One Night - Livro 1

47 Capítulo XLVII


Notas iniciais
Meninas me desculpem pela demora na atualização dos capítulos das fics. Esses dias que passaram foram complicados pra mim, mas estamos aqui para um novo post. Espero que gostem.

Logo quando despertei não tive coragem de abrir os olhos de imediato.

Tudo o que eu conseguia pensar era: Ressaca... Ressaca... Ressaca... E ressaca das brabas!

Eu estava me sentindo o pior ser humano na face da terra. Minha cabeça latejava horrores de dor, meu corpo também se encontrava todo dolorido e minha boca tinha um gosto horrível que eu não conseguia nem dizer exatamente qual era aquele gosto. Só podia afirmar que era amargo.

"Tão cedo não quero me embebedar de novo!"

E o pior nisso tudo, é que eu nem queria me embebedar para início de conversa. Sequer era meu desejo ou vontade isso. Mas acabei no fim das contas fazendo exatamente o que não queria: me embebedar.

Com certa dificuldade consegui abrir os olhos. A primeira coisa que vi ao fazer isso foi Grissom sentado na mesma poltrona próxima da minha cama. Parecia até a mesma cena de anteontem.

Será que sua presença ali era real como da outra vez?

Bem que estava parecendo!

"O que você faz no meu quarto de novo? Eu falei que não quero mais te ver!"

Sem responder o que lhe perguntei, àquela tentação de homem levantou da poltrona e veio até mim, se sentando ao meu lado na cama.

"Saí daqui, Grissom!", ordenei me sentando depressa.

"Você pode não acreditar, mas... Eu não te enganei, Sara. Eu te amo de verdade, querida!"

Sua mão tocou meu rosto com extremo carinho e na sequência já eram seus lábios que tocavam os meus.

Eu não tive coragem de afastá-lo de mim e colocar fim no nosso beijo. Havia alguma força estranha que me impedia de tal ação apesar da minha vontade em querer acabar com aquilo.

Acabei por me deixar levar pelo beijo urgente de Gil. Aquele era o beijo que eu gostava, os lábios que me agradavam e o homem que eu AMAVA!

Que se danasse naquele momento a traição que ele cometeu comigo, eu estava pouco ligando para isso agora. Só queria sentir de volta tudo o que ele me fazia sentir quando estávamos juntos, nos beijando. E eu estava sentindo de novo tudo. O corpo arrepiar, o coração acelerar e o desejo louco por àquele homem se ascender num nível instantâneo. Eu precisava ser dele naquele exato momento e que ele fosse meu o mais rápido possível.

Com uma pressa desacerbada, eu lhe arranquei a camisa. E no instante seguinte, ele já se acomodava sobre mim tornando a me beijar com a mesma urgência de segundos atrás. Minhas mãos deslizaram por suas costas até alcançarem o cós de sua calça.

"Tira isso, Gil!", implorei, interrompendo nosso beijo.

"Antes diz que acredita em mim. Eu preciso ouvir que acredita que eu não te traí!"

Ele me fitava, aguardando com certa ansiedade que eu lhe dissesse o que pediu.

Foram segundos travando uma batalha interna para dizer algo. E por mais que eu quisesse acreditar, não dava.

"Eu não consigo!",

Por fim lhe disse a verdade num sussurro. Eu não conseguia acreditar nele, mesmo sentindo uma enorme vontade disso.

Vi uma nuvem de decepção e tristeza pairar sobre seus olhos. O fato de eu não conseguir acreditar nele lhe doía e isso ficou bem evidente para mim.

"É uma pena, Sara!... Porque eu não te traí. E quando eu te provar que essa é a verdade, você vai se arrepender de ter duvidado de mim. Inclusive poderá até ser tarde demais pra você tentar consertar as coisas entre nós!"

"Aonde você vai?"

Questionei quando ele saiu de cima de mim, deixando-me sozinha na cama.

"Vou embora. Não tenho nada pra fazer aqui!"

Ele apanhou sua camisa e se vestiu rápido.

"Adeus, Sara!"

"Grissom, espera!... Não vai!... Grissom... Grissom..."

— GRISSOM!! — acordei assustada e me sentei na cama.

O coração batia acelerado, a respiração estava ofegante e a cabeça latejando de dor.

Merda!

Foi um sonho. Não passou de um maldito sonho tudo aquilo. Mas parecia tão real!

— Cretino! Até nos meus sonhos você se meteu. — reclamei com raiva e tornando a me deitar na cama.

Minha cabeça latejou de dor por eu ter levantado tão abruptamente por culpa daquele sonho com o cretino do Grissom.

— Merda de ressaca, merda de sonho e merda de dor de cabeça! — xinguei.

Aquele sonho maldito veio me torturar novamente, bem como as palavras finais de Grissom.

Será que eu cometi mesmo uma injustiça com Gil?

Aquela tal de Heather mentiu e inventou sobre o que me disse?

Se esse for o caso, eu fiz a maior cagada da minha vida! E ainda perdi o cara mais espetacular que já conheci e me apaixonei.

Para o meu bem, agora, acho que prefiro acreditar que realmente ele me enganou, pois do contrário vou me odiar profundamente por ter cometido tal injustiça com ele.

— Ai, que dor de cabeça dos infernos! Culpa sua Grissom, seu cretino! — choraminguei.

Ouvi as primeiras notas da guitarra de Slash em Sweet Child O' Mine reverber alto em algum canto do meu quarto. Era o meu celular tocando! Eu não fazia ideia de onde essa porcaria se encontrava. E o som do toque fez a minha dor de cabeça piorar.

Apanhei o travesseiro ao lado e coloquei sobre meus ouvidos para abafar o som e não escutá-lo tão alto. Mas parece que não adiantou nada, pois o maldito do som continuava igual para mim.

— Droga!

Levantei cambaleando da cama. Estava só de calcinha e sutiã, e não lembrava como consegui tirar minhas roupas e ficar só de peças íntimas. Devo ter travado uma árdua batalha para ter conseguido tal feito, pois quando estou bêbada é uma novela para me livrar da roupa. Dayse quem diz isso.

De pé no meio do quarto, o mundo a minha volta pareceu girar. Santo Deus! Eu enchi demais a cara ontem mesmo! Seguindo o som do celular acabei encontrando o aparelho mais adiante da cama sob a minha calça jogada no chão. Atendi mais que depressa a ligação para evitar que aquele toque continuasse a perturbar minha mente.

— Alô!

— Caraca, pela sua voz ainda estava dormindo é?

— Não exatamente.

— A noitada foi boa, né?

— Foi até onde me lembro, Dayse. Sequer faço ideia da hora que terminou e nem como cheguei no quarto.

— Eita! Então encheu a cara?

— Bastante!

— E ficou com o sósia do vampiro?

— Dayse interrogatório agora não. — pedi, voltando a me acomodar na cama.

— Está bem!... Oh, liguei pra saber que horas você chega?

— O vôo está marcado para o meio dia. Em torno de uma meia, eu tô chegando no aeroporto. — contei, bocejando. Ainda estava morta de sono.

— Quer que eu vá te buscar lá? Sullivan me liberou hoje do trabalho. Ela teve que viajar mais cedo e às pressas por conta de um problema de saúde do pai. Ligaram avisando que ele foi levado para o hospital muito mal.

— Nossa! Então eu vou querer que me busque sim.

— Beleza! Uma e meia estarei lá. E ó, não pensa que vai escapar de me contar os detalhes do que lembrar dessa noitada de ontem, hein? Beijos.

— Beijos!

Encerrei a chamada e larguei o celular na cama. Encarando o teto meus pensamentos foram tomados pelo sonho de ainda pouco que tive com Grissom. Incrível como pareceu tão real!

Toquei meus lábios e podia jurar que sentia o gosto dos lábios daquele cretino nos meus. Inclusive, seu perfume habita meu olfato.

— Maldito, eu vou te esquecer. Eu preciso te esquecer!

Mas como é que se esquece de alguém que parece impregnado em você?

***

— Meu Deus! Você está pior que eu. — esboço um sorriso ao ver Brooke de óculos escuros tomando seu café numa mesa do restaurante.

— Você diz isso, porque ainda não viu a cara do Owen. Esse está pior do que eu.

— Sério? Cadê ele?

Precisava ter uma conversa com Owen sobre ontem. Pelo que eu me lembro a gente se beijou e "ficou" a noite toda. E eu precisava deixar claro para ele que foi só coisa do momento. Eu ainda não estava em condições de entrar num relacionamento agora. E nem queria

Só não fazia ideia de como dizer tudo isso à ele sem parecer arrogante e correr o risco de estragar uma amizade que começou tão boa como foi a nossa.

— Ele estava aqui até minutos atrás, mas precisou sair pra ir ao centro de convenções. Lembrou que tinha que visitar um estande com o lançamento de um livro da editora dele. E correu pra lá.

— Ele foi de ressaca e tudo?

— Foi. Colocou óculos escuro e tomou uma generosa xícara de café preto e se mandou pra lá.

— Estou precisando de uma xícara de café preto também. — sinalizei ao garçom que veio na hora. Fiz meu pedido à ele e o sujeito logo já partia para providenciar o que lhe pedi.

— Nossa, estou com uma ressaca que só costumava ter na época da faculdade.

— Nem me fale, Brooke.

Na minha época de faculdade também acordei algumas vezes de ressaca e das brabas.

— Mas também me divertir como há tempos não fazia.

Meu chefe tinha um sorriso largo. Algo que me diz que isso se devia mais a Nancy do que propriamente a festa na boate.

Durante o nosso café conversamos sobre a noitada de ontem, pelo menos o que eu lembrava. E soube por Brooke coisas que eu nem fazia ideia que tivessem acontecido por conta de já ter bebido demais, como, por exemplo: que foi Owen quem me levou até o quarto, pois eu não me agüentava em pé de tão bêbada.

Meu Deus, que vexame eu paguei na frente do meu chefe e do meu mais novo amigo.

Ficamos ainda de papo por um tempo razoável até decidirmos subir cada um para o seu quarto a fim de ajeitar nossas coisas para nossa viagem de volta para casa.

As onze e quinze estávamos na recepção do hotel fechando a conta para irmos rumo ao aeroporto.

Owen apareceu de volta do centro de convenções só para se despedir da gente. E junto com ele apareceu Nancy para se despedir do Brooke.

— E então... Foi muito bom te conhecer, Sara Sidle.

— Eu posso dizer o mesmo a seu respeito, Owen Clark.

Ele sorriu.

— Vou te ligar qualquer dia pra marcar de sairmos, pode ser?

Assenti e resolvi tocar no assunto que eu enrolava para tocar.

— Owen sobre ontem...

— Vamos deixar o ontem no ontem. — ele pronunciou me interrompendo. — O que aconteceu entre a gente na boate, foi uma curtição boa, divertida, mas não vai tornar a acontecer, não é isso?

— É! — eu tinha que ser sincera com ele.

— Então relaxa e fica tranquila que eu tô de boa e não estou te cobrando nada. Ok? — ele sorriu me estendendo a mão.

Ao invés de segurar sua mão, eu fiz foi abraçá-lo.

— Ok! — lhe sussurrei.

— Se cuida, Sara.

— Você também!

***

Era uma e quarenta quando Brooke e eu cruzamos o portão de desembarque. Nosso vôo foi tranquilo e eu até tirei um cochilo durante a viagem. Brooke que me acordou quando o avião havia pousado.

Uma rápida olhada em volta e enxerguei a maluca da Dayse a minha espera.

— A Dayse ali. Vamos lá. — comentei com Brooke e nós já seguimos até onde minha amiga se encontrava.

— Ei! E aí como foi a viagem?

— Foi boa e proveitosa.

— Quer carona, Brooke? Eu te levo.

— Obrigado, Dayse, mas não é necessário. Deixei meu carro guardado aqui no estacionamento do aeroporto mesmo.

— Ah, tá.

— Vou indo. A gente se vê amanhã, na editora, meninas. Tchau.

— Tchau! — eu e Dayse dissemos juntas e vimos meu chefe seguir para saída do aeroporto.

— E nós? Vamos também?

Apenas assenti à minha amiga.

Momentos depois no carro de Dayse e à caminho de casa, ela foi me crivando de perguntas a respeito de ontem. Contei até onde lembrava.

— Quer dizer que você deu uns pegas no sósia do vampiro? Mas quem foi que disse que não ia fazer isso mesmo?

— Eu estava bêbada e acabou rolando.

— Você não dormiu com ele, dormiu?

— Não!

E se tivesse não sei com que cara olharia para o Owen.

— E ele tem pegada? Beija bem?

— Sim para ambas as perguntas. — afirmei após uns segundos de silêncio. — Mas eu senti falta de outra pegada e de outro beijo. — confessei.

— A do Sr.Gostoso, não é?

À ela, eu não podia e nem conseguia mentir.

— Sim! — admiti dando um longo suspiro e encarando a rua pela janela do carro.

O resto do percurso até em casa foi silencioso depois disso.

Notas finais
Pra quem tava apreensiva por Sara ter dormido com Owen, pode relaxar que ela não dormiu. Eu não quis chegar tão longe assim. Só os beijos já ficou de bom tamanho. Até o próximo.