Notas iniciais
Agora quem tem que correr atrás do prejuízo é a Sara e não vai ser fácil pra ela. O Sr. Gostoso tá bem ressentido.

Liguei uma vez... Duas... Três... Na quinta tentativa de contactar Grissom, eu desisti. Ele não queria me atender e nem ia pelo visto. Portanto, não adiantava nada eu ficar ligando agora. Teria que lhe dar um espaço de tempo e depois voltar a insistir por uma conversa com ele, pois nós precisamos disso. Ele não pode simplesmente me jogar a verdade na cara e depois ir embora.

Além do mais, eu lhe devia desculpas. Errei com ele ao desconfiar de sua fidelidade. Naquele momento me sentia a pior pessoa do mundo. Tudo o que eu queria agora, era consertar essa situação que causei.

Mas será que havia conserto?

Eu torcia para que sim.

— Sara dá pra você me dizer o que houve? O que a tal Heather te disse?

— Eu sou uma idiota que acreditei numa mentira, Dayse. — disse a minha amiga enquanto devolvia o telefone a mesinha de centro. Depois me sentando no sofá, completei: — A tal Heather inventou que transou com Grissom.

— Será que é verdade isso que ela disse?

Eu contei exatamente tudo o que aquela mulher me disse. Por fim Dayse acabou acreditando naquela versão assim como eu acreditei.

— Eu sou uma tola, idiota e tudo mais de ruim que existe, Dayse.

— Ei, você não é nada disso, amiga. Não tinha como você saber que era mentira dela. Até eu acreditei que ele tivesse transado com essa mulher.

— Mas você não tem nada com o Grissom. Eu tenho, ou melhor, tinha. — lamentei. Que ódio tão grande de mim! Eu devia ter dado no mínimo um pouco de crédito à ele, mas não! Achei de acreditar no que aquela estranha disse e agora, temo que tenha perdido de vez o cara mais incrível que conheci. — Grissom não vai me perdoar por isso Dayse. Eu o perdi. Ele com certeza vai casar com a Maryane agora.

Que droga!

***

Cinco dias!

Há exatos cinco torturantes dias venho tentando insistentemente entrar em contato com Grissom, mas sem obter sucesso.

Ele não atende nenhuma das minhas chamadas e nem se dá ao trabalho de responder as mensagens de texto que lhe envio.

E com isso, eu estava sentindo na pele o que Gil deve ter sentido quando tentou inúmeras vezes me contactar quando fui para Chicago, mas eu lhe ignorei por achar que ele tinha me traído. Magoada com ele, eu me recusava a atender seus chamados. Agora o magoado é ele. E com razão, Grissom não me atende.

Os papéis se inverteram!

Ainda continuou me odiando profundamente por ter acreditado na mentira daquela mulher. Por culpa dela e de mim também — não posso me eximir disso — perdi o homem mais tudo de bom que conheci. Nós podíamos estar juntos agora. Mas não estamos por minha culpa! Por eu ser idiota, ingênua e tola.

Ele, certamente, deve estar me odiando por não ter acreditado nele. Não lhe dei o menor crédito. Simplesmente acreditei na mentira de alguém que sequer, eu conhecia e me ferrei bonito.

Que vontade de falar com Grissom; de ouvir sua voz; sentir seu cheiro; provar seu beijo; fazer amor com ele e depois me aconchegar em seus braços e, saber que ali estou protegida;

Ah, meu cretino Sr.Gostoso que saudades de vocês!

Qualquer coisa que você diga ou faça
Eu estou ligada,
Estou ligada em você
Esperando por sua ligação
Dia e noite,
Estou cheia
Estou cansada de esperar por você
(Hung Up — Madonna)

Já cansada de tanto esperar, resolvi buscar notícias dele através de Lewis. Acabei descobrindo que o meu Sr.Gostoso tinha sofrido um atentado na Alemanha.

Quando ouviu do Lewis isso, eu quase infartei e quis saber na hora, tudo sobre esse fato. Mas como na ocasião o irmão de Grissom estava ocupado, não deu para ele me dar mais detalhes. Então nós marcamos de nos encontrar no dia seguinte para almoçarmos juntos e conversar sobre esse atentado. E no horário combinado cá estou eu esperando pela chegada de Lewis no restaurante combinado.

Esperei por mais dez minutos até ver Lewis entrar com pressa e vir até a mesa após eu lhe acenar.

— Oi, Sara! Me desculpa o atraso. Estava numa reunião com o pessoal que vai fazer o lançamento da minha coleção de jóias.

Ele se justificou enquanto me dava um abraço seguido de dois beijos no rosto.

— Tudo bem. Eu não estava esperando tanto tempo assim. — lhe avisei enquanto nós dois nos acomodávamos em nossas cadeiras. — E pra quando é esse lançamento? É aquele que mencionou lá em Santa Mônica?

— Esse mesmo. Vai ser no fim do mês. Terá um coquetel e tudo. Vou mandar um convite pra você e Dayse irem. E espero ter a presença de vocês duas lá.

— Nós iremos sim.

— Ótimo! Vamos fazer nossos pedidos e depois falamos sobre o assunto que nos trouxe aqui.

Concordei com ele e vi Lewis sinalizar, chamando o garçom. O sujeito jovem veio e nós dissemos os pedidos psra entrada e prato principal. Nenhum de nós quis sobremesa. Optamos por um cafézinho apenas.

Assim que o garçom se foi, levando nossos pedidos, eu não hesitei em saber logo o que aconteceu de fato com Grissom. Quase não dormi noite passada, depois de saber que Gil sofreu um atentado. Inclusive cheguei a procurar na internet algo a respeito disso, mas não havia nada, o que eu achei bem estranho. Porém, se tratando de Grissom tudo sempre era estranho.

— Lewis que atentado foi esse? Como aconteceu? Por que não saiu nada na internet? Eu procurei ontem algo a respeito, mas não encontrei nada.

— Ei! Vamos por partes, Sara. — Lewis sorriu e deu uma provada em seu vinho. — Uma pergunta de cada vez.

Eu estava muito desesperada por esclarecimentos, que nem me dei conta que mais parecia uma metralhadora ambulante disparando perguntas, uma atrás da outra.

— Ok! — respirei fundo. — Que atentado foi esse?

Minha preocupação estava toda em saber sobre isso e, principalmente, sobre como estava Gil.

— Sabe o sujeito que vendeu a fórmula da nossa empresa?

Assenti. Lewis contou que o sujeito foi o responsável pelo atentado. Segundo o irmão de Grissom ouviu do mesmo quando ele relatou o ocorrido "o funcionário queria foder com sua vida, já que na visão do sujeito, Gil fez o mesmo com a sua vida ao mandar a polícia caçá-lo feito um bicho e ainda, manter sua família em regime de vigília pelas autoridades alemã enquanto ele era procurado".

— Ele cometeu um crime queria o quê? — não consegui conter minha indignação.

— Foi o que o Gil disse ao mesmo.

O garçom apareceu com nossas entradas e assim que ele se retirou dali, eu questionei Lewis:

— Como e quando foi que aconteceu esse atentado Lewis?

— Há três dias. O sujeito soube que Grissom estaria em Frankfurt num jantar de negócios e quando meu irmão já voltava do restaurante para casa com Luke, o motorista percebeu que estavam sendo seguidos. E aí, começou uma perseguição que acabou interrompida quando o carro do outro sujeito encurralou o do Grissom numa estrada. Além do ex-funcionário desceu outro cara que rendeu Luke enquanto o Simon rendeu meu irmão. Esse cara tinha intenção de matar o Grissom, Sara. — quando Lewis disse isso, eu senti o coração falhar uma batida. — Gil contou que o cara atirou na sua duração, mas a mesma não disparou.

— Graças a Deus!

Lewis ainda me relatou que se aproveitando do fato de não ter disparado a arma, Gil foi para cima do sujeito para rende-lo. Luke fez o mesmo com o comparsa de Simon, já que este se distraiu por um segundo. No meio do embate de Luke com o outro sujeito, a arma do comparsa de Simon disparou e acertou o braço de Gil de raspão. Na mesma hora agradeci mentalmente este fato.

E segundo Lewis, mesmo machucado, Grissom ainda conseguiu imobilizar Simon. Luke fez o mesmo com o outro cara. A polícia chegou poucos instantes depois disso. Os oficiais receberam uma denúncia anônima de alguém que viu quando os dois sujeitos armados renderam um carro e fizeram seus ocupantes descerem.

— Quando você me disse que ele sofreu um atentado, eu procurei na internet algo, mas não encontrei nada sobre isso.

— É que Gil se encarregou disso não sair na mídia. Seria outra exposição negativa para os negócios, que já ficaram abalados por conta dessa espionagem que sofremos.

Enquanto terminávamos nossa entrada e até a vinda do prato principal, eu ainda enchi o Lewis de mais perguntas a respeito do que aconteceu com o Grissom e seu estado. Lewis com paciência respondeu a cada uma das minhas perguntas.

— Você gosta do Grissom e se preocupada muito com ele, não é?

— Eu amo o seu irmão!

Ele sorriu e esticando o braço por cila da mesa, tocou minha mão.

— Fica tranquila que ele está bem. Fora de qualquer perigo, já que o tiro foi de raspão.

— Eu tentei entrar em contato com ele ontem mesmo, mas Gil não me atendeu. Há dias ele não me atende. Você já deve saber o que houve entre a gente, não é?

— Ele me contou que vocês não estavam mais juntos, porque você preferiu acreditar no que Heather te disse a respeito dele, ao invés, de acreditar no que Gil te falou.

— Eu fui tão ingênua, Lewis.

— Heather é que foi ardilosa demais. Você não tinha como saber que ela mentia, Sara.

— Seu irmão deve estar me odiando, não é verdade?

— Odiar, eu não acho. Mas ele está ressentido, porem tenta não deixar transparecer isso. Só que eu o conheço melhor que qualquer pessoa e eu sei que ele está péssimo, Sara. Pela primeira vez vejo meu irmão apaixonado por alguém. E este alguém é você.

Como eu sou idiota!

— E na primeira oportunidade que aparece, eu sou incapaz de acreditar nele. Lewis, eu estou tão arrependida de ter duvidado dele. Queria poder dizer isso ao seu irmão se ele me atendesse.

Foi então que eu me ocorreu uma idéia. Grissom não me atenderei, mas o irmão dele sim.

— Lewis posso te pedir um favor?

— Nem precisa dizer, que eu já posso imaginar qual seja o favor.

Vi o irmão de Gil apanhar seu celular do bolso do terno e mexer no aparelho por segundos antes de levá-lo à orelha. Não demorou mais que uma fração de tempo para eu estar ouvindo Lewis pronunciar o nome do irmão.

— Gil está em casa, cara?... — Lewis piscou para mim e sorriu. Mal podia acreditar que ia escuta a voz do meu cretino gostoso de novo. — Sim, mas você vai sair daqui a pouco!... Sem problema, acho que vai ser rápido aqui. É que tem uma pessoa que quer falar com você. Espera aí.

Lewis me estendeu o telefone e sussurrou-me que ia ao banheiro. Assenti já apanhando o aparelho de sua mão. Creio que o irmão de Grissom só inventou que ia ao banheiro para me deixar falar com mais privacidade com o irmão dele.

Assim que Lewis saiu, eu fui cuidar de falar com Gil que estava falando repetidas vezes "alô".

— Oi, Grissom! — com certa hesitação e timidez, eu o cumprimentei baixo.

Tomara que ele não desligue na minha cara. Seria muito bem merecido caso isto ocorresse. Mas para a minha sorte não ocorreu.

— Sara?— Gil respondeu depois de longos segundos de silêncio. Cheguei até a achar antes disto que ele tivesse desligado, mas felizmente não foi o caso. — O que quer?

Sua frieza me cortou o coração. Mas eu sabia que merecia aquilo. Fiz por onde, né?!

— Soube pelo seu irmão o que aconteceu com você aí na Alemanha. E como você não me atendia...

— Pediu ao Lewis pra me ligar. — ele completou minha fala sem esperar que eu fizesse isso.

— Como você está? — indaguei depois de cinco segundos de silêncio.

— Acho que Lewis deve ter te falado sobre o meu estado, não?

Essa versão ríspida e grosseira dele estava acabando comigo. Nem de longe era o sujeito alegre, gentil e amável que eu conheci.

— Ele falou sim, mas eu queria ouvir de você mesmo sobre isso.

— Pois bem... Eu estou ótimo. Foi só um susto. Um tremendo susto aliás.

— Quando eu...

Interrompo a mim mesma ao ouvir ao fundo a conhecida e irritante voz de Maryane se dirigindo a Grissom.

Ela estava lá com ele na Alemanha!

Isso me deixou tão arrasada quanto a frieza e a indiferença com a qual Grissom vinha me tratando naquela ligação.

Podemos ir, Gil? ela repetiu pergunta.

Para onde ele ia com ela?

— Eu preciso desligar, tenho um compromisso agora. Agradeço sua preocupação em ligar. Adeus!

Ele simplesmente desligou na minha cara após essas palavras. Não me deu qualquer chance de lhe dizer mais nada.

— Não acredito nisso!... É tudo culpa minha!

Lewis retornou poucos instantes depois e pela minha cara, ele deduziu que a ligação não foi nada agradável. Antes mesmo que ele me fizesse qualquer pergunta, eu lhe falei como foi o breve "papo" com seu irmão. Depois mencionei sobre Maryane.

— Ela tinha dito que ia mesmo junto com meu pai, Sara. Grissom até falou que não era necessário Maryane ir até lá, mas ela insistiu que queria se certificar pessoalmente que ele estava bem. E pelo visto, ela foi mesmo.

E, certamente, a vaca da minha prima ia aproveitar que estava lá para pousar de noivinha cuidadosa e amorosa.

Que ódio!

Eu é que devia estar lá cuidando dele, e não a invejosa da Maryane! Se bem que ela era a noiva dele. Mas que se dane! Ele não gosta dela. É de mim que ele gosta. Ou gostava! Não tenho mais certeza disso.

— Sara, eu acredito que você e o meu irmão ainda vão se acertar.

— Não sei não, Lewis. Pelo modo como se portou comigo pelo telefone, Gil deixou bem explícito que está muito magoado.

— E isso te fará desistir dele e entregá-lo de mão beijada pra sua prima? Porque se fizer, vai me desapontar profundamente.

— Não pretendo desistir dele. Só que parece tão complicado agora reverter essa situação que eu causei.

— As coisas só são complicadas se a gente acredita que elas são. E eu não acredito que sua situação com o Gil seja assim tão complicada de se resolver. Ele gosta de você. Na verdade, te ama. — ouvir isso arrancou-me um leve sorriso. — É só uma questão de tempo e conversa pra vocês se acertarem. — Lewis piscou para mim e sorriu.

Eu espero que ele esteja muito certo em dizer que se trata apenas de uma questão de tempo e conversa para seu irmão e eu nos acertamos.

Notas finais
Se não bastasse o que houve ainda tem a Maryane pra piorar a situação. Até o próximo capítulo.