Notas iniciais
Bruh esse noivado é algo que não vai ser tão fácil de ser desfeito por 'N' situações que ocorrerão e desse modo, esse compromisso ainda vai durar infelizmente.

Com o gosto dos seus lábios, eu viajo
Você é tóxico, estou perdendo os sentidos
Com o gosto do seu veneno, estou no paraíso
Estou viciada em você
Você não sabe que é tóxico?
E eu adoro o que você faz

(Toxic— Britney Spears)

****

Eu imaginei que minha recompensa ficaria só naquele beijo, mas felizmente para minha agradável surpresa não ficou! O que eu achei ótimo! O algo mais (sexo) com Gil era sempre muito bem vindo.

Assim que nosso beijo — que me fez até viajar para longe daquele quarto de tão demorado e profundo que foi — terminou por conta do ar que nos faltou, Gil começou a me despir com demasiada pressa. E quando eu já me encontrava nua diante do Sr.Gostoso este fez com que eu me deitasse em sua cama enquanto que ele permaneceu de pé.

— Agora vamos ao restante do seu pagamento. Te garanto que ele será muito satisfatório, assim como foi seu serviço de ainda pouco.

— Assim espero mesmo.

Mordi o canto dos lábios e assisti Grissom arrancar sua camiseta e depois o short juntamente com a cueca, para vir se acomodar sobre mim. Ele me beijou tão demorado quanto havia feito anteriormente.

Uma particularidade sobre os beijos de Gil é que eles são tão estupidamente bons quanto o dono deles. E mais ainda, eles mexem com cada célula do meu corpo de forma intensa e explosiva, causando as melhores sensações.

— Me diz que você tem camisinha, porque do contrário, infelizmente, nós não vamos transar. Não sem preservativo. — falei assim que nossos lábios se separaram para Gil passar a beijar meu pescoço.

— Eu tenho sim. Relaxa!

Sua boca foi descendo rumo aos meus seios e a partir deles só fez descer mais e mais pelo meu corpo, que já ardia de desejos por aquele homem.

Ora com a língua, ora com o toque sutil de seus lábios macios, Grissom foi fazendo um verdadeiro tour por meu corpo inteiro e me arrepiando a pele a cada canto que era provada por ele.

Esse homem é tudo de bom!

Do fio de cabelo até o dedão do pé o sujeito é bom, bonito e gostoso. Sem contar, que ele sabe satisfazer uma mulher na cama de uma forma como poucos sabem ou conseguem. Eu jamais até então tinha topado com um tipo desses.

Óbvio que já tive namorados bons de cama, mas como Gil não. O Sr.Gostoso é outro patamar, um espécime que como ele acredito, que devem ter poucos por aí.

Assim que acabou o passeio de seus lábios e língua por mim, Gil pôs-se de joelhos na cama e apanhou de dentro de uma gaveta que puxou do móvel ao lado da cama, um preservativo. Bem como foi na nossa primeira vez juntos, desta eu também me deliciei com a cena erótica de vê-lo vestindo-se com o preservativo. Ele o fazia com uma lentidão que beirava à uma cena de filme em slow motion. Era um espetáculo maravilhoso de ver!

Quando Gil acabou de pôr a camisinha, se postou ajoelhado diante das minhas pernas abertas e flexionadas. Segurando com uma das mãos minhas coxas, ele usou a outra para guiar seu membro em riste até minha entrada e foi me penetrando.

Aquela sensação deliciosa de ser preenchida pelas medidas extraordinárias de Gil foi me tomando imediatamente. Ele me penetrou até eu senti-lo bater lá fundo dentro de mim, fazendo-me arquejar mais ainda as costas da cama. Levou apenas dois segundos e ele já começava a se mover em um vaivém delicioso enquanto seu olhar estava fixo nos meus e vice-versa.

Suas mãos vagaram pelas minhas coxas, seguiram para a barriga e subiram até meus seios para apertá-los e massageá-los, tudo isso sem interromper seu vaivém ou desviar o olhar dos meus um instante sequer. Seus dedos brincaram com meus mamilos rosados, que àquela altura já se encontravam túrgidos como se estivessem sentindo frio. Porém, frio era última coisa que eu sentia. Na verdade eu me sentia sendo consumida por um calor, uma chama que me queimava por dentro.

Gil interrompeu seu vaivém e se curvando à frente, dirigiu sua boca até o seio direito e o sugou. Frações de segundos depois já fazia o mesmo no seio esquerdo. Me arrancando gemidos e suspiros.

— Adoro prová-los! São deliciosos como você inteira.

— Delicioso é você e essa boca mágica, que parece ter sido feita pra me dar prazer.

Ele sorriu e eu podia jurar que o lugar que estávamos se iluminou diante da grandeza e beleza daquele seu sorriso. Era lindo. Não resisti em puxá-lo para um beijo. E quando este teve fim segundos depois, Gil se levantou de cima de mim e retomou suas investidas.

Suas mãos agarraram minha cintura enquanto Gil se movia com rapidez. Já as minhas mãos seguraram nos pulsos dele e os apertaram sem força exagerada. Nossos gemidos iam aumentando e se misturando naquele quarto a medida que a intensidade do vaivém de Gil se acentuava a cada nova investida sua.

— Ah... Querida... Você é a melhor mulher que eu já conheci.

Sua voz já era completamente ofegante e entrecortada. Seus olhos estavam fechados e sua expressão facial denotava que ele estava próximo de alcançar o clímax. E eu também já me sentia próxima disso. Faltava pouco apenas.

Confesso que sua fala fez com que eu me sentisse como a tal.

Se eu era a melhor mulher que ele já conheceu. Ele sem sombra de dúvidas era o melhor homem que conheci, transei e me apaixonei.

A cada transa nossa eu ia tendo mais certeza ainda do quanto nós tínhamos mesmo uma química louca na cama. Algo que transcendia ao comum e beirava quase a perfeição. Ainda que a perfeição não exista.

Com Grissom, eu sempre me sinto completa e a mulher mais bem realizada e satisfeita sexualmente falando. O sexo com ele é quase sempre uma experiência única. Cada transa nossa jamais é igual a anterior, e muito menos à posterior.

Sem que eu esperasse Gil ergueu minhas pernas de modo a deixar os calcanhares apoiados em seus ombros. Suas investidas ficaram mais ainda aceleradas e profundas.

— Gil...

— Vem pra mim, Sara.

Me deixei levar pelas sensações que vinham como ondas atrás de ondas. Fui levada a beira do abismo da perdição, e caí dentro dele logo em seguida, chegando ao orgasmo e gemendo o nome do Sr.Gostoso de maneira libertadora.

Uns cinco segundos depois de mim era Grissom quem alcançava o seu orgasmo. Ele apertou minhas coxas com ambas as mãos e me mordeu de leve quase próximo do tornozelo ao atingir seu clímax.

Foi a primeira de três que ocorreram pelo resto de tarde e varou a noite a dentro.

****

Era por volta das oito e pouco da manhã quando nós acordamos. E já começamos muito bem nosso dia com uma transa deliciosa logo que despertamos. Meu corpo ainda estava cansado da transa intensa da noite anterior, mas não negou fogo ao ser incitado por Gil ao acordarmos.

Depois da rápida sessão de sexo matinal, fomos tomar um banho juntos e sob os jatos de água quente vindos do chuveiro, nós trocamos altos beijos e carícias antes de eu apanhar a bucha e despejar sabonete líquido nela.

— Sabia que você está me tornando dependente de você num grau, que eu não imaginava que poderia ser?

Sorri sem que Gil visse enquanto lhe ensaboava as costas.

— É mesmo?! E isso é bom ou ruim?

Sem que eu ainda tivesse terminado de passar a bucha com sabonete por toda suas costas, Gil se virou, ficando de frente para mim e puder vê-lo sorrindo.

— É muito bom!

Foi a minha vez de sorrir. Ele me abraçou pela cintura e salpicou dois beijos a boca.

— Minha vez de te ensaboar.

— Mas eu nem terminei com você ainda.

Seu olhar pedinte fez com que eu me rendesse e lhe entregasse a bucha, deixando inacabado meu serviço de ensaboar suas costas.

— Virando, senhorita. — com o dedo indicador Gil sinalizou para mim o movimento de virar de costas para ele.

Assim o fiz. Gil colocou meus cabelos para um lado do ombro e só então, começou a deslizar a bucha com sabonete pelas minhas costas.

— Maryane me disse lá em Santa Mônica que você não era de se apaixonar, isso é verdade? — resolvi puxar aquele assunto que veio aleatoriamente a cabeça.

Ouvi quando Gil soltou um suspiro seguido do som de uma risada fraca sua.

— Antes de você aparecer, costumava ser. Eu te falei que antes era do tipo que tinha casos.

— É você falou.

— E eu fugia muito dessa história de se apaixonar. Não queria isso pra mim.

— Por que?

Levou uns cinco segundos dele em silêncio antes da minha pergunta ser respondida.

— Receio. Vi alguns amigos quebrarem a cara com isso. E não queria a mesma experiência. Só me envolvia apenas superficialmente com as mulheres dos meus casos.

— Nunca se apaixonou mesmo?

— Vira. — ele pediu e eu atendi. Então Gil passou a ensaboar meu colo e depois os seios. — Nunca me apaixonei. Mas isso mudou quando... Você surgiu.

Ele piscou e sorriu.

— Isso pareceu aquelas cantadas clichês. — brinquei.

— Mas não é. E tem mais... Você me fez trocar todas as mulheres que eu poderia ter, só para ficar com uma apenas... No caso: você!

Aquela sua fala me remeteu a alguns livros de romance que já li, estilo clichê total mesmo.

Seria nosso romance um clichê?

Independente de ser ou não, o que de fato eu sei, é que ainda não sou a única na vida dele. Tem a Maryane entre nós dois e mencionei isso a Gil.

— Mas logo não terá. — ele rebateu de pronto. — Prometi isso a você e cumprirei, Sara.

E eu estava acreditando piamente nisso e nele.

Terminamos nosso banho poucos minutos depois. Colocamos roupas leves, eu um short e uma regata amarela e ele uma bermuda e camiseta sem mangas. Descemos para tomar café.

Ao adentrarmos abraçados na cozinha encontramos Hellen terminando de pôr a mesa do café, que diga-se de passagem parecia mais um banquete armado para quatro pessoas e não duas, já que era uma boa fartura de guloseimas.

A mulher ao nos ver, sorriu.

— Bom dia, Hellen!

— Bom dia, senhor Grissom.

Observei Hellen ficar olhando para Gil com certo encantamento enquanto nos aproximávamos da mesa.

— Com todo respeito. Ficou muito bem sem a barba, senhor. Até mais moço. — Hellen o elogiou quando paramos à mesa.

Mentalmente concordei com aquele comentário/elogio dela.

— Achou mesmo?

Tive que me segurar para não rir da empolgação escancarada na cara de Gil ao perguntar aquilo.

— Sim, senhor.

— Sara quem fez a barba pra mim. — ele revelou com um sorriso sem qualquer malícia. Parecia até um garoto adorável. E me deixava mais encantada por ele.

— Belo trabalho, senhorita. E a propósito, bom dia para a senhorita também.

— Obrigada e bom dia pra você também, Hellen. E, por favor, me chame só de Sara. Eu prefiro. — pedi enquanto me acomodava à cadeira que gentilmente, Gil puxou para mim antes de se sentar na que ficava ao lado da minha.

A formalidade com a qual Hellen usava para se dirigir a mim, eu achava desnecessária. A bem da verdade é que eu não curtia mesmo aquilo. Mas tem gente que faz questão, o que nunca foi o meu caso.

— Como queira! — respondeu Hellen com um sorriso gentil.

Dela, eu gostei assim que a conheci. E pelo que vejo, ela parece ter gostado de mim também. Não havia qualquer desagrado, julgamento ou tampouco reprovação na sua forma de me olhar, tratar ou se dirigir a mim. Ela demonstrava empatia pela minha pessoa e em nada isso parecia fake ou forçado de sua parte, pelo contrário, eu sentia que era algo natural.

— Senhor Grissom, eu posso aproveitar que estão tomando café pra ir arrumando seu quarto?

— Claro! Só não repare na bagunça que fizemos na cama. É que as noites e manhãs com essa moça são sempre agitadas demais.

— Grissom! — ralhei, lançando um olhar chocado e mortal para ele.

Uma vontade enorme de querer matá-lo por sua fala maliciosamente indiscreta, me tomou no momento. Inclusive, eu quis me enterrar de vergonha pela "gracinha" dele em falar aquilo. E o olhar divertido de Hellen seguido de um sorriso, me fez ficar mais com vergonha ainda.

Ainda sorrindo Hellen nos pediu licença e saiu para ir arrumar o quarto de Gil, deixando-me sozinha na cozinha com o desavergonhado do dono da casa, apreciando o banquete da manhã que sua secretária nos preparou.

— Você não tinha nada que dizer aquilo, seu indiscreto pervertido! — bati nele com o guardanapo e o degenerado caiu na gargalhada.

— Qual é o problema, querida? Você acha que ela não sabe o que acontece com um casal na cama?

— É claro que ela sabe. — até porque ela tem um filho, portanto não era nenhuma inocente puritana. — Mas precisava insinuar o que fizemos durante a noite?

— E você acha que ao ver o estado da cama ela não ia deduzir sozinha o que aconteceu? Claro que ia. Então eu já antecipei o pensamento dela e, ao mesmo tempo, a preveni do que ela encontraria por lá ora.

Ele riu cinicamente e tomou seu café com a maior naturalidade do mundo.

— Você é muito...

— Cretino?

— Não! Desavergonhado mesmo!

— Ah, isso eu sou sem sombra de dúvidas também!

Seu sorriso largo me fez sorrir junto com ele após suas palavras.

Aquele cara não valia nada mesmo. Mas fazer o quê, se eu me apaixonei por esse cretino assim mesmo?

Tomamos café e trocamos conversas banais à mesa. Engraçado que agora que eu já conhecia Gil mais e um pouco melhor, eu descobri o quão fora de sério ele é mesmo, como minha prima disse. Grissom tinha sim seu lado cretino e cafajeste, mas também havia um sujeito bondoso, doce, gentil e incrível como pessoa. E este fisgou metade do meu coração, já que a outra pertencia ao safado e cretino que ele costuma ser na maioria das vezes que estamos juntos.

Ficamos por ali de conversa e tomando café por longos minutos. Depois ele me chamou para darmos um tour pelo restante do apartamento dele, que eu ainda não havia conhecido direito.

Gil me mostrou cada cômodo do enorme duplex. Eram cinco quartos sendo três suítes. O lugar ainda possuía um escritório, sala de jogos, biblioteca, academia, um cinema particular e passando pelas enormes portas de correr da sala, ficava uma área de recreação que contava com churrasqueira coberta, uma mesa grande de madeira para umas dez pessoas fazerem as refeições num dia de domingo com os amigos ou a família; e do lado oposto à isso tudo havia uma linda piscina revestida de pastilha mesclada azul + borda e piso de mármore Travertino bruto. E para garantir a privacidade ali, tinha vegetações presas a estruturas metálicas vazadas, que formavam uma parede atrás da piscina.

— Eu achei que esse apartamento combina mais com você do que o de Nova York. Sem contar, que é mais bonito também.

O outro tinha um ar mais formal. Tanto que nem porta-retratos havia por lá. Talvez por ainda ser recém adquirido, Gil ainda não tivera tempo de dar seu toque pessoal ao local. O contrário desde que estamos que tem um ar mais intimista, como uma casa de verdade deve ser.

— Por isso é minha casa principal agora que voltei da Alemanha. E concordo que ele é mais bonito. Isso é graças a sua prima. Maryane é uma excelente arquiteta. Fez umas mudanças aqui bacanas, deixando o local do jeito que eu queria.

A menção ao nome da minha prima me deixou desconfortável. Acho que isso só passaria quando aquela situação toda de Gil com Maryane fosse resolvida.

Hellen apareceu ali empunhando um telefone e avisando a Gil que era o pai dele querendo lhe falar.

— Dois minutos e já volto, querida.

Assenti e Grissom se afastou um pouco para falar com o pai ao telefone.

— A senhorita é diferente das outras.

Me virei para encontrar Hellen parada atrás de mim. Achei que ela tivesse ido embora depois que entregou o telefone a Gil, mas não foi para a minha surpresa.

— Outras?? Gil já trouxe muitas mulheres aqui?

Me causou um desagrado profundo o pensamento dele com sabe lá Deus quantas mulheres estiveram aqui. Mas tanto ele quanto eu tivemos envolvimentos amorosos antes de nos conhecermos na festa de Camille, portanto, era até ridículo sentir ciúmes disso. Mas não impossível.

— Não muitas. Mas as que estiveram aqui não eram como a senhorita.

— Sara! — corrigi Hellen. Não queria ser tratada com aquela formalidade.

— Pois é, como você, Sara. E já começa por isso. Nenhuma me pediu pra chamá-la pelo nome. Você é a primeira. E tem mais, as outras incluindo a noiva dele eram metidas, tinham o nariz empinado, ar arrogante e olhar de superioridade. E nada disso, eu vejo na senhorita... Quer dizer, em você, Sara. — ela se corrigiu imediatamente diante do meu olhar de censura por conta do "senhorita" que ela deixou escapar. — Sinto que é uma boa moça, Sara.

Eu sorri de maneira agradecia pelas palavras dela. Senti que eram sinceras. E mais ainda passei a gostar de Hellen.

— Puxa, assim você me deixa até sem graça. E eu não sou uma moça tão boa assim, pois estou com seu patrão que é um sujeito comprometido.

— Com uma mulher muito sem graça, metida e chata.

Involuntariamente, eu sorri apreciando a opinião dela sobre Maryane. Era a mesma que a minha desde que me entendo por gente.

— Ah, concordo inteiramente com você. Maryane é tudo isso e mais um pouco.

— Você a conhece?

Por um segundo hesitei sobre dizer verdade à ela. Mas aquela mulher estava sendo de uma simpatia impar comigo, que achei que devia ser sincera com ela.

— Conheço muito bem. Maryane é... Minha prima!

Os olhos de Hellen se arregalaram e por muito pouco, não saltaram de sua face e foram ao chão. Imaginei que com essa minha revelação tinha perdido sua admiração instantaneamente, mas não foi isso. A reação de espanto dela foi, na verdade, por conta de ter falado mal da minha prima para mim. Inclusive, Hellen me pediu imediatamente, mil desculpas por isso. A pobre da mulher estava visivelmente constrangida com a situação. Mas tratei de despreocupá-la quanto a isso.

— Não precisa se desculpar, Hellen. Sua opinião é a mesma da minha há anos.

— A senhorita não vai comentar com o patrão esta minha indelicadeza não é?

— Imagina. Fique tranquila.

Ela pareceu relaxar diante da minha resposta.

— Eu posso lhe confidenciar algo?

— Claro!

Falar com ela era agradável e eu sentia-me bem com Hellen.

— Eu não gosto nada dessa sua prima.

— Pois somos duas, Hellen. — com um sorriso revelei isto num tom baixo para ela. A outra mulher sorriu junto comigo.

— E tem mais. Acho que esse filho dela nem é do patrão.

Minhas sobrancelhas se ergueram diante do que Hellen disse.

Pelo visto, ela não sabia da verdade. Certamente, Grissom resolveu ocultar isso de todos a sua volta. Mas mesmo sem saber, Hellen estava certa em seu achismo.

Mas aquela desconfiança dela me deixou curiosa. Como ela chegou aquela opinião?? Será que tinha ouvido algo? Resolvi soldá-la.

— Por que acha isso, Hellen?

Infelizmente não houve tempo dela me responder, pois Gil retornou dois segundos depois que terminei de fazer a pergunta à Hellen. E com isso, a mulher pegou o telefone que Grissom lhe estendeu, pediu licença e se retirou dizendo que ia cuidar de seus afazeres.

— O que vocês estavam conversando?

Eu pensei em lhe dizer a verdade, mas decidi não fazê-lo sem antes, primeiro, tirar a limpo como Hellen chegou a conclusão sobre o filho que Maryane espera não ser de seu patrão. Ela sabia de alguma coisa. Eu sentia que precisava saber o que era.

— Nada demais. E o seu pai o que queria com você?

— Assunto de trabalho. Eu vou ter que ir rápido ao escritório despachar uns documentos que ele pediu com urgência.

— Em pleno domingo? — fiz uma careta e ele também.

— Infelizmente, sim. Você se incomoda se eu te deixar sozinha por uma hora?

— Se for só por uma hora cravada, não. Agora, se você passar um minuto além disso, aí sim, eu vou me incomodar e muito.

Ele sorriu e me agarrando pela cintura, puxou-me para junto de seu corpo.

— Prometo então que será somente uma hora cravadinha. Só vou mesmo lá, porque apenas eu posso despachar isso que o velho pediu. Mas vou num pé e volto noutro.

— É o que espero mesmo.

— Se quiser aproveitar a piscina enquanto isso, fica à vontade.

Olhei para a piscina e ela me pareceu altamente convidativa.

— Hum... Acho que vou primeiro pegar sol e depois cair na sua piscina para nadar um pouco.

— Faça isso. Eu vou subir e trocar de roupa pra ir ao escritório.

— Vou com você para pôr meu biquíni.

— Então vamos!

Com Gil agarrado atrás de mim, nós subimos para o quarto dele. Me deliciei em vê-lo se vestir em um terno escuro e camisa clara. Gil optou por não usar gravata e isso não lhe fez falta, pois ele ficou gato do mesmo jeito. Depois de pronto ele ainda me ajudou com a amarração do meu biquíni.

— Nada de fazer top less, hein?

— Puxa já estava aqui me preparando para fazer justamente isso, quando você não estivesse por perto. — virei-me para ele fingindo uma cara de frustração. Tudo mentira.

— Pois pode esquecer uma coisa dessas.

Caí na gargalhada da cara emburrada que ele fez. Não era minha intenção fazer top less algum, só falei que faria apenas para provocá-lo e lhe fazer ciúmes. Adoro vê-lo com ciúmes. Mas não um ciúmes como aquele em que ele perdeu a cabeça e agiu feito um imbecil. Esse eu detestei e espero que nunca mais se repita uma cena desagradável daquela.

— Ciumento! — biquei seus lábios e ajeitei a lapela de seu terno que não estava dobrada certa.

— Com você, eu sou mesmo ciumento como nunca fui!

Nós descemos no instante seguinte e já lá na porta de saída do apartamento, Gil avisou a Hellen que ia dar uma rápida saída para o escritório a fim de despachar uns papéis para seu pai, mas já voltava.

— Qualquer coisa que Sara precisar, você veja pra ela, Hellen.

— Sim, senhor. Pode deixar.

— Vou, mas volto rápido, querida. Prometo.

Assenti e ele me deu um beijo curto antes de cruzar a porta de saída de seu apartamento, me deixando na companhia de Hellen.

— Ele gosta de você de verdade, Sara!

— E eu dele, Hellen. — sorri para ela que estava postada há dois passos de distância de mim.

Notas finais
Esses dois estão apaixonados mesmo, mas as coisas em breve vão apertar para o nosso casal. Hellen parece ter gostado mesmo da Sara e vice-versa. E por que será que Hellen acha que o filho da Maryane não é do Gil?... Vocês e a Sara terão uma ideia da possível resposta disso já no próximo capítulo. Um beijo e até breve.