Notas iniciais
E vamos as explicações de Grissom e Sara à Lewis.

Hellen prontamente se pronunciou, pedindo desculpas a Gil e dizendo que pediu para o irmão dele esperar que vinha avisar sobre sua visita, mas Lewis não lhe deixou.

— E desde quando eu preciso ter minha presença avisada, Hellen? — Lewis lançou um olhar reprovador para a pobre da mulher, que baixou a cabeça encarando o chão. Achou que se pudesse Hellen se enfiará debaixo da terra.

Depois da resposta atravessada a Hellen, Lewis voltou a encarar Gil e eu, que me encontrava escondida atrás do Sr.Gostoso.

— Tudo bem, Hellen. Nos deixe a sós com meu irmão. — Gil se pronunciou uns dez segundos depois de seu irmão estar em silêncio nos olhando sério e de jeito bem reprovador.

— Me desculpe, senhor Grissom.

Senti até dó dela. A coitada não tinha onde enfiar a cara. E eu atrás de Gil não estava tão diferente dela. Mal tinha coragem de sustentar o olhar na direção de Lewis. Para falar a verdade, eu sequer conseguia dirigir um olhar ao irmão do Sr.Gostoso.

— Não se preocupe, Hellen. Pode ir. — ela não precisou de uma segunda ordem para sumir dali. Eu adoraria ter essa chance também de sumir daquela sala.

Assim que Hellen tinha nos deixado os três sozinhos, Lewis não perdeu tempo e sem papas na língua disparou:

— Que porra é essa de vocês dois se pegando desse jeito, Gil?

Ignorando a pergunta do irmão, Grissom se virou para mim, apanhou de cima da mesa minha blusa e me estendeu a peça.

— Vista-se, querida!

Mais que depressa puxei da mão dele a peça e me vesti com ela rapidamente. Juro que se houvesse um buraco ali, eu me atiraria nele de cabeça e sem pensar duas vezes.

Vi Grissom vestir na maior calma e paciência a camiseta dele, que apanhou da mesa de pebolim. Ele parecia tão tranquilo ao contrário de mim.

— Vai ficar tudo bem. — Gil sussurrou após se vestir enquanto segurava-me pelos ombros e me enviava uma piscadela.

De relance, observei por cima de seus ombros, que Lewis nos espreitava à espera de uma resposta. Pela cara dele não parecia nada contente e temi que as coisas não ficassem bem como Gil sussurrou-me.

Aquilo só estava acontecendo por culpa dele. Se tivesse trancado a porta essa situação toda teria sido evitado. Mas não! Aquele teimoso não trancou a bendita da porta e olha no que deu.

— Estou esperando por alguma resposta, Gil.

O Sr.Gostoso me lançou um sorriso confiante e então se virou para o irmão dele. Passando um dos braços por minha cintura, ele declarou sem entremeios:

— Sara e eu, nos apaixonamos e estamos juntos, Lewis.

Eu não sabia se lhe dava um beijo por ele ter contado aquilo assim a seco ou se lhe golpeava pelo mesmo motivo. Ele podia ter sido mais cauteloso ao revelar aquilo.

Pude ver na cara de Lewis a surpresa, beirando a espanto, diante daquela revelação.

— O que foi que disse, cara?

— Exatamente o que ouviu, Lewis.

Senti que sua mão apertou de leve minha cintura. Olhei para seu rosto e com o queixo erguido, Gil tinha o olhar fixo no irmão, encarando-o com altivez e sem qualquer temor.

— Você é noivo da prima dela.

Lewis apontou para mim em descrença total. Ele parecia claramente não acreditar naquilo.

— Vou terminar meu compromisso com Maryane para firmar um com Sara.

Ao contar isso Gil me puxou mais ainda para junto dele. Me senti protegido e segura como se nada e nem ninguém pudessem me atingir. Mas ao mesmo tempo também havia o sentimento de temor em virtude da forma como o irmão de Grissom nos olhava.

— Você está louco, não é? Ou melhor, os dois enlouqueceram, não foi?

— A gente se apaixonou, Lewis. E se apaixonar-se virou sinônimo de loucura... Então, Sara e eu enlouquecemos mesmo, mano.

Se eu não estivesse tão apavorada com a situação e com meus músculos da face travados, até sorriria de alegria e felicidade por achar fofo e lindo o que Gil acabou de falar. Mas eu era incapaz de sorrir.

— E você fala assim?

— E quer que eu fale como?

Eu que até então estava calada, achei que devia me pronunciar naquele papo e não deixar só para Grissom a tarefa de nos defender e explicar sobre nós ao irmão dele.

— Lewis nada disso foi planejado. Aconteceu! — diante de tal fala, eu atraí instantaneamente, os olhares dos dois homens ali comigo. Tendo suas atenções em mim, eu expliquei: — Conheci seu irmão há algumas semanas numa festa. Houve um interesse mútuo e a gente acabou... "ficando", mas eu não sabia que ele era comprometido com a Maryane e nem ele sabia que eu era prima dela . Soubemos disso quando você e ele foram pra casa dos meus pais, e Maryane nos contou do noivado. — resumi a ele toda a história. Lewis me encarava com desconfiança e de semblante nada amigável.

— Mano foi um susto pra mim, quando cheguei lá e descobri pelos porta-retratos que Sara era parente da Maryane.

— Pois não percebi nada. Você soube disfarçar muito bem isso pelo visto.

— Eu tinha que disfarçar. Seria constrangedor demais se notassem.

— Todo esse tempo vocês estão de caso?

Aquela palavra final do Lewis me deixou desconfortável. "Caso", esse termo é tão forte, mas infelizmente era a verdade. Gil e eu tínhamos um caso! Eu era sua amante, pois oficialmente ele ainda é comprometido com minha prima, mas mantém uma relação extra comigo. Portanto, mesmo detestando tal fato, eu tinha que reconhecer qual era meu atual papel naquela relação e este era de amante, por enquanto.

— Lewis é da Sara que eu gosto, mano. E se nós estamos mantendo isso as escondidas, é porque ainda não falei com o velho Joseph. Quero contar primeiro pra ele e assim que fizer isso falo com Maryane e desfaço meu compromisso com ela.

— Você não respondeu o que eu perguntei, Gil.

— Estamos juntos de fato a pouco tempo. Mais de uma semana apenas!

— Então em Santa Mônica, vocês não estavam juntos?

— Não. — me apressei em responder e expliquei: — Antes do reencontro na casa dos meus pais, eu e seu irmão estávamos dez dias sem nos vermos, Lewis. A primeira e única vez foi na festa. E depois disso não nos vimos mais, porque não trocamos número de contato algum para tal.

— E vocês acham certo estarem enganando a Maryane desse modo? Pelo que percebi ela gosta de você, Gil. E ainda está esperando um filho seu, cara?

E lá vamos nós para a história do filho...

— Essa criança não é minha, Lewis!

— Como?

Lewis se surpreendeu enormemente com o que ouviu e ele não foi o único. Eu também fiquei surpresa, porque não esperava que Gil revelasse aquilo ao irmão.

— Eu não sou o pai do filho que Maryane espera. O pai dessa criança é outro cara.

— Mas como assim?

— Você sabe que ela e eu tínhamos uma relação aberta. Ficávamos juntos, mas também ficávamos com outras pessoas. Não havia compromisso real entre nós.

— Eu sei, você me disse algo a este respeito. E, sinceramente, não entendo como isso entre vocês podia ser taxado de relação.

— Mas era!

Assim como Lewis, eu também não via como aquilo podia ser denominado de relação mesmo. Mas enfim, tem gosto peculiares para tudo, inclusive para formas de relacionamentos.

— Se você não é o pai então quem é, Gil?

— Boa pergunta. Não sei. Maryane não quis me contar isso.

Mas eu sei bem porque ela não quis te contar. - pensei comigo mesma. O mais breve possível eu ia falar para ele.

— Por que mentiu que o filho é seu, cara?

— Por causa da condição que existe pra que eu assuma o controle da empresa. Você sabe que quero muito isso.

— Agora tô vendo que quer mesmo.

— Além do mais, eu te contei que meu casamento com ela é somente um acordo pré-estabelecido entre eu e ela, justamente, por conta dessa condição.

— Mas como pôde esconder de mim isso do filho não ser seu, cara?

Lewis demonstrava certa indignação e ressentimento.

— Maryane me fez jurar que não contaria a ninguém sobre o bebê não ser meu.

Então era por isso também que ele não contou ao tal Bryan, amigo dele. Com certeza, minha prima o fez jurar para não correr o risco disto chegar aos ouvidos do verdadeiro pai da criança. Ou será que era do conhecimento de Bryan a gravidez e ele próprio quem pediu a minha prima para não contar? Era bem capaz, já que o sujeito é casado e, com certeza, não ia querer ver seu casamento ser arruinado pelo surgimento de uma gravidez fora do matrimônio. Difícil saber quem é o pior nessa situação toda: Bryan ou Maryane.

— Quer dizer que o meu sobrinho, não é meu?

Coitado do Lewis era visível sua decepção e frustração.

— Pra todos essa criança é meu filho e seu sobrinho. Ninguém deve saber que isso é mentira, Lewis.

— Por que?

— Porque não. Já me comprometi com Maryane a assumir o filho dela como meu e vou manter isso.

— O que você acha disso, Sara? Está de acordo?

Me desconsertou a pergunta a queima roupas dele. Jamais imaginei que Lewis ia me lançar aquele questionamento de supetão e notei que os dois homens me fitavam à espera de uma resposta. Eu podia dizer a verdade, contudo, optei por não dizê-la.

— Lewis essa é uma decisão do seu irmão, que eu prefiro não me intrometer e nem opinar. Até porque ele já tem a decisão dele muito bem tomada.

Eu ia manter a minha opinião só para mim mesma.

— Você gosta de verdade desse babaca do meu irmão, Sara?

— Ei, seu moleque! Isso é jeito de falar do seu irmão mais velho?

Vi Gil acertar um leve tapa no braço de Lewis que abriu um sorriso.

Eu sorri também. Depois da tensão de momentos atrás, era bom ver que agora, o clima era mais leve e descontraído. Mudou da água para o vinho.

Lancei um olhar para Gil postado ao meu lado e só então respondi a pergunta de Lewis com toda a verdade, que havia dentro do meu coração.

— Gosto demais, como nunca havia gostado de outro cara antes, Lewis. — e voltando minha atenção ao irmão de Gil, eu prossegui lhe dizendo: — Saiba que pra mim não é nada confortável essa situação toda dele e eu estarmos juntos com Gil ainda comprometido com minha prima. Mas ele me prometeu que vai resolver isso assim que o pai de vocês voltar.

— E vou mesmo, querida.

— É nisso que estou acreditando.

— Acho bom mesmo você resolver, cara, porque nem a Maryane e nem a Sara, merecem essa situação.

— Sei bem disso, Lewis. Não pense que me agrada enganar Maryane e esconder dos outros o que Sara e eu temos. Por mim pegava o telefone e contava ao coroa logo, mas isso não é conversa pra se tratar por telefone. Então, vou esperar o velho Grissom voltar na sexta e resolver essa situação.

— Se vocês se gostam como dá pra ver escancarado na cara de vocês que se gostam... Então vão em frente. Mas você tem que terminar logo com a Maryane, Gil.

— Eu vou terminar.

— Certo!

— Agora que esclarecemos o flagra que nos deu, me diz o que veio fazer aqui?

— Estava passando por aqui por perto e resolvi parar pra te visitar. Achei que estaria sozinho, de bobeira aqui então vim te convidar pra gente ir naquele barzinho de sempre. Mas você já tá muito bem acompanhado e acredito que nem vá aceitar o convite, não?

— Fica pra uma próxima, mano.

— Tudo bem. Vou indo então.

Lewis e Gil trocaram um abraço. Depois o irmão do Sr.Gostoso veio se despedir de mim com um abraço.

— Tchau, Sara.

— Tchau, Lewis. E me desculpa pela forma como descobriu sobre seu irmão e eu. — pedi após nosso abraço.

— Que isso! Não esquenta. Foi só um susto de momento. Além do mais, já flagrei aqui situações bem mais constrangedoras que esta, não é Gil?

— Ah, é? — olhei para Grissom não gostando nada daquela informação dada por Lewis.

— É! — foi Lewis quem respondeu.

— Você não estava indo, Lewis? — Grissom disse e eu pude sentir certa tensão em sua voz.

— Estou indo! Não precisa me expulsar para evitar que eu conte seus casos a Sara.

— Cala a boca, moleque. A gente te leva até a porta.Vai. — Gil empurrou o irmão que riu. Ao lado dele eu apenas lancei um olhar reprovador ao Sr.Gostoso.

Nós três seguimos para à sala e após uma nova despedida com abraços, Lewis se foi do apartamento de Gil.

— Depois daquela reação dele ao nos flagrar naquela situação, eu achei que seu irmão ia ser terminantemente contra a gente. — comentei com Gil assim que Lewis já tinha ido.

— Meu irmão nunca ia ser contra a gente. Até porque, ele não mencionou, mas vou te confidenciar que quando voltamos da sua cidade, ele comentou comigo que tinha gostado bastante de você. Inclusive chegou até a dizer, que se gostasse de mulheres, ia investir em você.

— Nossa! Sério?

— Muito! E que bom que o meu irmão é gay, porque eu não ia gostar nada de tê-lo como um rival e ficar disputando você com ele. Ia parecer coisa de novela.

Eu não resisti rir desse comentário de Gil.

E não seria nada desagradável ser disputada por dois homens lindos como Lewis e Gil. Seria uma disputa entre o mocinho X o mulherengo. E apesar de gostar dos mocinhos, nesse caso, em particular, eu preferiria ficar mesmo com o mulherengo, no caso, o Gil, o meu Sr.Gostosão.

— Ia mesmo! — concordei. — Agora mudando de assunto, que história foi essa dele já ter flagrado situações mais constrangedoras aqui?

— Sério que você vai querer ir pra esse caminho?

Pensando melhor acho que não fazia sentido ficar abordando esse assunto. Ele tinha tido uma vida antes de mim, assim como, eu tive uma antes dele. E creio que futricar o passado dele, querendo saber: Quantas e quais eram algumas dessas situações que Lewis já flagrou do irmão, não seriam agradáveis para mim. Melhor nem saber ou tentar descobrir. Certamente era um bem que fazia a mim mesma não buscar àquelas respostas.

Eu já ia responder ao questionamento de Gil, quando Hellen apareceu na sala.

— Doutor Grissom, mais uma vez queria lhe pedir desculpas pelo ocorrido. Lhe criei um grande problema com seu irmão, não é?

— Fique tranquila, que não criou. Tudo foi resolvido e esclarecido com ele.

— Fico aliviada então. Vou terminar de fazer o serviço que eu estava fazendo pra ir embora. Com licença.

— Toda.

— Coitada! Ela ficou visivelmente sem graça com a situação. — comentei após Hellen nos deixar a sós na sala.

— É, mas a culpa não foi dela.

— Não foi mesmo. Foi sua, seu cafajeste, por não ter trancado a porta, quando estávamos juntos.

Ele abriu um sorriso divertido.

— Eu assumo minha total culpa. E, prometo que vou trancar a porta dessa vez. Agora vamos voltar lá para a sala de jogos, pois ainda quero o meu prêmio pela vitória no bilhar.

— Quer?

Não é possível que ele ainda esteja no clima para isso?

— Claro! E quero muito! Portanto, vamos voltar pra sala agora.

Antes que eu pensasse em dizer algo, Gil já tinha me pego no colo e jogado-me sobre seus ombros, exatamente como fez lá na casa dos meus pais.

— Grissom me põem no chão.

— Não!

— Ai! — reclamei, rindo quando ele bateu na minha bunda.

— Ah! Antes de irmos, preciso dar um aviso à Hellen.

— Você não vai me levar assim até a cozinha vai?

Sem se dar ao trabalho de responder, o cretino seguiu mesmo comigo nos ombros até a cozinha.

— Eu não acredito que você esteja fazendo isso. — resmunguei em desaprovação e escutei aquele sujeito sorrir desavergonhadamente.

Ele chegou na cozinha e deu ordens expressas a Hellen de que não queria ser importunado na sala de jogos de maneira alguma. E se alguém ligasse querendo falar com ele era para a mulher dizer que ele não estava. Podia ser quem fosse, mas ele não estava para absolutamente NINGUÉM! E, por fim, ainda avisou-a de que assim que ela terminasse o serviço dela podia ir sem avisar mesmo.

— Sim, senhor! — ouvi Hellen concordar com Gil.

E quando aquele cretino se virou para sair da cozinha, eu pude ver Hellen me encarar com uma cara de puro divertimento com aquela cena ridícula de mim nos ombros de Gil feito uma saca de batata.

— Que vergonha, você me fez passar! — reclamei com Gil quando já tínhamos saído da cozinha.

Ele apenas riu e bateu na minha bunda outra vez, enquanto seguíamos pelo corredor.

— Ai! Eu vou bater na sua bunda também. — ameacei aquele cretino.

— Pode bater! Palmada de amor não dói mesmo! — o cretino caiu na risada.

Em questão de poucos instantes nós entrávamos novamente na sala. Vi Gil agora trancar a porta e se afastar da mesma após isso. Alguns passos depois, ele me colocava no chão e ao encarar o Sr.Gostoso, eu pude vê-lo com um sorriso estampado na cara.

— Isso não foi engraçado! — reclamei séria e ele rindo.

— Foi sim!... Agora somos... Você e eu sobre essa mesa, querida!

O sorriso em seus lábios sumiu e o olhar que ele me lançou após essas últimas palavras que me dirigiu, fizeram meu ventre se contrair com o que aconteceria conosco naquela mesa.

Hora de servir de jantar para aquele sujeito lindo e alimentar a fome insaciável que ele tem por mim.

Notas finais
O próximo promete temperaturas quentes. Até lá então.