One Night - Livro 1
39 Capítulo XXXIX
Notas iniciais
Eu encarava pasma o cartão que veio junto com o novo buquê de flores que recebi dois dias depois do outro buquê recebido.
O nome do responsável por aquelas flores, agora, de cor lilás estava na assinatura do cartão. Não me agradou nada saber quem mandou aquilo.
"Espero que tenha apreciado essas flores e as outras que lhe mandei. Ambos os buquês são um pedido de desculpas por ter lhe passado uma impressão errada de mim, quando nos conhecemos.
Ass: Bryan Simons."
Como esse cara sabia onde eu trabalhava?
Será que Gil lhe contou sem querer?
Acho que não, pois ele teria me contado.
Então como esse cara descobriu?
O toque do meu celular me cortou os pensamentos. Apanhei o aparelho de cima da minha mesa e vi que era uma chamada de Gil. Atendi na hora.
— Oi, Gil!
— Oi, meu amor!
Sorri de orelha a orelha ao escutar sua voz me chamando daquele jeito carinhoso. Já fazia dois dias que ele estava lá para Alemanha e a minha saudade dele estava grande.
— Como estão as coisas aí na Alemanha?
— Complicadas. Não sei quando volto para aí. Quero acompanhar as investigações da polícia de perto e estar aqui quando o desgraçado do funcionário for preso.
— Ainda nenhum sinal dele?
— Nada! O sujeito sumiu sem deixar rastros.
— Tenho certeza que logo a polícia vai encontrá-lo Gil.
— Também tenho certeza. Ele não saiu do país. Não deu tempo pra isso, o que é muito bom. Certamente, está em alguma cidade escondido. Mas chega de falar disso, quero saber de você. Como está?
— Com saudades enormes de você. — confessei.
Havia me acostumado a vê-lo e ter sua presença constante lá na minha casa, que esses dois dias em que ele já está lá em outro continente de distância de mim, a saudade que sinto dele está começando a apertar.
— Eu também já estou com uma enorme saudade de você.
— Mesmo?
— Sim!
— Só espero que esteja se comportando longe de mim, hein?!
Escutei sua gargalhada soar alta do outro lado da linha e sorri com isso.
— Pode ficar tranquila quanto a isso, porque mais comportado do que estou é impossível.
— Assim espero, viu?
— Vi!
Eu encarei o cartão em minha mão e resolvi contar a Grissom sobre isso.
— Gil, eu preciso te contar uma coisa.
— O quê?
Antes que eu pudesse abrir a boca ouvi ao fundo da ligação uma voz feminina dizendo que precisava falar com ele e ainda por cima, o chamou de Gris. Não gostei nada dessa forma íntima com a qual essa desconhecida se referiu a Grissom. Na mesma hora não hesitei em saber quem era a mulher.
— Quem é essa mulher que falou com você, Gil?
— Uma conhecida. Olha vou precisar desligar agora. Mais tarde nos falamos, querida. Beijo. Tchau.
Ele simplesmente desligou na minha cara, sem me dar a menor chance de me despedir direito. Detestei tal atitude sua!
Ia ligar de volta para ele, mas quando digitava seu número meu chefe voltou do almoço dele.
— Pelo visto seu namorado quer tornar sua mesa um jardim de flores, não é?
Sorri sem graça.
— Antes fosse ele. Quem mandou essas flores foi alguém que eu não tenho o menor interesse de ter contato.
— Não me diga que é seu ex?
— Não. Deus me livre. — Brooke riu. — Daquele lá eu quero distância tanto quanto do imbecil responsável pelas flores.
— Ok... Sem estreasse. Agora vamos retomar nosso trabalho de revisar os textos que não terminamos antes de dar o horário de almoço.
— Claro! Vou só me desfazer dessas flores. — joguei o buquê no lixo.
Confesso que me deu certa pena de fazer isso, pois as flores eram lindas e não tinham culpa do sujeito que as mandou ser um canalha. Mas eu não podia e nem queria ficar com elas sendo que quem mandou foi aquele Bryan. Não mesmo!
Flores no lixo, eu então segui meu chefe para sua sala.
Passamos a tarde toda nesse serviço que não tive oportunidade alguma de ligar para Grissom e cobrar uma satisfação sua por ter desligado a chamada praticamente na minha cara.
— Enfim terminamos. — Brooke anunciou esticando os braços.
— Esse livro tem tudo pra ser sucesso quando for lançado.
— Concordo com você. Não é à toa que escolhemos esse pra ser a nova aposta da editora.
— E pensar que essa escritora não tem ainda nem vinte anos e já escreve assim tão maravilhosamente bem.
— Essa jovem e talentosa escritora foi nosso melhor achado dos últimos meses. Ela tem tudo pra ser sucesso de venda entre os leitores amantes de um bom romance.
— Certamente.
— Já deu nosso horário, você pode ir pra casa, Sara. Amanhã a gente se vê.
— Ok, tchau, Brooke.
— Tchau!
Saí da sala do meu chefe e encontrei Dayse já ali a minha espera.
— Nossa que milagre você ser dispensada primeira que eu do trabalho.
Geralmente sou eu que tenho que esperá-la para irmos para casa.
— A bruaca da Sullivan tinha um compromisso em vinte minutos e por isso me liberou cinco minutos antes do horário. Quase solto fogos de artifícios por isso.
Eu ri do deboche da minha amiga ao falar. Apanhei minha bolsa e nós duas seguimos de braços dados para pegar o elevador.
***
— Ai, Sara, não pira, vai!
— Como você quer que eu não pire. Escuto uma mulher toda melosa chamá-lo de "Gris" e aí, logo depois aquele cretino desliga quase na minha cara para atender a tal fulana que queria falar com ele?
— Certamente era algum assunto importante por isso ele desligou na hora.
— Eu não gostei disso! Ele vai ter que me explicar direitinho essa situação.
Dayse já ia abrir a boca para dizer algo, mas o toque do meu celular a impediu de tal ação. Era Gil me ligando.
— É ele. — informei Dayse. — Alô! — atendi a chamada no segundo toque.
— Está irritada?
— Sim.
— Por que? O que houve?
"Pega leve!", Vi Dayse gesticular com a boca e resolvi maneirar.
— Coisa de trabalho. — inventei e vi Dayse assentir em aprovação enquanto passava a marcha do carro.
— Ah, sim. Já está em casa?
— Tô quase chegando lá. E você?
— Já tô em casa, mais precisamente na minha cama.
— Mas já?? Que horas são aí?
— Passa das onze da noite aqui, querida.
— Nossa!
— Queria estar aí com você ou que você estivesse aqui comigo. Bem que você poderia desistir dessa viagem com seu chefe e vir passar dois dias comigo na Alemanha.
Seria o sonho, mas eu tinha responsabilidades no trabalho.
— Eu adoraria, mas não posso Gil. Nós já conversamos sobre esse assunto. É meu trabalho e eu tenho que ir.
Ele resmungou algo incompreensível, que eu nem fiz questão alguma de saber o que era para não alongar mais aquele assunto.
— É depois de amanhã que você vai?
— Sim. Na segunda estou de volta.
Ele ficou calado por um instante antes de se pronunciar novamente.
— Lembrei que você mencionou na nossa outra ligação que precisava me contar algo. O que era?
— Descobri quem mandou as flores.
— Descobriu como?
— Me mandaram flores de novo, mas dessa vez, veio um cartão assinado.
— Quem é o palhaço que está te mandando flores?
Queria estar olhando para ele neste momento para ver sua reação diante da linha resposta. Mas infelizmente não tinha como.
— Seu amigo Bryan. — revelei e a linha emudeceu por uns cinco segundos.
— Bryan?? Mas por que ele te mandou flores?
— Segundo no cartão que veio no buquê, ele estava me pedindo desculpas por ter feito uma brincadeira de mau gosto no dia que nos conhecemos, pouco antes de você chegar.
— Que brincadeira foi essa?? Você não me contou nada a respeito disso, Sara.
— Ah, ele fez um comentário nada agradável em relação a Hellen e eu fiquei insatisfeita com isso.
— Que comentário?
Resumidamente revelei o que aquele intragável disse após Hellen nos servi suco na piscina e logo em seguida, a ela ter nos deixado a sós.
— Por isso que não gostou dele, não foi?
— Sim.
Só que não foi apenas por isso o meu desgosto com aquele sujeito, querido.
— Você podia ter me contado para eu recriminá-lo por essa atitude desagradável com Hellen e seus comentários deselegantes. Também não gosto desse tipo de brincadeira. Hellen é uma excelente pessoa e não tem que ser tratada como você disse que Bryan a tratou. Na primeira oportunidade que eu estiver com Bryan vou falar seriamente com ele a esse respeito.
— Eu não quis criar um clima de inimizade entre você e seu amigo, por isso não contei. — expliquei.
— Você tinha que ter me contado independente disso. Não gosto que fiquem me escondendo coisas, Sara.
Um sinal de alerta já soou em minha cabeça com essa fala. Não era só isso que eu escondia dele, eu vinha também escondendo sobre Maryane e Bryan. Precisava contar sobre isso a ele. Mas por telefone não me parecia uma boa ideia. Sendo assim quando Gil estivesse de volta, lhe contaria sobre aqueles dois safados na primeira oportunidade que tivesse.
— Desculpa. Você tem razão, eu devia mesmo ter contado.
— Quando eu falar com Hellen vou me desculpar com ela pelo comportamento de Bryan.
— Quem devia se desculpar era o seu amigo isso sim.
— Vou me encarregar disso pode ter certeza!... Bom, querida, eu preciso desligar. Tenho que acordar cedo amanhã.
— Espera, Gil! Antes de desligar quero que me explique uma coisa. — olhei para Dayse enquanto saíamos do carro após minha amiga estacionar na vaga dela. — Quem era aquela mulher que te chamou com aquela intimidade toda enquanto estava no telefone comigo?
Ouvi seu sorriso fraco ressoar do outro lado da linha.
— Era uma amiga.
— Achei que tivesse dito mais cedo que ela era uma "conhecida"?
— Pra mim dá no mesmo!
Mas para mim não dava coisa alguma! Conhecida é conhecida. Amiga é amiga! Ou é uma coisa ou é outra!
— Deve ser uma amiga bem importante, pois você praticamente desligou na minha cara pra atender essa mulher.
— Querida, eu não desliguei na sua cara. Foi impressão sua.
Impressão minha o cacete! No entanto resolvi não contestar a opinião dele.
— Posso ao menos saber que amiga era essa? — eu não ia sossegar enquanto não soubesse mais detalhes a respeito dessa 'amiga' dele. — Gil ainda está na linha? — de repente ficou um silêncio do outro lado, que achei qua a ligação tinha caído.
— Estou aqui sim, Sara.
— Então... Vai responder o que eu perguntei sobre sua amiga?
Dayse gesticulou para mim com a boca a palavra ciumenta enquanto saíamos do elevador no andar do nosso apartamento.
É, eu estava bancando mesmo a ciumenta como jamais até então tinha sido e não me envergonho de tal comportamento. Quando eu não era ciumenta com Elliot, minha amiga me cobrava que eu fosse, e agora que sou com o Grissom, ela me censura. Não consigo entendê-la!
— Antes de te dizer quem é a minha amiga, quero que saiba que o assunto que ela veio tratar comigo foi relacionado à trabalho.
— Por que está se explicando antes mesmo de dar "nome aos bois"?
— Pra que não tire conclusões precipitadas e erradas.
— Quem era essa amiga?
Algo me diz que não vou gostar da resposta.
— Era a Heather!
Heather... Heather... Heather... O nome ficou dançando na minha cabeça até que consegui lembrar dele e de quando o escutei pela primeira vez.
"E quem é essa tal de Heather?"
[...]
"Uma executiva que conheci em Munique."
"Você e ela..."
"Nos envolvemos?", assenti em resposta. "Sim. Ficamos algumas vezes. E desde que vim embora pra América, Heather fica ligando, querendo que eu volte pra Alemanha."
Eu fiquei calada processando e tentando digerir aquela resposta de Gil da melhor forma possível, mas não estava conseguindo.
Me enganei seriamente quando disse que não ia gostar da resposta dele. Na verdade, eu odiei saber a resposta.
— Sara!!
Ouvi sua voz chamar meu nome com certa doçura e cuidado. Contei mentalmente até dez antes de responder, para me acalmar e não explodir em raiva ali e com ele. Só após terminar minha contagem que eu lhe pronunciei um seco "oi" em resposta.
— A empresa a qual ela representa é uma parceira nossa há anos. Inclusive, eles estavam junto conosco no estudo do medicamento que o funcionário vendeu a fórmula. Heather veio cobrar uma satisfação em nome da empresa à respeito do que faríamos com relação ao medicamento. Foi apenas assunto de trabalho que ela queria falar comigo. Nada além disso, querida.
Me questionei mentalmente se fosse outro tipo de assunto que aquela fulana tivesse ido tratar com Grissom, se ele também me diria? Talvez não dissesse. Ou até dissesse, sei lá! Não tinha como eu saber isso. Independente do quê ele faria, eu optei por não arranjar mais briga e acreditar na explicação que ele me deu.
— Olha eu vou arriscar acreditar que esteja me dizendo a verdade.
— E eu estou dizendo, querida.
— É o que eu espero de verdade, Grissom.
Nós ainda trocamos mais algumas palavras e nos despedimos na sequência.
— E aí? Matou sua curiosidade a respeito da mulher que falou com intimidade com o seu boy magia?
— Sim.
— E quem era a tal fulana?
Sentando ao lado de Dayse no sofá, eu satisfiz então a curiosidade de minha amiga lhe contando tudo o que ouvi de Grissom e sobre quem era a tal Heather.
— O que você acha? Devo me preocupar, Dayse?
— Dê o benefício da dúvida à ele por hora.
— É o que farei!
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