One Night - Livro 1
27 Capítulo XXVII
Notas iniciais
Achei estranho e não gostei nada do modo como ele me questionou, mas mesmo assim respondi de boa.
— Ele me convidou pra acompanhá-lo a exposição de fotos da mulher de um amigo dele e como nosso jantar... — gesticulei de Gil para mim com o dedo indicador. — ... Foi cancelado eu aceitei o convite do Brooke. Mas e você o que faz aqui? Pensei que nem viesse por causa do seu jantar de negócios.
Me aproximei mais dele no sofá e Gil se pôs de pé ainda com aquela estranha expressão séria, que eu não via razão para estar nele.
— Houve um imprevisto e o jantar de negócios não rolou. Então, eu vim direto pra cá te ver e passar a noite com você. Mas ao chegar aqui há algumas horas, sua amiga me informou que você não estava, porque simplesmente saiu com seu chefe.
O desdém em seu tom de voz ao pronunciar as últimas palavras me rendeu um arquear de sobrancelhas.
— Saí mesmo. Qual é o problema nisso? Não tô entendendo esse seu comportamento, Grissom.
— Qual é o problema? — com um sorriso irônico ele repetiu a pergunta que lhe fiz. — Você saí com outro homem vestida assim... — me apontou com o indicador e eu me olhei não vendo nada de errado no meu vestuário. — ...E me pergunta: "Qual é o problema?".
— Sim. — confirmei, cruzando os braços e já séria com aquele comportamento todo dele.
— Pois eu te digo qual é o problema, Sara: eu não quero você saindo com outro homem além de mim. Você está comigo e só é comigo que vai sair, me entendeu bem?
Gil segurou em meu braço de uma maneira nada gentil. Na mesma hora me livrei do contato com sua mão.
— Como é? — indaguei com irritação e indignação. — Você não é meu dono. E não está em pé de exigir nada de mim, Grissom. — onde já viu isso. — E tem mais, tá pra nascer homem que vai mandar em mim e dizer com quem eu devo ou não sair, e principalmente, a roupa que vou usar. Ok?
Com um empurrão passei por ele feito um raio e cheia de raiva.
Só porque nós temos um "rolo", ele acha que vai pousar de macho alfa e querer mandar em mim. No sonho dele. A nenhum dos meus namorados anteriores dê esse direito, que dirá a Gilbert que nem namorado é meu ainda. E ainda que já fosse, jamais lhe deixaria mandar em mim desta forma.
Segui para o meu quarto com a raiva me consumindo e sentindo Gil no meu encalço.
— Onde vocês foram?
Escutei quando ele indagou assim que entramos no meu quarto.
— Você é surdo ou o quê? Falei ainda pouco que ele me convidou pra uma exposição. — me virei para ele.
— Que exposição foi essa?
— De fotos!
Eu nem sei porque demônios continuava a lhe dar respostas, ao invés, de lhe mandar ir embora.
— Te liguei inúmeras vezes, mas seu celular só deu caixa postal.
— Ele provavelmente descarregou. — expliquei com a raiva chegando quase ao limite.
— Vocês foram mesmo só a essa exposição?
Essa sua pergunta foi o estopim para mim.
— Pra onde mais nós iríamos, Grissom? — o encarava com seriedade e ele apenas calado me olhando de volta. Parecíamos travar uma guerra silenciosa com nossos olhares. — Me diz, anda? A um motel? É isso? Você quer saber se fui pra cama com o meu chefe nesta nossa saída?
A expressão dele se retorceu de raiva. Mas ele foi incapaz de pronunciar um A.
— Pra satisfazer sua curiosidade, eu te digo com todas as letras: Não fui pra cama com meu chefe! A gente só foi a uma exposição e nada mais. Agora se me der licença... — segui de volta até a porta, abri a mesma e indiquei a saída do quarto para Grissom. — Quero que vá embora. Amanhã eu tenho que acordar cedo pra trabalhar.
— Eu não vou embora daqui. Vim passar a noite com você e é o que pretendo fazer.
Comigo, ele não vai passar a noite mesmo. Não depois do comportamento que teve na sala e a desconfiança que vejo em seus olhos enquanto me encara.
— Mas eu não quero você aqui depois dessa cena ridícula que fez e das coisas que disse. Vai embora!
— Sara...
— Mandei você ir embora, Grissom! — disse com firmeza e seriedade para ele entender e ver que eu estava muito puta de raiva com ele e que qualquer coisa que ele diga para tentar consertar a merda que causou, não vai resolver nada por agora.
— Não era a minha intenção te ofender.
Mas ofendeu!
— Adeus, Gilbert!
Diante destas minhas palavras, ele enfiou as mãos no bolso, veio a passos lentos até onde eu estava, parou por um segundo a minha frente e após dizer um baixo "boa noite", saiu do meu quarto.
Bati a porta do cômodo forte, que não sei como a pobre não se partiu.
— Merda! — resmunguei com ódio e jogando no chão a minha bolsa.
Escuto a porta do quarto ser aberta novamente e já achei que fosse Gil de volta. Estava pronta para mandá-lo à merda, mas vi que era a Dayse.
— Nossa, o que foi que houve Sara? Do meu quarto deu pra ouvir sua voz alta.
Com raiva contei o que aconteceu. Coloquei para fora minha irritação toda com o comportamento de Grissom de ainda pouco. Dayse me deu total razão na minha insatisfação, mas também teve o cúmulo de dar em parte razão a Gil naquela situação ocorrida.
— Você está tirando uma com a minha cara em dar razão à ele, não é Dayse?
— Amiga e se fosse o contrário? Se ele tivesse saído com a Maryane, por exemplo? Você não ia ficar puta de ciúmes também?
— Você me conhece o suficiente pra saber que a resposta é: sim! Mas eu jamais diria à ele o que ele me disse. Dayse, o Grissom me tratou como se eu fosse uma propriedade dele. Eu não quero você saindo com outro homem além de mim. Você tá comigo e só é comigo que vai sair, me entendeu bem?— repeti com total desagrado as palavras e o jeito como Gil me disse aquilo.
— Foi uma mancada das grossas ele dizer isso, hein?
— Mancada é pouco. Ele demonstrou com essa cena toda que não confia em mim. Ah, que raiva misturado com ódio que eu tô daquele cretino!
Minha vontade era encher a cara dele de bofetadas e mais bofetadas até descarregar toda a raiva que sinto dele.
— Toma um banho pra esfriar a cabeça e depois descansa, amiga. Vai te fazer bem.
— Vou fazer.
— Boa noite! — ela me deu um abraço e um beijo no rosto.
— Boa noite, Dayse.
****
"Sinto muito pelo meu péssimo comportamento ontem. Me desculpa, querida!
Com amor, Gil."
Um sorriso involuntário escapou dos meus lábios ao ler aqueles dizeres no cartão, que acompanhava as flores brancas que recebi ainda pouco.
Pelo menos ele estava reconhecendo que seu comportamento ontem foi péssimo e estava se desculpando.
— Nossa que flores lindas!
Levantei os olhos do buquê e encontrei Dayse em pé do outro lado da minha mesa.
— São do Gil! — contei. — Recebi há poucos instantes.
— Deixa eu adivinhar... Pedido de desculpas por ontem?
Assenti em confirmação e ela sorriu.
Antes daquele buquê chegar minha raiva por Gil já tinha passado consideravelmente. E depois das flores recebidas, a raiva tornou-se nula. Mas devo reconhecer que ainda estou um pouco ressentida com o que ele me disse. Entendo que ele estava com ciúmes como Dayse argumentou, mas creio que ele se excedeu nas palavras. Não gosto de ser tratada como uma propriedade como senti que ele me tratou ontem. E nem sou cachorro para ter dono!
Ele precisa confiar em mim e não "surtar" mais desse modo ao saber que sai com alguém do sexo oposto, ou então esse relacionamento não terá muito futuro.
— Vai ligar agradecendo, não é?
Óbvio que eu ligaria. Mas resolvi não fazê-lo agora.
— Depois eu faço isso. Vamos almoçar? Tô morrendo de fome.
— Ai, eu também, por isso vim atrás de vocês. Vamos!
Ajeitei as flores no jarro sobre a minha mesa e depois segui com Dayse para o refeitório.
Nosso grupo hoje estava desfalcado do Bolton. Era folgada dele! Fiquei de papo com o pessoal enquanto almoçávamos. Uma hora depois já estava de volta à minha mesa e ao meu trabalho. Resolvi ainda não ligar para Grissom agradecendo as flores. Achei melhor fazer isso só quando chegasse em casa e aproveitaria também a ocasião para conversarmos sobre ontem.
Foquei no que eu tinha de trabalho e que não era pouco, e as horas passaram tão rápido que nem vi. Assim que deu meu horário, Brooke me dispensou. Carregando minhas flores segui para o elevador e fiquei esperando pelos meus amigos para descermos juntos. Poucos minutos de espera e as meninas chegavam primeiro.
— Flores de novo?
— Sim, Cris!
— Foi o tal Sr.Gostoso?
— O próprio, Nina.
Acabei de falar e avistamos os rapazes vindo. Trent ao ver as flores, quis saber se eu tinha ganho do Gil e eu confirmei. Entramos no elevador e enquanto as meninas comentavam comigo sobre as flores que ganhei, os rapazes falavam sobre um jogo que eles pretendiam ir assistir num bar ao saírem da editora.
Chegamos ao térreo e saímos do elevador para seguirmos à saída do edifício da editora. Ao cruzarmos as portas giratórias e nos encontrarmos do lado de fora, eu me despedi dos meus amigos e, Dayse e eu fomos pegar o carro dela que se encontrava estacionado do outro lado da rua.
Já dentro do veículo à caminho de casa, Dayse me interpelou se eu já tinha ligado para Gil. Ao ouvir minha negativa, minha amiga quis saber o motivo de eu ainda não ter feito isso. Aleguei que faria só em casa, pois queria aproveitar para também ter uma boa conversar com ele sobre ontem. Dayse apenas me lançou um rápido olhar e não disse nada.
Chegamos em casa minutos depois e a primeira coisa que fiz foi apanhar meu celular da bolsa a fim de ligar para Grissom. Porém, ao pegar o aparelho percebi que o mesmo se encontrava descarregado.
— Droga!... Dayse me empresta seu celular pra eu ligar para o Gil. Meu celular está descarregado.
Minha amiga me estendeu o aparelho dela e foi até a cozinha beber água.
Disquei o número de Gil e no terceiro toque a chamada foi atendida.
— Alô!
Fiquei estática e incapaz de responder a saudação feita por uma voz conhecida, que não era a do dono do celular. Em dois segundos tomei a atitude de encerrar a chamada as pressas. Um sentimento nada agradável me corroeu por dentro.
Por que foi ela quem atendeu o celular dele?
— Que foi? Ele não está atendendo?
Dayse estava de volta da cozinha empunhando um copo com água.
— Você não vai acreditar em quem atendeu o telefone do Gil. — olhei ainda chocada para minha amiga com o ocorrido há segundos.
— Não foi ele?
— Não! Foi a minha prima. — revelei sem esconder meu desagrado quanto a isto.
— Maryane? Mas por que porra foi que ela atendeu o telefone dele?
Também gostaria muito de saber.
Será que ele saiu com ela só para me provocar por eu ter saído com meu chefe? Seria o cúmulo da infantilidade dele!
O telefone começou a tocar na minha mão. Era o número de Grissom.
Seria Maryane retornando porque desliguei? Ou seria o próprio Gil ligando para saber quem lhe ligou, já que ele não sabe que este é o número da Dayse?
— É ele?
— É o número dele, mas pode ser muito bem a minha prima. — rejeitei a ligação e estendi o aparelho celular à Dayse. — Toma! E não atende se ligarem outra vez.
Dayse pegou da minha mão o aparelho.
— Não posso acreditar que ele esteja com ela. Me mandou flores de manhã e à noite saí com a minha prima. Cretino!
— Amiga não tira conclusões precipitadas. Aposto que isso tem explicação.
— Como ele pôde deixar que ela atendesse ao celular dele? — comentei comigo mesma, ignorando as palavras de Dayse.
— Vai ver que ele não estava por perto, deixou o aparelho dando sopa e ela atendeu de enxerida que é. — minha amiga respondeu, achando que a pergunta tivesse sido feita à ela.
— Sorte dele e minha que eu não liguei do meu número, senão que mentira eu inventaria à chata da Maryane para justificar, estar ligando para o noivo dela?
Juro que eu não teria ideia do que inventar.
— Por que ele também não termina logo com ela hein?
— Ele disse que quer primeiro falar com o pai dele. — revelei.
O telefone tocou novamente e Dayse virou o celular para eu ver. Era o número dele de novo.
— Não atende!
— Vou silenciar pra não ficar tocando, que não tem coisa mais irritante que celular tocando e tocando. — ela pôs a ligação no silencioso.
— Vou tomar um banho e dormir.
— Não vai jantar?
— Perdi a fome. Se o número dele continuar te ligando não atende, Dayse. E se ele mandar mensagem, não responde também.
— Okay.
— E me faz um favor?
— Qual?
— Se livra dessas flores pra mim. — eu praticamente joguei o buquê para cima da minha amiga.
— Ai, Sara! Pra mim jogar fora? Mas elas são tão lindas para irem parar no lixo!
— Então fica pra você e deixa no seu quarto. Eu não quero olhar mais pra essas flores.
— Tá bom!
— Boa noite, Dayse!
— Boa noite!
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