi quando ouvi passos rápido atrás de mim, quase como se alguém tivesse fugindo de algo. Me virei para ver o que estava acontecendo e uma pessoa esbarrou em mim, me derrubando no chão.
— Oh, cuidado por onde anda maluco! – Gritei em coreano
— Me desculpe – Ele, com uma voz extremamente familiar, falou estendendo a mão para mim – Estou com um pouco de pressa.
Levantei meu olhar e percebi que era a mesma pessoa que eu havia visto mais cedo. Ele trajava um moletom, o capuz estava cobrindo sua cabeça, além de estar mascarado. Ele estava com pressa? Estaria fugindo de alguém? Da policia talvez? Será que havia traficantes fugitivos na Coreia do Sul?
Em um susto repentino, me pus a correr. Era melhor não arriscar descobrir, para no final ter meus órgãos vendidos no mercado negro.
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