One Night - Livro 1
23 Capítulo XXIII
Sua resposta me quebrou ao meio.
Eu fiquei sem fala, desarmada diante daquilo.
Será que ele estava falando a verdade mesmo?
— Vai parecer até ridículo, mas... em você, eu encontrei a parte que faltava em mim.
Engoli em seco. Pareceu tão sincero e verdadeiro seu discurso, que se tudo aquilo que ele disse até agora, fosse mentira sua para me envolver ou fazer com que caía na sua lábia, então eu ia ter que tirar o chapéu para ele, por ser um perfeito mentiroso assim.
Ele veio se aproximando de mim e dessa vez, eu não o impedi de tal ação.
— Sabe como eu costumava ser exatamente antes de te conhecer naquela noite? — somente balancei a cabeça em negação. — Eu era um homem de não me apegar a nenhuma mulher. Gostava de ter aventuras. De ficar cada vez com uma mulher diferente, porque... achava um saco ficar com uma só. — ele esboçou um sorriso, que em nada era alegre ou demonstrava orgulho do que disse, pelo contrário. — Mas aí você apareceu aquela noite na festa... Confesso... Eu achei que ia ser como as outras... Uma noite e no dia seguinte, eu ia inventar uma desculpa e te dispensar... Ou então, eu faria exatamente como você fez comigo, te deixaria sozinha no quarto. Mas não foi assim. Antes mesmo de adormecer ao seu lado, eu já tinha em mente não fazer com você nada disso que já fiz com tantas outras antes, porque você... Você me fisgou, Sara! — do fundo do coração, eu estava acreditando agora piamente, em cada palavra que ele ia dizendo. Soava verdadeira demais para ser mentira. — Naquela nossa maratona louca de muito sexo intenso, você conseguiu me fisgar. — ele sorriu de um jeito lindo, sem aquele ar de cafajeste que o acompanha. Mas aí seu sorriso desmanchou no instante seguinte. — Só que aí, eu acordei e cadê você? Tinha ido embora, sorrateiramente, sem deixar um contato. Por que fez isso, Sara?
A pergunta me pegou momentaneamente desprevenida, que eu não soube o que dizer de imediato.
— Não vai me responder? — Gil insistiu diante do meu silêncio.
Baixei a cabeça, porque naquele momento, eu sentia vergonha da minha atitude aquele dia. Parecia tão certo o que fiz há mais de dez dias, mas agora, eu descobria que foi um grande erro. E estava arrependida dele.
— Eu achei que não era necessário ficar e esperar você acordar já que era só sexo casual. — respondi sem encará-lo.
— E ontem, também foi por esse mesmo motivo?
Ergui os olhos para ele e o encontrei me observando. Talvez, ele não tenha deixado de me olhar mesmo quando eu não estava fazendo isso segundos atrás.
— Não.
— Foi pelo quê então?
— Grissom o que quer de mim? — resolvi que não responderia aquela sua pergunta. E por isso, lhe rebati com um questionamento.
Qual era seu propósito em ter se desmanchado à mim com declarações de amor como às que ele havia me feito anteriormente?
— Eu quero você! — direto e sem rodeios como ele vinha sendo desde o início daquela conversa. — Me apaixonei por você, Sara. Acredita em mim. Eu estou sendo muito sincero quando digo isso e tudo mais que já disse antes.
Olhando para ele e no fundo dos seus olhos, eu me convenci de uma vez por todas que ele estava mesmo sendo sincero e verdadeiro.
— Eu acredito em você.
— Que bom!
— Tudo o que você disse é lindo, maravilhoso, mas... e a Maryane nessa situação toda? Por mais que eu gostei muito de você, Grissom, não vou me sujeitar a ficar com você estando casado com ela.
— Olha... — ele segurou meu rosto entre suas mãos grandes e com os polegares deslizou carinhosamente pelas minhas bochechas. — Me dá só uns dias pra resolver isso.
Ótimo!
— Então quando resolver isso, aí, você me procura. Eu não vou ficar com você estando de compromisso com Maryane.
Isso era algo que estava definido em minha cabeça.
— Não, Sara. Não faz assim. Fica comigo, querida. Eu não consigo mais ficar longe de você.
— Grissom...
— Eu te juro que vou falar com o meu velho sobre você o quanto antes, em seguida falo com Maryane e com seus pais. Só te peço uns dias apenas e paciência, querida. Mas eu vou resolver essa situação logo. Não quero você como a "outra". Quero que você seja a única ao meu lado.
Ele mudou de ideia tão rápido, por quê?
— Não foi você mesmo quem me disse, que não podia declinar do compromisso com a minha prima e agora, resolveu mudar de ideia?
— Sim, resolvi. Porque entre me indispor com sua prima por anular nosso compromisso ou ficar sem você do meu lado. Eu prefiro a primeira opção, porque não quero e nem consigo mais me imaginar ficar sem você ou longe de você, Sara.
— Grissom a minha prima está apaixonada por você. Inclusive, ela me disse com todas a letras, que vai lutar por você e pra fazer o casamento de vocês deixar de ser comercial pra virar real.
E Maryane me pareceu tão determinada quanto a isso, que não creio que ela vá aceitar esse término assim tão facilmente.
— Luta por mim também. Ou será que eu não valho nada a pena pra você?
Pela primeira vez desde que começamos a conversa ali, eu esbocei um sorriso.
Depois dele ter me dito tantas coisas lindas e feito declarações que não ia esquecer tão cedo, quiçá até não esqueça nunca. Eu descobria que sim... Ele valia a pena!
— Pior que você vale, seu canalha!
Admití com um sorriso tímido e deslizando uma das mãos por seu rosto enquanto meus olhos estavam presos nos deles.
— Então fica comigo, Sara. Eu tô louco por você! — ele confessou, juntando sua testa na minha.
Aquelas suas palavras finais e seu modo tão fofo de dizê-las, foi a gota d'água que me fez mandar tudo a merda e me jogar nos braços dele.
Eu o beijei, com desespero e paixão, e ele retribuiu da mesma forma.
Se ele dizia que ia resolver aquela situação, então eu ia lhe dar esse voto de confiança e acreditar nele, porque eu sentia que Grissom estava falando sério, pois parecia isso. Só espero que esse "logo" dele seja logo mesmo, porque não vou aceitar me sujeitar a essa situação além do que uns dias apenas.
— Vem! Vamos sair daqui! — anunciei após o beijo.
Segurando em sua mão, eu saí levando-o em direção ao meu quarto. Entramos no cômodo e tranquei a porta atrás de mim.
— Seu quarto é bonito!
Eu ri, achando curioso o fato dele sempre reparar nos cômodos sempre que entra neles.
— Você sempre comenta sobre os cômodos que entra pela primeira vez?
— Sempre!... E gostei do poster do Bon Jovi. — com o indicador ele apontou o poster pregado na parede à cabeceira da cama.
— Sou fã da banda. Na verdade, eu era mais quando adolescente. — revelei, enlaçando o pescoço de Gil e empurrando-o em direção a cama.
— Hum... Eu era fã do Led Zeppelin.
— Sério? — ri surpresa enquanto ele assentiu, confirmando o que perguntei. — Você não parece combinar muito com o estilo do Led Zeppelin.
Gil deu de ombros envolvendo os braços em torno da minha cintura.
— As aparências enganam.
— E como enganam!
A iniciativa do beijo dessa vez foi de Gil e eu só me deixei levar por seu beijo envolvente.
É estranho o que o desejo
Faz as pessoas tolas fazerem
Eu nunca sonhei que eu conheceria alguém como você
E eu nunca sonhei que eu precisaria de alguém como você
(Wicked Game)
O nosso beijo não foi com o desespero, nem com a pressa ou a urgência de como costumavam ser nossos beijos. Pelo contrário, foi algo delicado, devagar e suave, como nunca havia sido entre a gente um beijo até aquele momento.
Descobri que eu precisava daquele homem e sentia que ele precisava de mim também. Ele demonstrou com palavras que gostava de mim de verdade! E eu gostava dele da mesma forma.
Só teríamos, ou melhor, ELE teria que desfazer o compromisso com minha prima para nós dois começarmos o NOSSO compromisso.
Minhas mãos iniciaram a tarefa de livrar Gil da camisa que ele usava. Botão a botão eu fui abrindo sua peça de roupa.
Terminei de desabotoar o último botão e fiz a peça deslizar pelos braços dele para jogá-la ao chão. Minha mão tocou seu ombro, desceu para seu peitoral forte e deslizou até seu abdômen reto.
— Senti isso. — ele pegou uma das minhas mãos e colocou-a bem sobre o lado esquerdo de seu peito. Sob a palma da mão, eu podia sentir seu coração batendo acelerado. Sorri e olhei nos olhos de Gil. — Ele nunca bateu por outra mulher tão rápido como bate cada vez que estou com você.
Meu Deus!
Por muito pouco, eu não perco todo o ar dos pulmões e meu coração pára de bater diante dessas palavras de Gil.
Foi lindo o que ele disse! Até o momento só tinha ouvido coisas lindas dele.
Essa versão romântica do meu cretino Sr.Gostoso é tão apaixonante.
— Não sabia que você era romântico assim!
Aquele era um lado que não imaginava que ele tivesse. Mas que estava adorando saber que ele tinha. Um sujeito safado, que no fundo sabia ter seus momentos de romântico.
— Tem muita coisa que não sabe sobre mim, querida, mas que vou me encarregar de te mostrar. — ele levou minha mão até seus lábios e beijou meus dedos. — Quero que me conheça por inteiro, como nenhuma mulher conheceu, Sara.
— Nem Maryane?
Notei que ele ficou um tanto tenso com a menção do nome da minha prima.
— Maryane conheceu apenas um pouco de mim. Mas você conhecerá tudo!
Nossas bocas se encontraram em outro beijo e momentos depois, estávamos ambos sobre a minha cama, comigo nua e ele só de cueca beijando cada parte do meu corpo com extrema delicadeza e sem qualquer pressa.
— Você é linda demais!
— Você também é lindo demais, Gil!
Ele era o cara mais lindo com quem topei nos últimos tempos.
— Sou mesmo? — assenti, assistindo-o sair da cama para livrar-se da cueca.
Ele terminou de tirar a peça e fez menção de voltar à cama, quando lembrei de um detalhe que em Santa Mônica não me ocorreu lembrar.
— Você tem camisinha para usarmos, Gil?
Dessa vez, eu não ia esquecer de transar sem a bendita da camisinha.
Grissom me encarou estático. Talvez não esperasse pela pergunta. Mas eu precisava, fazê-la. Ele acabou, confessando meio sem graça que tinha vindo desprovido do preservativo. Ainda bem que eu mantenho uns guardados no meu banheiro.
— Na gaveta do armário do banheiro ainda tem uns. Pega lá pra gente. — pedi e ele se virou, indo ao banheiro apanhar as camisinhas, nisso meus olhos foram agraciados com a visão daquela sua bunda deliciosa desfilando diante dos meus olhos.
De volta do banheiro segundos depois, Gil depositou um preservativo sobre o criado-mudo e rasgou o pacote com o outro que tinha na mão, para em seguida colocá-lo, comigo de espectadora sua. A cena dele fazendo aquilo foi eroticamente deliciosa de assistir.
— Agora que eu me lembrei, a gente transou sem proteção em Santa Mônica. — ele comentou preocupado se acomodando sobre mim, após ter terminado de pôr a camisinha.
— Pois é. Mas a gente conversa sobre isso depois.
Eu o beijei não lhe dando qualquer oportunidade de seguir com aquele papo. A gente tinha algo melhor e mais interessante para fazer naquele momento. E fizemos!
Foi tão diferente das outras vezes, porque não houve dessa vez a volúpia, o desespero, a urgência, o fogo e a paixão... Houve sim a delicadeza dos movimentos, o cuidado dos toques, o carinho dos beijos e o amor nas palavras trocadas através dos nossos olhares.
A gente não fez sexo como foi nas vezes anteriores... A gente fez amor! E foi de um jeito lindo e apaixonante como não achei que pudesse ser.
Gil foi de uma doçura incrível.
Se antes eu já havia me apaixonado por ele, depois dessa noite eu não mais tinha dúvidas quanto a esse respeito.
Eu estou apaixonada por esse homem.
****
Acomodada em seus braços, com a cabeça repousando num de seus ombros, eu sentia uma das mãos de Gil desenhar círculos na base da minha coluna. Um silêncio bom pairava entre nós por alguns segundos já. Não era incômodo, muito pelo contrário, era agradável e reconfortante. Porem eu resolvi rompê-lo para tratarmos do assunto abordado por Gil pouco antes de nossa transa.
— Acho que agora podemos falar sobre aquele assunto.
Senti que Gil ficou tenso. Sua mão até parou de desenhar círculos nas minhas costas.
Levantei a cabeça de seu ombro e encontrei o meu Sr.Gostoso de semblante fechado. E isso de algum modo, me deixou apreensiva e preocupada.
— Você está tomando pílula?
— Não!
Um silêncio de quase um minuto pairou entre nós enquanto ficamos nos encarando após minha resposta negativa.
— Por acaso está no seu período fértil?
Senti Gil hesitar na pergunta.
— Sim! — respondi alguns segundos depois da pergunta me feita.
Ele fechou os olhos.
— Então a chance de você ficar grávida...
— É grande! — completei antes mesmo que ele fizesse a pergunta toda.
Eu me preparei para qualquer reação sua, menos a que ele teve. Gil simplesmente abriu os olhos e desatou a rir, me pegando de surpresa e me desconsertando com aquela reação. Eu imaginei algo diferente daquilo, já que sua expressão era séria até segundos atrás. Aí, ele mudou de fechada à sorridente num milésimo de segundos. Fiquei sem entender. Será que era riso de nervoso?
— Posso saber qual é a graça? Do quê está rindo?
— Você acaba de me dizer que possivelmente, eu vá ser pai e não quer que eu ria?
— Você por acaso está rindo de nervoso ou porque que gostou da notícia?
— Mas é claro que é porque eu gostei. Ou melhor, eu adorei isso. Essa é melhor coisa que poderia ter nos acontecido.
Lembrei da tal condição e associei essa sua alegria a este fato, e não exatamente pela possível gravidez em si; e acabei não apreciando tal felicidade dele.
— Você está dizendo isso por causa da condição que seu pai impôs, não é?
— Não tem nada a ver com isso, Sara.
— Então?
— Céus! Eu estou alegre porque você, a mulher que eu gosto vai me dar possivelmente um filho. Isso é a melhor coisa que poderia ter acontecido.
— Você quer que eu esteja grávida?
— Claro que eu quero! Quanto tempo teremos que esperar pra saber se de fato se você está grávida?
— Não sei! — dei de ombro, deslizando a ponta dos dedos por seu peito descoberto.
— Como não sabe?
— Eu nunca fiquei grávida antes Grissom.
— Hum...
— Vou esperar por algum atraso no meu ciclo. Se acontecer, eu faço o teste de farmácia e vou torcer pra dar negativo.
Diante da parte final da minha fala, Gil franziu a testa.
— Por quê vai torcer pra dar negativo? Por acaso, você não quer um filho meu?
Eu adoraria num futuro distante, não agora. Ainda mais que as circunstâncias não eram propícias para isso. Uma criança naquele momento só traria mais confusão. Não quero nem imaginar o escândalo que isso geraria na minha família.
— Nesse momento não. Olha a nossa situação, Grissom! Você ainda é noivo da minha prima.
— Sua possível gravidez vai contribuir mais ainda para eu adiantar e bem, meu término com Maryane.
— Ela vai me odiar, meus pais também. Meu Deus!... Eu nem quero pensar no rolo e na merda que isso vai dá. — baixei a cabeça e apoiei a testa no peito de Gil.
— Ei! Olha pra mim. — ergui a cabeça para encontrá-lo me olhando. — Eu vou estar aqui do seu lado. Não vou te deixar sozinha, Sara. Muito menos agora, que pode ter um bebê meu aí dentro de você. Estamos juntos nessa, querida.
Foi reconfortante e encorajadora suas palavras, principalmente a última frase.
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