One Night - Livro 1
18 Capítulo XVIII
Notas iniciais
— O que ele queria com você? — Dayse interpelou assim que entramos no táxi.
— Me encher!
Aquele abusado prepotente de uma figa.
— Pra onde vamos, senhoritas?
— Boate Crazy Night, por favor. — instruí ao taxista.
Enquanto o homem dava partida no táxi, Dayse pediu-me detalhes a respeito do que, exatamente, Grissom falou comigo.
— Ah! Ele disse com todas as letras que não queria que eu saísse pra boate alguma e ainda mais, vestida assim. É um idiota! Quem ele pensa que é pra achar-se no direito de dizer isso? Vê se pode!
Dayse começou a rir de mim e eu olhei contrariada para ela. Não havia nada de engraçado ali para ela estar rindo.
— Desculpa, amiga. — ela me pediu diante da minha cara endurecida e olhar zangado que eu ainda lhe dirigia. — Mas sabe o que isso está parecendo da parte dele?
— O quê?
— Ciúmes!
Balancei a cabeça em negativa e lancei um olhar para a paisagem que passava pela janela do carro.
— Eu achei até que ele sentisse ciúmes de mim, mas quer saber? Achei errado! Não é ciúmes, é loucura.
Aquele seu jeito autoritário, de se achar quase que meu dono, era louco. Ele não era nada meu, mas agia como se fosse. Como se sua noiva fosse eu, mas a comprometida com ele é Maryane. Ele que vá se achar dono dela, não de mim. Cretino!
— É ciúmes, sim Sara. Ou então por que ele te pediria para não sair, se não fosse por estar morrendo ciúmes de você indo à uma boate linda desse jeito?
— Porque ele é louco! Doente! Um maluco que se acha no direito de querer me impedir de ir à um lugar vestida como eu bem quiser.
— Ele está a fim de você, amiga.
— É, ele está tão afim, Dayse... Que vai casar com Maryane. Tão afim que depois de transar comigo, ele ficou flertando com outras na praia, bem na minha frente. Isso é está afim pra você? Porque pra mim não! Pra mim isso é descaramento e safadeza desse cara mesmo.
Ouvimos a risada fraca do motorista ressoar ali. Ao notar pelo retrovisor que nós o observávamos, o senhor pediu desculpas. Olhei para Dayse.
— Olha, chega de falar no Grissom, tá legal? — pedi num cochicho. — Eu quero ter uma noite divertida. E isso incluía não ouvir o nome desse cara mais Dayse. Grissom morreu e não existe essa noite.
— Ok!
****
Mesmo com a pouca iluminação dentro da boate foi possível constatar, que o local estava lotado de gente bonita e isso incluía os homens, principalmente. Nossa era cada colírio que enxergamos pelo pouco caminho traçado da entrada da boate até próximo da pista de dança!
Dayse e eu resolvemos primeiro ir ao bar, tomar algumas dose de drinques para esquentar e aí, depois se jogar na pista de dança.
Hoje, eu estava a fim de me acabar de dançar e também, dar uns amassos e beijos em algum gato com pegada boa.
— Boa a noite! O que as senhoritas vão querer pra beber? — em um tom alto de voz pra que pudesse ser ouvido melhor, o barman do outro lado balcão se dirigiu a nós duas quando paramos a sua frente.
— Pode ser você, gato?
Revirei os olhos e ri disfarçadamente daquela cantada barata da Dayse. Ela nunca perdia tempo de agir. Nem bem chegou e já estava atacando.
Observei que o barman sorriu sem jeito para a louca da minha amiga. E, a resposta que ouvi dele chegou a me surpreender.
— Infelizmente não pode! Primeiro porque não estou no cardápio. E segundo que sou um homem encoleirado e fiel, gata.
Ele ergueu a mão direita onde vimos uma grossa aliança enfeitando seu dedo anelar.
Ah, um cara sincero e fiel! Que bom que ainda tem caras assim! Oh, glória! Nem todos estão perdidos nesse mundo.
— Não liga pra minha amiga, ela é louca. — resolvi intervir e livrar Dayse daquele fora que ela acabava de levar.
O barman sorriu e sinalizou de maneira positiva com a cabeça. Seu sorriso era bonito. Dentes brancos e perfeitamente enfileirados. Com um sorriso bonito daqueles, o sujeito facilmente poderia ser garoto propaganda de alguma marca de creme dental. Sem contar não era só seu sorriso que era bonito, o cara como um todo era bonito. Moreno alto, forte, com cavanhaque e era careca. Não sou muito fã de homem careca. Mas esse barman era um gato!
— Que drinque nos sugeri? Mas não vem com um forte demais. Queremos curtir bem a festa e não ficarmos bêbadas em dois tempos. — expliquei.
A intenção era beber, mas moderadamente para poder curtir a noitada de boa, sem pagar mico ou correr risco sendo alvo de algum sujeito mal intencionado, que sabemos ter nas boates.
— Vocês gostam de frutas vermelhas?
— Eu adoro!
— Não sou muito chegada, mas bebo.
— Então vou preparar um drinque com frutas vermelhas e pouca vodka, pode ser?
— Sim. — concordei e o sujeito se virou para preparar nossas bebidas.
— Poxa! Achei que ia descolar bebida de graça pra gente pegando o barman, mas não vai rolar. — Dayse me cochichou.
— Você não presta! — ela riu. — E bem feito, que já começou a noite levando toco para deixar de ser apressada.
— Valeu, viu amiga!
Ficamos no bar por uns bons minutos conversando e bebendo. Tomamos umas quatro doses do drinque que Armand, o barman, nos serviu. Aquela bebida de frutas vermelhas com vodka era ótima. Nem tão forte e nem tão doce demais. Tinha a quantidade exata de álcool e açúcar para não ser enjoativa e nos deixar bêbadas rápido demais.
De repente, ouvimos o DJ tocar Tik Tok e Dayse pirou.
— Ah, não! Kesha! Vamos dançar agora essa música, Sara! Vem!
Só tive tempo de virar o copo e beber rápido o resto do meu drinque.
Minha amiga me arrastou para a pista de dança. Dayse adora Kesha e aquela música é uma das suas preferidas.
Nós duas dançávamos e ao mesmo tempo, cantávamos uma para a outra alguns trechos da música, principalmente seu refrão.
Nos acabamos de dançar aquela música e as outras quatro que vieram depois dela. Cansadas voltamos ao bar para beber mais um pouco e descansar.
— Sara vira o rosto discretamente pra sua direita e dá uma olhada naqueles gatos que não tiram o olho da gente.
Fiz o que Dayse pediu e avistei os dois caras nos olhando. Eles eram gatos mesmo. Na verdade, eram dois pedaços de mau caminho! Um era ruivo e o outro moreno.
— E aí, o que achou?
— Dois belos colírios.
— Bota colírio nisso!
Dentro da bolsa de mão que eu segurava, senti meu celular vibrar. Pesquei o aparelho de dentro da bolsa e vi com estranhamente, que era um número que eu nunca nem vi antes.
— Que foi, Sara? Quem tá ligando?
— Sei lá. É um número que eu nunca vi.
— Ah, então não atendi. — ela sugeriu e virou-se para o barman, pedindo: — Armand vê mais um desse pra mim.
— Pode deixar. — escutei atrás de mim o barman dizer.
— E se for importante?
— Se for amanhã vai ligar de novo.
Resolvi seguir o conselho da minha amiga e não atendi a ligação. Só que a pessoa tornou a ligar mais uma vez, e mais outra... E mais outra, numa insistência que começou a irritar a mim e Dayse.
— Ah, quer saber? Me dá aqui esse seu celular, Sara. — Dayse me estendeu a mão direita. — Vou saber agora quem é o pentelho que está perturbando uma hora dessas.
Abri a minha bolsa e entreguei o celular na mão da Dayse. Ela atendeu a chamada disposta a dizer poucas e boas, já que aquela altura o efeito do álcool já começava a dar sutis sinais nela. Só que minha amiga mal falou "alô" e a vi arregalar os olhos e calar-se.
— Quem é Dayse?
Ela me olhou e estendeu o celular para mim.
— Acho melhor você atender.
— Mas quem é?
— Atende e descobre. Toma!
Com estranhamento tomei o aparelho de sua mão e o levei à orelha.
— Alô! — falei alto para que a outra pessoa me ouvisse bem, já que se falasse baixo não seria ouvida por causa do som da música ambiente.
— Em quê boate você está?
Fiquei estática e em choque encarando Dayse. Minha amiga no momento exibia um sorriso para lá de sacana, enquanto bebericava seu drinque, que lhe foi entregue por Armand naquele instante.
— Grissom?? — seu nome saiu da minha boca de maneira incrédula.
Mal podia acreditar que ele estivesse do outro lado da linha. Como foi que ele conseguiu meu número?
— Eu mesmo. Me diz qual é essa boate e eu vou aí com você.
— Mas nem pensar! — me apressei em dizer, passando a outra mão livre pelos cabelos. — Que parte do: "Me deixa em paz!", Que você não entendeu?... Cara, você é comprometido com a minha prima. Me esquece!
Desliguei na cara dele.
Mais que cara mais sem noção!
— O que ele queria?
— Saber que boate eu estava pra vir aqui.
Dayse abriu um sorriso.
— Eu tô te falando que ele tá a fim de você. E mais, ele tá louco de ciúmes de você ter vindo linda assim, pois sabe que os homens vão cair matando em cima de você aqui na boate.
Eu não vou cair nessa pilha.
— Não viaja, Dayse! O que o Grissom tem não é ciúmes, mas sim orgulho ferido por eu ter lhe dado um fora.
— Se você quer achar isso... Então fique com esse pensamento aí.
No fundo eu até adoraria que fosse ciúmes mesmo, como cheguei a achar por um momento logo no começo que ele sentisse por mim. E mais, adoraria que minha amiga estivesse certa sobre Gil estar a fim de mim. Mas achava pouco provável ambas as coisas. Para ser franca acho, que na verdade, sou um brinquedinho sexual de Grissom. Só que a diversão dele comigo não vai mais acontecer.
— Vem, vamos dançar. E esquece essa ligação e aquele cretino. — convidei já puxando minha amiga pela mão.
E lá fomos nós para a pista dançar. Quando estávamos na terceira ou quarta música, os caras que Dayse disse que estavam de olho na gente, chegaram em nós, e começaram a dançar junto conosco.
— Sou Jay! — o moreno que dançava comigo falou aproximando seu rosto do meu para que eu o ouvisse melhor.
— Sara! — dessa vez resolvi jogar limpo, não quis mentir meu nome.
— Prazer, Sara. — ele piscou e sorriu de maneira toda galante.
Jay era um cara encorpado, forte, alto. Um moreno que descobri durante o papo que íamos trocando entre a nossa dança, ter a minha idade, ser formado em jornalismo e estar solteiro.
Ele dançava bem e por várias músicas dancei com ele. Em determinado momento, olhei na direção de Dayse e ela dançava com o ruivo amigo do Jay, ao mesmo tempo em que, eles trocavam um beijaço.
— Parece que nossos amigos se deram super bem.
— Pelo visto sim.
Seguimos dançando e numa música da Rihanna com uma pegada mais sensual, Jay me puxou mais para junto de seu corpo e dançamos bem juntos essa música, com ele se esfregando em mim.
Senti suas mãos descerem por minhas costas e se insinuarem para tocar minha bunda, mas brequei na hora.
— Segura essa sua mão boba aí, Jay. — sussurrei em seu ouvido e escutei meu parceiro de dança sorrir.
A dança prosseguiu e então Jay tentou me beijar, mas não sei porque me esquivei e evitei seu beijo.
— Que foi, gata?
Bastou a lembrança de Grissom e seu descaramento na praia, para que eu me sentisse incentivada a ceder a Jay.
— Na verdade não houve nada! — respondi antes de tascar um beijão em Jay e este retribuir a altura.
Após o beijo a nossa dança ganhou mais sensualidade e ficou mais colada do que antes. A mão dele passou a não parar quieta e sua boca muito menos. Jay me beijava o pescoço, a orelha, o ombro quando eu dançava de costas para ele, e meus lábios, quando estávamos um de frente para o outro.
Devo reconhecer que estava sendo bom ficar com ele. E em determinado momento, Jay me propôs de deixarmos a boate e ir para um lugar mais tranquilo onde ele e eu estaríamos mais a vontade.
Eu entendi na hora o que aquilo significava: sexo! Só que dessa vez, eu não estava a fim de terminar a noite daquela forma, então recusei o convite dele. E vi a faceta de bom moço do meu parceiro de dança, cair na hora.
— Qual é a sua hein, garota? Me atiçou e agora não quer ir até o fim.
Ele estava irado. Em nada parecia o cara gentil que dançava comigo segundos atrás.
— Me solta! — exigi séria, pois ele segurava meu braço de maneira bruta, que provavelmente ia me deixar uma marca vermelha.
— Não vou soltar. E você vai vir comigo pra gente terminar essa noite em outro lugar. Vamos.
— Eu não vou com você pra canto nenhum. E tira as mãos de mim! — puxava meu braço tentando me livrar do contato de suas mãos, enquanto ele já começava a seguir levando-me junto com ele.
Bateu um desespero e temi pelo meu pior.
— Por favor, me solta. — supliquei.
— Não ouviu a moça? Tira as mãos dela ou eu mesmo faço isso agora!
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