One Night - Livro 1
45 Capítulo XLV
Munique, Alemanha.
— Heather já perdi as contas de quantos recados deixei. Preciso falar com você urgentemente. Entre em contato comigo.
Grissom encerrou a chamada e jogou com certa raiva o celular sobre a pilha de papéis em sua mesa de madeira nobre. Em seguida passou uma das mãos pelo rosto para logo depois bater com a mesma mão sobre a mesa. O gestor estava se mordendo de raiva por esse 'sumiço' de Heather. Ela armou para ele e agora desapareceu. Mas ele sabia que a executiva não ia conseguir ficar se escondendo dele e lhe evitando por muito tempo, pois eles tinham negócios a tratar.
O gestor das indústrias Care devia imaginar que tinha sido uma péssima ideia revelar a ruiva o nome da dona de seu coração. Só que ele não imaginou que Heather ainda que de longe, fosse conseguir ferrar assim com seu relacionamento com Sara.
O que a executiva sempre quis dele, Grissom nunca foi capaz de lhe dar — ou tampouco conceder a qualquer outra. Passional e de jeito dominador, Heather sempre almejou ser a 'exclusiva' na vida de Grissom e assim, ter um relacionamento sério com ele, o que o gestor sempre fez questão de fugir a todo custo. Relacionamentos sérios, compromisso, fidelidade, não eram coisas em que Grissom se via fazendo. Se considerava de todas as mulheres e não queria ficar preso à somente uma.
Todavia se viu fisgado por uma e por ela abandonaria a vida de mulherengo que tanto gostava e prezava. Na verdade, ele já tinha até abandonado essa vida por Sara. Com ela, ele estava disposto a viver o resto de sua vida e até criar uma família, algo que jamais lhe passou pela cabeça antes. Tudo por ela!
Só que a única mulher que conseguiu fisgar seu coração e lhe fazer saber o lado bom de estar apaixonado, agora também lhe mostrou o lado ruim disso, ao terminar com ele por conta de numa infame inventada por uma desconhecida para ela. Sara achou mais "fácil" ouvir o lado de Heather e acreditar erroneamente nesse lado, do que no lado verdadeiro que Grissom lhe disse.
Tudo bem, que ele tinha uma fama de mulherengo que até comentou com Sara. Tal fama já vinha lhe acompanhando desde de sua juventude, e não era fácil se livrar daquilo assim, de uma hora para outra, mas Sara ao menos podia ter lhe dado o benéfico da dúvida, não podia? Era pedir muito isso?
Mas ela não lhe deu!
Simplesmente achou de acreditar na inverdade que Heather lhe contou a respeito dele. E se não bastasse isso, Sara não perdeu tempo em cair nos braços de outro.
Se ela foi tão rápida assim é porque, certamente, ele não era tão importante assim para ela quanto Sara dizia.
Se bem que ele podia apostar quando olhava em seus olhos, nas vezes em que faziam amor, que ela era verdadeira quando dizia que gostava dele e lhe amava. Mas ao que parece não era bem assim.
Sara não confiou nele e nem quando ele lhe disse que Heather mentiu para ela. Talvez confiar não seja algo que Sara consiga agora. Certamente, isso seja em virtude da traição que sofre do ex. Mas ele não era como aquele imbecil do Elliot. Não havia qualquer intenção ou sequer pretensão sua em trair ou enganar uma mulher como ela. Alguém que fisgou seu coração tão instantaneamente como nunca havia acontecido antes.
Uma batida na porta do pequeno escritório de seu apartamento e Grissom viu Helga, sua empregada, aparecer pelo pequeno vão aberto pela mesma.
— Doutor Grissom o investigador da polícia estar na sala querendo falar com o senhor. — ela lhe comunicou em alemão.
— Já estou indo. Meu pai já voltou da saída dele? — no mesmo idioma da mulher, Grissom a questionou enquanto se levantava da cadeira e vinha na direção da empregada.
— Sim. Ele chegou junto com o investigador. Parece que se encontraram na entrada do prédio. — contou a baixinha empregada loira.
Saindo do escritório e tendo Helga em seu encalço, Grissom se dirigiu à sala onde encontrou seu pai falando com o investigador corpulento e de estatura mediana, que estava acompanhado de um colega policial.
— Olá!
— Senhor Gilbert como vai? — saudou o sujeito se pondo de pé.
— Bem, investigador. — o empresário apertou a mão do oficial e depois de seu colega. — Espero que tenham vindo pra nos trazer boas notícias.
— Não exatamente. — o investigador trocou um olhar com seu colega de trabalho.
— Sentem-se, por favor. — indicou Grissom se acomodando ao lado de seu pai no sofá maior enquanto os outros dois oficiais se sentaram no outro menor.
O empresário e seu pai começaram a ser atualizados sobre as investigações da polícia alemã quanto ao paradeiro do sujeito que vendeu a fórmula de um medicamento da fábrica deles à uma multinacional concorrente as Indústrias Care.
***
Eu e os "meninos" já tínhamos visitado vários pontos turísticos em Chicago, que incluíram dois parques, teatro, monumentos históricos e um passeio de barco pelo azul intenso do Michigan Lake.
E durante todo o tempo em que estive na companhia dos dois homens, eu sequer tive tempo de pensar em Grissom. Foi uma manhã boa e proveitosa, assim como a tarde em que nós três juntos fomos a feira.
Nós mais pareciam amigos inseparáveis. Tínhamos uma sintonia enorme, porém gostos literários que se diferiam.
Passeamos pelo centro de convenções, assistimos a algumas atrações literárias que ocorreram no palco armado no segundo andar do centro; fomos a palestras e debates. Quando já saímos do centro de convenções, já era por volta das nove da noite.
— Ei, ouvi falar que vai rolar uma festa boa numa boate aqui perto. Pensei de irmos fechar a noite lá. Amanhã vocês vão embora, enquanto eu irei só depois de amanhã. Então achei que essa seria uma ótima despedida pra nós.
— Owen, nós passamos quase o dia inteiro juntos, ainda quer passar a noite em nossa companhia? — olhei com divertimento para o meu amigo enquanto seguíamos para dentro do hotel.
— Sim. Vai ser divertido. Faz tempo que não vou a uma boate por conta do meu trabalho em excesso. Essa seria uma ótima oportunidade de aproveitar a noite em uma. E pelo que eu soube essa é muito boa. Vamos lá?
— Eu vou. — Brooke aceitou sem muita hesitação a proposta de Owen.
Os dois homens então me encararam, esperando por uma resposta. Não tive coragem de rechaçar a proposta e acabei, aceitando-a mesmo não sendo do meu total desejo isso. Mas como diz a Dayse: "Nada melhor que balada e bebida pra distrair a mente de quem a gente não quer pensar!"
Nós marcamos de meia noite nos encontrarmos no saguão do hotel para irmos a boate.
***
Diante do espelho, eu dava uma última conferida em meu visual e aprovava o que via. Estava com uma calça jeans cintura alta na cor preta, que era bem justa e evidenciavam minhas curvas; salto alto; uma blusa vinho com amarração no pescoço e um discreto decote na frente; cabelos soltos e uma boa maquiagem. Na minha modéstia opinião, eu até que estava bonita para uma noitada, mas gostaria de estar também empolgada para isso, coisa que eu não estava nada. Todavia, estava disposta a achar dentro de mim um pingo de animação para aproveitar a festa e me distrair nem que fosse um pouco apenas.
Eu precisava de distração. E uma festa em uma boate, me parecia uma excelente distração. Dayse também achou isso e me incentivou a aproveitar a noite, quando lhe liguei contando mais cedo da balada que ia. A louca da minha amiga ainda disse que era para eu curar a minha dor de amor nos braços do meu mais novo amigo, que tinha a cara do vampiro gato. Ri do conselho de Dayse.
Já disse que minha é louca, né? Pois é, ela é louca mesmo! Mas para o desgosto dela lhe disse que não seguiria esse seu conselho.
Comigo não funcionava assim. Curar a dor de um amor rapidamente nos braços de outro, não era para mim. Sem contar, que Owen era só um amigo. Um amigo gato é verdade, mas um amigo.
Não havia interesse amoroso da minha parte nele e creio que nem da dele por mim, pois do contrário, ele já teria passado alguma cantada em mim, coisa que ele não fez. E caso faça, eu vou ter que lhe dispensar, pois romance agora para mim não há a menor chance. Eu quero passar longe de romances por um tempo. Quebrei a cara duas vezes consecutivas e não quero repetir isso uma terceira vez quem sabe. Chega!
Fui até a cama e apanhei meu celular guardando-o dentro do pequeno bolso interno que havia preso no cós da calça. Borrifei um pouco mais de perfume no pescoço e na sequência, chequei as horas no pequeno e delicado relógio em meu pulso. Ele marcava dois minutos para a meia noite. Hora de descer para encontrar Owen e Brooke no saguão. Saí do quarto e peguei o elevador. Instantes depois já me encontrava diante dos rapazes. E olha... acho que mulher mais bem acompanhada do que eu nessa boate não vai ter. Eu estava muito bem servida de acompanhantes, pois ambos eram bonitões e estavam uns gatões em seus looks.
Notei um olhar diferente de Owen em mim assim que me viu, mas ignorei. Nós três então saímos para apanhar o táxi que Owen havia pedido, já que ele avisou que nós três encheríamos a cara, e com isso ninguém estaria em condições de dirigir. Desse modo, o táxi era mais aconselhável para nós irmos e principalmente, voltarmos em segurança.
— Eu não vou encher a cara! — rebati enquanto nos encaminhávamos para pegar o táxi.
— Ah, você vai sim. — Owen afirmou acintosamente.
Em coisa de quinze minutos já saltávamos em frente a boate. Seguimos para a entrada do local e ficamos numa pequena fila; poucos instantes depois já entrávamos na boate.
O local se encontrava lotado e uma música de batida eletrônica era tocada pelo DJ em suas pick up's montadas em um palco, armado aos fundos da pista de dança.
— Acho melhor bebermos algo antes de nos aventurarmos a dançar.
Eu e Brooke concordamos com a proposta de Owen. Seguimos para o bar localizado a direita de por onde tínhamos entrado.
No meio do caminho, Owen que ia na nossa frente, esbarrou numa conhecida sua. Pela forma como se abraçaram efusivamente e de maneira demorada, eles certamente não se viam há anos.
Após o abraço trocado com a mulher morena e um pouco mais baixa que eu, Owen a apresentou a mim e Brooke como Nancy, uma amiga do tempo da faculdade, que ele não via desde que se formaram. Nós a comprimentamos e ela nos convidou na hora para nos juntarmos a ela e um casal de amigos com quem tinha vindo. Segundo Nancy estava se sentindo a própria vela dos amigos e apreciaria bastante se nós fizéssemos companhia a ela nessa situação. De comum acordo todos aceitamos o convite. Seguimos com ela até a área onde eles se encontravam acomodados em uma mesa.
Nancy nos apresentou sua amiga Alya e o noivo Ethan, ambos de uma simpatia ímpar. Foi preciso apenas poucos minutos de papo para nós seis ali criarmos empatia e engatamos em um papo animado para nos conhecermos.
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