Notas iniciais
Boa leitura!

Era uma e meia da tarde, Dayse tinha ido mais cedo a casa dos pais dela, pois os mesmos ligaram por volta das dez "pedindo" que ela fosse almoçar com eles para conversarem sobre um importante assunto de família. Deste modo, cá estava eu sozinha no apê, deitada na minha confortável cama, escutando música nos meus fones enquanto lia um romance policial, quando meu celular pára de tocar a música por conta de uma chamada. Interrompo minha interessante leitura deitando o livro aberto sobre o peito e apanho o celular que repousava ao meu lado no colchão. Na tela o número de Gil piscava e pelo horário, ele bem já devia ter falado com o pai dele e por isso estava ligando para me contar como foi. Espero que tenha ido bem.

— Alô! — me pronunciei ao atender a chamada que já ia para o terceiro toque.

— Oi... Amor.— todo hesitante, ele pronunciou a última palavra ao me cumprimentar. Confesso, que apesar de ainda está aborrecida (levemente) com a nossa "divergência" de mais cedo, eu apreciei ouvir aquela última palavra saindo da boca dele. A sensação era de sempre sentir como se borboletas revoassem dentro da minha barriga tamanha era a alegria disso. — Ainda aborrecida comigo?

Expliquei a ele que ainda que eu tenha ficado aborrecida com a forma com a qual ele falou comigo mais cedo, o meu aborrecimento principal era com a decisão sem noção — na minha opinião — que ele tomou e não com ele exatamente.

Para ser franca a raiva que sentia até dera uma amenizada. Mas não quer dizer que ela passou! Não! Ela continuava, só que bem menos do que quando Gil e eu conversando mais cedo ali no meu quarto.

— Eu estou tentando ainda absorver e engolir a sua decisão. — finalizei, dizendo à ele. Ia levar mais um par de tempo para que eu conseguisse me "acostumar" com aquela ideia dele ser o pai do filho da Maryane.

— Tá bom! — foi tudo o que ele me disse em resposta. Acredito que ele ainda queria me dizer bem mais que isso, só que por alguma razão não o fez e se calou.

— Falou com o seu pai?

— Pois é meu pai. — ele fez um som estalado com a boca ao término dessa fala. E na sequência, emendou, contando que não pôde falar com ele.

— Por que? — sentei-me na cama no mesmo instante.

Fui a casa dele ainda a pouco e Matilde me informou que o coroa viajou mais cedo pra Las Vegas para se encontrar com um grupo de amigos. Parece que é aniversário de um deles e ligaram para o velho chamando-o pra participar de uma comemoração num cassino. E como o Joseph adora uma jogatina então foi na hora. Ele volta segunda.

Ai, que droga!

Justo hoje o pai do Gil viaja?! Ô, carma. Parece que tudo está conspirando contra o Sr.Gostoso contar logo ao pai dele sobre nós.

— Pelo visto, mais uma vez, as coisas ainda não irão se resolver. — resmunguei em desagrado.

Sinto muito, de verdade, Sara. Mas de segunda sem falta essa conversa com ele saí.

— Presumo então que o papo com Maryane também não vai ser amanhã, já que você queria falar primeiro com o seu pai, né?

Pelo contrário, vou aproveitar pra amanhã mesmo falar com sua prima. Não quero adiar mais essa conversa. Maryane vai ouvir poucas e boas de mim.

Não consegui conter o sorriso de satisfação por ouvir isso. Queria estar presente para ver a sonsa da minha prima levar um corretivo de Gil, mas melhor não.

— Tenho certeza que ela vai negar tudo o que eu te disse e ainda é capaz de inventar um monte de mentiras a meu respeito.

Já podia até imaginar a cena dela se fazendo de coitada e me "pintando" para Gil como a mentirosa da história. Típico da Maryane! Ela costumava fazer isso para os meus pais quando éramos pequenas e ela aprontava. Aí, a culpa recaía em quem? Em mim! A desgraçada fingia tão bem que sempre era eu quem me dava mau no fim das contas.

Ela pode falar o que quiser, eu não vou acreditar em uma vírgula do que ela disser contra você, pode ficar tranquila. Maryane não vai me enganar.

Gostei disso. Mais um ponto positivo para ele naquela ligação até agora. Saber que ele confiava em mim desse modo foi tão lindo. E pensar que eu tola, idiota não acreditei nele quando mais foi preciso. Estaria sempre em desvantagem nesse quesito com ele.

— Ela não vai aceitar esse término numa boa.

Problema dela!... Que vá então chorar no ombro do Bryan.

Se ele soubesse que minha priminha sonsa não é de ficar chorando no ombro de ninguém feito uma bobinha, não diria isso. Realmente, Grissom não me parece conhecer a verdadeira Maryane. A minha prima mentirosa fingiu tão bem para ele que era uma coisa, que Gil nem imagina como ela é de fato.

Maryane nunca foi de choro — só quando lhe convinha esse papel de mártir. Minha prima era de aprontar e eu tenho certeza que ela não vai deixar isso assim. Aquela falsa fará alguma coisa em revide, pois quando ela me disse em Santa Mônica que estava disposta a conquistar e ficar com Grissom, e também quando me ameaçou diversas vezes, eu senti e vi que ela falava muito sério mesmo. Maryane vai aprontar e eu tenho que ficar muito ligada.

— Pouco provável que ela vá fazer o quê você disse. Ela não é disso, Gil.

Bom, o que ela vai fazer depois que eu terminar com ela não me interessa muito.

Mas a mim interessaria e bastante!, Pensei comigo mesma. Tenho que ficar esperta com Maryane.

— Você vem pra cá? — mudei bruscamente o nosso assunto. Já chega de ficar falando daquela chata da minha prima.

Você ainda quer que eu vá para aí?

Claro que eu queria! Como expliquei o meu aborrecimento principal era com a decisão dele e não exatamente com ele. Fiquei sim, no começo, com certa raiva do Gil, pela forma como se dirigiu a mim. Mas isso já passou. E eu o queria ali me fazendo companhia, ainda mais, que eu estava sozinha em casa.

— Quero! — afirmei após uns segundos. — Você vem?

Ele ficou calado por uns segundos na linha. Quando eu já ia insistir por sua resposta, ele se pronunciou:

Eu vou, sim! Mas... Antes preciso primeiro acertar as contas com o Bryan. Vou ao escritório dele e...

— Negativo, você não vai fazer isso. — eu o interrompi no ato. Não acho uma boa ideia ele ir falar agora com esse cara.

Por que não? — ele questionou-me sem entender.

— Se você falar com esse cara agora, com certeza depois, ele vai contar pra Maryane que você já sabe tudo a respeito deles. E aí, a minha prima vai falar com os meus pais e a cagada tá toda armada. — expliquei.

Grissom suspirou em desagrado na linha. Era de se supor que ele quisesse logo um acerto de contas com o "amigo", mas tinha que ver que fazer isso nesse momento não seria benéfico para nós dois, principalmente, para mim. Meus pais tinham que saber sobre nós por mim e não pela boca mentirosa da Maryane, que ia inventar tudo de ruim para eles a meu respeito.

— Se quer falar com esse cara deixa pra fazer isso depois que falar com Maryane, agora não me parece bom, Grissom. Por favor, por mim, não procura esse Bryan ainda.

Tá bom! Não irei até ele agora.

Respirei aliviada. Ainda bem que ele atenderia o meu pedido. Era melhor por agora não mexer com o Bryan e deixá-lo quieto lá no cantinho dele. Aí, depois, que Maryane recebesse o corretivo dela, Bryan podia receber o dele também.

Mas depois que eu conversar com o meu velho, vou atrás do Bryan e aquele babaca vai receber uma boa lição por ficar de "gracinha" com você.

Apesar de ter gostado de saber que ele ia fazer aquilo para me defender e proteger, eu fiquei preocupada com o que ele poderia fazer àquele bastardo.

— Grissom não vai fazer nada com esse cara que possa depois te prejudicar ou comprometer, por favor.

Não vou fazer. Apenas darei um belo corretivo nele.

Esse "corretivo" que me preocupa. Ele podia implicar em tanta coisa desagradável que poderia resultar em um revide pior ainda do Bryan contra Grissom. E só de pensar nisso já fico mais preocupada ainda com o meu Sr.Gostoso. Se acontecer alguma coisa com ele, eu perco o chão.

— Olha lá que "corretivo" vai dar, Gil.

Tá preocupada com ele é? - podia sentir seu tom debochado e provocativo ao questionar-me isso.

— Ah, com certeza! — afirmei falsamente.

Ouvi a risada alta de Gil reverberar na linha e esbocei um sorriso por isso. Adoro o som da risada dele é agradável aos meus ouvidos.

— Até parece que vou me preocupar mesmo com aquele bastardo, Grissom. — disse e o cretino só riu. — Me preocupo é com você, cretino.

Pois não se preocupe. — ele me comunicou ainda sorrindo. Vai ficar tudo bem.

É o que eu esperava e torcia.

— Você me garante isso?

Sim!

— Vou acreditar em você então. Agora, me diz, você já vem pra cá?

Outra vez, ele fez um breve silêncio antes de responder.

Não! — por fim ele respondeu. Diante dessa sua negativa, eu já ia retrucar e cobrar uma explicação, quando Gil, emendou: — Eu tive uma ideia melhor pra gente.

— Que ideia?

Ainda não posso dizer, porque vou ver aqui se consigo providenciar algumas coisas. Mas se der tudo certo te ligo depois avisando, okay?

— Tá.

Beijo!

— Outro.

A nossa ligação foi encerrada e eu fiquei curiosa para saber o que ele ia providenciar a nós. Podia ser inúmeras coisas e as mais diversas possíveis, que era até difícil tentar supor. Sendo assim, larguei de mão isso. Retomei minha leitura que havia interrompido por conta da ligação de Gil.

O "depois" que o Sr.Gostoso me disse só veio acontecer mais de uma hora após a nossa ligação ter sido encerrada. Ele ligou e avisou que nós só nos veríamos a noite. Não gostei muito disso, mas tudo bem! Ele me pediu para às sete está arrumada, pois íamos sair para jantar num lugar que ele não quis contar de forma alguma qual era. Apenas disse que não era um lugar requintado, desse modo, eu não precisaria ir vestida de maneira muito formal. E ainda pediu também que eu preparasse em uma pequena bolsa duas mudas de roupas, um biquíni e itens pessoais, pois íamos dormir juntos e no dia seguinte faríamos um passeio.

— Passeio? Pra onde? — não consegui conter a curiosidade.

Não posso dizer. Te vejo a noite. Beijos.

— Gri... — nem tive tempo de completar seu nome, pois a ligação já tinha sido finalizada por ele. — Aff! O cretino desligou na minha cara.

****

— Nossa você está um arraso!

Dayse me elogiou quando surgi na sala usando um pretinho básico de alças finas e cumprimento até um pouco acima dos joelhos; cabelos presos num coque com alguns fios soltos; sandálias altas e maquiada.

— Grissom disse que onde jantaríamos não era tão formal. Então acho que esse look tá bom, não?

— Tá! E onde será que vocês vão jantar, hein?

Também gostaria de saber!, Pensei.

Meu celular tocou em minha mão antes que pudesse externar a Dayse o pensamento que tive. Era Gil. Pontualmente às sete. Atendi e ele pediu para eu descer, porque não daria para ele subir, já que não achou uma vaga para estacionar em frente ao prédio.

— Tá bom. Tô descendo. — finalizei a chamada e me despedi da Dayse.

Em questão de poucos minutos já estava na calçada em frente ao prédio. Procurei com o olhar o carro de Gil, mas não encontrei.

Cadê esse homem, senhor?!

O celular em minha mão tocou e era Gil de novo. Atendi e já fui logo ouvindo dele:

Tá linda!

Sorri ainda procurando com os olhos o carro dele.

— Obrigada! Mas cadê você que não vejo seu carro?

Olhe para a sua direita.— ele instruiu e assim o fiz. Entretanto não vi seu carro escuro, apenas um veículo prateado estacionado quase na esquina.

— Continuo sem ver seu carro, Grissom.

Esperei que ele dissesse sua localização, mas não foi o que ocorreu. Foi então que vi uma figura conhecida sair de dentro do mesmo carro esportivo prateado que eu tinha visto. Era Gil.

Viu agora? — escutei Gil questionar pelo celular e de onde estava ele acenou com uma das mãos para mim.

— Vi! — confirmei com um sorriso.

Finalizei a chamada e caminhei até quase a esquina onde o carro estava parado. Em alguns passos depois já estava diante de Gil sendo recepcionada por ele com um abraço e um rápido beijo, que ele me roubou.

— Por isso não te via você veio em outro carro.

— É o carro n°2 esse.

— Quantos carros têm?

— Seis! — ele respondeu, pegando a pequena valise da minha mão para guardá-la no porta malas. — Três aqui e três na Alemanha. — explicou após guardar a minha valise no compartimento de trás do carro esportivo.

— Nossa! Quantos carros pra uma pessoa só.

— Gosto de carros. Inclusive estou pensando em adquirir mais dois.

— Homens e esse enorme fascínio pelas máquinas, não?

Ele apenas sorriu e abriu a porta para mim entrar no carro.

Momentos depois Gil já guiava pelas ruas do Brooklyn. E a minha curiosidade acerca de aonde jantaríamos, aguçou-se e questionei Gil a esse respeito na esperança de que ele contasse. Mas ele se negou a isso. Insisti um pouco mais e aí, o Sr.Gostoso acabou mencionando que jantaríamos em Nova York, entretanto não entregou o local exato do jantar. Logo imaginei que pudesse ser em sua casa e até arrisquei este palpite, mas Gil negou que seria lá que jantaríamos.

— Tô bem curiosa pra saber que lugar é esse que está me levando.

Ele riu e largando a mão direita da direção do carro, pegou a minha mão esquerda, levou-a até os lábios e beijou-a.

— Tenho certeza que irá gostar. — Gil me lançou um rápido olhar e piscou para mim.

Após quase uma hora de uma impaciente viagem para mim, o Sr.Gostoso parava o carro em frente a um lugar que trazia um letreiro onde se lia New York City Marina. Estampando uma expressão confusa olhei na hora para Grissom, que já tirava o cinto de segurança com um sorriso enfeitando seus lábios.

— Uma Mariana?? É aqui que vamos jantar?

— Não! Mas é aqui que está o meu veleiro aonde nós iremos jantar enquanto passeamos pelo Rio Hudson pela bela Nova York e adjacentes. — ele comunicou-me antes de sair do carro.

Notas finais
Ainda não foi dessa vez que rolou a conversa entre o Gil e o pai dele. Mas ela virá em breve. Fiquem no aguardo! Até o próximo capítulo.