Notas iniciais
Olá, Annia aqui. Bom pessoal, Leh e eu quem escrevemos, esperamos que Gostem.
Miwa, quem criou o nome ;)
Oi Kizlars...
Boa Leitura!

Às vezes me pergunto o motivo do meu nascimento, pois nunca tive muito e nem pouco... Nunca fui dona, senhora, nem mesmo simplesmente Eu. Sempre acabei ficando entre o meio e a metade. Foi assim que acabei me casando com um homem que nunca disse que me amava ou que simplesmente me odiasse. Nas poucas vezes que falou comigo, nunca olhou para mim, nunca senti seus olhos em mim. Certa vez perguntei o motivo disso, tal que ele me retorquiu:

_Tenho onde mais gastar meu tempo.

Casei-me com Dimitri Belikov, russo, para ser mais exata um belo russo. Quando nos casamos, no inicio achei realmente que fosse ele quem me completaria, porem estava enganada, a única coisa que ele me fez, foi me dividir mais ainda ao meio... Antes Rose Hathaway, agora, somente Rose.

Ele ia trabalhar as seis, voltava às seis. Seis irmãos, todos falecidos. Seis empregos, todos perdidos. E acrescento um segredo: seis amantes, todas atuais. Daí o motivo de quando nos casarmos, ele ter me partido ainda mais. Engravidei, anos depois do casamento, mas nem pra isso servi como mulher. A vontade era tanta, mais tanta, que queria ter um filho, só pra saber se assim eu ficaria inteira, que fossem por apenas 9 meses. Mas eu ao menos saberia como é se sentir inteira. Só encontrei a vontade mesmo, esperei meses a fio, com tanta expectativa... Não fui ao hospital, tive medo de dizerem "não é seu", mas fui obrigada a ir, pois comecei a sentir dores...

Adivinhem?

Era semiprenhez, não existia nada ali... Apenas um vazio. Desconcebi em meio tempo, meio sonho, meia esperança.

O que eu era?

Um gasto, um extravio de coisa nenhuma. Depois do aborto, reduzida a ninguém, meu sofrer foi ainda maior. Sendo metade, sofria pelo dobro. Como poderia gerar um bebê, se nem inteira eu era?

Cheguei em casa, meu marido não está na sala lendo o jornal, como de costume, o que era estranho pois a partir desse horário ele sempre estava em casa... Vou até a cozinha e vejo uma faca em cima da pia, estava tão afiada, tão limpa, tão tentadora. A seguro em minhas mãos e vejo o contraste que faz com minha pele morena de tanto ficar no sol esperando que Deus me veja. Seria uma bela combinação ver o sangue escorrer pela lamina. Estava quase a passando pelo meu pulso quando eu percebo que assim não me tornaria inteira, só me diminuiria a nada.

Parei o golpe a meio caminho... Essa não era eu... Antes disso não era assim, era bela, e agora o que restaste de mim? Ainda sou bonita, não como a época que me casei, mas ainda sim sou muito bela para idade que contenho não posso me reduzir ainda mais por não ter tudo o que sempre sonhei... Descobri da pior maneira que contos de fadas não existem...

Fui até meu meio quarto... Sim, até este dividia com meu marido... Havia tomado uma decisão, uma que mudaria o rumo da minha vida... Procurei no armário o conjunto mais belo que tinha, um roupão por cima e soltei os cabelos que ficaram tanto tempo sem respirar, pois a partir do momento que comecei a me dividir nada mais respirava em meu ser, mas acho que está na hora de fazer com que minha vida volte para minhas mãos e não fuja como se tivesse medo do que eu sou.

Não posso permitir que isso continue... Não irei morre, pois não me ajudará, mas farei com que ele sinta minha falta, farei ele me desejar, como nunca desejou e farei com que ele me olhe, mas não como uma despesa, mas sim como mulher, ainda mais que suas amantes, ainda mais que qualquer mulher, mostrarei para ele o porquê de termos casados, não era só minha beleza que o atraiu... Disso eu tenho certeza, pois ele não se sujeitaria só se casar por beleza, por que ter uma se pode ter todas? Mostrarei para ele....

Escuto o barulho de seus sapatos baterem nas poças de água lá fora. Corre imediatamente para o quintal, onde a chuva me molha toda e fico esperando que ele venha até mim, mesmo sem me ver, era uma tarde de cinza, o céu descido abaixo das nuvens... Fui recebê-lo na porta, o roupão abotoado por metade, chovia, de lavar céu. Eu mesma me aguei aos olhos de Dimitri. Brinquei, provoquei, mostrei o cinto distraído, desapertado. Provoquei com o perfume que minha vizinha me emprestou.

_ Você quer-me molhada pela chuva? – disse com a voz rouca. Não sensual apenas rouca. Não podia ter o luxo de ter as duas coisas... Na verdade eu podia... Sim sou mais que uma simples mulher, eu sou SUA mulher, e farei com nessa noite ele seja MEU...

_Quero-lhe é mais molhado que chuva. — Então, como se tivesse voltando a enxergar, pela primeira vez, meu marido me olhou. Seu rosto se emoldurou, único retrato que comigo guardo, para disfarçar, revirei uma gota de água entre os lábios, fiz adivinhar o veludo da carícia, vi que a luxuria transpareceu em seu olhar, e quase que me desmancho, mas não podia, tenho que fazer com que ele seja Meu e para isso tenho que tomar as rédeas da minha vida, do meu poder, que ele pegara ao assinar o contrato de casamento...

_ Rose... — Então ele sabia meu nome, menos mal, o pior se ele me confundisse com as vadias com a qual dormia, o puxei pelo colarinho, o puxando para mim e me deliciando com seu cheiro de pós barba que sempre amei e sempre irei amar, nosso beijo começou calma mas a urgência nos tomos, em um movimento, Dimitri me pegou em seus braços e nos levou para o quarto...

_ Dimitri... — Não pude deixar de gemer, pois pela primeira vez estava sentindo prazer, um prazer que por anos fui detida de ter, como uma prisioneira que acaba de ganhar a liberdade, e quer aproveitar tudo que não pode ter quando esteve presa, ele se livrou de nossas roupas, e sem nenhum aviso prévio me penetrou, enquanto nos perdíamos um no outro, minha mente trabalhava... Não poderia deixar essa noite terminar... Não podia ter isso e depois não ter nada... Não conseguiria viver assim, sei que se ele falar voltarei a ser metade, e nunca mais poderei achar as rédeas da minha vida... Por mais que tentasse tirar a idéia que surgirá, não podia... Não podia...

_ Roza... — E foi assim minha primeira e última noite de prazer... Chegamos naquela noite ao ápice juntos, assim que ele disse isso, eu me senti viva, mas ao mesmo tempo morta, pois já havia tomado minha decisão e não iria fraquejar agora... Nos posicionei de forma que eu ficasse em cima dele, sem nunca sair de dentro dele, queria deixar prolongar nossa separação, ele me olhou confuso, mais ainda excitado, tirei da gaveta que havia ao lado da cama e retirei um punhal, assim que viu senti Dimitri com... Medo...

_ Roza o que está fazendo?

_ Fazendo o que devia ter feito há muito tempo... — E com isso enfiei i punhal em seu coração, mas antes sua expressão, me deixou um pouco arrependida, pois ele me olhava com amor, e perdão, até mesmo um pouco arrependido...

_ Eu sempre te amei Roza... — Essas foram suas últimas palavras, antes de morrer....

_ Eu também Dimitri, sempre te amei... — Com isso sai de dentro dele e comecei a andar pelo quarto, sem um rumo especifico, como se esperasse que ele acordasse e voltasse para mim, ou que tudo não tenha passado de um sonho... Mas eu sabia que isso não era um sonho, pois se fosse eu iria me sentir inteira, e não reduzida a nada... Como se um filme passasse em minha cabeça, vi toda a minha vida, da infância até agora, e sei que não valia pena relembrar, pois meu passado é só uma parte do meu presente... NADA...

Mas eu comecei tudo isso, agora devo seguir adiante, começo a vestir meu amado esposo que Deus o tenha e que o mesmo me aguarda, pois logo irei ao seu encontro... Não iria suportar a idéia de tê-lo por uma simples noite, como se fosse uma de suas amantes... O queria por inteiro, mas o conheço o suficiente, para saber que mesmo que ele me amasse, não seria o suficiente... Por isso se eu não posso ser inteira, nem mesmo completa... Não serei as outras vadias que serão, o prefiro morto a morrer naturalmente sabendo que ele me traia e eu nunca tomar nenhuma atitude... Limpei toda sujeira, que havia feito depois me troquei, logo ligando o gás, e espalhando gasolina pela casa, depois que senti que a casa iria explodir, deitei na cama e com um simples golpe em meu coração o punhal fincou, me levando assim para onde meu marido estaria...

Contos de fadas não existem... Mas Rosemarie teve seu final feliz, pois o que a vida separou eu acabei de unir, o sofrimento a dor que ela sentira, fora o suficiente para ela terminar, fazendo de si uma mulher nova...Inteira, a lado daquele com a qual ela sempre sonhara casar, mas o pesar era que para que ambos tivessem um final feliz eu tive que intervir... Pois a felicidade deles só começou quando eu apareci.

Atenciosamente, Morte


Notas finais
Bom, é isso. Espero que tenham gostado.
Comentem e nos dê sua opinião!
P.S.:Não nos matem, ok?
Se for pra matar alguém, que seja a Leh!
Brincadeira kkkk
Não me matem não...
Eu sou muito nova para morrer...
srsr...
Beijos..
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!