— Que ódio daquele cara. Ele não vale nada, Dayse! Nem o cocô do cavalo do bandido.

Eu estava possessa, mais que isso, eu estava puta com aquele ordinário de uma figa. Ele se mostrou um perfeito idiota. Maryane o merecia mesmo!

— Eita! E o cocô do cavalo do bandido vale alguma coisa, por acaso?

— Nada! — exclamei com ira enquanto caminhávamos pela calçada rumo de volta à casa dos meus pais. — Exatamente como aquele cretino, descarado, degenerado...

— Tá! Chega de elogiar o cara. — Dayse me interrompeu em tom de brincadeira pra amenizar o clima. Mas nenhuma gracinha da minha amiga ia parar a ira que me consumia. — Agora me diz o que foi que ele fez pra você tá assim?

Até agora eu não havia lhe contado o que rolou após sua saída para atender a ligação. Então abri o jogo:

— Aquele descarado ficou trocando bilhete com uma fulana bem na minha frente.

Tudo bem, ele não tem qualquer compromisso comigo, certo? Sim! E por isso, eu não tenho qualquer razão para me abalar com o fato de ele estar fletando com outra descaradamente na minha frente, certo também? Seria sim também. Mas aquilo me abalou. Vê-lo responder aos bilhetinhos de outra, me incomodou e deu uma raiva tão grande, que se ele aparecesse agora na minha frente eu lhe daria um belo tapa na cara.

— Que descarado, hein?... E isso pelo visto te incomodou, né?

— Não devia incomodar, pois não somos nada um ao outro. Mas... incomodou, Dayse. E está incomodando e muito. — confessei para ela.

— É... Definitivamente, você gamou nesse cara, amiga. Tanto que não consegue disfarçar o ciúmes dele.

— Não é isso.

A quem eu queria enganar? Só a mim mesma, porque à Dayse que não era.

— Ah, então é o quê? Me explica. — ela se postou à minha frente, fazendo-me parar de caminhar.

Sem saber ao certo me explicar, eu tentei.

— Ele transou comigo momentos atrás no banheiro do meu quatro. Aí, depois fica de flerte com outra bem na minha frente, Dayse. E ainda tem o fato de que ele é noivo da minha prima. Acha mesmo certo isso?

— Certo não tem nada nisso. E nem nessa sua história com ele.

— Não tenho história alguma com ele.

Eu tive um caso de uma noite e depois uma recaída, que já até me arrependia de ter concedido. Aquele cara não merecia nem minha atenção, quanto mais outra transa.

— Amiga, você pode negar o quanto quiser para você e até para mim. Mas está mais do que nítido, que você ficou afim do Sr.Gostoso. Tanto que está aí, se corroendo de ciúmes.

No fundo, não tão fundo assim, ela tinha inteira razão. E eu só não queria admitir em alto bom som aquilo. Eu estava afim daquele sujeito.

— Quer saber? Eu quero distância dele.

Estava disposta a isso. Só não sabia se conseguiria, porque aquela peste de homem exercia um poder sobre mim, que era impressionante. Era vê-lo e as minhas entranhas já entravam em festa por ele.

— Pois não dou quinhentos dólares pra ele te tentar e você cair na dele. — desdenhou Dayse, saindo da minha frente e assim nós retomámos a caminhada.

— Pois, eu não vou cair mais. — disse tentando soar convicta. Mas por dentro a convicção era um enorme zelo. — E tem mais? Hoje a noite, você e eu vamos sair pra curtir uma boate. Quero dançar, beber e de quebra arranjar um cara gato pra dar uns beijos, amassos e assim ver se tirou aquele cretino da mente.

Dizer essa última parte foi um erro, pois na mesma hora Dayse não perdoou e me provocou.

— Ah, então ele está na sua mente? Ixi, você está gamada nele mesmo!

— Não estou, Dayse!

Eu sabia que não adiantaria negar para minha amiga, porque ela me conhecia e sabia perfeitamente, que eu estava mentindo na cara dura. Mas, talvez insistir nessa mentira à ela, me fizesse acreditar que a mentira, era verdade.

— Tá bom! Se você quer se iludir com isso, se iluda. Mas a mim não está iludindo, que fique claro. — isso estava claro desde o começo. Ela nem precisava repetir. — E quanto a noitada já topei. Sabe que festa, boate e bebedeira é comigo mesma. E nós vamos curtir a beça a noite.

— Pois a noite será uma criança para nós duas!

— Pois eu quero é que ela seja um cara bem gostosão pra eu dar uns pegas, isso sim.

Eu não aguentei e caí na risada da louca da Dayse. Ficar séria perto dela não durava muito. E que bom que ela estava aqui para me divertir com suas tiradas e sua companhia.

Tenho convicção de que se ela não estivesse, eu já teria pirado e pilhado mais ainda com a situação toda. Ou até já teria dado um jeito de fugir de Santa Mônica de volta para o Brooklyn.

Chegamos em casa e meus pais estranharam que voltamos sozinhas. Perguntaram pelos demais e informei que ficaram na praia e antes que indagassem mais outra coisa, inventei que Dayse não quis mais ficar na praia e por isso retornamos. E, como os rapazes ainda queriam ficar por lá, nós voltamos sozinhas. Meus pais pareceram engolir bem a mentira descarada.

Dayse e eu subimos, trocamos de roupa e propus a minha amiga de não almoçarmos em casa. Ela topou sem qualquer hesitação.

Eu queria evitar ao máximo ficar topando com Gil por aquela casa, então além de almoçar fora, ainda propus de ficar pela rua batendo perna com Dayse. Isso me pareceu a melhor ideia. E a intenção também era voltar só no fim da tarde, quase noite mesmo para apenas nos arrumarmos para a noitada na boate.

Obviamente, Dayse topou as propostas todas. Ela adorava bater uma perna mesmo. Devidamente prontas, eu e minha amiga descemos, e avisamos aos meus pais da nossa saída e dos nossos planos de passar a tarde fora. Eles não gostaram muito, pois queriam que almoçássemos em família, mas outra vez usei a Dayse como desculpa. Aleguei que ela estava louca para passear um pouco pela cidade e eles então aceitaram.

Por obra divina saímos e o quarteto de rapazes ainda não tinha voltado da praia. Melhor assim!

Fomos no carro do meu pai. Outra vez o Mercedes conversível.

Almoçamos num restaurante magnífico, localizado na orla de uma praia há léguas de distância da que fomos com os rapazes. Não queria em hipótese alguma, dar brecha para topar com aquele cretino do Grissom.

Depois fomos dar uma volta por alguns pontos turísticos legais da cidade. Lá pelas quatro, nós duas já estavamos no shopping passeando e procurando em algumas lojas uma boa roupa para usar a noite, pois eu não tinha trazido nada para curtir a noitada em uma boate e nem a Dayse também havia trago algo.

Entramos em várias lojas até encontrar algo que nos agradasse. Eu estava atrás de algo ousado, sexy e provocante para usar na minha saída a noite. E minha amiga queria algo mais comportado.

Dividindo um provador e vestidas somente com nossas peças íntimas, já que naquele momento estávamos provando uns vestidos, eu escuto de repente meu celular tocar dentro da bolsa. Era Greg. Ele estava ligando para se despedir, pois ia embora e como eu não chegava para que se despedisse pessoalmente de mim, então estava ligando.

— Um beijo, primo. Me liga e boa viagem.

— Obrigado, magrela. E você também me liga às vezes, se não for cair seu dedo.

— Chato!

— Olha quem fala. Bye!

— Bye! — encerrei a chamada e joguei o celular de volta dentro da bolsa, pendurada num gancho atrás da gente.

— Seu primo já tá indo embora?

— Tá!

— Poxa!

A cara de frustração que Dayse fez foi tão engraçada, que me fez rir e minha amiga acabou me acompanhando na risada.

Ouvimos alguém bater na porta do provador e nos pedir para sair logo, pois tinha outras pessoas lá fora, querendo experimentar roupas também.

— Ok! Já vamos.

Minutos mais tarde, saíamos da loja com nossos vestidos devidamente comprados e guardados na elegante sacola de papel de uma boutique. O meu era um tubinho azul tomara que caia, com paêtes e comprimento até o meio das coxas, que de tão justo evidenciava mais as minhas poucas curvas. Já o vestido da Dayse era um amarelo, sem mangas, justo até a cintura e solto para baixo, comprimento pouco acima dos joelhos.

Agora nos faltava um belo par de sapatos. E fomos atrás deles. Eu optei por Peep Toe meia pata, com salto agulha e na cor preta. Enquanto minha amiga escolheu uma sandália gladiadora de cor bege, com saltos grossos e altos.

Após termos feito nossas 'aquisições' para usarmos mais tarde, Dayse e eu fomos tomar uma cerveja num barzinho da praça de alimentação do shopping.

— Que boate nós vamos, Sara?

— Tem uma que é ótima. Ela se chama Crazy Night. Fui nela algumas vezes quando ainda morava aqui.

— De cara já gostei dessa boate só pelo nome. — com um sorriso enorme Dayse disse antes de beliscar o aperitivo que pedimos e depois dar um gole em sua cerveja.

****

Já ia dar quase sete, quando entramos em casa rindo e demos de cara com minha mãe e Maryane na sala vendo uma revista de noiva. Pelo visto minha prima ja começou a pensar no vestido.

Que ódio!

— Nossa! Foi levar sua amiga para passear a cidade toda foi, Sara?

— Na verdade eu que pedi para ela me levar por um tour geral. E acabamos por perder a hora, Maryane.

Dayse se adiantou a mim na resposta.

— Hum... Fizeram compras? Podia ter me dito, Sara, pois assim ia junto com vocês.

Era só o que me faltava andar com ela à tira colo. Tudo bem que resolvi aceitar seu pedido de trégua, mas sair com minha priminha de acompanhante não seria lá divertido. Maryane reclama quase sempre de algo e ia acabar estragando minha tarde e a de Dayse.

— Numa próxima, quem sabe, Maryane. E o papai, mãe?

— Saiu há um tempo com seu irmão, Grissom e Lewis, mas já devem estar de voltar para jantarmos.

— Bom... Dayse e eu vamos subir, arrumar umas coisas e também nos arrumarmos, pois mais tarde vamos sair pra dançar numa boate.

— Por que não vai com sua irmã e Dayse, Maryane? Leva o seu noivo e o irmão dele para se divertirem juntos.

Eu quase chorei de desespero quando minha mãe sugeriu isso à minha prima. Aquela sugestão dela tinha sido infeliz e horrível. Ela não tinha nada que vim com isso, meu Deus!

Lancei um discreto olhar a Dayse e ela deve ter lido em meus olhos o desespero, pois fez uma cara de "ai, amiga!".

Então eu rezei e muito para Maryane não aceitar aquela sugestão de dona Laura. E com alívio tive minha prece atendida, já que minha prima recusou a oferta, alegando que não estava com vontade de ir a nenhuma boate.

Um enorme "Graças a Deus" reverberou dentro de mim tão alto, que até temi que tanto Maryane quanto minha mãe tivessem escutado.

Depois da recusa de Maryane, eu subi com Dayse para o meu quarto. Já lá dentro tratamos de deixar tudo organizado para nos produzirmos depois. Com tudo devidamente separado e ajeitado sobre a cama, fui a primeira a ir tomar banho. Poucos minuto depois saía do banheiro enrolada na toalha e já estava começando a escovar os cabelos. Enquanto isso Dayse foi cuidar de tomar o banho dela também.

— Será que o seu Sr.Gostoso já chegou? — Dayse me interpelou quase meia hora mais tarde, quando já me ajudava a fazer escova.

— Ele não é MEU. — que insistência dela em dizer aquilo. Se ele era de alguém, então esse alguém era minha prima, sua noiva. — E chega de chamar aquele cretino assim.

Ele não era mais Sr.Gostoso. Deu de ficar lhe elogiando com esse termo. Agora era Grissom. Só Grissom, ou também podia ser Grissom, o cretino. Ou melhor ainda, apenas CRETINO mesmo.

— Ok! Não precisa ficar nervosa.

— Não estou nervosa.

Ouvimos uma batida na porta seguido do chamado de Sean.

— Que foi mamão?

— A mamãe mandou avisar que o jantar já vai ser servido. É para você e a sua amiga descerem.

Olhei para Dayse e ela imediatamente balançou a cabeça em negação enquanto sussurrava que não estava com fome. E como eu também não estava, disse à Sean que avisasse que não jantaríamos, porque ambas estávamos sem fome. Ele respondeu com um "ok" e acho que se foi logo em seguida.

— Você sabe que não vai poder evitá-lo pra sempre, né?

Sabia! Ô, se sabia!

— Mas quanto menos eu puder evitar de vê-lo ou topar com ele aqui nessa casa, será melhor para mim. E vou fazer o possível para isso acontecer.

— Ainda bem que amanhã nos mandamos de volta e você só o verá, possivelmente, no casamento dele com Maryane. Isso se esse casório sair, né?

— E por que não saíria?

Será que ela pensa que vou fazer alguma coisa para impedir aquele cretino de se unir à Maryane?

Pois se dependesse de mim isso não ia acontecer. Eu não tinha qualquer pretensão de me meter com aquele sujeito. Já vi que ele não vale a beleza que tem. Posso até gostar dele, mas um cretino desses não quero não. Ja basta o Elliot que foi uma decepção e tanto, me metendo chifre. Ter outra vez a cabeça enfeitada e seguidamente não está nos meus planos.

— O casamento vai sair Dayse. E o assunto Grissom está encerrado, pode ser?

— Claro!

Já era por volta das dez e pouco da noite, quando ficamos prontas. Me olhando no espelho uma última vez, eu mais que aprovei o que via. A maquiagem estava perfeita, os cabelos muito bem escovados, o vestido que comprei estava incrível e o sapato também.

— Já, Dayse?

Vi minha amiga sair do banheiro toda linda e poderosa no seu look.

— Sara se a gente não arranjar no mínimo um bofe vestidas pra matar como estamos, eu viro lésbica.

— Você? Pegando uma mulher? Até parece!

Aquela ali gostava de homem tanto quanto gostava de beber, ou seja, bastante. Mulher para ela só como amiga ou inimiga.

— Vamos?

— Agora!

Pegamos nossas bolsas de cima da cama e saímos do meu quarto.

— Como será que o Sr... — ao meu olhar fulminante Dayse mudou a forma de se referir à Grissom. — O traste do noivo da sua prima vai reagir quando te vê assim?

— Dayse para de ficar falando dele.

— Ai, não consigo. Sinto muito.

Chegamos as escadas que traziam à sala e vimos a cabeça de TODOS que ali se encontravam, virarem-se quando os sons dos nossos saltos descendo as escadas, denunciaram nossa presença.

— Uau! — Sean assoviou. — Onde é a festa que as duas gatonas vão?

— Numa boate. Vamos sair para dançar! — respondi à meu irmão.

Notei o olhar sério e nada contente de Gil repousando em mim, e medindo-me de cima à baixo sem que os demais notassem aquilo.

— Esse seu vestido me parece curto demais, Sara. Vocês não acham?

Meu pai chegou a concordar com minha prima. Já minha mãe se limitou em dizer que estava bonito. Grissom sequer se atreveu a opinar e Lewis discordou da opinião de Maryane. E meu irmão, bom.. este deu uma resposta que quase me fez gargalha na cara da nossa prima.

— Que curto o quê, Mary!... Sara tá show o vestido. E você também, Dayse. As duas estão super gatas. E o que é bonito é para se mostrar mesmo, minha gente. Vamos parar com a caretice papai e Maryane.

Sean nunca foi ciumento e tampouco, grudento como a maioria dos irmãos mais velhos costumam ser com as irmãs mais novas. Muito pelo contrário, Sean era zero ciúmes e zero grude. Meu pai que o obrigava a ser um grudento ao lhe pôr para ficar me acompanhando nas minhas saídas com os amigos na adolescência.

— Maryane... — era a minha vez de responder seu questionamento. — O vestido está no comprimento exato do meu gosto e do lugar onde vamos.

Ela não tem nada que ficar dando pitaco na minha roupa, porque eu não dou na dela. O quê que há?

— Você vai dirigindo, Sara?

— Não, pai. Como a gente vai beber, então vamos de táxi e voltaremos do mesmo modo.

— Melhor assim.

— Isso é claro, seu Carl, se nós não arranjarmos companhia masculina na festa e ele nos dê carona de voltar para casa.

Meu pai, minha mãe, Sean e Lewis acabaram por rir do comentário de Dayse. Já Maryane deu um fraco e amarelo sorriso. E Grissom vi apertar a mandíbula com força. Algo me diz que ele não gostou do que ouviu. E que Dayse havia dito aquilo, justamente, com esta finalidade: irritá-lo e lhe provocar.

— Mas cuidado as duas com a companhia que vão arranjar, hein? Tem muito cara mal intencionado nessas boates.

— Pode deixar, pai. Sua filha é esperta. E, mãe, nós não temos hora pra voltar. — avisei para que ela não ficasse na sala me esperando. Quando eu ainda morava aqui e saía com amigos a noite, minha mãe ficava acordada à minha espera. Só dormia depois que eu estivesse em casa. Isso óbvio, quando ela não tinha plantão. Do contrário ela ligava para Li de uma em uma hora para saber se eu ja havia chego.

— Está bem, filha. Divirtam-se com juízo!

— Pode deixar.

— Sara será que posso falar com você rapidamente, antes de ir?

Eu quase perdi o ar e o coração até chegou a falhar uma batida, quando Gil pronunciou tais palavras já ficando de pé.

Todos os olhares e cabeças se voltaram a Grissom, que pareceu nem se incomodar em ser alvo de todos aqueles olhares curiosos.

— O que quer falar com minha irmã, Gil?

Ótimo! Maryane tirou as palavras da minha boca. O que ele quer comigo? Independente do que seja, eu não estava interessada em saber. Mas pela cara dos demais, eles sim, estavam, pois olhavam para Grissom a espera de uma resposta. Que ele deu.

— É um assunto que deixamos pendente na praia e que é importante para mim. Depois te conto qual é, Maryane. Você pode me acompanhar até a cozinha, Sara, por favor? Prometo que não vou tomar muito do seu tempo para não te atrasar.

De que assunto pendente esse canalha está falando?

Não importa. Eu não estava interessada em saber. Contudo, meu pai me obrigou a ir ouvir Gil.

— Querida vá lá falar com seu futuro cunhado.

Quase quis dizer ao meu pai, que Grissom não era meu futuro cunhado coisa alguma, porque Maryane sequer era minha irmã de verdade. Mas, eu me reservei o direito de ficar calada e não ser grosseira com meu pai.

Observei Maryane e ela estava séria revezando seu olhar entre mim e seu noivo. E, com certeza, devia estar se corroendo de curiosidade para saber que assunto pendente era esse que seu noivo cretino queria tratar comigo.

— Vamos, Sara? — Grissom me apontou a direção da cozinha.

Sem alternativa e contra a minha inteira vontade, eu passei por aquele canalha rumo à cozinha e ele me seguiu após pedir licença aos demais.

— Que raios de assunto pendente é esse que quer falar comigo? — nem bem entramos e já fui logo questionando-o séria. Felizmente àquele horário a cozinha estava vazia, pois as meninas já haviam se recolhido.

— Não quero que saía pra porra de boate alguma e ainda mais, com essa roupa.

Engasguei com o próprio ar.

— Como é que é?

Juro, eu não queria, mas após me recuperar do engasgo, comecei a rir. Mas era um riso de pura raiva e deboche.

— Eu estou falando sério, Sara. Não quero que saía assim.

Essa era boa. A piada do mês!

— Escuta aqui... — parei de rir e apontei para ele. — ... Quem você pensa que é pra falar desse jeito arrogante e autoritário comigo?... Se liga! Você não é nada meu, seu idiota!

Onde já se viu. Ele que vá impedir a noiva dele de sair, não a mim.

— Sara, eu estou pedindo.

— Você não tem qualquer direito de me pedir nada. Não somos absolutamente nada um para o outro. Então me deixa em paz, cara!

Ia lhe dar as costas, mas ele segurou em um dos meus pulsos.

— Não, Sara! Deixa eu ir com você então?

Esse louco me abraçou e eu gelei, temendo que alguém aparecesse e nos pegasse abraçados. Ele só pode ter um parafuso a menos.

— Que ir comigo o quê, cretino. — tirei seus braços de mim e me afastei dele.

— Sara, nós podemos ficar junto por lá. Dançar que nem da vez que nos conhecemos e depois...

— Você tá louco! — interrompi antes que ele tivesse a cara de pau em completar aquela frase. É muito sem noção e qualquer respeito por mim e pela Maryane. — Eu quero distância de você!... Você é um cretino... Uma cilada, uma tremenda roubada e tudo mais que não presta.

— Isso é por causa daquele lance da praia, né? Você passou o dia todo me evitando, fugindo de mim. Mas eu posso te...

— Você se dá uma importância que não tem.

— Será que não tenho mesmo? — ele se reaproximou de mim com a intenção de me abraçar de novo, mas desta vez fui rápida e recuei, evitando este novo contato com ele.

— Me deixa! Eu não quero mais papo com você.

— Querida...

— Sara o táxi chegou. Vamos?

Agradeci enormemente por Dayse aparecer com essa notícia. Foi o que eu precisava para sair dali. Segui Dayse para fora da cozinha sem dizer mais nada a Gil.

Notas finais
Sr. Gostoso não gostou nada de ver Sara sair toda produzida pra curtir a noite numa boate. Será que a morena vai se dar bem nessa noitada com Dayse? E o Gil? Vai fazer alguma coisa ou ficar em casa quietinho esperando a volta de Sara da boate? Façam suas apostas. Um beijo e ate o próximo capítulo.