One Picture II: Find Yourself
7 Encontrar & Chá
Notas iniciais
POV BERNARDO
Olhei Leticia mais uma vez enquanto movia as pernas doridas de tanto tentarem manter-me à superfície.
Ela chorava à tanto tempo, nós estávamos ali à tanto tempo. O meu estômago reclamava, faminto.
Neste momento, era eu que suportava Leticia, com os meus braços em volta da sua cintura, erguendo-a para cima.
Eu queria tento fechar os olhos.
Talvez se for só por um bocadinho.
POV AURORA
Mel abriu a porta, fazendo com que eu me levantasse rapidamente.
—Me diga que os encontraram.
A morena encarou o chão, e depois, olhou para mim negando com a cabeça.
Melanie sentou-se numa das cadeiras da cabana, passando a mão na testa.
—Ja passaram mais de duas horas. Como é que ninguém os encontrou? E se eles ainda estiverem em alto-mar?
—Ruben e Bernardo já procuraram no mar, não no alto-mar,mas foram de mota de água pelas redondezas.
—Isso não chega, eles têm que procurar mais longe. Com um barco, sei lá.
—Eles devem estar morrendo de fome. -Mel suspirou.
—E devem estar cansados...
Caminhei da minha cama até à mesa onde estava minha amiga. Puxei uma cadeira e sentei-me, pousando uma das minhas mãos no ombro de Melanie.
—Eles vão ficar bem, nós vamos encontra-los. -disse tentando sorrir.
—E como?
Pensei um bocadinho. Eu queria agir, não queria esperar por resultados sem procurar por eles e principalmente não queria estar aqui sentada enquanto os rapazes faziam tudo o que podiam para encontrar os nossos amigos.
—Aqui paradas é que não vamos encontra-los. Vamos, Mel!
(...)
—Deixa ver se eu entendi, vocês querem um dos meus iates?
—Tio, a gente não precisa de um iate, de um barco a motor, ou uma lancha!
—Não sei, Aurora. -O meu tio olhou para mim relutante, abanando a cabeça para os lados. -E se vocês esperassem pelas buscas da polícia?
—Com todo o respeito, você só pode estar de brincadeira. -levantei a minha voz. -As buscas policiais só começam daqui a duas horas. Eu quero encontrar meus amigos sim, mas vivos.
Melanie concordava com a cabeça, roendo as unhas nervosa.
—Olha, pode ser perigoso. Eu não posso deixar que aconteça algo com você, Aurora.
—Não vai acontecer nada, eu juro.
—Isso não chega. -o mais velho disse cruzando os braços e, sinceramente aquilo já me estava a enervar.
—Ouça tio, se você não me dá acesso aos barcos agora, eu arranjo maneira de conseguir. -ameacei, recebendo um olhar surpreso de Melanie.
—Porra, Aurora. A teimosia é de família. -resmungou. -Olha se você não voltar viva, EU....bem, eu nada não posso fazer porque você já estará morta.
—Tio...-resmungo impaciente.
—Eu estou confiando em você. -diz estendendo uma das mãos, mostrando um molho de chaves prateadas e brilhantes. -Tenha cuidado.
—Tio, o senhor também tem que vir.
—O quê?
—A gente tem cara de quem sabe navegar ou conduzir um barco?
POV EDUARDO
—Vocês duas não vão a lado nenhum. -Ruben falou apontando para Aurora e Melanie. Concordei com a cabeça.
—Mas tu pensa que manda em mim? -Aurora resmungou, me fazendo cruzar os braços.
—Eu acho o mesmo, pode ser perigoso. -declarei, recebendo o olhar reprovador da minha namorada.
—Não exagerem, garotos. O mar nem tá assim tão agitado. Aliás, o mar de Bora Bora é super calmo. -Melanie explicou enquanto todos ,incluindo o tio de Aurora, caminhávamos até ao cais onde os barcos estavam. -Além disso, não é como se fossemos morrer.
—Mas se não formos depressa, quem vai morrer vai ser o Bernardo e Leticia. -a minha namorada disse andando mais depressa. Um arrepio percorreu toda a minha espinha.
Eu não ia deixar o meu melhor amigo morrer.
(...)
Olhei os lábios arroxeados de Bernardo, agradecendo a Deus por os termos entrado vivos...ou quase.
Bem, Leticia estava com as garotas, no pequeno quarto localizado no interior do barco. A equipa de socorro que conseguimos arranjar tinha pedido para que ela trocasse de roupa de imediato, assim como Bernardo que já o tinha feito.
Voltei a estar atento à chaleira que fumegava no fogão, sorrindo por o chá já estar pronto. Depois de desligar o fogo, levei a chaleira para perto de uma caneca, despejando o liquido là.
—Hora do chasinho, pequeno Bernardo. -disse sorrindo, vendo o meu amigo levantar os cantos de seus lábios.
Caminhei até perto de si.
—Eu odeio cha. -resmungou, fazendo uma careta.
—Mas vais ter que beber, amigo.
—Os meus braços estão muito dormentes. Não sei se consigo.
—Eu posso levar-te a caneca à boca, bebé. -ri e Bernardo rolou os olhos.
—Infelizmente, não sinto mesmo os braços, vai ter que ser.
Ri mais um pouco e levei a caneca vermelha aos seus lábios.
Vi a porta do quarto se abrir, saindo de là Aurora.
—Isso é tipo, a coisa mais fofa que eu já vi na minha vida. -ela disse, fazendo uma cara fofinha.
—A Leticia, ela está bem? -Bernardo falou, mas em vez de me pedir para parar de lhe daquela bebida, ele apenas mecheu os lábios, fazendo com que o liquido escorresse do seu queixo para o seu pescoço.
—Babão do caralho! -reclamei, pousando o copo na mesinha, procurando um pano seco.
—Ela vai ficar bem. -Aurora disse ainda rindo. -Mas vai precisar de muito descanso e...Acha que consegue fazer um chá para ela também, Eduardo?
—Claro que sim. -sorri para ela, limpando Eduardo com um pano absorvente. -Ai cara, tu parece muito um bebé.
—Não se preocupa Bernardo. Leticia vai ficar bem, ela só tem que subir um bocadinho a temperatura corporal. Assim que chegar-mos à ilha, vocês vão ter que comer alguma coisa para ganharem forças.
—Espero que os teus braços funcionem, não estou afim de te dar comida à boca. -digo, parecendo sério.
—Eu também espero que sim.
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